Queiroz, Flávio Marcel Mendes de *1; Stebel, Sérgio Leandro *2;
Setti, João Antônio de Palma*3 1 – Departamento de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica, UTFPR, [email protected] 2 – Departamento de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica, UTFPR, [email protected] 3 – Departamento de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica, UTFPR, [email protected] * –Avenida Sete de Setembro, 3165, Centro, Curitiba, Paraná, Brasil, 80230-901
RESUMO
O presente estudo consistiu no desenvolvimento, modelagem e produção de Este artigo pretende apresentar o processo de obtenção de um suporte para talheres, utilizando a digitalização do perfil da empunhadura do indivíduo portador de limitação da preensão manual para a confecção de um projeto personalizado fabricado por meio de manufatura aditiva, proporcionando maior independência do indivíduo no processo de alimentação.
Palavras-chave: manufatura aditiva, tecnologia assistiva, cutelaria.
ABSTRACT
This article intends to present the process of obtaining a support for cutlery, using the scanning of the handhold profile of the individual with a manual grip limitation for the creation of a customized design manufactured by means of additive manufacture, providing greater independence of the individual in the feeding process.
Keywords: additive manufacturing, assistive technology, cutlery.
1. INTRODUÇÃO
A mão tem extrema importância como forma de interação com o meio e é evidenciada pela habilidade de manipular, posicionar e utilizar objetos. A perda da capacidade funcional da mão, temporária ou permanente, resulta na perda
da função do próprio indivíduo, afetando as atividades do dia-a-dia, bem como as atividades profissionais. Atividades de indivíduos que apresentam a “mão em garra” são bastante afetadas pela deformidade que dificulta a preensão de obje- tos e consequentemente o uso da mão. (Elui et al., 2001) (Fonseca et al., 2006).
A adaptação de objetos utilizados no dia-a-dia de pessoas com deficiência, sejam elas mentais, auditivas, visuais ou motoras, são chamadas de Tecnologias Assistivas (TA), e esses recursos variam desde uma colher adaptada com uma empunhadura mais grossa, até sofisticados softwares, que proporcionam inde- pendência e autonomia aos portadores de deficiências (GOMES FILHO, 2003).
A TA deve ser entendida como um auxílio que promoverá a ampliação de uma habilidade funcional deficitária ou possibilitará a realização da função de- sejada e que se encontra impedida por circunstância de deficiência ou pelo en- velhecimento. O objetivo maior da TA é proporcionar à pessoa com deficiência maior independência, qualidade de vida e inclusão social (Bersch, 2009).
Sabe-se que os dispositivos de tecnologia assistiva direcionados para as ativi- dades de vida diária (AVD) de higiene pessoal, banho e alimentação disponíveis são limitados e encontraram-se apenas os mais básicos no contexto hospitalar, tais como a cadeira de banho, as barras de apoio e/ou para transferências e uma bandeja para alimentação. Supõe-se que por meio da inserção de novos equipa- mentos e dispositivos de TA, como talheres engrossados ou flexíveis, as crianças poderiam ter maior independência durante o período de internação e, tanto os profissionais quanto os responsáveis, teriam maior segurança em permitir o de- sempenho das AVD pelas crianças de modo independente (Silveira et al., 2012). Os talheres e os protocolos em torno do seu uso têm servido como forma de denotar status e pertencer a uma classe social específica; as famílias aristo- cráticas encomendavam peças especificadas ou personalizadas, gravadas com a crista da família e com alças que eram intrincadamente detalhadas e feitas de materiais preciosos, como prata, marfim ou madeira. Infelizmente, pessoas com sequelas de mãos são incapazes de utilizar utensílios convencionais, portanto, o argumento sobre os serviços e protocolos de jantar “corretos” não é aplicável. Além disso, demonstrou-se que, no âmbito de dispositivos auxiliares, a estética do produto pode representar uma barreira, pois o apelo visual pode influenciar a decisão do indivíduo utilizar o dispositivo (Renda et al., 2015).
Pessoas com problemas de motricidade encontram dificuldades de manuseio de artefatos básicos, como pratos, copos e talheres. Os formatos de pegas de talheres comuns podem ser beneficiados com pequenas modificações, possibi- litando que a atividade de alimentação seja realizada com autonomia (SILVA et al., 2012).
de Suporte Para Talheres Para Indivíduos Com Sequelas De Mão, tendo o pro- jeto proposto, personalização na empunhadura para um voluntário selecionado.
2. MATERIAL E MÉTODOS
O levantamento dos dados antropométricos do voluntário foi realizado indi- retamente por meio de fotogrametria digital utilizando o software RecapPhoto, com base em um molde obtido previamente com uso de atadura gessada. Para assegurar a escala do objeto digitalizado, posicionou-se um paquímetro com a dimensão de 10mm regulada como padrão de referência (Figura 1).
Figura 1: (a)Molde de atadura gessada e (b) modelo digitalizado.
Realizam-se os ajustes de escala, número de faces triangulares e de superfície do modelo utilizando o software MeshMixer (Figura 2a).
O projeto tridimensional do suporte para talheres é desenvolvido em software específico, tendo sido, neste caso, selecionado o SolidWorks® (Solidworks Corpora- tion, Concord, MA) (Figura 2b).
O modelo tridimensional é utilizado na concepção do produto por meio de ma- nufatura aditiva, sendo escolhido a técnica de Modelagem por Fusão e Deposição (FDM). Dentre os polímeros geralmente utilizados nesta técnica, optou-se pelo ABS (Acrilonitrila Butadieno Estireno). O ABS oferece boa resistência e permite tratamento com solventes, como acetona, a fim de melhorar a superfície (Jumani et al., 2014) (Fernandez-Vicente et al., 2015).
Como referência para o projeto selecionamos três produtos disponíveis no mer- cado (Tabela 1) e realizamos uma análise de oportunidade de otimização sob o pon- to de vista do Design for Manufacturing and Assembly (DFMA), abordagem que enfatiza aspectos da manufatura e montagem ao longo do processo de desenvolvi- mento do produto.
Tabela 1: Dispositivos de TA para alimentação
3. RESULTADOS
A partir das análises realizadas acerca dos produtos selecionados, definiu-se os critérios que direcionaram o projeto, sendo:
• O produto deve ter empunhadura personalizada que permita sua preensão pelo indivíduo portador da sequela;
• O efeito da empunhadura deve ser tal que o produto proposto não necessite de outra solução secundária, como alças, para manter o produto estável na mão do indivíduo portador da sequela;
• O produto proposto deve possuir regulagem para diferentes ângulos, permitin- do ajuste ao uso conforme a necessidade, em diferentes situações.
pesquisa, foi cumprido, tendo sido as etapas necessárias para sua realização apre- sentadas no decorrer dos itens anteriores. Considerou-se satisfatória a geometria obtida para personalização da empunhadura e constatou-se melhora nos padrões de preensão manual.
Do segundo requisito o resultado é positivo, porém, testes cotidianos devem ser realizados a fim de avaliar a condição para qual o produto se propõe.
Cumpre-se ao terceiro requisito, quando o projeto apresenta duas possibilidades de regulagem, sendo estas apresentadas na Figura 3. Tratando-se de um projeto de caráter personalizado, este requisito pode variar de acordo com o indivíduo porta- dor da sequela, sendo de extrema importância sua análise prévia.
Figura 3: Regulagem 1 e 2
Confeccionou-se um protótipo em impressora de pequeno porte, de uso domés- tico, e obteve-se o resultado apresentado na Figura 4.
4. DISCUSSÃO
Acredita-se que o projeto, apesar de atender os requisitos propostos inicialmen- te, tem potencial para ser aprimorado, visto que foram analisadas as necessidades de um público genérico. Porém, entende-se que a ferramenta de DFMA contribuiu para uma solução otimizada em comparação aos produtos similares disponíveis no mercado.
A digitalização indireta da antropometria do indivíduo, por meio de fotogra- metria, se mostrou confiável do ponto de vista dimensional, porém, sua obtenção necessita de várias etapas, demandando um tempo considerável de trabalho nesta etapa.
Outro aspecto passível de melhoria é o componente estético do produto, visto que este deverá ter um aspecto agradável aos olhos do indivíduo que irá utilizá-lo, pois sabe-se que uma das maiores barreiras apresentadas na implementação de pro- dutos de TA é o conforto físico e psicológico do indivíduo.
5. CONCLUSÕES
Conclui-se que a empunhadura personalizada para um suporte de talheres au- xilia a preensão manual do indivíduo portador de sequela, auxiliando assim o no processo de independência na atividade de alimentação, sendo necessários testes cotidianos para evidenciar a funcionalidade do produto.
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