Contextos Relacionais
107 Suporte Social
A maioria das pessoas classificam os seus relacionamentos íntimos como a sua mais importante fonte de felicidade pessoal, no entanto o desenvolvimento e a manutenção de relacionamentos satisfatórios nem sempre é fácil (Holt-Lunstad, Smith, & Layton, 2010). Todavia, os benefícios das relações significativas na saúde mental e física são visíveis, mas a sua qualidade e quantidade têm sido associadas à morbilidade e mortalidade. Um dos mecanismos subjacentes a esta tipologia relacional é o suporte social10, em que pessoas significativas prestam apoio prático e emocional, em
momentos de necessidade (Holt-Lunstad, Smith, & Layton, 2010; McClure et al., 2013; Rafaeli & Gleason, 2009).
De acordo com Ribeiro (1999) o suporte social é um conceito multidimensional que tem impacto diferente nos indivíduos ou grupos e desempenha um papel de extrema relevância na psicologia da saúde. Trata-se das relações entre indivíduos que incluem um ou mais dos seguintes elementos – afeto, afirmação e ajuda e o conjunto de recursos ao dispor dos indivíduos e unidades sociais (tais como a família) (Dunst & Trivette, 1990).
A literatura apresenta um paradoxo, bem documentado, sobre suporte social, ou seja, enquanto a perceção da disponibilidade de apoio está consistentemente associada com benefícios entre os usufruidores do apoio, é comum a promulgação de apoio e as ações diretas de apoio, apresentarem resultados neutros ou negativos (Howland & Simpson, 2014; McClure et al., 2013; Rafaeli & Gleason, 2009; Shrout, Herman & Bolger, 2006). A distinção existente sobre suporte social refere, o apoio emocional que é direcionado para a gestão direta do destinatário e o apoio prático que é dirigido para gerir o problema em si (Howland & Simpson, 2014).
Uma abordagem que clarifica quando o apoio é suscetível de ser útil e quando o mesmo, às vezes é prejudicial é o conceito de apoio invisível, uma vez que contrariamente ao suporte social direto, este é discreto e passa despercebido ao destinatário (Bolger & Amarel, 2007; Bolger, Kessler & Zuckerman, 2000). Os indivíduos preferem não receber apoio quando eles não têm confiança na sua capacidade de atingir um objetivo em particular, porque a aceitação desse apoio coloca em causa a sua autoeficácia (Kappes & Shrout, 2011).
Para Cohen e McKay (1984) o suporte social pode ser psicológico e não-psicológico, o primeiro refere-se ao fornecimento de informação e o segundo ao suporte social tangível. Cramer, Henderson e Scott (1997) defendem que suporte social pode ser de dois tipos: o percebido e o recebido. No suporte social percebido o indivíduo percebe como disponível se precisar dele, e o segundo descreve o suporte social que foi recebido por alguém. Outra distinção feita é entre o suporte social descrito
10 O suporte social pode definir-se como a existência ou disponibilidade de pessoas em quem se pode confiar, pessoas que mostram que se preocupam connosco, nos valorizam e gostam de nós (Sarason, Levine, Basham & Saranson, 1983). Para Cobb (1976) suporte social é o conjunto de informação que conduz o sujeito a acreditar que ele é amado e que as pessoas se preocupam com ele, que leva o indivíduo a acreditar que é apreciado e que tem valor e que conduz o sujeito a acreditar que pertence a uma rede de comunicação e de obrigações mútuas.
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(presença de um tipo particular de comportamento de suporte) e o suporte social avaliado (avaliação de que esse comportamento de suporte é percebido como sendo satisfatório ou que serviu de ajuda) (Cramer, Henderson & Scott (1997).
Segundo Dunst e Trivette (1990) são duas as fontes de suporte social, uma é informal e a outra formal. No que diz respeito às componentes do suporte social podemos referenciar cinco: componente constitucional (inclui as necessidades e a congruência entre estas e o suporte existente), componente relacional (estatuto familiar, estatuto profissional, tamanho da rede social, participação em organizações sociais), componente funcional (suporte disponível, tipo de suporte tais como emocional, informacional, instrumental, material, qualidade de suporte tal como o desejo de apoiar, e a quantidade de suporte), componente estrutural (proximidade física, frequência de contactos, proximidade psicológica, nível da relação, reciprocidade e consistência), e componente satisfação (utilidade e ajuda fornecida). Paralelamente à noção subjacente ao suporte social, que se prende com a existência ou disponibilidade de pessoas em quem podemos confiar, que se mostrem preocupadas connosco, nos valorizem e gostem de nós, existem dimensões que constituem a chave para o bem-estar dos indivíduos. Para Dunst e Trivette (1990) são onze as dimensões de suporte social: a) tamanho da rede social (e.g. número de pessoas da rede de suporte social); b) existência de relações sociais (e.g. relações particulares tais como a amizade, o casamento, pertença a grupos sociais); c) frequência de contactos; d) necessidade de suporte (e.g. necessidade expressa pelo indivíduo); e) tipo e quantidade de suporte; f) congruência entre o suporte social disponível e a necessidade do indivíduo; g) utilização; h) dependência (e.g. extensão em que o indivíduo pode confiar nas redes de suporte social quando necessita); i) reciprocidade (e.g. equilíbrio entre o suporte social recebido e fornecido); j) proximidade com os indivíduos que disponibilizam o suporte social; k) satisfação (e.g. utilidade e nível de ajuda sentidos pelo indivíduo perante o suporte social).
Para Weiss (1991) o suporte social apresenta uma conceção multidimensional que implica vinculação, afiliação, fornecimento de ajuda, colaboração, aliança fiável e obtenção de ajuda. Ou seja, pressupõe a existência de uma rede satisfatória de suporte está disponível (Sarason, Shearin, Pierce, & Sarason, 1987) capaz de promover a adaptação (Scharfe & Bartholomew, 1994).
O suporte social serve claramente como um fator de resiliência para os indivíduos LGB, pela sua capacidade de reduzir a reatividade ao preconceito da orientação sexual e pela congruência com as necessidades de desenvolvimento dos indivíduos. A capacidade de aceitar as emoções, o seu processamento e a capacidade de suavizar o impacto negativo do preconceito, permite aos indivíduos LGB a manutenção da sua saúde psicológica (Kwon, 2013).
A associação entre maior percepção de suporte social, a melhoria da qualidade e satisfação com as relações, bem como melhores resultados em termos de saúde física e psicológica é uma das conclusões mais robustas em psicologia da saúde (Beals, Peplau & Gable, 2009; Delm, 2013; Uchino, Cacioppo, & Kiecolt-Glaser, 1996). O suporte social pode ser crucial para os gays e lésbicas que
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