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4.1 MODELAGEM FORMAL DA PROPOSTA

4.2.3 Suporte Social

Nesta secção são detalhadas as condições socioculturais que permitem o desenvolvimento deste trabalho de pesquisa nas suas diferentes fases e que é de esperar constituam um cenário propicio para trabalhos futuros sobre acessibilidade.

4.2.3.1 Marco legal sobre pessoas com deciências

Na atualidade existem diferentes iniciativas que procuram fornecer um marco legal que suporte os esforços para a inclusão das pessoas com deciências, o que permite ter acesso aos instrumentos que regulam as necessidades básicas deste tipo de usuário.

soas com deciências nas diferentes atividades que se desenvolvem na nossa sociedade, tem como consequência uma maior exposição, em termos de visibilidade, das necessidades de dita comunidade. Da mesma maneira, tem sido elaboradas normas, acordos, declarações que pro- curam agir como diretrizes para o correto desenvolvimento de ferramentas e/ou incorporação de mudanças no entorno físico com a nalidade de atender as necessidades manifestas.

Em alguns dos casos estas iniciativas são lideradas pelos governos locais, por exemplo no caso do Brasil existe a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deciência, que desenvolve trabalhos no nível nacional, e a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deciência do Estado de São Paulo Governo do Estado de São Paulo (2015) é o órgão governamental criado especialmente para garantir que as pessoas com deciência tenham seus direitos assegurados, fornecer as informações legais a serem cumpridas no estado de São Paulo e garantir, quando possível, que as oportunidades para as pessoas com deciência sejam ampliadas e a diversidade respeitada. Da mesma maneira, existem iniciativas desde o campo empresarial, e por parte de instituições não governamentais, todas elas no plano local. Mas existem iniciativas a nível global que procuram regular as medidas a serem tomadas pela sociedade para incorporar as pessoas com deciência, algumas delas são: o Plano estadual de ação para a garantia de direitos das pessoas com deciência, o Programa Estadual de Prevenção e Combate à Violência contra Pessoas com Deciência, e o Observatório de Reabilitação e Tecnologia Assistiva.

Com esses instrumentos é possível desenvolver projetos de pesquisa e tecnologias que adotam essa base e só se preocupar por fazer as contribuições que caem na área de especialização e não em estabelecer ou colher, muitas vezes de maneira leiga e precária, as necessidades dos usuários com deciência.

4.2.3.2 Referência do aporte de pessoas com deciência viabilizado pelas tecnologias assisti- vas

A própria referência do potencial duma pessoa com alguma deciência tem mudado com o passar do tempo. No século passado não era estranho pensar numa pessoa com deciência como uma pessoa limitada, não só na capacidade funcional especica, mas como individuo, como integrante de uma comunidade. Como evidência estão alguns dos termos ociais que foram utilizados para designar-os: deciente, incapacitado, e na língua espanhola até minus- válido os quais assimilaram um referente negativo, e que atingia a pessoa na sua integridade como individuo e não era indicativo exclusivo de alguma perda de funcionalidade. No entanto, com o desenvolvimento de novas tecnologias, e o interesse particular de alguns pesquisadores, surgiram as tecnologias assistivas, com a nalidade de criar ferramentas que pudesse cobrir essas deciências funcionais e permitir elas desenvolver seu verdadeiro potencial.

As referências de grandes personalidades com alguma deciência são amplas, tal como é por natureza o próprio termo deciência, e vão desde desordenes cognitivos leves, controláveis e não visíveis, até paraplegia e tetraplegia.

Provavelmente um dos maiores referentes atuais duma pessoa com deciência que integrou tecnologias assistivas para permitir-e mostrar o seu potencial como um dos melhores físicos do século é o Professor Stephen Hawking. No entanto, existem exemplos de artistas, ativistas, esportistas, escritores, entre outros que realizam grandes contribuições.

4.2.3.3 Interesse tanto académico quanto comercial de investimento em pesquisas dirigidas à acessibilidade

A incorporação das pessoas com deciências como participantes ativos dentro da sociedade da informação signica que as tecnologias devem começar a considerar as necessidades destes usuários como parte dos seus projetos. Assim, dentro da área comercial emergem iniciativas que buscam promover o desenvolvimento de tecnologias assistivas que permitam satisfazer essas necessidades, muitas dessas iniciativas são lideradas por empresas reconhecidas que manifestam publicamente a importância deste tipo de tecnologias e o impacto na vida das pessoas com deciência. Uma dessas iniciativas, provavelmente a mais antiga, foi a da IBM que incorporou dentro do seu próprio manual de treinamento a seguinte diretiva sobre tecnologias assistivas:

"For people without disabilities, technology makes things easier. For people with disabilities, technology makes things possible." (International Business Machine, IBM, 1991)

Continuando com esse interesse nos últimos anos tanto as mais importantes empresas quanto as mais prestigiosas universidades têm criado centros de pesquisa, projetos, associações, par- cerias e conferências que buscam incentivar novas e melhores ferramentas para a integração das pessoas com deciência nas atividades da sociedade. Algumas destas iniciativas são:

• Google Accessibility (Google Inc., 2014) na secção de Iniciativas e Pesquisa

• Microsoft Research and Development Projects Related to Accessibility (Microsoft Cor- poration, s.d.)

• AT and T Labs Research - Assistive Technology (AT&T Lab Research, 2015) • Facebook Accessibility (Facebook, Inc., 2015)

• AAATE:Association for the Advancement of Assistive Technology in Europe (AAATE, 2015)

• RESNA:Rehabilitation Engineering and Assistive Technology Society of North America (Resna, 2015)

• ICCHP:International Conference on Computers Helping People with Special Needs (IC- CHP, 2015)

• MIT Assistive Technology Club (MIT Assistive Technology Club, 2015)