O
Suprema Corte define conceito de input
para fins de PIS e COFINS
Assuntos tributários
Principais temas editados em 2018
Assuntos relativos aos tributos emitidos em 2018 e 2017 (que não estavam
disponíveis quando da elaboração do Guia de 2017)
ICMS na Base de Cálculo do PIS e COFINS e o posicionamento da Receita Federal
A despeito da decisão do Supremo Tribunal Federal pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e para a COFINS, por meio do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, em outubro de 2017 e que remanesce pendente de decisão acerca da modulação temporal de efeitos, a Receita Federal publicou, um ano depois, a Solução de Consulta Interna COSIT n. 13, de 18 de outubro de 2018, que preceitua que o valor do ICMS a ser deduzido é o valor do ICMS não cumulativo devido mensalmente, após o sistema de débitos e créditos, e não o imposto “destacado”, o que na prática, faz com que o montante de ICMS a ser excluído das bases de cálculo das
contribuições seja consideravelmente menor do que seria caso fosse considerado o ICMS destacado nos documentos fiscais de saídas. Por outro lado, em diversos casos concretos, o trânsito em julgado das ações garante a exclusão do ICMS “destacado”, a exemplo de recente posicionamento do TRF3, prevendo: “É certo que a questão foi devidamente enfrentada no RE 574.706, não havendo dúvidas de que o ICMS a ser abatido não é o pago ou recolhido, mas o ICMS destacado na nota fiscal de saída. ”, bem como decisão do STF proferida pelo ministro Gilmar Mendes que esclarece, em ação que discute a exclusão do imposto estadual da base cálculo da CPRB, que o montante a ser excluído é o ICMS destacado nas notas ficais: “o Supremo Tribunal Federal afirmou que o montante de ICMS destacado nas notas fiscais não
constituem receita ou faturamento, razão pela qual não podem fazer parte da base de cálculo do PIS e da COFINS.”
Trata-se, portanto, de momento oportuno para que as empresas se organizem no
eventuais exclusões, bem como garantir o direito a plena compensação dos valores indevidamente recolhidos no passado
Nova lei tributária de serviços promulgada em São Paulo
Seguindo a reforma do ISS, as autoridades municipais de São Paulo editaram a lei
municipal 16.757/2017 em novembro de 2017 (a qual passou a vigorar em 28 de fevereiro de 2018), com finalidade de implementar as disposições da Lei Complementar nº 157 de 2016, que altera a Lei Complementar nº 116 de 2003 (a qual dispõe sobre o Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza - ISS). Dentre as alterações introduzidas, tem-se: i) a mudança do local de arrecadação para certos serviços, ii) introdução de alíquota mínima de 2% iii) expansão do o escopo das atividades tributárias do ISS e alteração de alíquotas para certas atividades. Uma das principais alterações foi a inserção de atividades de streaming de áudio e vídeo como itens sujeitos ao ISS.
Alguns setores tiveram uma redução significativa na alíquota de ISS, como as empresas desenvolvedoras de sistemas, de programação e de processamento de dados, atividades anteriormente sujeitas a 5% e que agora passaram a estar sujeitas a 2,9%. Com relação às atividades de desenvolvimento de software e games e de licenciamento de softwares, bem como às atividades de streaming, estão agora sujeitas a uma alíquota de 2,9%.
Alterações feitas nas listas negra e cinza
As autoridades fiscais brasileiras publicaram, em 21 de dezembro de 2017, a IN 1.773/2017 (alterando a Instrução Normativa 1.037/2010, a qual relaciona dependências ou países com tributação favorecida e regimes fiscais favorecidos) removendo Costa Rica, Ilha da Madeira e Cingapura da lista de países ou dependências com tributação favorecida (lista negra). Os mesmos entram na lista de regimes fiscais privilegiados destas jurisdições (lista cinza).
Assuntos tributários
Principais temas editados em 2018
Novo tratamento fiscal de certas atividades de petróleo e gás natural convertidas em lei
A Medida Provisória nº 795 de 2017,
relacionada ao novo tratamento tributário de determinadas atividades de petróleo e gás natural no Brasil, foi convertida na Lei nº 13.586 / 2017 (com algumas modificações) e publicada em 28/ de dezembro de 2017. Ademais, orientações adicionais foram
publicadas pelas autoridades fiscais brasileiras por meio das instruções normativas 1.778 e 1.780 (publicadas em 2 de janeiro de 2018). A Instrução Normativa RFB nº 1.778/2017 dispõe sobre o tratamento tributário de gastos com as atividades de exploração e de
desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural e seus respectivos registros, bem como os critérios de exaustão e de
depreciação dos ativos empregados nessas atividades.
Por sua vez, a Instrução Normativa RFB nº 1.780/2017 regulamenta o pagamento e o parcelamento de débitos relativos à diferença devida entre o IRRF vigente antes e após a promulgação da Lei nº 13.586/2017, aplicáveis a rendimentos recebidos por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior quando houver execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcação e contrato de prestação de serviço, celebrados entre pessoas jurídicas vinculadas.
A Lei nº 13.586/2018 está alinhada ao objetivo proposto pelo governo brasileiro de proporcionar benefícios aos contribuintes e permitir que as empresas brasileiras do setor se tornem mais competitivas globalmente.
Aumento do imposto sobre transações financeiras
O governo brasileiro publicou o Decreto nº 9.297, em 2 de março de 2018, o qual altera o Decreto nº 6.306 de 2007, que regulamenta o Imposto Sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Imobiliários – IOF.
Este visa ao aumento da alíquota de IOF aplicável às operações de câmbio na transferência de fundos de uma conta bancária brasileira para uma conta bancária estrangeira de um residente brasileiro (que seja uma entidade legal ou um indivíduo), de 0,38% para 1,10%.
O Ministério da Fazenda informou que o aumento visa a equalizar a alíquota do IOF aplicável à alíquota incidente na compra de moeda estrangeira em espécie, que passou de 0,38% para 1,10% em 3 de maio de 2016. A alíquota do IOF sobre as operações de câmbio na transferência de recursos do Brasil para não residentes permanece em 0,38%.
Soluções de Consulta: tratamento fiscal de pagamentos internacionais
relacionados a viagens
As autoridades fiscais brasileiras emitiram 3 Soluções de Consulta entre dezembro de 2017 e maio de 2018, (nº Cosit 598, nº Cosit 56 e SC 6009) concluindo que certas remessas internacionais relacionadas a viagens se enquadram no artigo de “lucros das
empresas” presente nos acordos para evitar a dupla tributação assinados pelo Brasil e, portanto, não estariam sujeitas à tributação na fonte no Brasil.
Em março de 2016, o governo brasileiro reduziu temporariamente a alíquota de 25% do imposto retido na fonte para 6% (até 31 de dezembro de 2019) em pagamentos ao exterior que visam cobrir despesas pessoais incorridas durante viagens internacionais, independentemente da existência de um tratado tributário aplicável. (Estes
pagamentos estavam isentos de retenção na fonte de 2011 até ao final de 2015, mas uma instrução normativa emitida em janeiro de 2016 confirmou o fim da isenção e
reintroduziu a retenção na fonte de 25% a partir de 1 de janeiro de 2016).
As duas primeiras soluções de consulta podem ser consideradas como precedentes por outros contribuintes (a terceira foi emitida por uma divisão diferente das autoridades fiscais que não emite decisões vinculantes).
Assuntos tributários
Principais temas editados em 2018
É assinado acordo tributário Singapura– Brasil
Em maio de 2018, O Brasil assinou acordos com a finalidade de eliminar a dupla tributação sobre a renda com Singapura e a Suíça.
Deve-se notar que certos regimes fiscais existentes na Suíça e Singapura são considerados como privilegiados pelas autoridades fiscais brasileiras (lista cinza), porém ambas jurisdições não estão mais na lista negra do Brasil.
A Câmara dos Deputados e o Senado devem aprovar os dois tratados e o presidente deve assiná-los antes que eles possam entrar em vigor.
Restrições impostas à compensação de créditos fiscais contra pagamentos antecipados de Imposto de Renda
O governo brasileiro promulgou a Lei 13.670 de 2018, a qual introduz uma restrição à capacidade do contribuinte de compensar créditos fiscais federais com antecipações de IRPJ e CSLL por contribuintes que optaram por serem tributadas pelo regime de imposto de Lucro Real anual.
A nova lei determinou que os recolhimentos mensais antecipados, sob o regime do lucro real anual, devem ser agora liquidados à vista, e não através de créditos tributários federais. A restrição imposta pela Nova Lei à utilização de créditos tributários federais não se aplica a recolhimentos antecipados sob o regime do lucro real trimestral.
Em tema correlato, a Receita Federal do Brasil publicou o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 2, de 2018, que uniformiza a interpretação sobre a compensação de estimativas referentes ao IRPJ e à CSLL efetuada por meio de
Declaração de Compensação (Dcomp) transmitida até 31 de maio de 2018. Referida compensação passou a ser vedada a partir dessa data em função da lei nº 13.670, de 2018.
Novos incentivos fiscais introduzidos no setor automotivo
O governo brasileiro promulgou a Medida Provisória 843 em 5 de julho de 2018 que estabelece um novo programa de incentivos fiscais para o setor automotivo e estabelece requisitos obrigatórios para a comercialização e importação de veículos novos.
O novo programa estabelecido, “Rota 2030”, visa a apoiar o desenvolvimento tecnológico, a inovação, a proteção ambiental e a qualidade na indústria automotiva no Brasil. Fabricantes de automóveis, importadores, fabricantes de autopeças e empresas que realizam certas atividades de P&D relacionadas ao setor automotivo no País podem ser elegíveis para os incentivos estabelecidos pelo programa. Em 9 de Novembro de 2018, o governo publicou o Decreto 9,557/2018, o qual estabeleceu certos requerimentos mínimos e outras orientações que dizem respeito ao Programa Rota 2030.
Repetro
O Governo Brasileiro publicou o Decreto 9,537/2018) em 24 de outubro de 2018 o qual introduziu o regime REPETRO, um tipo de regime REPETRO-SPED que se aplica à produção de materiais destinados à
exploração, desenvolvimento e produção de petróleo, gás natural. O regime é destinado a beneficiar a exploração e produção de materiais, bem como fornecedores de equipamento e terceiros.
O regime REPETRO tem como objetivo promover atividades no setor de petróleo e gás natural, concedendo suspensão de impostos federais (II, IPI, PIS e COFINS) que geralmente são aplicáveis nas aquisições locais e importação de equipamento usados pelas entidades atuantes no setor.
Umas das principais novidades do REPETRO-SPED é a suspensão de impostos na venda domestica de produtos acabados.
Assuntos tributários
Principais temas editados em 2018
Exportação de serviços - conceito para fins de interpretação da legislação tributária
A Receita Federal publicou em 11 de outubro de 2018 o Parecer Normativo Nº 1. Por meio deste Parecer, a Receita Federal conceituou os temas abrangidos pela exportação de serviços para fins de interpretação da legislação tributária. Em suma, o Parecer define como exportação de serviços a operação realizada entre aquele que, enquanto prestador, atua a partir do mercado doméstico, com seus meios disponíveis em território nacional, para atender a uma demanda a ser satisfeita em um outro mercado, no exterior, em favor de um tomador que atua, enquanto tal, naquele outro mercado, ressalvada a existência de definição legal distinta aplicável ao caso concreto e os casos em que a legislação dispuser em contrário.
O parecer aborda a incidência do IOF,
PIS/COFINS, IRRF, ICMS e do ISSQN sobre as receitas decorrentes de exportação.
Ressarcimento de ICMS-ST – Nova metodologia em SP (Port. CAT 42)
A portaria CAT 42 de 21 de maio de 2018 foi elaborada com base no Programa de Estímulo à Conformidade Tributária, instituído pela Lei Complementar 1.320/2018 e norteado por princípios como: a simplificação do sistema tributário, a boa-fé, previsibilidade de condutas, segurança jurídica e coerência na aplicação da legislação tributária, publicidade e transparência na divulgação de dados e informações, bem como a concorrência leal entre os agentes econômicos.
A nova portaria altera novamente o método para Complementação e Ressarcimento do ICMS retido, por substituição tributária ou antecipação, no estado de São Paulo.
O artigo 1º da referida portaria instituiu o “Sistema de Apuração do Complemento ou Ressarcimento do ICMS Retido Por Substituição Tributária ou Antecipado”, conforme prevê os artigos 265, 269, 277 e 426-A do Regulamento ICMS de SP.
Os arquivos digitais passarão pela fase de pré-validação (realizada pelo próprio contribuinte) e pós-validação. Esta última será feita pelo Estado que verificará, dentre outros requisitos, a integridade das informações e lançamentos nos registros do arquivo, consistência dos valores declarados, dados cadastrais do estabelecimento, leiaute dos arquivos e etc.
Sistema e-Ressarcimento – A legislação também inovou ao dispor sobre o sistema
e-Ressarcimento que possibilita a consulta do processamento dos arquivos digitais e permite que o contribuinte (i) solicite o registro de imposto a ressarcir em sua conta corrente de ressarcimento criada dentro do sistema; (ii) utilize o imposto restituído por meio de uma das modalidades permitidas pela lei; (iii) substitua os arquivos já entregues; e (iv) aceite a
transferência de imposto realizada por fornecedor ou terceiros.
Cada estabelecimento da empresa com acesso ao sistema terá sua conta corrente para controle da movimentação dos valores a ressarcir e
ressarcidos. O registro de tais quantias na conta corrente será realizado pelo Fisco a pedido do estabelecimento requerente e dependerá da atualização do estabelecimento no Cadastro de Contribuintes do ICMS, da inexistência de omissão de GIA, PGDAS ou DeSTDA, compatibilidade do valor a registrar com os dados do arquivo digital e apresentação da Escrituração Fiscal Digital.
Vale destacar que apesar de a portaria já estar em vigor, os artigos que regulamentam o sistema e-ressarcimento somente produzirão efeitos a partir de 01/03/2019.
EFD ICMS IPI - Bloco B (Apuração do ISS)
O Bloco B passa ser o mais novo bloco
obrigatório introduzido ao SPED Fiscal, obrigação acessória do ICMS e IPI, passando da versão 2.0.22 para a 3.0.
O referido bloco refere-se à escrituração da apuração do ISS, o que aumenta
significativamente a volume de obrigações acessórias, bem como o número de empresas que passará a serem obrigadas a apresentarem a EFD fiscal. Entretanto, por hora, a
obrigatoriedade deste bloco só abrangerá contribuintes do Distrito Federal.
Assuntos tributários
Principais temas editados em 2018
Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, em agosto de 2018, a constitucionalidade da contratação de empregados terceirizados em todas as etapas do processo produtivo, seja na atividade-meio ou na atividade-fim das empresas.
Embora o Congresso Nacional tenha votado e o Presidente Michel Temer tenha sancionado a Lei nº 13.429, de 31 de março de 2017, com a finalidade expressa de possibilitar a terceirização da atividade-fim, cerca de 4 mil ações anteriores à reforma questionavam o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho (TST), consubstanciado na Súmula 331, que restringia a terceirização à atividade-meio do tomador dos serviços.
Em contraposição ao entendimento do TST, os ministros do STF aprovaram tese para o reconhecimento de repercussão geral da matéria: “É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas,
independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a
responsabilidade subsidiária da empresa contratante.”
A livre-iniciativa e a livre concorrência são princípios constitucionais que foram
enfatizados pelos ministros para indicar que a violação a esses princípios por meio da restrição à terceirização limita a liberdade das empresas em busca de melhores resultados e maior competitividade. Conforme relatado pelo ministro Luís Roberto Barroso: “A
Constituição Federal não veda a terceirização.” Dessa forma, as barreiras criadas à
terceirização irrestrita, em vez de protegerem os trabalhadores, provocam danos
irreparáveis, pois implicam a diminuição da criação de emprego formal. Além disso, a respeito da divulgação de que a terceirização conduz à precariedade e violação das
condições de trabalho, frisa-se que o judiciário sempre atuará para impedir eventuais abusos cometidos.
Com a decisão do STF, as ações que tramitam em várias instâncias da Justiça trabalhista deverão ter resultado favorável aos tomadores de serviços.
A decisão firmada pelo STF produz consistente segurança jurídica. É válido ressaltar que as empresas precisarão manter controle
aprimorado na contratação das prestadoras de serviços, tendo em vista a manutenção da responsabilidade subsidiária, conforme tese de repercussão geral supracitada.
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