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Survey sobre o comportamento do consumidor de alimentos

3.2.2 Etapa quantitativa

3.2.2.2 Survey sobre o comportamento do consumidor de alimentos

Esta fase da pesquisa, desenvolvida no segundo semestre de 2011, foi realizada no intuito de analisar o comportamento do consumidor de alimentos orgânicos no mercado de Belo Horizonte - MG, considerado o mais importante agente na cadeia dos orgânicos em geral.

O método utilizado para coletar esses dados foi o survey que, de acordo com Alencar (2007), demanda, normalmente, um questionário estruturado para a coleta de dados, facilitando o processamento e a análise estatística. A versão aplicada do questionário utilizado na pesquisa é apresentada no Apêndice B deste trabalho.

Tem-se que o questionário utilizado na pesquisa é segregado em três seções distintas, quais sejam: (1) hábitos de consumo de alimentos orgânicos; (2) fatores que influenciam esse consumo; e (3) variáveis demográficas dos consumidores. Em todas as seções do questionário, foram coletados dados utilizando escalas nominais ou ordinais. A escala nominal é uma forma em que os dados coletados servem apenas como etiquetas ou rótulos para identificar e classificar um elemento/indivíduo (MALHOTRA, 2006). Hair Júnior et al. (2009), por sua vez, destacam que, no caso da escala ordinal, as variáveis são ordenadas ou ranqueadas em relação a uma quantia do atributo possuído, ou seja, todo indivíduo (elemento) pode ser comparado com os demais, em termos

de uma relação da forma “menor que” ou “maior que”. Salienta-se que, no caso dos dados ordinais coletados, em algumas análises, estes foram considerados como de escala intervalar, para permitir a aplicação de técnicas multivariadas de análise.

Tal como destacado, a primeira seção do questionário visou identificar os hábitos de consumo dos consumidores de alimentos orgânicos entrevistados, no que tange aos seguintes aspectos: tempo de consumo de alimentos orgânicos, tipo de alimento consumido, frequência de consumo, gasto mensal com alimentos em geral, gasto mensal com alimentos orgânicos e limite máximo de preço a ser pago por esse tipo de alimento em relação a um produto convencional. No Quadro 3, apresenta-se a operacionalização das variáveis da primeira seção do questionário.

Variável Escala Questão a ser apresentada

ao respondente Opções apresentadas

Tempo de

consumo Ordinal

Tempo (aproximado) de consumo de alimentos orgânicos

Cinco opções que variam de um ano (ou menos) a cinco anos (ou mais)

Tipo de

alimento Nominal

Tipo de alimento orgânico consumido

Hortaliças, carnes, lácteos e transformados (o respondente pode marcar mais de uma opção)

Frequência de

consumo Nominal

Frequência de consumo de orgânicos

Cinco opções que variam de uma vez por ano a uma vez por dia

Gasto mensal Ordinal Gasto mensal com alimentos orgânicos

Cinco opções que variam de R$ 50 (ou menos) a R$ 251 (ou mais)

Limite máximo de preço aceitável

Ordinal

Limite máximo que você aceita pagar por um alimento orgânico em relação a um alimento convencional

Cinco opções que variam de 10% a mais a mais de 200%

Quadro 3 Operacionalização das variáveis da primeira seção do questionário aplicado aos consumidores de alimentos orgânicos de Belo Horizonte - MG.

Na segunda seção do questionário, objetivou-se analisar a percepção dos consumidores entrevistados sobre os fatores que influenciam o consumo de alimentos orgânicos. Para tal, foram utilizadas afirmações relacionadas a cada um dos fatores citados na Figura 2 e na subseção 2.5. Para cada uma dessas afirmações, o respondente foi solicitado a se posicionar em uma escala tipo Likert de 5 pontos. O nível 1 indica que o respondente discorda totalmente da afirmação e o nível 5 indica que o mesmo concorda totalmente com a afirmação. No Quadro 4, apresenta-se a operacionalização das variáveis dessa segunda seção do questionário.

Variável Escala Questão a ser apresentada ao respondente

Opções apresentadas

Alta nutrição Ordinal

Eu consumo alimentos orgânicos porque eles têm maior qualidade nutricional

Escala tipo Likert de 5 pontos Ausência de

contaminação Ordinal

Eu consumo alimentos orgânicos porque não se utilizam agrotóxicos em sua produção

Escala tipo Likert de 5 pontos Auxílio ao

pequeno agricultor

Ordinal

Eu consumo alimentos orgânicos porque eles auxiliam o pequeno produtor

Escala tipo Likert de 5 pontos Influência

social Ordinal

Eu consumo alimentos orgânicos porque é costume na minha família

Escala tipo Likert de 5 pontos Proteção ao

meio ambiente Ordinal

Eu consumo alimentos orgânicos porque sua produção não prejudica o meio ambiente

Escala tipo Likert de 5 pontos Questões

ideológicas Ordinal

Eu consumo alimentos orgânicos porque eu quero estimular o modelo de produção orgânico

Escala tipo Likert de 5 pontos

Sabor/aroma Ordinal

Eu consumo alimentos orgânicos porque eles têm melhor

sabor/aroma

Escala tipo Likert de 5 pontos Saúde do

agricultor Ordinal

Eu consumo alimentos orgânicos porque eles não prejudicam a saúde do agricultor

Escala tipo Likert de 5 pontos

Quadro 4 Operacionalização das variáveis da segunda seção do questionário aplicado aos consumidores de alimentos orgânicos de Belo Horizonte, MG. (...continua...)

Baixa

disponibilidade Ordinal

Eu não consumo um maior volume de alimentos orgânicos porque há poucos locais para comprá-los

Escala tipo Likert de 5 pontos

Baixa

variedade Ordinal

Eu não consumo um maior volume de alimentos orgânicos porque eles têm menor diversidade que os convencionais

Escala tipo Likert de 5 pontos

Baixa

regularidade Ordinal

Eu não consumo um maior volume de alimentos orgânicos porque eles não apresentam uma regularidade na oferta

Escala tipo Likert de 5 pontos

Pouca

divulgação Ordinal

Eu não consumo um maior volume de alimentos orgânicos porque eu não sei onde adquirir mais (há pouca divulgação)

Escala tipo Likert de 5 pontos

Falta de

confiança Ordinal

Eu não consumo um maior volume de alimentos orgânicos porque eu não confio plenamente na certificação

Escala tipo Likert de 5 pontos

Menor vida útil Ordinal

Eu não consumo um maior volume de alimentos orgânicos porque eles têm uma vida útil menor que os convencionais

Escala tipo Likert de 5 pontos

Pior aparência Ordinal

Eu não consumo um maior volume de alimentos orgânicos porque eles têm uma aparência pior do que os produtos convencionais

Escala tipo Likert de 5 pontos

Preço elevado Ordinal

Eu não consumo um maior volume de alimentos orgânicos porque eles são mais caros que os produtos convencionais

Escala tipo Likert de 5 pontos

Quadro 4 Operacionalização das variáveis da segunda seção do questionário aplicado aos consumidores de alimentos orgânicos de Belo Horizonte, MG.

Na terceira seção do questionário, objetivou-se coletar dados demográficos dos consumidores de alimentos orgânicos, como sexo, bairro/região de origem, profissão, faixa etária, formação acadêmica e renda mensal familiar. No Quadro 5 apresenta-se a operacionalização das variáveis desta última seção do questionário.

Variável Escala

Questão a ser apresentada ao

respondente

Opções apresentadas

Sexo Nominal Sexo Duas opções: masculina ou

feminina Bairro/regiã o de origem Nominal Local de onde o respondente é proveniente

Não há categorias definidas previamente

Profissão Nominal Frequência de consumo de orgânicos

Não há categorias definidas previamente

Faixa etária Ordinal Gasto mensal com produtos orgânicos

Cinco opções que variam de 20 anos (ou menos) a 50 anos (ou mais)

Formação

acadêmica Ordinal Formação (completa)

Cinco opções, que variam de ensino fundamental incompleto à pós-graduação

Renda mensal familiar

Ordinal Renda familiar mensal

Cinco opções que variam de R$ 1 mil (ou menos) a R$ 5 mil (ou mais)

Quadro 5 Operacionalização das variáveis da terceira seção do questionário aplicado aos consumidores de alimentos orgânicos de Belo Horizonte - MG.

Para a aplicação dos questionários, tal como ressaltam Cooper e Schindler (2003), é necessária a estimativa de uma amostra representativa da população. Nesse caso, a população do estudo foi formada pelos consumidores de alimentos orgânicos de Belo Horizonte - MG. Todavia, trata-se de uma população infinita, ou seja, não é possível identificar, em uma fonte de informações previamente estabelecida, tais indivíduos. Ademais, é importante salientar que o pesquisador só teve acesso a dois canais de comercialização de alimentos orgânicos na cidade, quais sejam: feiras orgânicas e cestas entregues em domicílio.

No caso das feiras orgânicas, foram aplicados 100 questionários a consumidores. Ressalta-se que os consumidores foram abordados pelo pesquisador após a finalização do processo de compras, de acordo com a conveniência. Conforme Stevenson (1981), tais questionários permitem a

generalização dos resultados para este canal de comercialização, considerando um nível de confiança de 95% e um erro amostral máximo de 10%.

Por sua vez, os questionários destinados a consumidores de cestas entregues em domicílio foram aplicados via internet, com o auxílio da ferramenta “Formulários”, disponibilizada on-line pelo Google® Docs. Com base em tal ferramenta, desenvolveu-se um questionário similar ao aplicado nas feiras orgânicas e o endereço on-line deste questionário foi disponibilizado para consumidores de alimentos orgânicos que adquirem tal produto por meio de cestas entregues em domicílio.

Salienta-se que essas cestas de alimentos orgânicos são comercializadas em toda a cidade por uma organização não governamental (ONG) que apoia a causa agroecológica e que auxiliou significativamente o pesquisador ao enviar o endereço on-line do questionário aos consumidores inseridos em seu banco de dados (que contém, aproximadamente, 600 clientes). Dentre os consumidores de alimentos orgânicos de cestas entregues em domicílio, foram recebidos 71 questionários válidos. Tal valor corresponde a aproximadamente 12% da população selecionada neste caso.

Verifica-se que, em ambos os canais de comercialização, as amostras podem ser classificadas como não probabilísticas e escolhidas por conveniência e acessibilidade (ALENCAR, 2007). Salienta-se que esse tipo de amostragem tem sido utilizado tanto em estudos sobre consumo de alimentos orgânicos no exterior, tais como Briz e Ward (2009) e Stolz et al. (2010), como no Brasil, a exemplo de Barbé (2009) e Silva, Camara e Dalmas (2005).

Seguindo o recomendado por Cooper e Schindler (2003), inicialmente foi realizado um teste piloto (pré-teste) do questionário, com alguns consumidores de alimentos orgânicos provenientes da população em análise. Esse teste consistiu na aplicação de vinte questionários para verificar a sua consistência e a sua aplicabilidade.

Para a análise dos dados dessa fase da pesquisa, utilizou-se o software SPSS e, em complemento, o MS-Excel 2010. Inicialmente, as técnicas utilizadas para o desenvolvimento da análise foram as mesmas empregadas na fase apresentada na subseção anterior: a estatística descritiva e o teste de Kruskal- Wallis.

Além disso, também foi utilizada a correlação de Spearman para verificar as relações existentes entre as variáveis analisadas na pesquisa. Conforme Maroco (2010), o coeficiente de correlação de Spearman é uma medida de associação não paramétrica entre duas variáveis (classificadas, pelo menos, como ordinais). No Apêndice C deste trabalho, apresentam-se os coeficientes da correlação de Spearman, considerando as variáveis do questionário.

Ademais, foram utilizadas as seguintes técnicas multivariadas de análise de dados: análise de clusters e análise discriminante. De acordo com Hair Júnior et al. (2009), a análise multivariada se refere a todas as técnicas estatísticas que analisam simultaneamente múltiplas medidas sobre indivíduos ou objetos sob investigação. Ainda segundo os referidos autores, qualquer análise simultânea de mais do que duas variáveis pode ser considerada, a priori, como multivariada.

Conforme Malhotra (2006), a análise de clusters é uma técnica utilizada para classificar objetos ou casos em grupos relativamente homogêneos. Os objetos em cada cluster tendem a ser semelhantes entre si, mas diferentes dos presentes em outros clusters. A análise de clusters foi utilizada na pesquisa de forma a auxiliar na compreensão dos grupos de consumidores de alimentos orgânicos de Belo Horizonte - MG.

No que tange à análise discriminante, Hair Júnior et al. (2009) destacam que esta é uma técnica apropriada quando a variável dependente é categórica e as independentes são métricas. Conforme os referidos autores, a análise discriminante demanda a estimação de uma variável estatística – também

conhecida neste tipo de análise como “função discriminante” – que pode ser definida como a combinação linear de duas (ou mais) variáveis independentes que discriminarão melhor entre os objetos (empresas, pessoas etc.). Na pesquisa desenvolvida, tal análise foi utilizada para auxiliar na segmentação dos consumidores segundo categorias pré-estabelecidas.

4 PERCEPÇÃO DOS PRODUTORES SOBRE O MERCADO DE