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CAPÍTULO 4: A EDUCAÇÃO TÉCNICA E POLÍTICA NO COMITÊ DE

4.1 SUS (SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE): 1997 E 1998

A educação, tanto técnica quanto política, foi constituinte fundamental na estruturação das referências de base do Comitê. Este processo envolveu perto de 400 técnicos das vigilâncias, em 1997 (em Paranaguá, União da Vitória, Curitiba, Maringá, Pato Branco, Cascavel, Londrina, Ponta Grossa), dos quais, cerca de 200 participaram novamente, em 1998, durante o processo denominado “Protegendo a Vida” (que realizou uma série de cursos em várias regiões do Estado, abrangendo mais de 10mil pessoas neste ano) fazendo a segunda etapa do curso. Também participaram cerca de 200 sindicalistas e trabalhadores. Neste mesmo processo foram feitas palestras, sobre a Política de Saúde do Trabalhador que se instalava no Estado, para todos os Secretários Municipais de Saúde, para os Conselheiros de Saúde e trabalhadores que participaram deste processo. Nestes dois anos ocorreu o maior esforço formativo para construção de uma política de Saúde do Trabalhador no SUS-PR.

Os treinamentos buscaram disseminar a atribuição legal do SUS no campo da Saúde do trabalhador, que, apesar de estar descrita na Carta Magna desde 1988, permanecia desconhecida ou, não posta em prática pela maioria das Secretarias de Saúde. Evidentemente a não atuação nesta área não tinha como causa apenas o “desconhecimento”, mas sim, principalmente, a falta de priorização política, da maioria dos governos, da defesa da vida e

da saúde no trabalho. Assim, este tópico no treinamento, feito pela SESA-PR, teve a função de estabelecer esta decisão política da SESA em atuar, bem como definir que haveria, dali pra diante, tanto respaldo para, quanto cobrança18 da atuação dos municípios na investigação de óbitos e amputações causados pelo trabalho, bem como do “Plano de Atuação em Saúde do Trabalhador” das SMS.

Além de tratar das questões legais, os treinamentos realizaram uma primeira aproximação de questões técnicas, ao tratar situações concretas, exemplos de casos de óbitos e amputações mais comumente causados pelo trabalho no Paraná, abordando as causas mediatas e imediatas e forma de atuação da VIST na investigação e tomada de medidas. Na segunda aproximação, em 1998, tratou-se de investigação e atuação coletiva nos ramos de atividade que mais causavam óbitos e amputações em cada região do estado. Também foram objeto dos treinamentos a identificação de fontes de notificação (que pudessem melhorar o diagnóstico da situação da saúde dos trabalhadores destes municípios) e o planejamento de ações em VIST, com base neste diagnóstico, que buscasse intervir nas causas imediatas/mediatas dos acidentes graves causados pelo trabalho.

Além destes treinamentos e palestras, em 1998, ocorreram 3 plenárias com os técnicos das vigilâncias da abrangência do CEMAST, somando cerca de 100 presentes, com apresentação e discussão das experiências que os municípios vinham desenvolvendo em Saúde do Trabalhador.

Nos anos de 1997 e 1998, a Coordenação de Saúde do Trabalhador da SESA e o CEMAST, fizeram a orientação de várias pesquisas de especialização em Saúde do Trabalhador, com os temas relacionados a: proteção de máquinas, intoxicação por agrotóxicos, notificação de acidentes do trabalho. Além de vários trabalhos de graduação.

Para o final do ano de 1998 foi articulado, pela Coordenação de Saúde do Trabalhador das Secretarias Estaduais de Saúde do PR, RJ, SP, BA e MG e do Ministério da Saúde, um Encontro Nacional de Saúde do Trabalhador. Este Encontro seria o primeiro do SUS no Brasil, para discutir os dez anos de Saúde do Trabalhador no SUS, fazer uma grande avaliação das experiências e projetar os próximos passos para o campo. O Encontro foi

“abortado” duas semanas antes da data da realização, segundo o Ministério da Saúde, por

18tanto a cobrança quanto o respaldo político para a atuação das SMS em Saúde do Trabalhador passaram a ser feitas, a partir da criação do Comitê (em dezembro de 1997) pelo Comitê, especialmente pela Promotoria de Defesa da Saúde do Trabalhador.

falta de verba para pagar as passagens dos palestrantes e veio a ocorrer em junho de 1999, em Brasília.

Este processo de Educação Técnica e Política, que estabeleceu uma base para a Política de Saúde do Trabalhador do SUS-PR, envolveu técnicos de mais de 150 municípios, que abrangem mais de 80% da população do Estado, a maioria em mais de um evento educativo, além de ter abrangido também trabalhadores e conselheiros de saúde e todos os Secretários Municipais de Saúde. Não foi “por acaso” que o Encontro Nacional de Saúde do Trabalhador foi articulado no PR e deveria ter sido realizado aqui, em 1998, foi porque a Saúde do Trabalhador, com toda a precariedade descrita antes, se estruturou, neste período (1997-98), como política no Estado.

4.1.1 SESA-PR: 1999 e 2000

No ano de 1999, a Coordenação de Saúde do Trabalhador da SESA se tornou Departamento de Saúde no Trabalho e passou a incorporar o campo da Saúde Ocupacional da SESA-PR. Além de passar a ocupar, no organograma da SESA, um posto mais elevado, o Departamento vem aumentando o seu quantitativo de recursos humanos, tendo passado de duas pessoas, em 1997 e 1998, para 7 pessoas, em 1999 e 2000. Apesar deste crescimento, a Educação em Saúde do Trabalhador, um dos papéis principais da SESA-PR neste campo, foi reduzida enormemente, em relação aos dois anos anteriores, abrangendo menos técnicos (cerca de 200 em 1999 e 2000), com eventos mais centralizados na capital do estado (2/3 dos eventos foram em Curitiba e Região Metropolitana) e não contando com a participação de trabalhadores, conselheiros ou gestores.

4.1.2 SMS-Curitiba

A SMS-Curitiba formou, em função da atuação no Ramo da Construção Civil, prioridade eleita com base nas demandas do Comitê, o Grupo de Estudos em Saúde do Trabalhador – GEST: interno da SMS, com os técnicos que passaram pelo treinamento, para atuação no Ramo da Construção Civil, com a função de identificar as dificuldades encontradas pela vigilância nas inspeções de Saúde do Trabalhador, definir roteiros de vigilância e padronizar prazos para correção das irregularidades. O GEST funciona como uma instância de capacitação e padronização das ações da vigilância em Saúde do Trabalhador de Curitiba (ALBUQUERQUE & RAMOS, 2001).