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SUSTENTABILIDADE COMO VIA MAIS QUE ALTERNATIVA, NECESSÁRIA AO PROCESSO DE

No documento Avaliação e gestão: teorias e práticas (páginas 45-49)

SUSTENTABILIDADE: a importância do planejamento e da avaliação diagnóstica

SUSTENTABILIDADE COMO VIA MAIS QUE ALTERNATIVA, NECESSÁRIA AO PROCESSO DE

DESENVOLVIMENTO

Mas, então, como levar o país a seguir por tais caminhos de cres- cimento, hoje vistos como exceção no processo de desenvolvimento econômico, social, cultural, tecnológico, além do ambiental e de outros aspectos como a redução das desigualdades sociais, a geração de em-

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prego e renda, a preservação dos recursos naturais, a valorização da cul- tura e identidades locais, o reconhecimento das diversidades, entre ou- tros aspectos integrantes da roda vida do desenvolvimento. Nesses ter- mos, é imprescindível trazer para a discussão a perspectiva da sustentabilidade como forma de viabilizar o processo de desenvolvi- mento no nível local, considerando costumes, valores e práticas da re- gião, como condição primeira, para então, poder atuar com maior eficá- cia no contexto global.

Nesse sentido, para melhor entendimento do processo de de- senvolvimento, partindo de uma preocupação de efetivação no local, é a sua associação à natureza, considerando que embora a “[...] riqueza natural não garanta a endogeneidade do desenvolvimento, sem ela não há como “inserir ‘os controles de mando’ do desenvolvimento territorial em sua própria matriz social”. (BOISIER, et al., 1995) Desenvolvimen- to e território devem estar associados e não descolados, devendo ser permeados pela consideração dos aspectos ambientais, no que diz res- peito aos seus limites e à melhor forma de aproveitamento, isto é, que não seja destrutivo nem irreparável. Desse modo, entende-se que de- senvolvimento não deve estar associado a um estilo ecologicamente depredador, socialmente perverso, politicamente injusto, culturalmen- te alienado, nem eticamente repulsivo. (GUIMARÃES, 2001)

Não obstante, surgiu a ideia de “ecodesenvolvimento” diante da preocupação decorrente das relações entre ambiente e desenvolvimen- to. Foi na Conferência de Estocolmo, em 1972, que este conceito foi colocado por Duarte e Wehrmann (2002, p. 14), como uma

[...] proposição para novas modalidades de desenvol- vimento que valorizassem o conhecimento produzi- do pelas populações locais para a gestão de seu meio, em contraposição à homogeneização dos modelos até então adotados.

Um ano mais tarde, o termo foi reelaborado por Ignacy Sachs, que deslocou o problema do aspecto puramente quantitativo (crescer ou não) para o exame da qualidade do crescimento. A partir de então,

inúmeras iniciativas, manifestações e agendas foram realizadas, demons- trando a necessidade de criação de estratégias sustentáveis, pautadas nas singularidades de cada território/local, para uma integração entre desenvolvimento socioeconômico e gestão ambiental, ou seja, um De- senvolvimento Sustentável.

PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO: ferramentas para o desenvolvimento sustentável

Como a sustentabilidade é um conceito dinâmico e que deman- da ações concretas para a sua real efetivação, a avaliação diagnóstica e o planejamento são propostos enquanto estratégia metodológica para a implementação de ações que venham a promover o Desenvolvimento Sustentável, a partir do levantamento de dados, identificação e com- preensão de valores locais e do respeito e valorização das peculiaridades que cada realidade retrata, sejam elas no âmbito das mais diversas di- mensões possíveis, a exemplo da ambiental, anteriormente discutida.

A realização do planejamento e da avaliação diagnóstica enquan- to metodologia participativa tem o intuito de colher informações au- tênticas e precisas a respeito de um contexto social específico para subsidiar a tomada de decisões com base nos dados coletados, própri- os de cada realidade estudada. Considerando que as atividades de planejar e avaliar estão presentes em todas as esferas da vida humana, entendemos que planejar e avaliar são processos, que remetem a um constante refletir sobre o devir, sobre a continuidade das ações huma- nas, sobre a continuidade da vida no planeta.

A importância do planejamento é criar uma projeção do que se pretende alcançar, construindo para isso um ponto de partida referencial a partir da avaliação diagnóstica. Isso não quer dizer que o planejamen- to não possa ser modificado uma vez que novos elementos vão se de- senrolando, interferindo no processo. Estes devem ser incorporados ao planejamento, o que vai implicando em mudanças naquilo que foi pla- nejado anteriormente. Contudo, é assim que ocorre a vida, dinâmica e, por isso mesmo, o planejamento deve ser pautado na realidade dos fa-

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tos concretos para que a vida passe a ter mais sentido à medida que o planejamento seja fiel às reais demandas e elementos constituintes de uma realidade.

Ao passo que o planejamento de ações vai se realizando, em que se vai agindo e desenvolvendo, é possível, neste processo, escolher e definir certas ações pra colocar em prática aquilo que foi planejado, então, ao longo da execução das ações previamente planejadas, certos resultados vão sendo obtidos e que merecem ser constantemente avali- ados, sendo preciso, portanto, estabelecer pontos de controle e regis- tros, para que seja viável avaliar se os resultados daquelas ações estão de acordo com aquilo que foi planejado.

Avaliar as ações planejadas, discutindo e prestando conta, com- parando com o previamente planejado e possíveis novos rumos toma- dos, novos elementos inseridos no processo, enfim, isso favorece o replanejamento, buscando fortalecer os valores e saberes considerados na avaliação e que ainda não estão completamente fortalecidos e/ou inseridos no processo. Busca-se então capacitação para executar me- lhor tarefas consideradas ainda não muito bem executadas, entre ou- tros ajustes que surgem ao longo do processo.

A aplicação dessas estratégias permite a transparência e a pres- tação de contas das ações executadas para todos os envolvidos, seja a comunidade, seja a sociedade como um todo, pois, ao mesmo tempo em que se avalia as fragilidades, os pontos fortes, busca-se inseri-los no planejamento, a fim de fortalecê-los ainda mais, pois são eles as com- petências essenciais para a construção de um processo de desenvolvi- mento rumo à sustentabilidade.

Diante do exposto, o planejamento que se consolida em proje- tos e/ou planos de ação e a avaliação que se consolida em instrumen- tos de avaliação podem e devem ser pensados como ferramentas es- tratégicas para o Desenvolvimento Sustentável uma vez que permi- tem a identificação de elementos constituintes da sustentabilidade, pautados nas singularidades e referenciais próprios de uma realidade, e que, a partir de tal contextualização, contribuam para a tomada de decisões ao apontar para ações condizentes com as demandas sociais específicas de cada contexto em especial.

Por este aspecto da singularidade embutida em cada realidade pesquisada é que consideramos a importância da prática da avaliação diagnóstica e do planejamento associada à viabilidade do Desenvolvi- mento Sustentável.

PALAVRAS FINAIS – DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL:

No documento Avaliação e gestão: teorias e práticas (páginas 45-49)