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CAPÍTULO 2 ENQUADRAMENTO TEÓRICO

2.2 Dos Recursos Educacionais Abertos à Educação Aberta e a Distância

2.2.5 Sustentabilidade da Educação Aberta e a Distância

Existem alguns desafios quando se fala na integração da abertura e flexibilidade no processo de ensino-aprendizagem, sendo um desses grandes desafios a sustentabilidade financeira das instituições e dos sistemas. Muitas instituições enfrentam hoje em dia uma concorrência crescente como consequência da gradual globalização e massificação do ensino superior e do aumento da oferta de REA, existindo, portanto, um paradoxo entre a abertura da educação e o modelo de negócio que permite a sua sustentabilidade (Daniel, 2012).

A OCDE (2007) identifica alguns argumentos para as instituições apostarem cada vez mais em REA e, contribuírem para o movimento da EAD:

1. Altruísmo, uma vez que a educação é um direito humano e partilhar o conhecimento é algo que deve ser feito sem se esperar nada em troca.

2. Maximizar o dinheiro dos contribuintes (através dos impostos), já que as instituições de ensino público ao fazerem uso do dinheiro público na criação de recursos de ensino e aprendizagem, devem potenciar a sua partilha e reutilização.

3. Cortar nos custos de desenvolvimento, uma vez que através da partilha e reutilização está-se a fazer um melhor uso dos recursos disponíveis. Com base neste princípio, não será necessário desenvolver algo de raiz sempre que surgir uma necessidade, podendo reutilizar-se algo que já foi criado anteriormente, poupando-se tempo e dinheiro.

4. Fazer uma demonstração da oferta formativa de forma aberta e gratuita, de modo a poder-se atrair novos estudantes.

5. Oferecer o curso abertamente e de forma gratuita, mas exigir o pagamento por um acompanhamento mais personalizado e pelo certificado, por exemplo.

6. Estimular a inovação e o desenvolvimento interno, pois a partilha aberta contribuirá para acelerar o desenvolvimento de novos recursos de aprendizagem e, consequentemente, estimulará a inovação.

Stacey (2012) defende que tornar algo aberto permite reduzir custos e gerar receita. Embora nem sempre essa receita seja direta, a EAD pode contribuir para uma aprendizagem mais rápida e conduzir a um maior sucesso do aluno.

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Os REA podem conduzir a novas formas de educação através da cooperação e colaboração entre instituições, possibilitando novas formas de educação e trazendo novos estudantes para o mercado educacional. A este propósito, o autor considera que os REA:

• Aumentam o acesso à educação;

• Possibilitam os estudantes de avaliar e planear as suas escolhas;

• Permitem publicitar a qualidade intelectual da instituição e atrair novos estudantes; • Contribuem para o aumento de inscrições em cursos pagos;

• Aceleram a aprendizagem;

• Geram inovação através da colaboração; • Agregam valor à produção de conhecimento.

Ainda dentro das vantagens no desenvolvimento e adoção de REA e, particularmente no que aos MOOC diz respeito, este tipo de cursos foi considerado por alguns decisores políticos como uma possível solução para alguns dos desafios detetados nos sistemas educacionais europeus por diversas razões (Kalz et al., 2015), nomeadamente:.

• Ajudam a expandir o acesso ao ensino superior, oferecendo acesso gratuito e online a qualquer pessoa, inclusive aos que abandonaram a escola precocemente;

• Impulsionam a modernização da educação, promovendo uma educação inovadora e desafiando o papel tradicional do professor;

• Fomentam a colaboração interinstitucional;

• Promovem a educação e a aprendizagem ao longo da vida, contribuindo para o crescimento pessoal, emprego e inclusão social nas sociedades europeias.

Um estudo levado a cabo pela Universidade Aberta do Reino Unido (UKOU) revela que os cursos não-formais oferecidos na sua plataforma de conteúdo aberto – OpenLearn - funcionam como uma estratégia de marketing, de modo a captar novos estudantes para os cursos formais oferecidos pela instituição (Law & Perryman, 2017). O mesmo tem vindo a acontecer na Universidade Aberta da Holanda (Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD), 2007). Apesar do retorno financeiro não ser imediato, instituições como as Universidades Abertas do Reino Unido e da Holanda têm visto o número de inscrições nos cursos formais aumentar devido à estratégia de promoção da oferta formativa não formal que têm vindo a implementar.

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Fischer (2014) defende que, atualmente, ainda nos encontramos numa fase inicial de desenvolvimento dos MOOC e que no futuro tudo indica que apenas os serviços básicos (ex.: vídeos) permanecerão abertos e com acesso livre, enquanto que os serviços mais

premium (ex.: tutoria/orientação, feedback e certificação) terão que ser pagos.

Alguns críticos (Kalz et al., 2015; Naidu, 2017) defendem que o movimento dos MOOC é apenas uma estratégia de marketing das instituições de ensino superior e que o seu crescimento exponencial foi em grande parte impulsionado pelo desejo de obter retorno financeiro e não pelo retorno social, ou seja, pelo altruísmo associado à abertura da aprendizagem a todos. Esta perspetiva transporta-nos ainda para uma outra vertente da sustentabilidade: a das taxas de conclusão e desistência dos MOOC, que tanto tem gerado discussão.

A baixa taxa de conclusão/elevada taxa de desistência associada aos MOOC é uma das limitações mais apontadas pelos críticos e que mais discussão tem gerado. A taxa de desistência de um MOOC está muitas vezes associada à fraca qualidade do mesmo (Naidu, 2017). Porém, é necessário compreender que as taxas de conclusão são tipicamente avaliadas sem se considerar as intenções dos estudantes relativamente à participação no curso, sendo que muitos dos estudantes que se inscrevem em MOOC não têm como finalidade a conclusão do curso e a obtenção de um certificado (G. Fischer, 2014; Naidu, 2017; Reich, 2014). De acordo com um estudo sobre as taxas de conclusão e retenção nos MOOC atendendo às intenções dos estudantes, levado a cabo pela HarvardX (Universidade de Harvard) (Reich, 2014), constatou-se que, em média, 22% dos estudantes inquiridos que pretendiam concluir um curso receberam um certificado no final, comparativamente com 6% dos estudantes que pretendiam apenas navegar no curso sem intenção de o concluir. Muitos estudantes que não pretendiam obter um certificado nos nove cursos avaliados, obtiveram-no, enquanto que a maioria daqueles que pretendiam obter um certificado não o fez. Nesse estudo é ainda referido que, independentemente das intenções de um estudante, as taxas de adesão são sempre mais altas no início do curso, pois em muitos casos o primeiro módulo/unidade é a única parte do curso que os estudantes consultam e em que participam. Este é um dado muito importante para as equipas de desenvolvimento dos cursos, uma vez que devem tornar o primeiro módulo dos cursos convidativo e atraente.

Também Reich (2014) defende que baixas taxas de aprovação num MOOC podem ter vários motivos:

25 • A qualidade do curso é baixa;

• O curso é difícil e não está adaptado às reais necessidades dos estudantes; • Os estudantes pretendem apenas fazer uma parte do curso;

• Podem surgir imprevistos pessoais que impeçam os estudantes de conciliar a vida pessoal com o curso.

Numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida, a educação é entendida como algo que vai além da disponibilização de conteúdos e aprender é mais do que saber informações e fatos específicos. Trata-se de pensar de forma crítica e reflexiva e de encontrar formas de ver o mundo de diferentes pontos de vista (G. Fischer, 2014).

As pessoas envolvem-se na aprendizagem autodirigida se tiverem um interesse e paixão por um domínio de conhecimento ou atividade. A principal limitação para esse tipo de pessoas não é, portanto, o acesso à informação, mas sim o interesse, a paixão e a disposição de se envolverem em atividades de aprendizagem adaptadas à realidade e com significado e aplicabilidade pessoal (G. Fischer, 2014).