• Nenhum resultado encontrado

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. Sustentabilidade / desenvolvimento sustentável

Ao longo dos últimos anos, o substantivo “sustentabilidade” e o adjetivo “sustentável”

passaram a ser empregados regularmente em diferentes campos de atuação profissional. Para governos, empresas, diplomacias e meios de comunicação, esses termos funcionam como etiquetas que ao serem coladas em produtos e associadas a serviços, agregam-lhes valor (BOFF, 2016).

O termo “sustentabilidade” possui uma pré-história de mais de 400 anos. No ano de 1560, na Alemanha, surgiu a preocupação pelo uso descontrolado das florestas na concepção da madeira, que servia como principal matéria-prima na criação de diversos tipos de bens.

Após isso, concedeu-se a ideia de que as florestas deveriam ser utilizadas de forma que elas pudessem sempre se regenerar e manterem-se vivas. Nesse contexto, surgiu a palavra alemã Nachhaltigkeit, que significa sustentabilidade (BOFF, 2016).

Mais adiante, no ano de 1972, a ONU realizou a Primeira Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente (também chamada de Conferência de Estocolmo), dando origem ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e trazendo a tona o termo “sustentabilidade”, que passou a ser conhecido mundialmente (BOFF, 2016).

Já em 1987, surgiu o conceito de “desenvolvimento sustentável”, apresentado de forma oficial na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), realizada pela ONU. Através do documento “Nosso Futuro Comum” (mais conhecido como Relatório Brundtland), definiu-se que o desenvolvimento sustentável diz respeito à capacidade que o ser humano possui de satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades (OLIVEIRA et.

al., 2011). No entanto;

O mundo atual, apesar do reconhecimento da importância da concepção de desenvolvimento sustentável, caminha concretamente por rumos que desafiam qualquer noção de sustentabilidade. [...] o desenvolvimento sustentável é um dos grandes temas do século XXI, e a sua obtenção, um dos grandes desafios. (CAMARGO, 2012, p. 77)

19 2.2. Turismo sustentável

O turismo é um dos setores mais globalizados da economia mundial. Afinal, trata-se de um fenômeno que se desenvolveu e aperfeiçoou intensamente durante o último centenário, tendo o século XX se tornado, inclusive, o “século do turismo” (NETTO, 2013). Já no ano de 2003, o World Travel and Tourism Council (WTTC)3 apresentava, em números, a enorme amplitude do setor turístico em escala internacional:

O turismo é, direta e indiretamente, responsável, em nível global, pela geração e pela manutenção de 195 milhões de empregos, o que equivale a 7,6% da mão-de-obra mundial e a previsão é de que, em 2010, esse número ultrapasse os 250 milhões. (2003, apud Cooper et. al., 2008, p. 32)

Em termos conceituais, o turismo pode ser pensado como um conjunto de indivíduos, negócios, organizações e lugares que se combinam no intuito de proporcionar uma experiência de viagem. O turismo é um fenômeno multidimensional, multifacetado e que possui muita influência sobre atividades econômicas diferenciadas (COOPER et. al., 2008).

Se o turismo possui um impacto direto em diversos âmbitos da sociedade, com o meio ambiente não poderia ser diferente. Atividades turísticas podem causar consequências negativas enormes nos ambientes naturais das localidades anfitriãs, que são a matéria-prima dos produtos turísticos (COOPER et. al., 2008). É por esse motivo que deve existir um diálogo entre o turismo e o meio ambiente, com o intuito de conciliar a qualidade da atividade turística com a sustentabilidade (GARABINI, 2008).

O turismo sustentável é aquele que favorece o equilíbrio ecológico, sendo realizado em uma área, comunidade ou ambiente de tal modo que a atividade se mantém viável por um período indefinido e não existe a degradação do meio ambiente. (GARABINI, 2008)

Alguns fatores são essenciais para o desenvolvimento do turismo sustentável. É preciso adaptar o processo de desenvolvimento turístico à prevenção de riscos, preservação dos recursos patrimoniais e garantir o desenvolvimento da estrutura econômica local. (GARABINI, 2008, p. 34)

Os impactos causados pelo turismo podem ser negativos (degradação do meio ambiente, da economia e dos valores culturais tradicionais locais), mas também podem ser positivos (geração de renda e empregos, preservação patrimonial e contribuições para o desenvolvimento econômico local ou regional). Para garantir que o turismo traga apenas

3 Tradução: Conselho Mundial de Viagens e Turismo.

20 contribuições positivas, é necessário que exista um planejamento sustentável. (GARABINI, 2008)

No entanto, o turismo só se torna efetivamente sustentável se todos compreenderem a importância das múltiplas relações de dependência entre os sistemas ambiental, cultural e econômico de uma localidade. Ou seja, é imprescindível que os profissionais do setor, empresas, comunidades receptoras, organizações governamentais, turistas e demais agentes responsáveis pelo desenvolvimento do turismo estejam totalmente envolvidos com o planejamento sustentável definido previamente. (GARABINI, 2008)

Com o intuito de facilitar esse processo, o Ministério do Turismo (MTur) criou os quatro princípios do desenvolvimento sustentável, através dos quais são trabalhadas as relações entre o turismo e a sustentabilidade no Brasil. São eles;

Sustentabilidade Ambiental: assegura a compatibilidade do desenvolvimento com a manutenção dos processos ecológicos essenciais à diversidade dos recursos naturais;

Sustentabilidade Sociocultural: assegura que o desenvolvimento preserve a cultura local e os valores morais da população, fortaleça a identidade da comunidade e contribua para o seu desenvolvimento;

Sustentabilidade Econômica: assegura que o desenvolvimento seja economicamente eficaz, garanta a equidade na distribuição dos benefícios advindos desse desenvolvimento e gere os recursos de modo que possam suportar as necessidades das gerações futuras;

Sustentabilidade Político-institucional: assegura a solidez e continuidade das parcerias e compromissos estabelecidos entre os diversos agentes e agências governamentais dos três níveis de governo e nas três esferas de poder, além dos atores situados no âmbito da sociedade civil. (MTUR, 2016, p. 8)

Como forma de incentivo a práticas mais sustentáveis, a Organização Mundial do Turismo (OMT) intitulou 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável. O principal objetivo desse feito é destacar o potencial que o turismo possui para gerar empregos, reduzir a pobreza, proteger o meio ambiente, defender patrimônios culturais e desenvolver a economia. Dessa forma, pretende-se estimular a prática de todas essas estratégias dentro do setor. (AGÊNCIA BRASIL, 2017)4

Em suma, para que o turismo atinja a total sustentabilidade em um determinado destino, é fundamental que todas as partes envolvidas reúnam esforços para manter a

4 Fonte: Agência Brasil. Disponível em: <https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-01/onu-declara-2017-o-ano-internacional-do-turismo-sustentavel>. Acesso em: 26 fev. 2021.

21 preservação dos recursos naturais, através de um planejamento que vise o desenvolvimento sustentável. (SILVA, 2017)

2.3. Práticas sustentáveis em meios de hospedagem

A adesão de práticas sustentáveis por meios de hospedagem vem se tornando uma grande tendência. Isso porque tal estratégia possibilita que essas empresas possam competir por consumidores cada vez mais ligados ao que é ecologicamente correto, conquistando, assim, uma posição de valor dentro do mercado. Além disso, a realização desses métodos traz benefícios para a economia, a sociedade e, principalmente, o meio ambiente. De acordo com o portal da VG Resíduos5 (empresa que realiza a gestão de resíduos de grandes clientes, como, por exemplo, a Bombril);

Adotar práticas sustentáveis consiste no estabelecimento de ações que protejam o meio ambiente e que promovam o lucro. Além disso, essas práticas devem proporcionar, de forma ética, o desenvolvimento de toda a comunidade. Logo, as práticas apresentam resultados positivos tanto para a empresa, quanto para a sociedade e, o mais importante, essas ações positivas cooperam para melhorar a imagem da sua empresa. (VG RESÍDUOS, 2019)

Com o intuito de auxiliar no uso correto de elementos ligados ao meio ambiente, o MTur (2016) forneceu algumas orientações de práticas sustentáveis que são fundamentais para todas as empresas, sejam elas meios de hospedagem/do ramo turístico ou não.

A primeira delas é o uso racional da água. Algumas das ações indicadas são: buscar informações e optar por equipamentos que fornecem o consumo de água de maneira eficiente;

não deixar torneiras abertas durante 100% do tempo em que se está lavando algo; revisar regularmente as instalações hidráulicas, com o intuito de evitar vazamentos e o consequente desperdício; entre outras.

A segunda se trata da eficiência energética. Algumas das ações indicadas são:

aproveitar, quando possível, a iluminação natural do ambiente; usar lâmpadas fluorescentes ou de LED, pois elas duram mais e consomem menos energia; orientar funcionários e colaboradores a retirar da tomada tudo o que não estiver sendo usado em um determinado momento; entre outras.

5 Fonte: VG Resíduos. Disponível em: <https://www.vgresiduos.com.br/blog/sete-praticas-sustentaveis-que-

podem-melhorar-a-imagem-da-sua-empresa/#:~:text=Adotar%20pr%C3%A1ticas%20sustent%C3%A1veis%20consiste%20no,empresa%20quanto

%20para%20a%20sociedade.>. Acesso em: 01 mar. 2021.

22 A terceira é a gestão dos resíduos sólidos. Algumas das ações indicadas são: reduzir a produção de lixo; reutilizar tudo o que for possível (caixas, embalagens, etc.); praticar a coleta seletiva; entre outras.

Por serem grandes produtores de resíduos sólidos, os meios de hospedagem (empresas que fazem parte do ramo turístico) precisam dar uma atenção especial à gestão e destinação desses resíduos. Para auxiliar nesse processo, o MTur (2016) criou a política dos 5 R’s da gestão de resíduos sólidos, sendo eles;

Reduzir: [...] adquira produtos com pouca ou nenhuma embalagem, substitua o uso de sacolas de plástico por ecobags, compre equipamentos de qualidade para que não precisem ser trocados constantemente;

Repensar: pense duas vezes antes de adquirir um produto, não tome decisões por impulso;

Reaproveitar: vários produtos, após utilizados para sua finalidade original, podem ser reaproveitados para outros propósitos, sem que passem pelo processo de reciclagem;

Reciclar: [...] transformar objetos e materiais usados [...] em novos produtos, envolvendo a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas;

Recusar: recuse produtos que causem danos ao meio ambiente, prefira aqueles que são feitos de materiais recicláveis ou biodegradáveis. Dê preferência às mercadorias de empresas que tenham compromisso com a sustentabilidade. (MTUR, 2016, p. 15)

Outra forma de aderir a práticas sustentáveis é através do chamado ISO 14.001, criado pela International Organization for Standardization (ISO)6, no ano de 2015. A ISO é uma entidade que elabora e promove normas que possam ser utilizadas no mundo inteiro.

De acordo com o portal da Templum7 (empresa de consultoria digital), a ABNT NBR ISO 14.001 é uma norma que especifica os requisitos de um Sistema de Gestão Ambiental e permite que uma empresa desenvolva uma estrutura protetiva para o meio ambiente, com respostas rápidas para as condições ambientais locais. Além disso, a norma foi planejada de forma a incorporar outros pontos importantes, como a cadeia de valor e o ciclo de vida de uma organização.

Impregnar nosso cotidiano de práticas sustentáveis é um dos caminhos a serem percorridos para preservar a qualidade de vida das presentes e futuras gerações. Simples dicas para o manejo sustentável de lâmpadas, papéis, alimentos, resíduos,

6 Tradução: Organização Internacional de Normalização.

7 Fonte: Templum. Disponível em: <https://certificacaoiso.com.br/iso-14001/>. Acesso em: 01 mar. 2021.

23 água e afins são passos importantes que contribuem para uma sólida mudança planetária. Muitas vezes, apontamos para fora e não nos damos conta que, primeiramente, nossa “lição de casa” deve ser feita e o exemplo deve ser dado e reafirmado diariamente. (ENLAZADOR, p. 5)

2.4. Sustentabilidade em Fernando de Noronha

Já faz algumas décadas que Fernando de Noronha se destaca, nacional e internacionalmente, como um dos principais roteiros turísticos do mundo. Desde 1980, o Arquipélago possui o turismo como principal atividade econômica, sendo ela uma forte geradora de emprego e renda para a comunidade local. (SILVA, 2017)

De acordo com o portal G1 (Globo)8, o balanço da movimentação turística do ano de 2019 de Fernando de Noronha, realizado pelo Governo de Pernambuco, mostrou que o Arquipélago recebeu 106.130 turistas, o equivalente a um aumento de 2,49% em relação ao ano anterior (2018), que contabilizou 103.548 visitantes. Outra matéria do portal G19 mostrou dados divulgados pela Administração de Fernando de Noronha, que indicavam o número de visitantes nos anos de 2012, 2013 e 2014, sendo eles: 62.960, 63.384 e 76.145, respectivamente.

Comparando os números acima, é possível notar que, ano após ano, o turismo noronhense continua a crescer e, consequentemente, os impactos negativos dessa atividade sobre o meio ambiente também. Sendo assim, é necessário compreender esse processo com o intuito de controlar o desenvolvimento desses impactos através da adesão de práticas sustentáveis.

Tendo em vista o turismo sempre crescente, Fernando de Noronha foi sabiamente protegida pela legislação em todos os níveis. (ROCHA; BRASILEIRO, 2013) Além de conservada por duas unidades de preservação - APA e PARNAMAR - o Arquipélago pode contar com o Projeto Tamar e o Projeto Golfinho Rotador, que também auxiliam na execução de práticas sustentáveis.

24 Criada em 1986, a Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha (APA - FN)10 tem como principais objetivos conciliar a ocupação humana e a proteção do meio ambiente;

compatibilizar o turismo com a conservação dos recursos naturais; e conservar a qualidade ambiental e as condições de vida humana, da fauna e da flora.

Criado em 1988, o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (PARNAMAR - FN)11 tem como objetivo valorizar os ambientes naturais e de beleza cênica, protegendo os ecossistemas marinhos e terrestres, e preservando a fauna, a flora e os demais recursos naturais.

Já o Projeto Tamar12, iniciou as suas atividades de pesquisa e conservação em Fernando de Noronha no ano de 1984, tendo como principais objetivos a pesquisa, a conservação e o manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, bem como promover a conservação dos ecossistemas marinhos.

Por sua vez, o Projeto Golfinho Rotador13 iniciou os seus trabalhos em Fernando de Noronha em 1990 e tem como principal objetivo preservar a população de golfinhos, que é muito frequente no Arquipélago. Além disso, contribui para a geração de renda por meio de atividades de turismo ecológico e sustentável.

De acordo com o ICMBio14, o Plano de Manejo da APA também é um documento técnico super importante no processo de implementação de práticas sustentáveis. Ele tem como objetivo estabelecer o zoneamento e as normas que devem nortear e regular o uso da área da unidade de conservação em questão, bem como o manejo dos recursos naturais nela existentes, inclusive a implantação e manutenção de estruturas físicas, como é o caso dos meios de hospedagem.

O Sistema de Meios de Hospedagem de Fernando de Noronha é a maior atividade em recursos financeiros, em número de pessoas atendidas, em número de moradores locais envolvidos, em importação de mão de obra e em impactos ambientais. O colapso desse sistema trará graves problemas

10 Fonte: PARNAMAR - FN. Disponível em: <https://www.parnanoronha.com.br/apa>. Acesso em: 02 mar.

2021.

11 Fonte: PARNAMAR - FN. Disponível em: <https://www.parnanoronha.com.br/o-parque>. Acesso em: 02 mar. 2021.

12 Fonte: Projeto Tamar. Disponível em: <https://www.tamar.org.br/centros_visitantes.php?cod=7>. Acesso em:

02 mar. 2021.

13 Fonte: Petrobras. Disponível em: <https://nossaenergia.petrobras.com.br/pt/sustentabilidade/6-coisas-que-

voce-deveria-saber-sobre-os-projetos-ambientais-patrocinados-pela-petrobras/?gclid=Cj0KCQiAvvKBBhCXARIsACTePW_OMniEdG12207yHUoyhptNYGZAj_Oaf2_m55cpTC KH0wEa_nHirg4aApL-EALw_wcB>. Acesso em: 02 mar. 2021.

14 Fonte: ICMBio. Disponível em:

<https://www.gov.br/icmbio/pt-br/servicos/crie-sua-reserva/plano-de-manejo#:~:textO%20 plano%20de%20 manejo%20(PM,f%C3%ADsticas%20

necess%C3%A1rias%20%C3%A0%20gest%C3%A3o%2C%20 conforme>. Acesso em: 02 mar. 2021.

25 sociais para a população local. Os problemas enfrentados pelos pequenos empresários de meios de hospedagem de Fernando de Noronha decorrem da baixa formação em gestão administrativa e financeira, em hotelaria e em sustentabilidade de meios de hospedagem. Essa lacuna de qualificação profissional tem trazido graves problemas ao desenvolvimento sustentável de Fernando de Noronha e à cidadania dos ilhéus. (ICMBIO, 2017, p. 27)

É justamente por esses motivos que se torna tão importante estudar acerca dos métodos que podem ser utilizados pelos meios de hospedagem localizados em Fernando de Noronha na busca por práticas mais sustentáveis.

2.5. Marketing ambiental e o consumidor ecologicamente consciente

No decorrer dos últimos anos, o mercado tem passado por profundas mudanças devido, principalmente, à globalização e aos avanços tecnológicos. Tais mudanças causaram o crescimento do acesso à informação por parte da sociedade como um todo e do nível de conscientização por parte dos consumidores, que se tornaram mais exigentes ao aderir aos produtos e serviços de determinadas empresas. (FIGUEIREDO, 2009)

Hoje, o sucesso de uma empresa não está mais atrelado somente a sua produção, inovação, participação no mercado, qualidade e preço. Todos esses pontos, por mais positivos que sejam, podem ser impactados negativamente devido a malefícios causados ao meio ambiente e a sociedade. (FIGUEIREDO, 2009)

Os consumidores se tornam cada vez mais exigentes quanto às práticas ambientais responsáveis, o que acaba impulsionando os esforços de marketing das empresas em favor do meio ambiente – o que é denominado de marketing verde, marketing ambiental ou marketing ecológico. [...] O fazem o oposto do que divulgam para atrair mais consumidores, causando danos ao ambiente no qual estão inseridas. Tal atitude deve ser evitada para que, em algum momento, a

15 Tradução: Lavagem verde.

26 reputação da empresa não venha a ficar manchada frente ao mercado. (VG RESÍDUOS, 2020)16

Empresas podem se esforçar para, através do marketing ambiental, expor os seus produtos e/ou serviços que possuem características ecologicamente corretas. No entanto, a decisão final de compra pertence exclusivamente ao consumidor. É essa escolha que irá definir o comportamento dele diante do mercado. (FIGUEIREDO, 2009)

[...] o conceito de consumidor verde ou ecologicamente consciente é aquele indivíduo que busca para consumo apenas produtos que causam menores ou nenhum prejuízo ao meio ambiente. O consumidor verde é aquele que relaciona o ato de comprar ou usar produtos com a possibilidade de colaborar com a preservação ambiental. O consumidor verde sabe que, recusando-se a comprar determinados produtos, pode desestimular a produção daquilo que agride o meio ambiente.

(FIGUEIREDO, 2009, p. 117)

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto AKATU no ano de 2004, 44%

dos consumidores entrevistados compreendem que as empresas devem estabelecer padrões éticos cada vez mais altos, embora apenas 6% da amostra tenham sido classificados como consumidores ecologicamente conscientes. A pesquisa registrou, ainda, que 82% dos consumidores considerados ambientalmente conscientes estão dispostos a pagar mais caro por produtos e/ou serviços advindos de empresas ecologicamente corretas. Esses dados mostram a potencialidade de crescimento do número de consumidores ambientalmente conscientes e a consequente oportunidade de utilização do marketing ambiental pelas empresas. (2004, apud Figueiredo, 2009, p. 110)

16 Fonte: VG Resíduos. Disponível em: <https://www.vgresiduos.com.br/blog/greenwashing-o-que-e-e-por-que-sua-empresa-deve-evitar/>. Acesso em: 03 mar. 2021.

27 3. OBJETO DE ESTUDO: POUSADA DO VALE, TURISMO SUSTENTÁVEL E MARKETING AMBIENTAL

3.1. A economia regional

Pernambuco é o décimo estado mais rico do Brasil e possui um elevado nível de desenvolvimento econômico, fato constatado através do contínuo aumento do PIB estadual, que atingiu a marca de R$186,3 bilhões em 2018, de acordo com o IBGE17. Possui um transformação de minerais, de confecções, químico, petroquímico, farmacêutico, mobiliário, de transporte, de energia e de informática.

Já o setor de serviços, maior responsável pelo PIB estadual, é fortemente impulsionado pelo turismo e pelo comércio. Pernambuco possui 187 quilômetros de belas praias, com destaque para Tamandaré e Porto de Galinhas. Além disso, outro destino muito almejado pelos turistas é o Arquipélago de Fernando de Noronha, distrito estadual pertencente ao estado.

3.2. Fernando de Noronha, a Esmeralda do Atlântico

Fernando de Noronha é um arquipélago vulcânico formado por 21 ilhas, ilhotas e rochedos, localizado no Atlântico Sul Equatorial, a cerca de 380 quilômetros da costa brasileira. Adquiriu o nome de sua maior ilha, um parque marinho e santuário ecológico protegido por duas unidades de preservação e alguns outros projetos, que têm como principal função cuidar dos vários ecossistemas locais e manter a preservação do meio ambiente.

Além do fluxo turístico sempre crescente, Fernando de Noronha possui 3.101 habitantes fixos, de acordo com o último estudo estatístico realizado pelo IBGE18, no ano de 2020. A população noronhense é dividida em dois pequenos grupos: moradores permanentes e

17 Fonte: IBGE. Disponível em: <https://www.ibge.gov.br/explica/pib.php>. Acesso em: 05 mar. 2021.

18 Fonte: IBGE: Disponível em: <https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pe/fernando-de-noronha/panorama>. Acesso em: 08 mar. 2021.

28 temporários. O primeiro corresponde aos habitantes que possuem autorização da administração local para residirem na ilha (ilhéus e seus descendentes) e o segundo, aos que possuem algum vínculo empregatício ou união estável no Arquipélago.

Quando os assuntos são lazer, cultura e visitação, os turistas podem contar com um enorme leque de opções de comércio, praias e passeios, como, por exemplo: Ilha Tour um tour completo por Fernando de Noronha; Passeio de Barco um dos passeios mais tradicionais do Arquipélago, com a possibilidade de ver os Golfinhos Rotadores

Quando os assuntos são lazer, cultura e visitação, os turistas podem contar com um enorme leque de opções de comércio, praias e passeios, como, por exemplo: Ilha Tour um tour completo por Fernando de Noronha; Passeio de Barco um dos passeios mais tradicionais do Arquipélago, com a possibilidade de ver os Golfinhos Rotadores

Documentos relacionados