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SUSTENTABILIDADE DO REgIME PREVIDENCIÁRIO

Com o objetivo de fortalecer a sustentabilidade do regime previdenciário, busca-se a melhoria dos resultados financeiro e atuarial e dos ativos totais dos RPPS durante a execução do Plano Plurianual (PPA) 2016-2019. No entanto, não foi o que se observou pelos resultados efetivamente alcançados durante o ano de 2016, reforçando a indicação anterior de que os RPPS possuem desajustes estruturais que afetam sua sustentabilidade, destacando-se:

• No que se refere ao resultado financeiro, apenas o RPPS da União apresentou melhoras em relação ao Índice de Referência (déficit de -0,69% do PIB, para Índice de Referência de -0,75%), havendo piora nos estados (-1,44%, para Índice de -0,92%) e nos municípios (super

á

vit de 0,18%, para Índice de Referência de 0,2%). No consolidado dos entes, o resultado piorou de -1,60% em 2015, para -1,96%

em 2016.

• No resultado atuarial apenas o RPPS da União apresentou melhoras em relação ao Índice de Referência (déficit de -19,99% do PIB, para Índice de Referência de -20,21%), o mesmo não ocorreu nos estados (-74,33%, para Índice de -9,77%) e municípios (-12,37%, para Referência de -9,87%). No consolidado dos entes, o resultado atuarial deficitário passou de -84,87% do PIB em 2015 para -106,69% em 2016.

Em relação às metas que dizem respeito especificamente à inciativa de aprimorar a orientação, supervisão e acompanhamento dos RPPS, observou-se que:

• A meta de “reduzir o tempo médio de auditoria direta dos RPPS de seis para três anos” teve um bom desempenho alcançando o resultado de 3,44 anos. Apesar do resultado favorável, essa meta tem como fator crítico para os próximos anos a redução continuada do contingente de auditores fiscais da Receita Federal do Brasil em exercício na Secretaria de Previdência.

• A meta de “realizar anualmente a supervisão atuarial, contábil, de investimentos, do caráter contributivo e de informações previdenciárias em cada RPPS, por meio de auditoria indireta” alcançou o percentual de 46,44%. Havendo necessidade de dar continuidade ao processo de fortalecimento da integração entre as áreas de supervisão dos RPPS, que depende muito da melhoria do CADPREV, sistema responsável pela captação das informações enviadas pelos entes federativos, e de desenvolvimento de aplicações para análise e tratamento dessas informações.

No âmbito da Previdência Complementar, atuou-se na proposição de ajustes legais e normativos e no debate acerca de temas importantes para o fomento e a sustentabilidade da Previdência Complementar, no segmento fechado, tais como: a) o ingresso de forma automática de novos empregados nos planos de benefícios, oferecidos pelos empregadores patrocinadores de planos; b) o projeto de lei para criação de uma EFPC para administrar plano de benefício de entes públicos de menor porte; c) a discussão do tema e o estudo para elaboração de uma lei que aborda o chamado “Patrimônio de Afetação”; e d) a aprovação pelo Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) de normativo sobre a situação de submassa de participantes e assistidos nos planos de benefícios e os procedimentos que devem ser adotados pelas EFPC.

No que cabe

à

meta de reabilitação profissional, ela abrange tanto a dimensão social como a econômica. Do ponto de vista social, tem como objetivo contribuir na melhoria da qualidade de vida dos beneficiários da Previdência Social, promovendo o resgate da cidadania, a (re)qualificação profissional e a possibilidade de reinserção no mercado de trabalho. No que tange à esfera econômica, a reabilitação profissional contribui para a sustentabilidade dos regimes previdenciários, à medida que o segurado reabilitado efetivamente reintegrado ao mercado de trabalho pode voltar à condição de contribuinte da Previdência Social. Em 2016, 55,8% dos segurados elegíveis foram efetivamente reabilitados, o que torna o indivíduo apto a retornar suas atividades profissionais por meio da sua adaptação

à

função compatível com suas limitações.

Em relação à meta “realizar ações de promoção para adesão dos entes federados ao Regime de Previdência Complementar”, registra-se o acompanhamento do processo de estudos ou de discussão dos projetos de lei nas assembleias legislativas para a criação de EFPC nos estados do Pará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Paraná, e também para o município de São Paulo. Houve a prestação de suporte técnico a esses entes federativos sob demandas específicas.

CONSIDERAÇõES E PERSPECTIVAS

De forma geral, pode ser considerado que o PPA 2016-2019, em seu ano inicial, trouxe diversos desafios, apesar de os índices e as metas propostas não terem sido atingidos em sua grande maioria, boa parte deles ainda por reflexos oriundos de uma situação de indefinição nas suas estruturas administrativas.

Inicialmente, a Medida Provisória no 696/2016, convertida na Lei nº 13.266/2016, extinguiu o Ministério da Previdência Social e criou o Ministério do Trabalho e Previdência Social, cuja estrutura regimental não chegou a ser aprovada. Posteriormente, a Medida Provisória no 726/2016, convertida na Lei n

º

13.341/2016, transferiu para o Ministério da Fazenda as competências relativas à Previdência e, para o MDSA, o INSS e suas competências.

Ainda neste contexto, o encaminhamento da PEC no 287/2016 ao Congresso Nacional apresenta-se como outro fator de grande impacto para a sustentabilidade dos regimes de previdência. Espera-se com a sua aprovação e subsequente entrada em vigor, que seja possível manter a despesa previdenciária estável com relação ao PIB nas próximas décadas.

A partir da aprovação da reforma outras medidas importantes se sucederão, podendo ser citadas: a discussão e encaminhamento do projeto de lei de responsabilidade previdenciária; a implantação plena da unidade gestora única do RPPS, nos entes que ainda não o fizeram; a instituição do regime de previdência complementar pelos estados, Distrito Federal e municípios; a reversão do processo de judicialização do CRP; e as medidas adicionais de adequação da legislação e da gestão do RPPS em cada ente federativo.

No que tange à promoção das políticas e ações previdenciárias de saúde e segurança do trabalhador, o sucesso da iniciativa depende da cont

í

nua disponibilização de informações à sociedade, permitindo maior transparência e garantindo o controle. Ademais, é fundamental que o debate acerca da metodologia de cálculo do FAP, da revisão do anexo V do Decreto nº 3.048/1999 (alíquotas RAT), possa produzir os resultados almejados, garantindo o aperfeiçoamento de tais políticas públicas. Por fim, é fundamental a implementação dos eventos de saúde e segurança do trabalhador no eSocial, garantindo o recebimento de informações mais consistentes e permitindo a garantia de direitos previdenciários que dependam desta declaração, em especial no que tange à aposentadoria especial.

As ações desenvolvidas nas áreas de controle interno, gestão e integração de cadastros t

ê

m notória importância na atual fase da política previdenciária, sobretudo por aprimorar o processo de reconhecimento inicial do direito aos benefícios previdenciários e assistenciais, bem como a sua manutenção dentro dos ditames legais.

Isto posto, destaca-se que a definição das competências da Secretaria da Previdência no decreto que regulará a nova estrutura regimental do Ministério da Fazenda, compatível com a relevância, abrangência e complexidade de suas atividades, é fundamental para que não seja prejudicado o alcance dos objetivos e metas do programa Previdência Social.