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Análise dos Resultados Obtidos

7. SUSTENTABILIDADE DO SISTEMA DE SANEAMENTO DA CIDADE DO MINDELO, CABO VERDE

7.1. S

USTENTABILIDADE

E

CONÓMICA

A sustentabilidade económica do sistema de saneamento da cidade do Mindelo, desde o início da sua construção, tem vindo a ser garantida apenas pelo financiamento externo, quer através de projectos de cooperação, quer através de projectos financiados pelo Banco Mundial. Estes apoios foram aplicados nas fases de construção e de recuperação/manutenção do sistema de saneamento, apoiando as diversas fases do Plano Sanitário do Mindelo. Em 2005 foi desbloqueado o mais recente financiamento para a manutenção e ampliação da rede de saneamento, para a recuperação da ETAR e para o arranque do projecto PARI de irrigação de campos agrícolas com água residual tratada. Apesar de ter sido recorrentemente financiado, o sistema pode ser considerado actualmente como sustentável, visto que o financiamento tem sido regular e tem permitido o seu desenvolvimento, ainda que com recursos externos.

Actualmente e para o futuro, perspectiva-se e prepara-se o sistema para um cenário de sustentabilidade económica decorrente de recursos internos.

Durante a estadia no Mindelo, foi feita uma análise económica do sistema de saneamento na sua vertente de tratamento e irrigação, não englobando o sistema de abastecimento nem a rede de colectores de águas residuais. Este estudo visava determinar a tarifa de venda da água residual tratada, a ser cobrada aos agricultores beneficiários deste serviço, sem que tivessem de suportar os custos globais do sistema integrado (abastecimento de água, recolha de águas residuais, tratamento de águas residuais e irrigação).

Neste estudo foram considerados os custos de exploração da ETAR, os custos de Manutenção das infra-estruturas e equipamentos, e os custos com as análises laboratoriais. Com base neste estudo concluiu-se que a tarifa justa de cobrança da água residual tratada era de cerca de 30 ECV/m3 (Escudos Caboverdeanos) (cerca de 0,30€/m3), o que na altura foi considerado um valor exagerado por parte dos beneficiários do sistema. Em 2005 este valor estava demasiado próximo do valor de venda da água de abastecimento para consumo humano, no entanto, actualmente as tarifas de abastecimento já foram revistas e o valor a água residual é assim mais bem aceite. Refere-se ainda que nos primeiros meses de irrigação dos campos agrícolas, a água era de distribuição gratuita, e que a sua cobrança apesar de estar prevista nunca teve um valor fixo definido. Actualmente a situação está a ser revista no âmbito das últimas obras do Plano Sanitário do Mindelo, que prevê a ampliação da rede de saneamento e a duplicação da capacidade de tratamento da ETAR.

Nesta óptica os responsáveis pela gestão do sistema prevêem a criação de planos de cobrança do serviço de saneamento ajustados aos rendimentos da população e que deverão cobrir parte dos custos de tratamento, nesta óptica o preço de venda da água residual tratada será mais justo, não estando sobrecarregado com os custos totais de exploração da ETAR. Com a implementação destas medidas será encontrado um novo ponto de equilíbrio do sistema de saneamento que irá permitir a sua sustentabilidade económica baseada apenas receitas internas (inerentes ao sistema).

7.2. S

USTENTABILIDADE

S

OCIAL

Em termos sociais o sistema de saneamento da cidade do Mindelo contribui para o desenvolvimento local através dos seguintes vectores de crescimento:

Desenvolvimento da agricultura e da economia associada, através da produção de alimentos de qualidade em grandes quantidades;

Comercialização dos produtos produzidos nos mercados locais, com diminuição das necessidades de importação;

Consumo de produtos de qualidade que promovem a melhoria da alimentação da população local;

Criação de novos postos de trabalho numa região com elevada taxa de desemprego; Criação de parcerias entre instituições, como por exemplo a colocação de presidiários em regime livre a trabalhar nas explorações agrícolas de beneficiários necessitados de apoio.

7.3. S

USTENTABILIDADE

A

MBIENTAL

Em termos ambientais a recolha e tratamento de águas residuais é já um forte contributo para a sustentabilidade ambiental, no entanto outros factores são igualmente importantes e contributivos para a sustentabilidade do sistema nesta área:

Recuperação e reutilização de um recurso escasso – água; Contribuição para a biodiversidade local nas zonas de irrigação; Redução da carga poluente no meio ambiente;

Contribuição para a recarga de massas de água subterrâneas, já totalmente esgotadas;

Recuperação paisagística nos locais de irrigação, e através da criação de plantas em viveiro e posterior florestação de áreas praticamente deserta.

7.4. Q

UADRO DE

I

NDICADORES DE

S

USTENTABILIDADE

O quadro de indicadores apresentado no ponto 2.7.2 – Indicadores de Sustentabilidade, pode ser em parte aplicado ao sistema integrado de abastecimento, saneamento e irrigação do Mindelo. Apesar de nem todos os dados necessários terem sido disponibilizados ou reunidos, alguns do indicadores sugeridos pela bibliografia podem já ser utilizados para apoiar a análise de sustentabilidade do sistema, feita nos pontos anteriores. Assim nos quadros 37 e 38 apresenta-se o quadro de indicadores do sistema integrado do Mindelo.

Quadro 37 – Quadro de Indicadores de Sustentabilidade aplicados ao sistema do Mindelo

(Abastecimento e Saneamento)

Sistemas Análise Indicador Unidades Sistema do Mindelo

Percentagem de população

servida pela rede % 72%

Percentagem de população servida pelo sistema

% 100%

Capitação l/hab.dia 92

Perdas de água na rede % 20% Eficiência de tratamento da

água de abastecimento % de remoção - Coliformes na água de

abastecimento Número N.A.

Custos de tratamento e

abastecimento 210 ECV/m

3 (2,10 €/m3) Proveitos da venda de água de

abastecimento Un. Monetárias / m3 - Proveitos de gestão do sistema

de tratamento Un. Monetárias / hab - Proveitos/(Proveitos-Custos) % - Produção de água residual

(Capitação)

l/hab.dia 86

Cobertura do sistema de

saneamento % de população servida 57% Cobertura do sistema face ao

abastecimento População com abastecimento / População com saneamento 78% Perdas ou infiltrações % 30% Perdas ou infiltrações % - Carga orgânica Kg - Carga hidráulica Kg - Utilização de químicos e

reagentes Kg produto / kg de poluente removido N.A. Consumo de energia Kw/ kg de CBO5

removido N.A.

Eficiência de tratamento % de remoção

CQO 70%

SST 85%

Coliformes fecais 99%

Custos de tratamento -

Proveitos da venda de água

residual tratada Un. monetária / m3 N.A. Proveitos de gestão do sistema

(taxa de saneamento)

Un. monetária / hab - Proveitos/(Proveitos-Custos) % - Abastecimento de água Quantitativa Qualitativa Económica Saneamento Quantitativa da Rede de saneamento Quantitativa do sistema de tratamento Económica Qualitativa

Quadro 38 – Quadro de Indicadores de Sustentabilidade aplicados ao sistema do Mindelo

(Utilização de Água Residual para Irrigação)

Sistemas Análise Indicador Unidades Sistema do

Mindelo

Consumo de água residual

tratada (capitação) m3/dia 1.800 Consumo vs produção % de água residual

tratada consumida 100% Nº coliformes fecais /100

ml

2.300 Nº de ovos de parasitas - Cumprimento das normas OMS Não cumpre Custo da água residual tratada Un. monetária / m3 - Custo água utilizada / custos

totais produção % -

Proveitos da venda de produtos

agrícolas Un. Monetárias / m3 30 ECV/ m 3 (0,30 €/m3) Proveitos/(Proveitos-Custos) % - Utilização de Água Residual Tratada para a Agricultura Quantitativa

Qualitativa Qualidade da água utilizada

7.5. A

NÁLISE

SWOT

P

ONTOS

F

ORTES

,

P

ONTOS

F

RACOS

,

O

PORTUNIDADES E

A

MEAÇAS

7.5.1. M

ETODOLOGIA DE

A

NÁLISE