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O termo sustentabilidade está sendo amplamente abordado nos últimos tempos, porém, não existe um conceito aceito e coerente. A palavra sustentabilidade surgiu aproximadamente nos anos 80 do século passado, apresentada pela primeira vez na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD) na qual foi publicado o relatório “Nosso Futuro Comum” ou também “Relatório Brundtland”. Este relatório ressaltou o desenvolvimento sustentável como o desenvolvimento que garante o atendimento das necessidades do presente sem comprometer a habilidade das gerações futuras de atender suas necessidades (CNUMAD, 1991).

Quando se considera que uma organização ou uma sociedade é sustentável pretende-se afirmar que a mesma possui um determinado nível de sustentabilidade, Munck e Souza (2009) conceituam a sustentabilidade como um estado, em que uma organização ou sociedade encontra-se em relação aos aspetos econômicos, ambientais e sociais, ou também Triple Bottom Line (TBL), em português Tripé da Sustentabilidade, termos desenvolvidos por Elkington, (1997) em que o capital social representa à dimensão econômica, as pessoas ao social e o ambiental ao ambiente.

Cada pilar da sustentabilidade compreende atividades práticas que permitem atingir a sustentabilidade. Desta maneira, os três pilares da sustentabilidade são: social, ambiental e econômico, o conceito de cada um desses termos está exposto no Quadro 1.

Quadro 1 - Definicão dos Pilares da Sustentabilidade

Pilar social

Aorganização deve satisfazer aos requisitos de proporcionar as melhores condições de trabalho aos seus associados e colaboradores, procurando contemplar a diversidade cultural existente na sociedade em que atua, além de propiciar

oportunidade aos deficientes de modo geral. Além disso, seus dirigentes devem participar ativamente das atividades socioculturais de expressão da comunidade que vive no entorno da unidade produtiva.

Pilar ambiental

Do ponto de vista ambiental, deve a organização pautar-se pela ecoeficência dos seus processos produtivos, adotar a produção mais limpa, oferecer condições para o desenvolvimento de uma cultura ambiental organizacional, adotar uma postura de responsabilidade ambiental, buscando a não

contaminação de qualquer tipo do ambiente natural, e procurar participar de todas as atividades patrocinadas pelas autoridades governamentais locais e regionais no que diz respeito ao meio ambiente natural.

Pilar econômico Do ponto de vista econômico, a sustentabilidade prevê que as organizações têm que ser economicamente viáveis. Seu papel na sociedade deve ser cumprido levando em consideração esse aspecto da

rentabilidade, ou seja, dar retorno ao investimento realizado.

Fonte: Adaptado de Dias (2017, p.45)

Considerando a definição dos três pilares da sustentabilidade apresentados no Quadro 1, Dyllick e Hockerts (2002) afirmam que para que uma organização seja realmente sustentável é preciso que exista integração de seus pilares econômico, social e ambiental, os quais compõem a sustentabilidade organizacional, são expostos sua inter-relação na Figura 1.

Figura 1 – Inter-relação entre os pilares da sustentabilidade

Fonte: Adaptado de Adams (2006)

Quando os pilares ambiental e econômico forem desempenhados a sustentabilidade é classificado como viável; considera-se tolerável quando os pilares ambiental e social são desempenhados; e equitativo quando são desempenhados o social e econômico. Se um desses pilares não for satisfeito, logo não há sustentabilidade. Assim sendo, compreende-se que a sustentabilidade se fará presente se todos os pilares forem desempenhados de forma simultânea, isto é, o desenvolvimento deve ser economicamente viável, socialmente equitativo e ambientalmente correto, se menosprezar um deles não existirá sustentabilidade (ADAMS, 2006).

Silveira (2013) traz a mesma afirmação e acrescenta que a sustentabilidade deve ser

“convenientemente articulada e integrada de forma a criar as condições necessárias para produzir os resultados esperados na economia, e nas dimensões sociais e ambientais (SILVEIRA, 2013, p. 176)”. De acordo com Luz e Boostel (2019), os motivos funcionais de preservação apresenta a interligação de tudo o que existe na natureza, ou seja, uma parte afetada acaba afetando outras. As autoras deram o exemplo que a poluição do solo prejudica o plantio, assim como a poluição da água pode afetar a pesca e a sobrevivência de animais e pessoas.

“Assim, a natureza é um conjunto de componentes harmonizados, por isso, desestabilizar essa harmonia gera consequências negativas para todos” (LUZ; BOOSTEL, 2019, p16).

Analisando esses motivos, verificamos a importância da consciência ambiental em pessoas e organizações nas suas ações de curto e longo prazos.

As pessoas compõem as organizações e, portanto, a gestão organizacional, que deve ter consciência ambiental. A cultura de preocupação ambiental precisa estar presente na mente dos colaboradores, nas suas atitudes e, inclusive, nos produtos e serviços prestados (LUZ; BOOSTEL, 2019, p.17).

Barbieri (2011) expõe na ótica organizacional que para a sustentabilidade seja algo concreto e capaz de tornar os benefícios qualitativos e quantitativos oriundos das práticas de sustentabilidade, as organizações precisam desenvolver ou apropriar-se de mecanismos de gestão, além de apoiar-se em alguns critérios de desempenho como, por exemplo, eficiência econômica, equidade social e respeito ao meio ambiente, critérios esses que devem ser considerados simultaneamente.

Segundo Barbieri et al. (2010), no início as organizações introduziram a sustentabilidade sobre suas estratégias devido às ameaças externas. Atualmente a sustentabilidade está sendo um assunto relevante nas organizações, sendo utilizada em muitos discursos que procuram justificar os impactos causados das variadas atividades produtivas que causam um impacto no meio ambiente, desta maneira buscam apoiar sua atuação perante à

sociedade.

A sustentabilidade deve apresentar um comprometimento de longo prazo, levando em consideração o papel principal que os agentes econômicos ocupam na sociedade. As organizações possuem responsabilidades que envolvem a sociedade e o território de onde constitui sua produção ou onde se localiza seu mercado consumidor, ou seja, ultrapassa o círculo limitado de pessoas de dentro da organização (PHILIPPI JR; SAMPAIO;

FERNANDES, 2017).

Existe uma nova realidade em que a organização não deve descuidar “[...] porquanto os elementos agora presentes poderão estar intimamente relacionados à sua economicidade ou sustentabilidade econômica, de um modo que anteriormente não se anunciava” (PHILIPPI JR;

SAMPAIO; FERNANDES, 2017, p.8). Bueno (2015) afirma sobre a sustentabilidade que:

A sustentabilidade há muito tempo deixou de ser apenas um elemento figurativo do discurso das organizações para se constituir em atributo indispensável da cultura e do processo de gestão por pelo menos dois motivos:

a) exigência dos stakeholders e da sociedade, que cobram compromisso em relação ao meio ambiente, aos direitos humanos e trabalhistas e esperam que, ao mesmo tempo, as organizações mantenham a saúde econômica e financeira que garanta o emprego e a renda; b) conscientização gradativa das organizações para sua dependência em relação aos recursos naturais, indispensáveis para sua sobrevivência, e para a importância estratégica do relacionamento ético com seus funcionários, parceiros, clientes, consumidores, dentre outros (BUENO, 2015, p.3).

Hart e Milstein (2003) defende a ideia de que as organizações que investem em sustentabilidade podem adicionar valor compartilhado para uma ampla gama de stakeholders, como no caso das cooperativas seus associados, funcionários, fornecedores, comunidade do entorno, meio ambiente e, a sociedade como um todo. Ainda nesse contexto, os autores afirmam que os desafios ligados à sustentabilidade, em uma visão administrativa, podem colaborar para identificação de práticas que cooperem para um mundo sustentável e, ao mesmo tempo, conduzido para gerar valor para uma organização.

Conforme Luz e Boostel (2019) a confiança dos stakeholders internos e externos é de suma importância, pois contribui para a melhoria dos recursos da organização e é um fator-chave para a sustentabilidade da empresa a longo prazo. Todas as organizações consideram a sustentabilidade como um regulamento já estabelecido e presente na sua cultura para que integre suas ações. Nesse âmbito o papel da gestão dentro de uma organização cumpre o papel de estimular seus associados, colaboradores e fornecedores na procura de se tornar sustentável, de modo que a organização siga a produzir produtos e prestar serviços de qualidade, o que

acarreta maior rentabilidade ao fim do processo (LUZ; BOOSTEL,2019).

Munck, Souza e Zagui (2012, p. 12) corroboram:

As competências interligam homens e organizações, através de uma compreensão sistemática e contributiva retro alimentadora, em que cada uma destas personagens estabelece um compromisso social conjunto, através do qual todos precisam desempenhar seus papéis em processos de desenvolvimento amparados por premissas responsáveis. Há uma valorização do ser humano enquanto agente de mudanças e da organização como um ambiente para recepção, tratamento e transferência destas revoluções. E tudo isto pode ser validado por um eficiente e aplicável modelo de competências (MUNCK; SOUZA; ZAGUI, 2012, p. 12).

A sustentabilidade organizacional agrega as dimensões de desenvolvimento sustentável do ambiente e práticas de gestão, só assim, as empresas conseguem alcançar ganhos econômicos as suas estratégias com benefícios ao ambiente, economia e sociedade (ORSIOLLI;

NOBRE, 2015).

Oliveira et al. (2012, p.71) sustentam:

As organizações de grande porte possuem grande interação com o ambiente e as comunidades do entorno da área de operação, demandando, muitas vezes, grandes quantidades de investimento financeiro. Além disso, o crescente número de leis e regulamentações, criadas nos últimos anos, faz com que as questões sustentáveis se tornem praticamente obrigatórias para essas organizações (OLIVEIRA et al., 2012, p.71).

Barbieri (2011) expõe que para a gestão de sustentabilidade seja algo concreto na realidade organizacional e capaz de tornar os benefícios qualitativos e quantitativos oriundos das práticas de sustentabilidade, as organizações precisam desenvolver ou apropriar-se de mecanismos de gestão, além de apoiar-se em alguns critérios de desempenho como, por exemplo, eficiência econômica, equidade social e respeito ao meio ambiente, critérios esses que devem ser considerados simultaneamente.

As organizações e seu comprometimento no que se refere às decisões relacionadas a produção estão diretamente ligadas à sua responsabilidade no âmbito social e compreende a atenção relacionada a diminuição de geração de impactos causados ao meio ambiente. Isto pode ser também um ponto forte para a organização, a fim de gerar uma imagem correta perante a sociedade expondo o empenho da organização em cumprir seu papel junto à sociedade e ao meio ambiente (OLIVEIRA et al., 2017). A organização que agrega a sustentabilidade em sua gestão apresenta uma reputação, Almeida (2002, p.81) evidencia as afirmações de Oliver et al (2017) “[...] a organização que quer ser sustentável inclui entre seus objetivos o cuidado com o

meio ambiente, bem-estar dos seus stakeholders a constante melhoria da sua própria reputação”.

Existem quatro fatores externos que induzem a respostas das organizações a adotar medidas que diminuem a contaminação que são: o papel do Estado, a legislação ambiental, em conjunto com as instituições ambientais e as atividades de controle de contaminação realizadas que “limitam a liberdade da empresa contaminar”; a comunidade local também incentiva as organizações a adorarem medidas de controle de contaminação, pois são as primeiras que sofrem as consequências da poluição; o papel do mercado, visto que as organizações atuam em diversos mercados e ter esse cuidado com o meio ambiente gera uma reputação da organização como benfeitora ou não do meio ambiente; e por último os fornecedores, pois está aumentando gradativamente o número de organizações e empresas que são fornecedoras de outras e para isso precisam apresentar um bom desempenho ambiental em sua cadeia produtiva “o que as obriga a fazerem exigências aos seus próprios fornecedores para que sejam portadores de certificações ambientais e se tornem unidades produtivas respeitosas com o meio ambiente”

(DIAS, 2017. p.59)

E Zanatta (2017) complementa dizendo que o resultado, após assumir um novo comportamento agregando a sustentabilidade na organização, pode ser tardio. Entretanto, existem algumas razões que levam as organizações a sustentarem essa prática são: melhoria da imagem institucional, requisitos legais, qualidade de vida, responsabilidades ecológicas, redução em processos, maior confiabilidade, logo maior rentabilidade.

Em contrapartida Munck e Souza (2009) estabelecem as iniciativas relacionadas a sustentabilidade organizacional, segundo eles “vão além das conformidades legais e não se limitam às preocupações sobre rentabilidade. A motivação para a sustentabilidade organizacional está no potencial humano, na responsabilidade social das empresas e no cuidado com o Planeta” (MUNCK; SOUZA, 2009, p. 197).

2.2 LOGÍSTICA

A logística é o processo que engloba a aquisição, movimentação, armazenagem e entrega de produtos. Gerencia os processos de forma integrada, fazendo com que as organizações ganhem com reduções de estoque, desperdícios e otimização de transporte. A logística pode ser conceituada como uma gestão de fluxos entre as funções do negócio. Em todos os territórios a logística aparece como um dos diferenciadores das avaliações estratégicas das corporações, em razão de estar associada a esse cenário, fazendo parte do ciclo completo visível pelo consumidor (CAVANHA FILHO, 2001; DORNIER et al., 2000).

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