3.1 LOCALIZAÇÃO
3.1.2 Sustentabilidade no currículo do IDE da TU Delf
O curso de bacharelado do IDE na Universidade Delft consiste em um programa de 180 ECTS4, o equivalente a 4680 horas, divididos em três anos com igual carga. O tema sustentabilidade é discutido no 2° e 3° ano da graduação (Figura 14).
Figura 14 – Disciplinas do curso de bacharelado do IDE da TU Delft com temas voltados à sustentabilidade.
Para a turma de 2001, o primeiro momento onde o aluno teve contato com o tema ambiental foi na disciplina de Introdução ao Design de Produto Sustentável (Introduction to Sustainable Product Design – ID 2431), que ocorreu no primeiro semestre do segundo ano (2002). A disciplina era conhecida como um curso básico de ciência ambiental, com carga de 84 horas. Neste curso o aluno recebia noções específicas sobre impactos ambientais relacionados aos produtos. O conteúdo era dividido em duas partes: Na análise de produtos ambientais e melhoria de produtos ambientais.
Mesmo com conteúdo denominado de básico, a ID 2431 fornecia conhecimentos sobre projetos sustentáveis, onde os critérios sociais recebem crescente atenção, e não “apenas” os aspectos ambientais. Havia discussões sobre ética nas atividades industriais e as necessidades cumpridas e não cumpridas por
4 Sistema Europeu de Transferência de Créditos (ECTS), que permite a atribuição e transferência de créditos acadêmicos entre escolas de Ensino Superior. Tem como finalidade facilitar o reconhecimento acadêmico entre instituições européias parceiras em programas de mobilidade de estudantes utilizando um mecanismo fácil de desenvolver e aplicar. Os créditos ECTS são conferidos a um determinado curso para descrever a carga acadêmica necessária à sua conclusão. Refletem a quantidade de trabalho despendido em cada disciplina relativamente à quantidade total de trabalho necessária para completar com aproveitamento o ano completo (trabalho prático, aulas teóricas, seminários, trabalho particular, em casa ou na biblioteca, exames e demais atividades de avaliação).
elas. Além de debates, a disciplina oferecia aos alunos a apresentação de ferramentas específicas para integrar tal conhecimento nas metodologias de desenvolvimento de produtos.
A carga horária, considerada limitada para a complexidade do curso, exigia que o conhecimento fosse transferido ao aluno através de materiais para leituras e o horário das aulas era utilizado para discussões sobre assuntos de relevância previamente disponibilizados.
No último semestre do terceiro ano, era trabalhada a integração das habilidades adquiridas durante os anos anteriores, incluindo assim a integração da sustentabilidade e o projeto de produto. Na disciplina denominada Design 5 (Design 5 – ID3051), com carga de 112 horas, o aluno era direcionado para atentar a critérios ambientais relacionando com limitações no desenvolvimento do produto, dentro do contexto industrial, do mercado e do consumidor. O objetivo era motivar os estudantes a aplicarem as teorias durante o curso.
Os alunos, em equipes de até cinco integrantes, recebiam um caso real, com pequenas adaptações, de uma empresa existente no mercado. Dentro de um cronograma, estipulado pela coordenação do curso, os alunos tinham que cumprir seis etapas, desde a apresentação da marca e missão da empresa, passando pelo planejamento estratégico, mercado e público alvo, geração de alternativas para o desenvolvimento de um ou de uma linha de produtos. Também eram contemplados os investimentos necessários, a avaliação de impacto ambiental causada pelo produto, o desenho de detalhamento técnico, a avaliação de risco e a introdução do produto no mercado. A cada etapa, a equipe devia apresentar os objetivos previamente definidos para os 15 professores que supervisionavam a disciplina.
Até 2003 a IDE, através das experiências de aprendizagem realizadas no decorrer do currículo do bacharelado, ou seja, 84 horas da disciplina de Introdução ao Design de Produto Sustentável, somadas às 112 horas da disciplina Design 5, apontava que 26% dos alunos reconheciam que aprenderam como integrar a sustentabilidade e o desenvolvimento de produto, enquanto 43% dos alunos não consideraram úteis os conteúdos ministrados nas disciplinas.
A experiência da IDE apontou uma contradição quando apresentou apenas 26% dos alunos com preocupação ambiental e na mesma pesquisa faz menção que 76% dos estudantes julgam positivo ou muito positivo a conexão entre a sustentabilidade e o currículo do curso. O questionamento é reforçado com índices
que demonstraram que 97% dos alunos entendem como positivo ou muito positivo a relevância da disciplina Design 5. Totalizando um resultado de 90% de satisfação com as disciplinas.
Diante do resultado de satisfação dos alunos (90%) e do “baixo” resultado encontrado ao final do curso de graduação (26%), a IDE provocou uma série de alterações nas duas disciplinas que envolvem a sustentabilidade.
Entre as mudanças na redefinição das disciplinas da IDE a disciplina de Introdução do Design de Produto Sustentável deveria relacionar o assunto à possibilidade de aplicações nos projetos de desenvolvimento de produtos.
Entendeu-se que o aluno acreditava na importância do assunto, apontado na pesquisa, mas não se sentia capaz de introduzir etapas ou discussões voltadas a preocupações ambientais na metodologia de desenvolvimento de um produto ou que não era incentivado pelos professores para fazer estas inserções.
Na disciplina Design 5, as aulas com metodologia de ensino no modelo palestra não foram julgadas eficientes para sanar dúvidas em relação a assuntos tratados no ano anterior, na disciplina introdutória, dada a complexidade do assunto e a baixa carga horária da disciplina. Este fato foi determinante para que a disciplina Design 5 fosse modificada, focando para temas entendidos, como sendo os mais relevantes:
A redução de matérias prima;
O impacto ambiental do produto;
Extensão do ciclo de vida do produto e Reciclagem.
O assunto sustentabilidade foi enfatizado como um benefício à sociedade e não “apenas” um assunto puramente ambiental.
As mudanças na IDE não provocaram aumento na carga horária, mantendo as 196 horas, somadas as disciplinas, porém apresentaram resultados diferentes do ano anterior. A integração da sustentabilidade nos projetos apresentados no ano de 2004 foi de 48%, demonstrando um aumento de 84% em relação ao anterior.
Na IDE, em 2004, mesmo com os 48% de integração da sustentabilidade nos projetos, a pesquisa realizada por Boks (2006) demonstrou que 56% dos alunos
ainda não consideravam úteis as instruções sobre a sustentabilidade, índice que era de 43% em 2003.
Boks (2006) destaca que os alunos demonstravam interesse pelo assunto quando estavam resolvendo projetos específicos, cujas discussões sobre a sustentabilidade eram para resolver um determinado problema do produto, como alterar a matéria prima para uma de menor impacto ambiental ou mesmo quando a especificidade determinada era um problema ambiental para resolver, por exemplo:
Desenvolver um projeto de produto a partir de um resíduo sólido resultante do processo de fabricação de uma empresa X determinada.
Boks (2006) ainda aponta que o alto índice do não entendimento dos alunos da utilidade do assunto dá-se, também, porque as aulas de Design 5 não foram ministradas por professores com experiência no assunto, entendendo assim que os alunos abordariam o tema, no desenvolvimento dos produtos, se fossem orientados para relacionar desenvolvimento de produtos e o meio ambiente.
Diante da “contradição” numérica, a IDE promoveu mudanças pontuais nas duas disciplinas que abordavam o pensamento sustentável. A carga horária das disciplinas permaneceu como nos anos anteriores, porém as aulas ministradas em forma de debates, onde eram discutidos assuntos relacionados às leituras, foram modificadas para aulas do tipo orientação. Cada equipe tinha, a partir de 2005, dois encontros obrigatórios com professores especialistas no assunto sustentabilidade, os quais orientariam os alunos para solucionar problemas específicos do projeto em desenvolvimento.
Além do formato das aulas, a equipe de professores que supervisiona a disciplina Design 5 modificou os modelos de estudo de casos que eram apresentados aos alunos. Os problemas que deviam ser resolvidos pelos projetos passaram a ser relacionados às questões que envolviam carências de ordem social e ambiental.
A IDE concluiu, após este estudo realizado por Boks (2006) que metodologias baseadas na sustentabilidade trouxeram para o desenvolvimento de produto assuntos que outras metodologias de projetos não abordavam. Por isso, independente do resultado nos projetos apresentados na disciplina de Design 5 ao final de 2005, o currículo do curso seria modificado.
O novo currículo a partir do ano letivo de 2007 uniu conteúdos das disciplinas de Introdução ao Design de Produto Sustentável ministrada no 2° ano e a Design 5
do 3° ano, criando a nova disciplina Design and Sustainability, para ser ministrada no 2° ano. A nova disciplina foi criada para alterar o foco de ciência ambiental para um objetivo maior que era a inovação de produtos sustentáveis, estabelecendo assim uma maior conexão entre as duas disciplinas ministradas anteriormente. Com carga de 364 horas, perto do dobro do currículo anterior, a disciplina foi dividida em 286 horas voltadas para assuntos relacionados à tecnologia dos materiais e 78 horas direcionadas especificamente para o assunto sustentabilidade.
4 METODOLGIA