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O triple bottom line (tripé da sustentabilidade) é formado pelas palavras people

(pessoas), planet (planeta) e profit (lucro), e corresponde aos resultados do alcance da

sustentabilidade (ELKINGTON, 1999). São medidos em termos sociais, ambientais e

econômicos por meio de indicadores internos no âmbito da empresa e externos realizados por

empresas parceiras, organizações não governamentais e órgãos de fiscalização vinculados ao

governo. O objetivo consiste em apresentar dados pertinentes de sustentabilidade na manufatura

e nos produtos. As informações geradas podem ser dirigidas para as empresas parceiras e

fornecedoras de insumos e, ainda, para a imprensa quando há interesse em divulgar ações

voltadas à preservação ambiental (LOVINS, 2013).

Os consumidores podem receber informações quanto aos produtos, o consumo

energético e formas de descarte. Para a comunidade têm-se ações de cunho social quanto ao

atendimento de necessidades básicas dos trabalhadores, questões éticas e de transparência na

gestão sempre como objetivo a menor taxa de utilização dos recursos naturais. Os acionistas

recebem informações quanto a investimentos e ganhos decorrentes da manufatura e venda de

produtos mais sustentáveis atendendo a condição de “governança sustentável”, ainda que

muitas ações estejam voltadas à economia de recursos de produção e de investimentos em

controles e acompanhamento de perdas (VEZZOLI, 2010).

O conceito foi criado nos anos 1990 por John Elkington, co-fundador da organização

não governamental internacional SustainAbility. O significado pode ser mais bem

compreendido por meio da obra intitulada “Cannibals with forks: the triple bottom line of 21st

century business” (ELKINGTON, 1999), a qual trata desde a necessidade de uma agenda

voltada para a sustentabilidade, bem como a transição necessária do crescimento econômico

focado na quantidade para desenvolvimento sustentável considerando o equilíbrio das três

dimensões, inclusive, sobre o aspecto social (LOVINS, 2013).

Apresenta-se a expansão do modelo de negócios tradicional para um novo modelo que

passa a considerar o desempenho ambiental, social e financeiro das empresas de forma

integrada. Vale ressaltar que apenas alcançar bons resultados em um ou dois aspectos do tripé

não são suficientes para garantir a sustentabilidade. Logo, a correlação é o que garante o melhor

resultado quanto à utilização racional de insumos dentro dos processos de manufatura

configurando uma condição “tridimensional” da sustentabilidade (LEONARD, CONRAD,

2011).

Então, considerando-se a necessidade de equilíbrio entre as dimensões, entende-se que

a sustentabilidade precise ser “cumulativa”. Isto significa que não há como finalizar processos

sustentáveis sem incluir as mudanças e melhorias que vão surgindo ao longo do tempo. Há uma

soma de melhorias. Sendo assim, não há um limite aparente quanto à sustentabilidade de um

produto se considera-se que a cada estudo modificações e melhorias podem torná-lo mais ou

menos sustentável. Há uma complexidade envolvida em todo o contexto produto-processo de

manufatura, e acredita-se que isto ocorre em virtude de não haver um ponto que indique a

finalização. Todavia, esta “não finalização” gera um desconforto quanto à aplicação, uma vez

que entra em conflito com a possibilidade de sempre encontrar-se maneiras de melhorar um

produto com vistas à sustentabilidade.

Para corroborar as questões levantadas por John Elkington, Lovins (2013) indica que é

necessário que as empresas sejam “triplamente estratégicas”, em uma alusão ao triple bottom

line. No entanto, o mesmo autor evidencia a existência de uma grande complexidade em se

tratando de sustentabilidade, e que as formas de ação precisam considerar um alcance mais

sistêmico.

A sustentabilidade ambiental considera os impactos das atividades humanas sobre o

meio ambiente, denominado “capital natural”. Foram os ambientalistas, atores desta

abordagem, que desenvolveram o modelo denominado pressure, state e response (PSR) para

indicadores ambientais, e que o defendem para outras esferas (BELLEN, 2006). Ainda nesta

dimensão, o design procura aplicar conceitos de Life Cycle Design (LCD) considerando

também a utilização de elementos monomateriais para a confecção dos artefatos e a diminuição

da quantidade de matéria-prima utilizada. Para Vezzoli e Manzini (2011), os conceitos de Life

Cycle Design procuram minimizar a utilização dos recursos, escolher os recursos e processos

de baixo impacto ambiental, aperfeiçoar (melhorar) a vida dos produtos, estender a vida dos

materiais e, ainda, facilitar a desmontagem, manutenção, reparo e reuso de materiais. Estas

questões são apontadas como critérios ambientais a serem considerados estratégicos para a

mitigação do impacto ambiental (BARBOSA, 2012).

O conceito de sustentabilidade, observado a partir da perspectiva econômica, vê o

mundo em termos de estoques e fluxo de capital (BELLEN, 2006). A sustentabilidade

econômica abrange a alocação e distribuição eficiente dos recursos naturais dentro de uma

escala apropriada. Reitera-se que esta visão não está restrita apenas ao convencional capital

monetário ou econômico, mas considera o capital de diferentes tipos, incluindo o ambiental

e/ou natural, capital humano e capital social de acordo com os conceitos do tripé da

sustentabilidade. Desta forma, para os economistas, o problema da sustentabilidade se refere à

manutenção do capital em todas as formas (MANZINI, VEZZOLI, 2011), (HARARI, 2018),

(BARBOSA, 2012).

Quanto à sustentabilidade social, ela considera o bem-estar humano, a condição (física,

psicológica e de segurança) e os meios utilizados para aumentar a qualidade de vida. Ela

aproveita o raciocínio econômico, o qual deve preservar o capital social e humano, e que o

aumento deste montante de capital deve gerar receita. Desta forma, a riqueza é apenas uma

parte dentro do contexto da sustentabilidade (BELLEN, 2006). O conceito acaba atendendo a

várias interpretações e compreensões de modo a torná-lo relativo e sujeito a medições de toda

ordem. Logo, este trabalho procura considerar o trabalho laboral diretamente sobre o produto

do qual faz parte. Faz-se importante citar que a dimensão social entendida e sujeita à medição

que é considerada nesta tese não se refere ao “desempenho social” de produtos sustentáveis

(MATTIODA, 2015). E, ainda, reitera-se que o conceito não é equivalente ao de

responsabilidade social das empresas.

Ainda, a respeito do aspecto social da sustentabilidade, uma forma mais filosófica e

interessante de considerar o conceito é relatada por Henry David Thoreau (1817-1862) em que,

na obra Walden ou A Vida nos Bosques (THOREAU, 2010), publicada em 1854, escreve que:

“o preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que você troca por isso”. Há uma frase mais

completa na qual “o custo de uma coisa é a quantidade de vida que é necessário para ser trocado

por ela, imediatamente ou em longo prazo”. Parafraseando Thoreau, uma forma de reescrever

esta frase no contexto da sustentabilidade e que atende ao entendimento deste trabalho seria: “o

valor (preço) social de um produto na manufatura é a quantidade de tempo e energia gasta

(troca, oferece) para a produção”. O valor social de um produto está atrelado à quantidade de

tempo e energia de pessoas que são utilizados no projeto e manufatura.

Uma análise quanto à abrangência das dimensões indica que a dimensão ambiental ainda

é imperativa diante das questões de sustentabilidade. Isso significa que quando o termo é

considerado, estas questões tomam a primeira linha das discussões. Como referência a esta

condição, pode-se citar os acordos entre países diante das conferências ambientais, do clima e

de práticas voltadas à sustentabilidade.