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CAPÍTULO 1 – SUSTENTABILIDADE E DESENVOLVIMENTO LOCAL

1.1 Sustentabilidade

A sustentabilidade procura assegurar a permanência e a continuidade, no médio e longo prazo, dos avanços e melhorias na qualidade de vida, na organização econômica e na conservação do meio ambiente.

O termo "sustentável" provém do latim sustentare (sustentar; defender; favorecer, apoiar; conservar, cuidar). Para Marcondes (2008), nos anos 80 a Organização das Nações Unidas (ONU) encomendou um estudo à então primeira- ministra da Noruega, Gro Brundtland. O trabalho foi publicado em 1987 sob o nome "Relatório Brundtland", ou "Nosso Futuro Comum". Era a primeira vez que um conceito de sustentabilidade fora expresso e mundialmente aceito. De acordo com o relatório, "ser sustentável é conseguir prover as necessidades das gerações presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras em garantir suas próprias necessidades" (RELATÓRIO DE BRUNDTLAND, 1987, p. 23).

Foi também a primeira vez que um estudo patrocinado pela ONU chega à conclusão de que é preciso mudar os atuais padrões de produção e consumo adotados pelas diversas sociedades da Terra, de forma a preservar os recursos e serviços ambientais necessários à sobrevivência humana. Desde então, existe um grande movimento de governos, empresas e ONGs que buscam criar parâmetros para o desenvolvimento sustentável.

O conceito de sustentabilidade começou a ser delineado na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (United Nations Conference on the

1972, a primeira conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente e a primeira grande reunião internacional para discutir as atividades humanas em relação ao meio ambiente. A Conferência de Estocolmo lançou as bases das ações ambientais em nível internacional, chamando a atenção do mundo especialmente para questões relacionadas com a degradação ambiental e a poluição, que não se limita às fronteiras políticas, mas afeta países, regiões e povos, localizados muito além do seu ponto de origem. A Declaração de Estocolmo, que se traduziu em um Plano de Ação, define princípios de preservação e melhoria do ambiente natural, destacando a necessidade de apoio financeiro e assistência técnica a comunidades e países mais pobres. Embora a expressão "desenvolvimento sustentável" ainda não fosse usada, a declaração já abordava a necessidade de "defender e melhorar o ambiente humano para as atuais e futuras gerações" (Item 6, p. 3), um objetivo a ser alcançado juntamente com a paz e o desenvolvimento econômico e social.

A Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), realizada em 1992 no Rio de Janeiro, consolidou o conceito de desenvolvimento sustentável. A mais importante conquista da Conferência foi colocar esses dois termos, meio ambiente e desenvolvimento juntos, concretizando a possibilidade apenas esboçada na Conferência de Estocolmo, em 1972, e consagrando o uso do conceito de desenvolvimento sustentável, defendido, em 1987, pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Comissão Brundtland). O conceito de desenvolvimento sustentável, entendido como o desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das futuras gerações de atenderem às suas próprias necessidades, foi concebido de modo a conciliar as reivindicações dos defensores do desenvolvimento econômico com as

biodiversidade. Essa formulação é uma resposta aos problemas e desigualdades sociais, comprometendo a satisfação das necessidades de uma parcela significativa da população mundial; e uma resposta ao processo de degradação ambiental gerado pelo estilo de crescimento, que tende a limitar as oportunidades das gerações futuras.

A Agenda 21 foi um dos principais resultados da conferência Eco-92 ou Rio- 92, um amplo e abrangente programa de ação, visando à sustentabilidade global no século XXI. É um documento que estabeleceu a importância do comportamento de cada país em refletir, global e localmente, sobre a forma pela qual governos, empresas, organizações não-governamentais e todos os setores da sociedade poderiam cooperar no estudo de soluções para os problemas socioambientais.

Em 2002, a Cúpula da Terra sobre Desenvolvimento Sustentável, de Joanesburgo, reafirmou os compromissos da Agenda 21, propondo a maior integração das três dimensões do desenvolvimento sustentável (econômica, social e ambiental) através de programas e políticas centrados nas questões sociais e, particularmente, nos sistemas de proteção social.

Segundo Sachs (2000), o grande marco para o desenvolvimento sustentável mundial foi, sem dúvida, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992 (a Rio 92), quando se foi aprovada uma série de documentos importantes, entre os quais a Agenda 21, um plano de ação mundial para orientar a transformação desenvolvimentista, identificando, em 40 capítulos, 115 áreas de ação prioritária. A Agenda 21 apresenta como um dos principais fundamentos da sustentabilidade o fortalecimento da democracia e da cidadania, por meio da participação dos indivíduos no processo de

desenvolvimento, combinando ideais de ética, justiça, participação, democracia e satisfação de necessidades. O processo iniciado no Rio em 92 reforça que, antes de se reduzir a questão ambiental a argumentos técnicos, devem-se consolidar alianças entre os diversos grupos sociais responsáveis pela catalisação das transformações necessárias.

Entre alguns dos focos discriminados na Agenda 21, podemos destacar:  Cooperação internacional;

 Combate à pobreza;

 Mudança dos padrões de consumo;  Habitação adequada;

 Integração entre meio ambiente e desenvolvimento na tomada de decisões;

 Proteção da atmosfera;

 Abordagem integrada do planejamento e do gerenciamento dos recursos terrestres;

 Combate ao desflorestamento;

 Manejo de ecossistemas frágeis: a luta contra a desertificação e a seca;  Promoção do desenvolvimento rural e agrícola sustentável;

 Conservação da diversidade biológica;

 Manejo ambientalmente saudável dos resíduos sólidos e questões relacionadas com os esgotos;

 Fortalecimento do papel das organizações não-governamentais: parceiros para um desenvolvimento sustentável;

 Comunidade científica e tecnológica;  Fortalecimento do papel dos agricultores;

 Transferência de tecnologia ambientalmente saudável, cooperação e fortalecimento institucional;

 Ciência para o desenvolvimento sustentável;

 Promoção do ensino, da conscientização e do treinamento.

A Sustentabilidade tem grande impacto em nossa sociedade, tendo em vista o voluntariado, o combate à fome e à pobreza, a ecologia e meio ambiente, a educação, os direitos humanos, a saúde e bem estar, a inclusão social, a distribuição de renda, o desenvolvimento local. Quando a ação social se utiliza desses temas emergentes demonstra uma ação na direção da Sustentabilidade.

Esses temas estão presentes em diversos meios de comunicação, em debates entre empresários, intelectuais, líderes políticos e sociais e grandes formadores de opinião.

Para Melo Neto (2004), a contribuição para assegurar um futuro mais otimista para o nosso planeta e para as próximas gerações está vinculada à percepção das empresas em preservarem o meio ambiente, através de tecnologias limpas, produtos e energias que se renovam; dessa forma, houve uma evolução da preservação para o foco de ação sustentável, surgindo novas práticas de gestão de

“economia ambiental”, com a reciclagem de produtos, reaproveitamento de resíduos,

gerando novos negócios, empregos e renda.

Tivemos também um esgotamento do modelo de filantropia, pois as doações solucionavam parcialmente e tornavam-se necessários resultados bem definidos com estratégias precisas.

Barajas (2002), fazendo reflexões sobre o conceito de desenvolvimento sustentável, indica que o quadro teórico vem de diversos campos do saber, como ciências naturais, engenharia, sociologia, política e economia, mostrando uma amplitude multidisciplinar para o entendimento do que realmente constitui um problema de desenvolvimento sustentável e suas respectivas soluções.

Segundo Melo Neto (2004), o social se torna sustentável quando se iniciam as condições institucionais na própria comunidade afetada:

 Problemas de desemprego exigindo a capacitação, escolaridade e empregabilidade;

 Problemas de saúde, sendo necessárias ações de prevenção com a formação de agentes de saúde;

 Problemas de renda baixa, desenvolvendo movimentos de iniciativas de gestão de empreendedorismo de forma local e regional;

 Problemas de violência, realizando ações na geração de emprego e renda.

Dessa forma, os temas sociais emergentes se transformaram em modelos institucionais, e os grandes problemas sociais tornaram-se oportunidades de ações sociais sustentáveis; de obstáculos ao desenvolvimento, a fatores de alavancagem do desenvolvimento social local e regional.

Com visão mais econômica, Norton (apud GARCIA, 2000) considera que a sustentabilidade contenha duas graduações: ‘forte’ ou ‘fraca’.

A sustentabilidade forte é definida como a viabilidade da relação que contém um sistema socioeconômico com o ecossistema, conforme Naredo (apud Garcia,

2000). A sustentabilidade forte é a composição desses dois elementos, a variável dependente, o sistema socioeconômico, de não ser capaz de manter um crescimento contínuo, pois estaria limitado pela variável independente, que é o ecossistema. Assim, seria necessária a criação de procedimentos reguladores dessa relação, tanto no nível local quanto no global, desde a produção de recursos até a produção de dejetos.

Para Garcia (2000), o conceito de meio ambiente construído com a concepção de sustentabilidade forte é sistêmico e global, pois a preservação do ecossistema é fundamental para a ocorrência da sustentabilidade.

Sustentabilidade fraca pode ser definida como a viabilidade de um sistema socioeconômico no tempo, cuja característica fundamental é a quantidade de capital. Assim, a viabilidade da sustentabilidade se consegue mantendo o capital global, geração após geração. O capital global é, para esses economistas, o resultado da soma de dois outros: capital natural e o capital criado pelo homem.

Capital natural, segundo Berkes (apud VIVIEN, 1994), é definido como o conjunto de recursos naturais renováveis e não renováveis, que possam garantir o conjunto de serviços assegurados gratuitamente pelo meio ambiente, e que permitem a constituição e a manutenção da vida; é o estoque responsável pelo fluxo de recursos naturais que entram numa sociedade. Já o capital criado pelo homem é definido como a disponibilidade de capital financeiro, tecnológico, intelectual etc. Segundo essa teoria, não há incompatibilidade entre crescimento econômico e conservação do capital natural; assim, quando os recursos se esgotarem, serão substituídos por outros, vindos do capital natural ou do capital criado pelo homem. Para ser aplicado o princípio de sustentabilidade, é necessário, pelo menos, que o

recurso substituto consiga realizar a mesma função que o recurso anterior, dando a ideia de substituição do capital natural pelo capital de criação humana.

A economia tradicional responde a essa afirmação com um axioma: onde ambos os capitais forem substituíveis entre si não haverá limitação alguma para o crescimento, mantendo o “estoque” de capital global.

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