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CAPs, FLOORs e COLLARs

3. AS OPERAÇÕES DE SWAP

3.2. CARACTERÍSTICAS E FUNCIONAMENTO

3.2.2. Swaps de divisas (currency swaps)

A variação das taxas de câmbios entre divisas é um handicap e um perigo para um grande número de empresas. Tal risco verifica-se sobretudo em relação às empresas que têm relações financeiras ou comerciais internacionais. Apesar de terem sido desenvolvidos vários instrumentos financeiros com o objectivo de cobrir estas variações cambiais, os swaps constituem um dos instrumentos de maior utilidade na gestão do risco de câmbio, em especial na cobertura de riscos de médio e longo prazos. Este instrumento permitiu o desenvolvimento de um mercado a prazo de câmbios que outrora quase não existia.

Os swaps de divisas consistem «em acordos entre empresas através dos quais se produzem intercâmbios de importantes montantes, em diferentes moedas, na procura de vantagens comparativas de acesso que cada empresa tem no seu respectivo mercado financeiro»89 ou, por outras palavras, «é um contrato financeiro entre duas partes que desejam intercambiar um capital, em diferentes moedas, por um período de tempo acordado. No vencimento, os capitais são trocados à taxa original do contrato. Durante o período do acordo, as partes pagam juros recíprocos»90.

Tratam-se de transacções em que duas partes trocam montantes específicos de duas moedas diferentes, no início, fazendo reembolsos ao longo do tempo, de acordo com uma regra predeterminada, com pagamentos de juros e de capital. Com os swaps de divisas obtém-se liquidez numa moeda diferente da disponível, sem risco de variação da taxa de câmbio.

Globalmente, o princípio geral da gestão de um endividamento, através da utilização de swaps de divisas, consiste em trocar um endividamento existente numa dada divisa pelo mesmo endividamento noutra divisa que se prevê se deprecie face à divisa de origem. Se esta previsão se verificar, pode então ser anular-se o swap ou realizar um segundo swap em sentido contrário, após a depreciação.

89

Marín e Martínez (1991: pp. 269,270)

90

Um swap de devisas (ou de câmbios) tem as seguintes fases91:

• Troca do capital realizada com base no câmbio negociado aquando da assinatura do contrato;

• Troca de juros em devisas em cada data de vencimento contratada, calculados sobre o capital inicial;

• Reembolso do capital no vencimento com base num câmbio definido aquando da assinatura do contrato.

Os swaps de divisas podem ser divididos em swaps simples (foreign exchange swaps) e swaps de taxa de câmbio/taxa de juro (cross-currency interest rate swaps).

Os swaps simples «são efectuados no contexto do mercado de câmbios e consistem na compra de uma moeda contra a venda de outra, com uma determinada data-valor, acordando-se desde logo inverter aquela transacção numa outra data»92. Neste tipo de swaps, a taxa de câmbio em que é efectuada a segunda transacção difere da aplicada na primeira, e não há pagamento de juros durante o intervalo de funcionamento do swap, sendo estes pagos juntamente com o capital no final do prazo. O prazo deste tipo de swaps é normalmente de um ano93.

Os swaps de taxas de câmbio/taxas de juro são diferentes dos anteriores pelo facto de darem lugar a pagamentos periódicos de capital e de juros nas duas moedas e serem aplicáveis a situações de longo prazo. Estes podem ser subdivididos em três categorias (quadro 2.11)94:

• ••

Swaps de divisas fixa/variável - uma das partes paga à outra juros numa divisa com base numa taxa de juros fixa, enquanto que a outra paga juros noutra com base numa taxa de juros variável.

• ••

Swaps de divisas fixa/fixa - ambas as partes pagam juros com base em taxas de juro

fixas, mas utilizando como referência divisas diferentes.

91

Debels, Desmuliers e Dubus (1992: p. 169)

92

Santos e Adegas (1990: p. 54)

93

Prazo for superior a um ano, pode implicar a aplicação de juros compostos.

94

• ••

Swaps de divisas variável/variável - ambas as partes pagam juros com base em

taxas de juro variáveis, mas utilizando como referência divisas diferentes.

Quadro 2.11 - Categorias de swaps de taxas de câmbio/taxas de juro95 Característica

das taxas Descrição Aplicação

Fixa/fixa Conversão de uma dívida com taxa de juro fixa para outra moeda, também com taxa de juro fixa.

• Para financiamentos novos: possibilita me- lhores condições para os que procuram financiamentos em divisas que estão em alta de taxas de juro;

• Para financiamentos antigos: permite modifi- car a exposição ao risco de alta das taxas de juro da divisa em que estão realizados os in- vestimentos.

Fixa/variável (cross-currency

coupon swap)

Conversão de uma dívida com taxa de juro fixa em vari- ável.

• Para financiamentos novos: permite a ob- tenção de financiamentos em condições vantajosas.

• Para financiamentos antigos: permite modifi- car a exposição ao risco de câmbio em caso de alta das taxas de juro na divisa em que estão realizados os investimentos

Variável/ variável (cross-currency

basi swap)

Conversão de uma dívida de taxa variá- vel numa determi- nada divisa para ou- tra, também a taxa variável

• Modifica a exposição ao risco de câmbio num contexto de baixa da taxa de juro da divisa em que se realizou o financiamento.

Para melhor ilustrar o funcionamento deste tipo de swaps, considere-se o seguinte exemplo96: a sociedade A está, actualmente, endividada em $100 milhões a três anos à taxa fixa de 10%. Após ter analisado o contexto económico e financeiro internacional, o

95

Adaptado de Paget (1986: p. 473).

96

director financeiro chegou à conclusão de que, nas semanas ou meses seguintes, o dólar deverá valorizar-se contra todas as divisas em especial contra o marco alemão (o câmbio actual é $1 = 1,80 DM, por hipótese). Se se tomar a decisão de realizar um swap, trocando o endividamento em dólares por marcos alemães ($100 milhões contra DM 180 milhões), o fluxo de tesouraria, depois de se iniciar o Swap, seria o seguinte:

Período s/endividamento Sobre o swap

inicial em dólares Em dólares Em marcos

Início do Swap -100 +180 Ano 1 -10 +10 - Juros Ano 2 -10 +10 - Juros Ano 3 -10 -100 +10 +100 - Juros -180

Como se pode verificar, através deste swap a sociedade converteu a dívida de dólares para marcos “vendendo” a sua posição de dólares (passou a receber os juros que até aí estava a pagar) e a pagar juros sobre o “novo” empréstimo em marcos à respectiva taxa contratada. Note-se que o fluxo financeiro que se verifica é apenas de juros, não existindo troca do capital inicial.

Logo que se verifique a previsão sobre a variação cambial do Dólar (por exemplo $1 = 2 DM), o director financeiro poderá realizar um segundo swap no sentido inverso por um montante nominal de DM 180 milhões e o contravalor em dólares ao câmbio spot (no exemplo $90 milhões). Este segundo swap também será realizado sem troca da capital inicial e o diagrama de fluxos seria:

Período s/endividamento Fluxo do Swap 1 Fluxo do Swap 2 inicial em dólares Em dólares Em marcos Em dólares Em marcos

Ano 1 -10 +10 -X +X -Y Ano 2 -10 +10 -X +X -Y Ano 3 -10 -100 +10 +100 -X -180 +X +100 -Y -180 O primeiro swap é feito de tal forma que os seus fluxos em dólares cobrem perfeitamente os fluxos do empréstimo inicial e os fluxos em marcos do segundo, anulam

totalmente os fluxos em marcos do primeiro. Neste caso, a importância do risco de câmbio aparece de forma clara, no entanto, a complexidade da operação e o risco real estão evidenciados de forma menos explicita já que o problema da variação de taxas de juro das duas divisas não foi abordado. Pode acontecer que, se no exemplo a taxa de juro sobre os marcos baixar e a dos dólares subir, o eventual proveito que se obtém com a realização do swap de divisas seja eliminado ou ultrapassado pela diferença de taxas. Este risco adicional sobre as taxas de juro pode ser limitado com a utilização de taxas variáveis por exemplo utilizando swaps de referência do tipo LIBOR DM contra LIBOR $.

As decisões de gerir um endividamento utilizando a variação de taxas de câmbio por intermédio de swaps pode trazer bons resultados. No entanto, esta decisão está unicamente baseada na antecipação da evolução das taxas de câmbio e, caso as previsões sejam erradas, este género de especulação pode conduzir a perdas pesadas. Em função do risco envolvido, torna-se necessário que esta decisão seja tomada ao mais alto nível hierárquico. Por outro lado, este tipo de decisões não pode ser tomado antes de uma profunda análise da evolução histórica das taxas de câmbio e do comportamento previsional das respectivas taxas de juro97.

97

As vantagens e desvantagens dos swaps de divisas podem-se resumir no quadro seguinte98:

Quadro 2.12 - Vantagens e desvantagens da utilização de swaps de divisas

Vantagens Desvantagens

• Reúne partes cujas necessidades de financi- amento são equivalentes, embora em divisas diferentes, o que permite que cada parte possa obter os fundos de uma forma mais barata que se os obtivesse directamente;

• Obviam as dificuldades de entrada em merca- dos financeiros muito selectivos;

• Podem realizar-se directamente entre empresas implicadas, mas o mais frequente é contar com a presença de um banco intermediário ou um broker especializado;

• Permitem uma gestão activa das responsabi- lidades da empresa, que lhe permite alterar fa- cilmente o perfil dos juros das dívidas;

• Se as taxas de juro se movem favoravelmen- te, pode ser possível vender o swap por uma boa importância em dinheiro.

• Reveste a forma contratual, que obriga ao pagamento recíproco dos juros e cada parte responde perante os credores originais;

• Pode ser impossível ou muito caro

finalizar o swap, se as condições do mercado mudam;

• Os custos de calcular e realizar os

pagamentos do swap são signifi- cativos;

• Pode existir a necessidade de se

recorrer a um financiamento para devolver o capital no vencimento do swap.

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