6. DISCUSSÕES ACERCA DOS ASPECTOS TEXTURAIS
6.1.7. Synneusis
A formação de synneusis (Figura 5.8C e 5.8D) é devida ao processo de fixação ou união de cristais em suspensão no magma. Após a união, os cristais são sobrecrescidos (geralmente zonados) por uma camada de plagioclásio cristalizada de forma a envolver o grupo como um todo (Vance, 1969). Esse processo geralmente ocorre em estágios precoces de cristalização magmática, sendo necessário um magma fluido o suficiente para movimentar os cristais. Por isso, é interpretada como sendo relacionada a turbulência magmática e a magmas de baixa viscoidade.
45 Figura 6.1: (A) Enxame de enclaves máficos no contato entre os dois fácies; (B) Cristais de K- feldspato capturados mecanicamente pelo Fácies Umari; (C) Cristal de K-feldspato com textura rapakivi nas rochas híbridas; (D) Bloco do Fácies Híbrido com presença de MME’s com captura de cristais e morfologia pillow like; (E) Fotografia de exemplar de textura ocelar observada nas Rochas Híbridas; (F) Fotomicrografia a filtros polarizadores cruzados destacando a textura poiqulítica em quartzo e hornblenda em amostra do Fácies Híbrido; (G) Fotomicrografia a filtros polarizadores cruzados destacando duas morfologias de apatita, acicular (seta vermelha) e prismática (seta amarela); (H) Agregado máfico composto por hornblenda, biotita e apatita com destaque para cristal de titanita (seta vermelha) e apatita (seta amarela).
46 Figura 6.2: Gênese esquemática das sete texturas típicas de mistura de magmas entre os fácies Umari e Quixaba. Adaptado de Hibbard (1991). Ab = albita; Kf = feldspato potássico; Qz = quartzo; Cpx = clinpiroxênio; Hb = hornblenda; Bt = biotita; Pl = plagioclásio; App = apatita prismática; Apa = apatita acicular.
47 7. CONCLUSÕES
A partir das informações levantadas sobre o Corpo Intermediário/Máfico Umari alguns apontamentos podem ser feitos sobre sua geologia e petrografia.
1. A utilização de dados geofísicos e de sensoriamento remoto permite uma boa delimitação e caracterização das rochas estudadas, sendo um ótimo material para a construção de uma base cartográfica confiável.
2. O mapeamento de superfície em detalhe permitiu delimitar os 4 km2 aflorantes do fácies Umari, confirmando a geometria semi-circular indicada por dados geofísicos e de sensoriamento remoto para o mesmo. Além disso, foi possível reconhecer e mapear a distribuição de rochas híbridas na área de estudo.
3. O estudo petrográfico possibilitou fazer uma caracterização representativa da mineralogia e classificar as rochas em diferentes fácies. As rochas do fácies Umari são classificados como dioritos e as rochas híbridas são classificadas como Qz-monzodiorito, Qz-monzonito e monzodiorito.
4. A presença de quartzo ocelar, rapakivi, mixed apatites, zonação oscilatória, synneusis, MME’s, clots máficos, bem como a produção de rochas híbridas das mais diversas composições são interpretados como produtos da mistura de magmas.
Recomenda-se em trabalhos futuros a caracterização litoquímica do fácies Umari com o objetivo de definir sua filiação magmática, além das condições de cristalização (P, T e ƒO2) relativas a evolução, cristalização e alojamento do magma.
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54 ANEXO – Mapa de pontos