Q u e m tocar flau ta d e ta q u a ra n a n o ite d e N atal será bafeja do pela fo rtu n a: e n c o n tra facin h o teso u ro e n terrad o .
0'iaccla
Reze sem pre pelo q u e te m fom e, p elo q ue sofre e pelo d e sesperançado. Sua oração irá até ele, suavizando seus males, com o bálsam o milagroso.
C o m a força d a sua prece, ele se erguerá, eretam en te, cam i nh a rá , co n fian te em si m esm o, im p u lsio n ad o p o r um a estran h a forca interior.
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As prim eiras som bras da noite se aproxim am , en tran d o de sesp erad am en te em lu ta co m os ú ltim os raios solares q u e deseja vam asfixiá-las.
A n o ite venceu a p o rfia psicológica, e o sol, n o alto, repre sentava o pain el d a gran d e agonia. O s m istérios insondáveis sur giram com o avançar das horas p ara d ar início à festa d a indaga ção e d o sugestionam ento.
N o ite traz m istérios, p õe tu rb ilh ão d e indagação, d e crença e de dúvida, n o coração do cristão. A n o ite form a a procissão ter rificante dos du en d es, através d a riqueza d a im aginação, e o h o m em , q ue escuta e pressente, tem cism a e m ed o d o m o m e n to de torm ento e indecisão; nunca, pois, o que crê e tem fé sabe q ue o Pai Suprem o criou o dia e a noite, o céu e as estrelas, a terra e os m ares, para q u e o h o m em pudesse co n tem p lar a sua ob ra divina, altivo, sobranceiro, orgulhoso, de cabeça erguida, corajoso, estóico, p o rém, in fin itam en te h u m ild e, sem dúvida e sem m edo.
O criador pede que assim contem plem os a sua obra!
Os quilniquinaus
H á b ito s. Invariavelm ente se alim entavam d e caça, pesca e fru to s silvestres. Para a caça fabricavam u m a espécie d e bo d o q u e, com fibras d e cipós, com o q u al a b atiam a p resa descuidada. T ão destros eram os quilniquinaus n o m anejo dessa exótica arm a que desconjuntava o pescoço d a caça tal a potên cia d a p ed rad a desfe rida. E m se tra ta n d o de caça d e pêlo, de grande o u regular porte, o tiro era desferido nos olhos, facilitando desta m aneira a captura.
C ostum es. D urante o dia dorm iam e à n o ite cam inhavam lé- guas e léguas, sem trocarem u m a só palavra, ocasião em que m uda vam a taba e sondavam as nações indígenas consideradas inimigas. M a n ja r p re fe rid o . Sapo d e brejo, lagartos e cobras. Para o prep aro destes abriam u m b u raco n o solo e alguns dias depois os desenterravam, p o r acreditarem que p o r esse processo o leite, o á- cid o (caso d o sapo) e o v e n en o seriam elim in ad o s. T u d o , já m eio em clecom posição, era assado e deglútido n u m a m istura com taioba e raízes adventícias de plantas silvestres. O ban q u ete exótico era seguido de festas e danças com oca, tam b o res e puracá (flauta feita d e c an u d o de taquara).
Superstições. A som bra, a som bra de si p ró p rio , d o compa- njieiro (quando em peregrinação diária, coisa, aliás, raríssima) o u a so m b ra de qu alq u er anim al. Para n ão sen tir a presença da p ró p ria som bra, andavam n o som breado da orla da m ata, porém , se dia cla ro, p elo ab erto , pelo largo faziam a cam in h ad a e deitavam , de es paço e m espaço, em d e cú b ito dorsal, p ara q ue a d ita som bra não os im p o rtu n asse.
O s xamacocos
O s n h a m b iq u a ra s p o u co apreciavam a carn e d e caça. U sa vam u m a espécie d e v in h o ; p o r eles m esm os fabricado, tirad o da árvore d o jatobá, aliás d e im enso p o d er m edicinal. C o m iam para mais d e trin ta variedades d e tubérculos, en co n trad iço s nas zonas p an tan o sas, m arm elo-do-m ato e juá-bravo. Torravam inúm eras espécies de folhas de sabor adocicado, com o a mangava, iapii,<>
C o stu m es. D ançavam c o n stan tem en te: tu d o servia de pre texto para danças e folguedos: a chuva, o vento, a tem pestade vio len ta, o a p arecim en to d e m an ad as d e anim ais, o nascim en to de u m mitã'i (m enino), o e n c o n tro de u m a correnteza e as trovoadas rep en tin as. Era u m a nação in d ígena e x trao rd in ariam en te belico sa. V ivia em co n stan tes provocações co m as aldeias vizinhas (30, 40 o u 50 quilôm etros). S em pre perd iam nas escaram uças, u m a vez q u e se tratava d e trib o p o u co num erosa.
M a n ja r p re fe rid o . G a fan h o to s. H a b ita n d o às m argens do rio Paraguai, esperavam ansio sam en te pelos meses de agosto, n o v em bro e dezem bro, época d o a p arecim ento dos vorazes acrídios, procedentes d o territó rio paraguaio, farelhão d o cham ado C h aco paraguaio. Feita a cata, operação facílima, m etiam a deliciosa igua ria em tu b o s d e taq u arag u açu , h e rm e tic am en te fechados. D itos tubos eram colocados nas proxim idades d o fogo, e aí perm aneciam u m dia inteiro, para depois serem devorados, após cuidadosa torra.
O s xam acocos torravam , ainda, d e te rm in a d o s capins, de les fazendo u m a fa rin h a d e palad ar agradável. O c h am ad o capim- seda p ro d u z essa farin h a, q u a n d o to rra d a em fogo b ra n d o .
Su p erstição . O c an to dos pássaros lhes desagradava, daí a razão d e sem pre erguerem a tab a nas m argens dos rios e, p referi v elm en te ao pé de u m a cachoeira, o q u e dificultava a percepção d o canto da ave m adrugadora ou d o pássaro vagante, co rtador de pauis e chapadões.
Os araés
H ábitos. N ação in d ígena de m ulheres v erd ad eiram en te be las, atléticas e musculosas, de longos e negros cabelos. H ábito que representava u m a espécie de o rd em d o areo to rare (o guia su p re m o, o mestre), h á b ito q u e representava u m a espécie de d e te rm i nação incontrovertível d o tuxaua, o guerreiro tem id o e respeitado
de muitas nações nham biquaras: o b an h o três, cinco, dez vezes du ran te o dia. I)nl o motivo de se dizer q u e as araés eram m ulheres
o bravo e n tre os bravos; e d e u m A tila, o gran d e e adm irável rei dos h u n o s.
C o stu m es. A cen d er fogueira, q u eim ar tu d o q u e e n co n tra vam incendiando os campos, destruindo as pastagens. O fogo sem pre foi elem en to d e alegria, d e desabafo, au réo la d e triu n fo , dia dem a de vitória para os araés. Jamais se apagou, mesm os nos dias das procelas am edrontadoras, o fogo sagrado, o fogo incentivador, na aldeia dos valentes e resolutos araés.
Essa tribo, bem podem os dizer assim, viveu d u ran te sessenta anos em função, em razão d o fogo lento, estralidante, o u d o fo go q ue tu d o lam bia, q u e tu d o destruía.
M a n ja r p re fe rid o . As frutas. C uidavam c o m c arin h o to d o especial das imensas florestas de goiabeiras, laranjeiras e m arm elei ros, existentes ao longo d o le n d á rio rio A pa. C o m frutos em adi a n ta d o estado d e decom posição fabricavam suas bebidas, tingin- do-as co m o su cu len to v in h o d e jato b á o u o saboroso suco d e pi tanga m ad u ra.
Sup erstição . O relâm pago, o trovão, o raio. Nesse in stan te dram ático o araé se acovardava; ele vacilava, ele tin h a m edo. O trovão significava, para a grande nação das m ulheres lindas e for mosas, u m aviso, u m alerta, u m prenúncio de malefícios que esta vam p o r vir, q u e estavam p o r desabar sobre a aldeia, para arrasá- la, p ara destruí-la.
A n te a situação de desespero só havia u m rem édio: o reco lh im e n to , a m udez, a im passibilidade e o silêncio a b ru p to e ame- dro n ta d o r. A qu ietu d e obrigaria a fuga dos d u en d es, o afastam en to dos espíritos m aus, dos bruxos traiçoeiros e invisíveis.
Os guaicurus
(Truculentos e famosos indígenas cavaleiros de Mato Grosso).
Hábitos. R o n d ar nas noites de lua ou nos dias chuvosos as m an ad as d e cavalos selvagens p ara aprisioná-los com seus laços feitos de cipós. Tinham verdadeira adoraçHo por eavalos esses
de paus, colocando-os n o terreiro d e festa da aldeia, com o sím bolo de preferência, que p ara eles tu d o representava.
A n d av am a cavalo, invariavelm ente, daí a d en o m in ação de “ín d io s cavaleiros de M ato G rosso”.
C ostum es. C o n to rn a re m a taba, m o n tad o s em seus cavalos, n o s dias de festa, p rin c ip a lm e n te n aquele q u e o guerreiro d isp u ta n te , vencedor, havia g a n h o um a m u lh e r p ara e n ch er de alegria sua m o rad a, sua oca. Essa co rreria era a co m p an h ad a de gritos vi b ra n te s de en tu siasm o q u e sacudiam a vastidão.
M an ja r preferido. A caça de grande porte: onça (parda e pin tada), anta, queixada, capivara, cervo e avestruz. De b o m paladar, as savam a caça, retirad a a barrigada n o m esm o dia q ue fora abatida, devorando-a com taioba assada. T in h am especial preferência pelos corós d e paus podres, co m en d o estes to rrad o s sobre laje de pedra.
S u perstição. A lagoa ou q u alq u er água parada, en co n trad a n o m eio dos cam pos o u n o in te rio r d a floresta. Passavam pela á- gua p arad a céleres, com o q u em foge d e algo q ue traz infelicidade, que traz maldição. Por essa razão é que a lenda mato-grossense diz q u e “m u ito s lagos, m u itas lagoas e m u itas águas paradas, em era rem ota, desapareceram, com o q ue p o r encanto, mas que, em verda de, foram soterradas p o r m ilhares e m ilhares de índios d a p o d e rosa e bravia nação dos g uaicurus”.
... dia e n o ite, n o ite e dia, eu m e irrito e xingo, ven d o esses pingos, p ingo a pingo, caírem n a calçada lam acenta. Pinga, p in gan d o , vai o chuvisco pingado, tam b o rila n d o n o zinco, parece a-
té qu e dizendo: u m pingo, o u tro pingo, u m pingo, o u tro pingo. E nesse pingar, d e pingos pingalhados, o h o m e m p in g an d o p e n sam en to , em barafusta-se n o téd io e, sem ser pinguço, p en sa na
pinga. Pinga esquenta» encoraja, e traz, pingo a pingo, pingaços de
tem um velho gaioleiro quando vê moça bonita, faz gaiola sem poleiro.
... e elas v oltaram alegres e irrequietas com o dantes, for m an d o na tard e m o rn a e n o anoitecer, ante os nossos olhos em be vecidos, u m a paisagem extasiante e d eslu m b rad o ra. V am os admi- rá-las. São dignas do nosso c arin h o . Elas am am a cidade. Q u erem oferecer, a nós outros, n a h o ra crepuscular, o bailado m aravilhoso das sinuosidades, dos negaceios, dos vaivéns e das evoluções ni- jin sq u ian as eletrizantes.
Q u ã o suave sois S en h o r, p ara os q u e vos procuram ! Q u ão grande é o vosso amor! Q u ã o grande é a vossa bondade! C onfio que pelos m erecim entos in fin ito s d e vosso preciosíssim o sangue já m e perdoastes os pecados. Posso contar-m e e n tre os vossos filhos!
jumo verae nao jumega; por onde há moça bonita meu coração não sossega.
E mais fácil chegar-se u m to u ro a u m m o u rã o , do q u e u m estú p id o à razão.
Q u e m parar, ao m eio-dia em p o n to , n u m a en cruzilhada e fizer n o chão, com o pé esq u erd o , u m X, afugenta to d o s os males q u e o ato rm en tam .
O m eu com p arecim en to aqui, esta n o ite , na q u alid ad e de p alestrante, nada mais significa d o que m e u sincero agradecim en to, pela h o n ra ria , a m im concedicia, p o r esta sim pática d iretoria com o convite am ável fo rm u lad o p ara q ue pro n u n ciasse u m a pa lestra so b re folclore, tem a de livre escolha.
In cen tiv ad o ra a a titu d e dos ilustres e dignos patrícios; n ão só incentivadora, m as ta m b é m prova irretorquível de am izade e elevada consideração.
P esquisador d e folclore, sinto-m e o rg u lh o so q u a n d o m e é d a d a a o p o rtu n id a d e d e dizer, a pessoas am igas, aquilo q u e fui o b serv an d o , aquilo q ue fu i co lh en d o , aq uilp q ue fui levantando, através de longos e longos anos de pacien te busca, aqui e ali.
Folclore está em m inhas veias túrgidas; folclore está em m eu sangue, pois, com ele, em silêncio, te n h o convivido desde época rem ota. Folclore atira, n a alm a da gente, m ultiplicidade cie olores, p o rq u e sabe contagiar, p o rq u e sabe inebriar.
C a n ta r de folclore é bálsam o p ara o espírito, en rija n d o e fortalecen d o , n u m a quase m elo d ia de suavidade e te rn u ra . Fol clore é refrigério para o coração.
Q u e é folclore? E o falar do povo, o conto, o reconto, as lendas, a tradição p o p u lar, as baladas, os cânticos, as trovas, as com posições d o povo, os ditos vulgares, os provérbios, as n arra tivas chistosas, as superstições, os m itos, as adivinhas, os causos; aquilo, enfim , q ue o povo concebe, im agina e cria.
Folclore trad u z estudo; p o rq u e folclore é ciência, tem q ue ser estu d ad o p ara ser assim ilado, p a ra ser vivido. E studar folclore é viver o passado, lev an tar as tradições, cujos trêm u lo s fios se e n c o n tra m n a m ais alta A n tigüidade.
O c riad o r d a palavra folclore foi o re n o m a d o arqueólogo inglês W illiam Jo h n T h o m s; é form ada d e dois vocábulos d o in glês antigo: folk, q ue significa povo; lore, significando o falar, os hábitos, os costum es etc.
Possuím os folclore d e tu d o : folclore d o sapo, folclore d o
A le m a n h a. Folclore d o ch o p p , co m quase cem variações. E o ch am ad o folclore d a alegria, o folclore dos cânticos, folclore d os ritm os desregrados, o folclore, com o classificou M utex G um - ber, d a pagodeira, das alucinações.
C ad a h o m em , n o tran se d a orgia, é u m a parcela defin id a d a raça, n o to rm e n to e nos triunfos. N ão apresenta, em absoluto, u m folclore rico, p o ssu in d o , sim, n a n o m e n c latu ra das palavras, classificações exóticas, sem reforço n a em oção, q ue é o p o n to alto, a culm in ân cia d a vivência folclórica.
P o rtu g al. “O jard im à beira-m ar p la n ta d o ”, terra das tra d i ções e das lendas. Tem os n a Pátria-Mãe, em toda a sua exponencial grandeza, u m colorário gigantesco d e beleza e d e sub lim id ad e de auroras boreais, o folclore d a saudade, n u m m isto g ran d ilo q ü e n te d a cavatina d e passaredo e m festa. D aí term os n a doce e h arm o niosa poesia lusitana, sem pre e sem pre, os reflexos d e u m a sauda de, q ue o m enestrel a carin h o u n o coração, para conservá-los in d e fin id am en te. E o folclore e m o c io n an te q u e nos fala e n o s diz de serenatas, d e tertú lias poéticas e d e caravelas sin g ran d o os m ares “n u n c a dantes navegados”.
E sp an h a. N asceu aí o folclore d o fogo; o folclore das ilum i n u ras, p o rq u e ele, em b o ra pobre, re p re sen ta “a incandescência de to d o s os vulcões d a te rra ”, rep re sen ta a brasa viva e as cham as das fogueiras e dos incêndios; rep resen ta a alm a in cen d iária das revoluções e o coração v io len to d a m u lh e r espanhola.
Eis p o r q u e se diz “q u e em cada alm a esp an h o la existe u- m a fogueira a d o rm e c id a ”, à espera d a h o ra certa p ara a explosão contagiante. O folclore d o povo é im aginoso e rico, p o rq u e define a origem de u m povo, q u e teve a sua civilização alicerçada, nas tropelias, nas c o n q u istas e nos m o tin s d a era prim eva.
M éxico. Possui, com o folclore fu n d a m e n to o folclore do o uro; o folclore d o m e ta l em barras, o folclore d o m etal em
m u n d o cuja história, m aravilhosa e bela, p odem os conhecer, n a p ro fu n d id ad e , através de seus bonecos folclóricos. C ad a b o n eco m exicano rep re sen ta u m p erío d o c o n tu rb a d o da sua h istória; u- m a faceta, u m ângulo de seu progresso. Se reunirm os duzentos bo necos m exicanos, m esm o q u e sejam em gravuras, nós terem os, em mãos, o seu passado, a sua form ação político-social-econômica; teremos, então, sua literatura, sua arte sua música, sua poesia, sua história de desbravam ento, sua trad ição íncola, seu gênio criador, seus revezes e suas glórias.
Chile. Folclore das cordilheiras e dos m ontes. Rico de imagi nação; cheio d e ru tilâncias e co n to rn o s. E estropiado, m u itas ve zes, p o r im agens telúricas q ue lh e tiram , to talm en te, a rou p ag em d o crioulism o. E n tre ta n to , é o folclore das paisagens em desola ção, en tre u m a indagação p e rm a n e n te de tragédias em form ação, de tragédia a se desencadear.
E folclore áspero, selvagem, ru d e e b ru tal. N ão vive nele o sen tid o d a em o ção p ro p riam en te d ita. E c orpo m o r1 visto pelo ângulo d o su gestionante, d o q u e inebria, d o q ue extasia.
Sua origem vem - dizem m uitos - da extravagância topográ fica, daquilo q ue gela, gerando o enigmático, o insondável. N o de gelo das cordilheiras, ele nos aparece com o rios co n d u zin d o d u endes n o fragor das águas que se despenham e buscam os vales, por que nos vales estão os bruxos m ilenários que sorverão, avidam ente, essas águas; águas q ue serão, p o r bocas fantasm agóricas, expelidas depois; águas q u e se tran sfo rm arão em vapor; e v a p o r q ue alcan çará o cum e das m o n ta n h a s p a ra se tran sfo rm ar em gelo; e gelo, que u m dia, n u m estrondo se partirá, para de novo form ar a cau dal; caudal q u e será rio im petuoso; e rio q u e n o v am en te tran sp o r tará duendes até o silêncio dos vales, o n d e vivem e m oram os bru xos milenários, filhos dos vulcões e dos terrem otos.
Perdeu, en tão , o folclore ch ileno, o seu crioulism o, o seu sen tid o nativista; mas nos legou danças variadas, d e reboleios,
é enervante e cruel. Fora a paisagística da dança, o nativismo fiel, o folclore a n d in o é am argo, desvestido d e em oção, descolorido e sem vibração. É paupérrim o nas abusões e na superstição; u m pou co encorpado n a crendice e n o dito popular, m as sem impressionar, sem predicados para erguer e levantar o sentim ento do crioulism o, d o te rru n h o .
C o lô m b ia . Folclore das florestas. M u ito apaixonante, po rém , folclore restrito, apegado fe rren h am en te à flora, sem c o n tu d o ser u m país p o ssu id o r d e grandes reservas florestais. E folclore q ue se lê, se estuda e se co n h ece em po u co tem po, pois nele não existe a varied ad e n em a m u ltiplicidade. Restringe-se à jangal e, algum as vezes, aos p ân tan o s, de o n d e se lev an tam m iasm as para asfixiar o invasor atrevido.
Nas épocas das lutas intestinas, afirm am , em chacota e bre jeirice, os estudiosos das coisas d a terra, q ue o governo concla ma, através de feitiçarias, a esses miasmas, para a destruição dos re
belados. '
Suas danças são lindas, originalíssim as, te n d o p o r fu n d a m ento coreográfico a m archa e os volteios; volteios duros, pesados, mas q ue em polgam pela originalidade.
A rg e n tin a . Folclore ch arru a. V em a d e n o m in a çã o do in te resse pelas imagens tradicionalistas. O charrua argentino é o chão, o cam inho das boiadas, as veredas, as coxilhas, a dom a, o peão, a mu- siqueada, as tropilhas, a paisagem do pôr-do-sol, as ram adas de fes- I>is, as cantigas crioulas e o grito o n o m a to p a ico d o ín d io vago.
O folclore ch arru a nos dá, ainda, a paisagem das som bras, q ue é o en ta rd e ce r cam peiro. Essa paisagem , d e n tro d o folclore,
v q u alq u er coisa de g ran d ilo q ü en te e sublim e: exalta, im pressiona e a rreb ata o cristão.
M esmo os indiferentes, mesmo os de coração de pedra, os duros e os de entendim ento emburelado, se curvam, caindo de joelhos ante o folclore charrua do entardecer, do sol-se-pondo, do chegar-das-trevas, do lusco-fusco, da hora-mortn, do m om ento
base d a nação irm ã. O s seus pesquisadores, os seus estudiosos, a- queles que levantaram o folclore argentino, observando a terra, estu dan d o os hábitos e os costum es dos povoeiros, dos tropeiros, dos andariegos, dos estancieiros e dos peões, se torn aram mestres consu m ad o s. V iveram a terra, viveram a paisagem ; m od elaram o m eio a m b ie n te e, acim a d e tu d o , m o d elaram a vivência agreste e ru d e.
P arag u ai. Folclore da cachaça. O Paraguai possui lendas de calcadas n o folclore, de extraordinária beleza, tais como: La Virgen de Los Milagros, el andariego (o q ue cam in h a, q u e an d a sem-pre, sem destino certo); u m escrito guarani: petein kuimbaê (um ho m em degolado), folclore, m agnificam ente levantado, com gosto e ele vada indagação nativista; el brujo de los senderos (o bru x o dos cam i n hos); o q u e espantava crianças, fazia v elho p erd er o respeito às calças, e n to n te cia os passarinhos, p u n h a m an q u eira nos cavalos e levantava as saias das velhas regateiras q u e iam p ara a festa dei poblado (do povoado); el aconcagua (o fazedor de graça, um a espécie de p alhaço triste, de triste predestinação), o que tem p o r dever e ofício fazer graça, fazer o próxim o rir, ser m oleque, ser saltim banco eternam ente. Se cair vencido, pelo cansaço ou pela velhice, se não mais conseguir arrancar o riso do vivente, então, é chegado o fim; vai m orrer; e m o rrer com o arre b e n ta m en to integral da garganta.
A concágua, em época n ão m u ito d istante, povoou os ervais de M ato Grosso. C o nheci m uitos deles; e eram hom ens rudes, côns cios, p o rém , das próprias responsabilidades, criando, in v en tan d o e im aginando chistes, anedotas casos burlescos e trocadilhos: Juan A cu n h a, R am iro R obledo, Pedrito Ayala e Filo n Parra; to d o s fo ram grandes aconcáguas e célebres se to m a ra m pela facilidade na