Os procedimentos de coleta de dados compõem uma importante etapa de uma pesquisa, pois aspectos referentes aos procedimentos, técnicas e instrumentos empregados estão relacionados diretamente com a acurácia e precisão dos resultados alcançados. As técnicas e procedimentos de coleta de dados são um conjunto de regras ou processos utilizados por uma ciência, ou seja, correspondem à parte prática da coleta de dados (MARCONI; LAKATOS, 2003).
Dentre os procedimentos de coleta de dados recorreu-se num primeiro momento ao levantamento bibliográfico que, segundo Gil (2009), é realizado em obras já publicadas, tais como: livros, artigos, periódicos, teses e dissertações, que tenham conteúdo relevante sobre os temas: memória, suporte à informação, preservação e conservação de acervos bibliográficos e documentais, acesso à informação, democratização do conhecimento e repositórios e bibliotecas digitais.
Este levantamento bibliográfico está devidamente detalhado no capítulo “2 A MEMÓRIA E A HISTÓRIA: SUPORTE DE ACESSO À INFORMAÇÃO, PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE ACERVOS”.
O instrumento central de coleta de dados desta pesquisa foram os questionários submetidos aos grupos de sujeitos preestabelecidos, conforme pré-requisitos estipulados no subcapítulo “4.4 Seleção dos sujeitos da pesquisa”. Naresh Malhotra, define questionário como sendo uma “técnica estruturada para coleta de dados, que consiste de uma série de perguntas – escritas ou verbais – que um entrevistado deve responder” (MALHOTRA, 2001, p. 274). Para, Marconi e Lakatos (2003) o questionário é:
Um instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador. Em geral, o pesquisador envia o questionário ao informante, [...] depois de preenchido, o pesquisado devolve-o [...]. (MARCONI;
LAKATOS, 2003, p. 201).
Escolheu-se para este estudo o questionário como instrumento de coleta de dados, tendo em vista que é um dos procedimentos mais utilizados para obter informações no meio acadêmico, compondo uma técnica de custo baixo, que apresenta as mesmas questões para todas as pessoas, garantindo o anonimato/sigilo – se assim for preciso, também, devido ao fato de poder conter questões que atendam às finalidades específicas de uma dada pesquisa. De acordo com a definição de Gil (2008), os questionários são uma:
[…] técnica de investigação composta por um conjunto de questões que são submetidas a pessoas com o propósito de obter informações sobre conhecimentos, crenças, sentimentos, valores, interesses, expectativas, aspirações, temores, comportamento presente ou passado, etc. (GIL, 2008, p. 128).
O uso de questionários como instrumento que permite a coleta de informações sobre a realidade, possibilita entender os aspectos do objeto de estudo.
Gil (2008) destaca os seguintes pontos positivos no uso dessa técnica de investigação:
a) possibilita atingir grande número de pessoas, mesmo que estejam dispersas numa área geográfica muito extensa, já que o questionário pode ser enviado pelo correio; b) implica menores gastos com pessoal, posto que o questionário não exige o treinamento dos pesquisadores; c) garante o anonimato das respostas; d) permite que as pessoas o respondam no momento em que julgarem mais conveniente; e) não expõe os pesquisadores à influência das opiniões e do aspecto pessoal do entrevistado. (GIL, 2008, p. 128–129).
Conforme o mesmo autor um questionário pode apresentar três formas de questões: abertas, fechadas e dependentes. Nas questões abertas “[…] solicita-se aos respondentes para que ofereçam suas próprias respostas” (GIL, 2008, p. 122), possibilitando respostas mais ricas e variadas. Nas questões fechadas “[…] pede-se aos respondentes para que escolham uma alternativa dentre as que são apresentadas numa lista” (GIL, 2008, p. 123), proporcionando uma maior facilidade na tabulação e análise dos dados. Nas questões dependentes “há perguntas que só fazem sentido para alguns respondentes” (GIL, 2008, p. 123) ou também quando a resposta de uma questão depende de uma resposta dada anteriormente.
Quanto aos tipos, os questionários podem ser divididos em: abertos, fechados e mistos. O questionário do tipo aberto é aquele que utiliza questões de resposta aberta. Este tipo de questionário proporciona respostas de maior profundidade, ou seja, dá ao sujeito uma maior liberdade de resposta, podendo esta ser redigida pelo próprio respondente. No entanto, a interpretação e o resumo deste tipo de questionário são mais difíceis, dado que se pode obter um variado tipo de respostas, dependendo da pessoa que responde o questionário.
O questionário do tipo fechado tem na sua construção as questões de resposta fechada. Apesar de possuir uma característica mais rígida do que os questionários do tipo aberto, permite a aplicação e tratamento estatístico dos dados e elimina a necessidade de se classificar respostas à posteriori, este tipo de questionário facilita o tratamento e análise da informação, exigindo menos tempo. Os questionários fechados são bastante objetivos e requerem um menor esforço por parte dos sujeitos aos quais é aplicado.
O outro tipo de questionário que pode ser aplicado é de tipo misto, o qual pode ser composto por uma combinação de questões dos tipos aberta, fechada e dependente e apresenta como características e vantagens uma mescla dos dois outros tipos de questionários.
Os questionários podem ser aplicados em: sessões individuais ou em grupos pelo pesquisador, por alguém convenientemente treinado ou autoaplicável. De acordo com Omote, Prado e Carrara (2005) um questionário autoaplicável possui alternativas quanto à sua metodologia de aplicação e:
[…] pode ser enviado pelo correio, convencional ou eletrônico, a uma amostra de pessoas; pode ser disponibilizado na Internet com convite para pessoas com determinadas características responderem; pode ser deixada uma certa quantidade do questionário em locais nos quais se pretende coletar dados, tais como escolas, igrejas, sindicatos, residências, etc.; pode ser incluído como encarte em algum jornal ou revista. Todas essas alternativas proporcionam condições bastante favoráveis também a quem vai responder, embora não sejam incomuns taxas baixas de devolução do questionário. (OMOTE; PRADO; CARRARA, 2005, p. 397–398).
O tipo de questionário desenvolvido para essa pesquisa foi do tipo misto, composto de questões fechadas, abertas e dependentes com a finalidade de realizar um estudo das contribuições do Repositório Digital Tatu e verificar se ele é uma ferramenta efetiva para a preservação e a divulgação de fontes, acervos e impressos pedagógicos para a pesquisa e pesquisadores em História da Educação..
Ainda que não haja consentimento quanto aos procedimentos para a construção de um bom questionário, existem certos parâmetros ou processos que podem ser seguidos para que se possa chegar a um instrumento de coleta de dados que atinja satisfatoriamente os objetivos da pesquisa, para tanto, os autores Aaker, Kumar e Day (2001) propõem um fluxo para a elaboração de questionários. Baseado neste fluxo o Quadro 1 ilustra as etapas e os passos apontados pelos autores.
Quadro 1: Etapas e passos para a elaboração de um questionário
(continua)
Etapas Passos
Planejar o que vai ser
mensurado
Evidenciar os objetivos da pesquisa
Definir o assunto da pesquisa em seu questionário
Obter informações adicionais sobre o assunto da pesquisa a partir de fontes de dados secundários e pesquisa exploratória Determinar o que vai ser perguntado sobre o assunto da pesquisa
Dar forma ao questionário
Para cada assunto, determinar o conteúdo de cada pergunta Decidir sobre o formato de cada pergunta
Quadro 1: Etapas e passos para a elaboração de um questionário
(conclusão)
Etapas Passos
Texto das perguntas
Determinar como as questões serão redigidas
Avaliar cada uma das questões em termos de sua facilidade de compreensão, conhecimentos e habilidades exigidos e disposição dos respondentes.
Decisões sobre sequenciamento e aparência
Dispor as questões em uma ordem adequada
Agrupar todas as questões de cada subtópico para obter um único questionário
Pré-teste e correção de Problemas
Ler o questionário inteiro para verificar se faz sentido e se consegue mensurar o que está previsto para ser mensurado Verificar possíveis erros no questionário
Fazer o pré-teste no questionário Corrigir o problema
Fonte: Adaptado de Aaker; Kumar; Day (2001, p. 319)
Com a finalidade de aperfeiçoar o instrumento de coleta de dados foi aplicado um pré-teste do questionário desenvolvido para esta pesquisa, logo após a aprovação do projeto de qualificação, o questionário foi submetido a pré-teste com três membros do grupo GEEHN, para tão somente enviar para os colaboradores finais desse estudo. Esta escolha se justifica devido ao fato de os membros do grupo contemplarem as especificações de um dos perfis de sujeito da pesquisa, referente aos colaboradores que são: coordenador(a), membro ou responsável pela manutenção de repositório relacionado à História da Educação. Seguindo esta lógica, Gil (2008) recomenda que:
Depois de redigido o questionário, mas antes de aplicado definitivamente, deverá passar por uma prova preliminar. A finalidade desta prova, geralmente designada como pré-teste, é evidenciar possíveis falhas na redação do questionário, tais como: complexidade das questões, imprecisão na redação, desnecessidade das questões, constrangimentos ao informante, exaustão, etc. (GIL, 2008, p. 134).
Marconi e Lakatos (2003) ressaltam que o pré-teste é aplicado em uma amostra reduzida e enfatizam que os participantes não deverão fazer parte da amostra final, quando efetivamente a análise dos resultados coletados será realizado.
Quanto ao uso e ao desenvolvimento de questionários eletrônicos, na atualidade existem inúmeras alternativas de ferramentas de criação de questionários na Internet, estas facilitam e tornam mais rápido todo o processo. As opções variam
desde alternativas gratuitos até pagas, ambas oferecem diferenciados modelos prontos de base, bem como integrações com outras ferramentas webs como o e-mail.
O Google Forms, no entanto, foi a solução escolhida por este pesquisador.
Tal escolha se justifica pelo fato de se tratar de uma eficiente ferramenta de coleta de dados que reúne um conjunto de questões cuja resolução é bastante prática. O Google Forms é uma ferramenta encontrada no Google Docs, que é integrado ao serviço de e-mail (Gmail). Algumas das vantagens que podem ser apontadas desse serviço de desenvolvimento de questionário são: a possibilidade de acesso em qualquer local ou horário - desde que tenha um microcomputador ou um smartfone com acesso à Internet; o fato de ser gratuito; a facilidade de uso, pois não requer conhecimentos de programação; uma interface amigável e a forma organizada e simples com que são apresentadas as respostas.
Com o instrumento de coleta de dados definido - o questionário e a ferramenta para desenvolvimento - o Google Forms, a primeira versão do questionário foi produzida. O mesmo era constituído de 26 questões, composto das seguintes etapas, na seguinte ordem: Apresentação; 1 – Informações pessoais e profissionais; 2 – Primeiras impressões sobre o “Repositório Digital Tatu”; 3 – Análise da relevância do “Repositório Digital Tatu” e Consentimento de participação na pesquisa.
Assim sendo, o questionário para o pré-teste foi criado na ferramenta de aplicação escolhida e inicialmente testado pelo próprio pesquisador e mais uma pessoa neutra de fora do ambiente da pesquisa e do ambiente pesquisado, buscando verificar a adequação do layout (disposição, organização, cores) e o nível de facilidade do instrumento. Após esta primeira verificação foram realizados ajustes no formato e no texto. Posteriormente, foi configurado o pré-teste oficial do questionário, cujo convite para preenchimento foi enviado por e-mail para três membros do grupo GEEHN da Unipampa. Em seguida, ao longo da semana, uma mensagem de lembrete foi enviada, solicitando a participação no preenchimento do questionário.
O questionário do pré-teste foi respondido, em um período de 7 (sete) dias, contados a partir do envio do convite, pelos 3 membros do GEEHN. Com o retorno do pré-teste, procurou-se verificar se todas as perguntas foram respondidas adequadamente e foram levadas em consideração as sugestões propostas pelos
participantes do pré-teste para as devidas melhorias, correções e alterações no questionário ou em sua estrutura.
Assim, com base nos retornos recebidos o questionário sofreu algumas correções relacionados à ortografia e dois ajustes significativos relacionados às sugestões de aprimoramento. O primeiro ajuste feito no questionário foi sugerido por dois dos membros que participaram do pré-teste e se refere à ordem das etapas, quando o termo de consentimento de participação na pesquisa passou de última para segunda etapa, logo após a primeira etapa que é a apresentação da pesquisa.
Outra alteração foi sugerida por um dos membros da pesquisa - a inclusão da pergunta “2.1 Você já conhecia ou sabia da existência do Repositório Digital Tatu? "
– a qual dá conta do conhecimento do participante quanto ao objeto da pesquisa.
A versão final do questionário que foi aplicado aos participantes dessa pesquisa continha 27 questões, composto das seguintes etapas: Apresentação;
Consentimento de participação na pesquisa; 1 – Informações pessoais e profissionais; 2 – Primeiras impressões sobre o “Repositório Digital Tatu” e 3 – Análise da relevância do “Repositório Digital Tatu”.
Com o questionário devidamente estruturado e submetido ao pré-teste, o mesmo foi enviado para os participantes da pesquisa seguindo a seguinte dinâmica:
envio de convite de participação na pesquisa por e-mail (Apêndice A), sendo que este e-mail convite foi composto por uma breve apresentação do projeto de pesquisa, contendo: o link de acesso ao Repositório Digital Tatu, link do vídeo institucional apresentando o repositório e instrumentalizando o acesso ao Repositório Digital Tatu e o link de acesso ao questionário eletrônico (Apêndice B).
Esta sistematização e cuidado com os participantes da pesquisa ficam claros nas palavras de Marconi e Lakatos (2003) que sugerem que:
Junto com o questionário deve-se enviar uma nota ou carta explicando a natureza da pesquisa, sua importância e a necessidade de obter respostas, tentando despertar o interesse do recebedor, no sentido de que ele preencha [...] o questionário dentro de um prazo razoável. (MARCONI;
LAKATOS, 2003, p. 201).
Um ponto que deve ser destacado é a condição na qual o participante foi convidado a participar da pesquisa – tipo do sujeito, que constava no convite. Essa indicação se fez necessária para sinalizar ao colaborador o seu perfil para esta
pesquisa, já que um mesmo colaborador pode ter características de outros grupos de respondentes que estão sendo selecionados para o estudo.
Os convites de participação na pesquisa iniciaram a ser submetidos no dia quinze de agosto de dois mil e dezenove, esta foi uma parte minuciosa da pesquisa, a qual objetivava encontrar sujeitos, dentro do território nacional, que se enquadrassem nos perfis da pesquisa. Tarefa que se estendeu até o dia primeiro de outubro de dois mil e dezenove, sendo que o questionário eletrônico ficou aberto recebendo respostas até o dia vinte e nove de outubro de dois mil e dezenove. Ao final desse período, o questionário recebeu o total de 25 (vinte e cinco) respostas abarcando os três perfis de sujeito, sendo: 4 (quatro) respostas referentes ao perfil de coordenador(a), membro ou responsável pela manutenção de repositório relacionado à História da Educação e pela preservação e pela perpetuação de impressos pedagógicos, 8 (oito) respostas referentes ao perfil de pesquisador(a) que faz parte da Associação Sul-rio-grandense de Pesquisadores em História da Educação (ASPHE), vinculado(a) a curso de graduação ou programa de pós-graduação e 13 (treze) respostas referentes ao perfil de líder de grupo de pesquisa da área da História da Educação, vinculado ao Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPQ. O Gráfico 1: “Perfil dos sujeitos da pesquisa”, demonstra em porcentagem a participação de cada perfil de sujeito, na pesquisa.
Gráfico 1: Perfil dos sujeitos da pesquisa
Fonte: Autor (2020)
Num primeiro momento, na concepção da pesquisa buscava-se equidade entre os perfis dos colaboradores da pesquisa, quando era idealizado o número mínimo de 5 (cinco) respondentes de cada perfil. Após o retorno e a tabulação dos questionários, identificou-se que os perfis de pesquisadores que fazem parte da ASPHE, vinculados a cursos de graduação ou programa de pós-graduação e o perfil de líderes de grupo de pesquisa da área da História da Educação, vinculados ao Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPQ, superaram a expectativa mínima de 5 (cinco) respostas.
Como pode ser verificado no Gráfico 1, o grupo de líderes de grupo de pesquisa foi o que teve maior engajamento, totalizando 13 (treze respostas) o que representou 52%, se destacando entre os perfis. O perfil que buscava por coordenadores, membros ou responsáveis pela manutenção de repositórios relacionados à História da Educação, computou o total de 8 (oito) respostas, o que representou 32%.
Em contra partida, apesar de todos os esforços do pesquisador, não foi atingido o número mínimo de respondentes do perfil referente a coordenador, membro ou responsável pela manutenção de repositório relacionados à História da Educação e pela preservação e pela perpetuação de impressos pedagógicos, totalizando 4 (quatro) respostas, o que veio a somar 16% do total. A baixa taxa de retorno desse perfil se justifica por dois motivos identificados por este pesquisador durante a seleção dos sujeitos, o primeiro diz respeito ao número reduzido de repositórios dedicados a esta temática e o segundo foi o baixo engajamento por parte dos sujeitos deste perfil.