1 INTRODUÇÃO
5.1 Técnicas e instrumentos de coleta de dados
de suas práticas inerentes ao acesso a conteúdos digitais no dossiê "França no
Brasil"
Pesquisa-ação Oficina Grupo focal Questionário Fonte: elaborado pela autora.
Seguindo o caminho de uma pesquisa do tipo qualitativa, analisamos o objeto de estudo pelo viés descritivo-exploratório. Adotamos então uma pesquisa bibliográfica para melhor entender concepções e seu estado da arte, bem como a pesquisa-ação para esclarecer e vislumbrar soluções ao problema do cenário que se apresenta, utilizando práticas de mediação com os indivíduos. Adiante, explanaremos os instrumentos a serem empregados e a realização da pesquisa empírica.
5.1 Técnicas e instrumentos de coleta de dados
Demonstrado o aporte teórico, as informações geradas das ações com o grupo participante da pesquisa serão analisadas estabelecendo associações com os conceitos apresentados como referências. Para isso, descreveremos os recursos técnicos empregados no processo de coleta de dados. Como salienta Severino (2007), ao descrever uma pesquisa de caráter exploratório, o levantamento de informações será sobre um objeto, delimitando campos e condições de manifestação.
A presente pesquisa, ao tratar de mediação de leitura no ambiente das bibliotecas digitais, se dispõe a analisar e refletir tal objeto entreposto através da BNDigital, mais especificamente nas relações dos usuários leitores com o dossiê “França no Brasil”. Garantindo uma postura ética na pesquisa, foi explicitado aos participantes acerca do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), bem como requisitamos que eles assinassem o referido documento, sempre respeitando o sigilo de identidade e a liberdade de participação de cada um deles.
O termo convida para participação na pesquisa, explicando do que se trata, o objetivo, procedimentos metodológicos, igualmente identificando a pesquisadora e programa de pós-graduação. Os participantes ao assinarem declaram estar esclarecidos após sua leitura, podendo receber explicações verbais para elucidar dúvidas. O uso das informações coletadas
contribuirá para o desenvolvimento da pesquisa, dando abertura a recusa dos participantes sem que isso lhes traga prejuízo. Após assinatura do participante e pesquisador, cada um fica com a posse de uma via.
No contato com o público-alvo, buscamos realizar discussões através de grupos focais com o intuito de coletar as opiniões desses usuários. Flick (2009, p. 182) identifica que “as discussões em grupo [...] correspondem à maneira pela qual as opiniões são produzidas, manifestadas e trocadas na vida cotidiana.” Pretendemos nessa perspectiva criar condições para que os participantes do grupo se sintam à vontade para expressar seus pensamentos e que sejam estimulados a discutir o tema proposto, gerando uma coleta de dados relevante ao nos ajudar a atingir os objetivos.
A aplicação de grupos focais na pesquisa corresponde ao nosso interesse de melhor entender a realidade da leitura por meio de uma biblioteca digital. “Grupos Focais são um tipo de pesquisa qualitativa que tem como objetivo perceber os aspectos valorativos e normativos que são referência de um grupo em particular. São na verdade uma entrevista coletiva que busca identificar tendências.” (COSTA, 2001, p. 181). Assim, tanto na produção quanto na interpretação dos dados, buscamos considerar os vieses múltiplos que permeiam o cotidiano dos sujeitos e a construção de imaginários coletivos.
Além disso, colhendo dados para obter informações do grupo sobre os temas abordados, recorremos aos questionários. Gil (1989, p. 124) os define como “questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas etc.”. Por sua vez, Richardson (2012) apresenta como vantagem a liberdade dos entrevistados em se expressarem no caso de questionários anônimos e de ter tempo suficiente para refletir sobre suas respostas.
No questionário utilizado estão previstas inicialmente questões para identificação geral do público, sendo elas:
• Idade;
• Escolaridade;
• Nível de estudo na língua francesa; • Principal meio de acesso à internet;
• Principais atividades que buscam com a internet; • Conhecia a existência de bibliotecas digitais; • Visita o ambiente das bibliotecas digitais;
Determinadas tais características, fazemos uso da escala Likert para reconhecer variações de ideias e concepções sobre bibliotecas digitais:
• O acesso aos conteúdos das bibliotecas digitais é fácil e agradável;
• As bibliotecas digitais oferecem um ambiente favorável ao desenvolvimento de conhecimentos e aprendizagens;
• Os documentos disponibilizados nas bibliotecas digitais promovem a valorização da memória e patrimônio cultural;
• Pretendo continuar visitando bibliotecas digitais;
Por fim, em tal questionário, exploramos também perguntas abertas ao coletar opiniões que tratam da leitura e o meio digital. Pensamos que isso agregará à pesquisa maior riqueza em relação às particularidades de entendimentos dos leitores, aprofundando informações sobre o que foi abordado durante as oficinas discursivas.
• Você se considera um leitor? Por quê?
• Como você percebe as particularidades da leitura em meio físico e em meio digital? • Como você vê a preservação e o acesso à leitura de documentos históricos e culturais
após a oficina?
• Você considera importante a existência desse acervo virtual para o aprendizado da língua francesa?
Ambas as técnicas foram efetuadas na ocasião da realização de oficinas com estudantes, professores e/ou outros interessados na língua francesa que possuem envolvimento com a Casa de Cultura Francesa, para a descoberta e acesso aos documentos disponíveis na BNDigital e na coleção “França no Brasil”, propondo a participação coletiva.
As dinâmicas das oficinas como ferramentas metodológicas criam espaços de socialização do conhecimento, em que há na pesquisa, além da coleta, a produção de informações que nasce da reflexão, comunicação e sensibilização sobre os temas tratados que,
[...] propiciam a criação de espaços dialógicos de trocas simbólicas e a coconstrução de outras possibilidades de sentidos acerca das temáticas discutidas, cujos efeitos não se limitam aos usos que os pesquisadores possam fazer desse material, mas também alertam para potenciais transformações nas práticas discursivas geradas naquele contexto, numa fusão inseparável entre o que se convencionou chamar de "coleta de informações e produção de informações". (SPINK; MENEGON; MEDRADO, 2014, p. 33)
Dessa forma, na preparação e execução das oficinas, se permite incorporar outros instrumentos metodológicos para auxiliar na investigação. No convite à interação e compartilhamento de saberes, os indivíduos podem construir participando do grupo reunido na oficina, a partir do diálogo, sentidos e conhecimentos de maneira coletiva, assim com o potencial de promover transformações ao entrar em contato com novas possibilidades de leitura e conhecimentos.