• Nenhum resultado encontrado

3. REFERECIAL TEÓRICO

4.5 TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE COLETA

A pesquisa foi estruturada com base nos dados obtidos a partir de diversas estratégias, entre elas a observação direta intensiva, realizada através de duas técnicas: observação e a entrevista (LAKATOS; MARCONI, 2001). Sendo realizada ainda pesquisa documental tendo como fontes as estatísticas hospitalares.

 Observação

A observação é uma técnica de coleta de dados que utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir, mas também em examinar fatos ou fenômenos que se deseja estudar. A observação utilizada na pesquisa foi do tipo sistemática, no qual o observador estabelece a priori o que procura e o que carece de importância. Quanto à participação do observador, será do tipo não participante, em que o pesquisador toma contato com a comunidade, mas sem integrar-se a ela, presenciando o fato, mas sem participar dele, conforme Lakatos e Marconi (2001).

Ainda segundo aquelas autoras, a técnica da observação, como todas as outras, possui desvantagens e vantagens. Por um lado, na observação, o observado tende a criar impressões favoráveis ou desfavoráveis no observador; a presença de fatores imprevistos pode interferir na tarefa do pesquisador e a duração dos acontecimentos pode ocorrer de forma variável, tornando difícil a coleta dos dados. Por outro lado, permite a coleta de dados sobre um conjunto de atitudes comportamentais típicas, exige menos do observador, da introspecção, permite a evidência de dados não constantes de roteiro de entrevista ou questionários, possibilitando o estudo de uma imprevisível variedade de fenômenos.

A observação nesta pesquisa foi utilizada para descrever situações de acolhimento de usuários em diferentes dias da semana e em ambos os turnos de trabalho (diurno e noturno). Foi feita pela autora da pesquisa utilizando um roteiro de observação para o registro das situações de acolhimento e condições do usuário (APÊNDICE A).

 Entrevistas

Quanto ao tipo de entrevista, foi realizada a modalidade semi-estruturada, através da formulação de questões e tópicos que contribuíram para orientar a pessoa entrevistada, mas sem lhe apresentar respostas preestabelecidas (APÊNDICE B).

No planejamento do roteiro da entrevista, segundo Minayo et al (2008), pode- se abordar um único tema ou vários, permitindo maior ou menor espontaneidade aos depoimentos com fins de explorar determinada temática, relato de experiência ou ponto de vista. Conforme exposto anteriormente, esta pesquisa apresentou um roteiro de entrevista que abordou os seguintes eixos temáticos correlacionáveis: o nível de conhecimento a respeito do processo do AACR; a percepção acerca das possíveis mudanças introduzidas por essa estratégia e dos possíveis entraves que devam estar interferindo na sua operacionalização, a fim de compreender de que forma o modelo estava sendo desenvolvido.

De acordo com Flick (2004), a entrevista semiestruturada é considerada uma importante técnica de coleta de dados para pesquisa qualitativa pelo fato de ser mais provável que os pontos de vista dos entrevistados sejam captados com mais fidedignidade em roteiros de entrevistas abertas e flexíveis do que através de estruturas de entrevistas padronizadas ou em questionários.

As entrevistas foram gravadas, sendo realizadas no próprio hospital. O instrumento foi ajustado mediante a realização de uma entrevista piloto para prova do roteiro, sendo transcritas e arquivadas para posterior realização da análise.

Assim como a observação, a coleta de dados por meio de entrevista possui suas vantagens e desvantagens. Quanto às desvantagens, podem ocorrer dificuldades de expressão e comunicação de ambas as partes; possibilidade de o entrevistado ser influenciado; receio do entrevistado quanto à revelação de suas informações; e necessidade de um maior tempo para execução, processamento e análise. (LAKATOS; MARCONI, 2001). Por outro lado, as entrevistas possuem diversas vantagens, entre as quais se podem destacar: sua utilização com pessoas de qualquer nível de escolaridade; possibilidade de esclarecimentos durante a coleta; a possibilidade de conseguir informações mais precisas, além de permitir o registro de reações.

Parte dessas desvantagens pode ser amenizadas pelo pesquisador, conduzindo com habilidade a entrevista, gerando um clima de confiança no entrevistado (KVALE, 1996).

Para garantir a validade e a fidedignidade das informações recolhidas através do roteiro, foram adotados quatro critérios, conforme explicita Flick (2004). O primeiro foi o não-direcionamento, que foi obtido através da forma de elaboração das questões. O segundo critério utilizado foi o da especificidade, que significa que a entrevista deve ressaltar os pontos específicos do estudo a fim de que o sujeito não permaneça no âmbito de enunciados gerais. Tal critério visa assegurar que todos os aspectos e tópicos relevantes à questão da pesquisa sejam mencionados. A

profundidade e o contexto pessoal revelados pelo entrevistado é um critério que

garante que o sujeito exiba o máximo de comentários autorreveladores da visão subjetiva acerca do que se questiona, para que, dessa forma, não permaneça em respostas demasiadamente objetivas, como por exemplo, é importante ou não importante.

A aplicação da entrevista seguiu as seguintes orientações: os entrevistados foram esclarecidos sobre os objetivos da pesquisa, posteriormente solicitou-se a permissão desses atores, através da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido; as entrevistas foram gravadas pelo programa Audacity 1.3 e/ou gravador digital de áudio sendo, em seguida, transcritas e analisadas.

 Análise Documental

Essa técnica de análise foi utilizada por considerar que as informações documentais podem ser relevantes para compreender o contexto em que o objeto do estudo está inserido, corroborando e valorizando as evidências oriundas de outras fontes.

Portanto, procuramos aprofundar essa reflexão através dos dados fornecidos pelo Serviço de Atendimento Médico e Estatística (SAME) do HETSHL, tendo acesso às estatísticas referentes ao número de atendimentos, percentuais de ocupação e permanência, causas de atendimentos, dentre outras descritas posteriormente. Foi produzida uma série histórica cobrindo o período de 2 (dois) anos antes e 2 anos depois da introdução do AACR no hospital, através de um instrumento norteador para tal coleta (APÊNDICE C).

A pesquisa documental pode se constituir em um grande desafio, pois muitas das informações de fontes de dados não foram produzidas originalmente com o objetivo de se prestarem a pesquisas, além das dificuldades de se escolher documentos que possam realmente contribuir para o esclarecimento das questões da pesquisa (LIMA, 2004). Como ponto favorável, é necessário considerar que ela ajuda a contextualizar o objeto de investigação e a possibilidade de permitir investigações de informações que envolvem longos períodos, investindo-se um tempo razoavelmente reduzido.

Yin (2005) comenta que estes documentos podem ser úteis na verificação de situações citadas numa entrevista. Entretanto, Lima (2004) lembra o fato desses documentos não terem sido produzidos com o propósito de servirem de fontes de dados, por isso pode se constituir num desafio na hora de realmente contribuir para a fundamentação de discussões travadas ao longo da pesquisa.