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Capítulo III – Papel do Professor no Desenvolvimento do Currículo

5. Técnicas e instrumentos de recolha de dados

As técnicas e os instrumentos de recolha de dados utilizados num projeto de investigação são elementos essenciais uma vez que deles dependem, em grande parte, a qualidade e o êxito da investigação. Devem, por isso ser elaborados e utilizados de modo a captar, de forma o mais completa possível, todas as informações inerentes ao(s) fenómeno(s) em análise, não podendo, por isso, deixar de ter em conta os objectivos visados e o contexto em que se realiza o estudo. É nesta ordem de ideias que De Ketele e Roegiers (1999, p. 17) consideram a recolha de dados ou informações como um:

Processo organizado posto em prática para obter informações junto de múltiplas fontes, com fins de passar de um nível de conhecimentos para outro ou de representação de uma dada situação, no quadro de uma acção deliberada cujos objectivos foram claramente definidos e que dá garantia de validade.

A este respeito, Erikson (1989, p. 247) assegura que a focalização da recolha de dados no campo de estudo pretende apenas transformá-la numa tarefa deliberativa e “intuitiva ou tão radicalmente intuitiva quando possível”, o que faz com que o trabalho de campo se revista de uma certa motricidade muito própria e seja, por isso, impossível de “ser ensinado”. O maior ou menor êxito na adequação do processo de recolha dos dados ao objecto de investigação depende do conhecimento, da capacidade e da experiência de cada investigador, refere o autor. Daí Erikson (idem) considerar que, no início desta etapa da investigação, o investigador deve ter uma ideia clara das questões orientadoras da investigação e dos procedimentos de recolha de dados que pode utilizar para responder a essas questões, bem como uma noção clara da importância de estabelecer uma relação com os professores participantes no fornecimento de dados.

Depois de identificar as informações a recolher é necessário definir a estratégia que permitirá concretizar esse intento, o que implica saber quais as técnicas e os instrumentos mais utilizados no âmbito do projeto de investigação que pretende desenvolver.

No nosso caso, uma vez que pretendemos recorrer a uma metodologia quantitativa, decidimos optar, como técnica de recolha de dados, pelo recurso ao inquérito por questionário. Para o efeito, construímos um questionário que permitisse responder às questões de investigação delineadas e, consequentemente, concretizar os objectivos que nos havíamos proposto. Os elementos utilizados na construção do questionário, bem como as respetivas questões, podem ser consultados no Anexo 1, onde se encotra um quadro com a correspondência entre as dimensões, os objetivos e os itens utilizados.

O questionário, que disponibilizamos no Anexo 2, incluiu essencialmente questões de resposta fechada, sem prejuízo de, sempre que se considerou necessário, serem introduzidas questões de resposta aberta que permitam clarificar o sentido das respostas dos participantes.

Neste trabalho utilizamos o inquérito por questionário por ser uma técnica de recolha de dados muito utilizada no domínio da investigação e por poder ser aplicada a um número significativo de inquiridos. Na opinião de Quivy e Campenhoudt (1998), um questionário é uma série ordenada e coerente de perguntas que são colocadas a um conjunto de pessoas para recolher elementos quer relativos à sua situação social, profissional ou familiar, quer relativos às suas opiniões sobre um determinado assunto, quer, ainda, relativos às atitudes que assumem ou à forma como se posicionam perante certas questões humanas e sociais, acontecimentos ou problemas à sua volta.

O questionário, depois de validado e testado, é aplicado á população ou amostra em estudo, sendo normalmente preenchido pelo inquirido sem a presença do investigador, o que é uma vantagem porque se consegue, assim, respeitar a individualidade de cada respondente e libertá- lo de qualquer pressão. Tal facto requer que as questões sejam redigidas com clareza e de forma o mais simples possível. Além disso, deve existir o cuidado de cada questão abordar apenas um aspecto e de ser redigido de modo a não induzir a resposta (idem).

Um outro aspecto positivo, como referimos atrás, é a quantidade significativa de pessoas que podem ser inquiridas ao mesmo tempo. Além disso, pode ser trabalhado um elevado número de variáveis, o que a acontecer “aconselha” ao tratamento estatístico dos dados recolhidos, quer por causa da sua valiade investigativa, quer pela facilidade de leitura. Para que o processo seja simplificado, os autores referidos (idem), aconselham a que as respostas á maioria das questões sejam pré-codificadas, limitando-se os inquiridos a escolher as respostas entre as hipóteses que lhes são propostas.

Porém, na opinião de Quivy e Campenhoudt (1998, p. 190), a necessidade de organizar as questões desta forma pode, ao mesmo tempo, constituir uma limitação já que muitas das respostas pré-codificadas ‘’não têm significado em si mesmas’’, embora sejam úteis para, quantitativamente “comparar as respostas globais de diferentes categorias sociais e analisar as correlações entre variáveis”.

Na verdade, a superficialidade das respostas não permite aprofundar determinadas questões, sendo por isso que a utilização do questionário como instrumento de recolha de dados é mais usual em sondagens ou estudos de opinião.

No nosso caso, a recolha de dados incluiu, ainda, uma outra tarefa, a análise de conteúdo, um procedimento que nos foi útil para interpretarmos e/ou triangularmos os dados recolhidos.

Importa, ainda, referir um outro aspecto que foi tido em conta: as questões éticas da investigação. Podemos afirmar que estas foram salvaguardadas, tendo em conta os postulados de Lima (2006), quer através da obtenção do consentimento informado dos respondentes ao questionário, quer através da preservação da confidencialidade, tanto na redacção da dissertação como numa eventual publicitação de resultados.

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