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CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO TEÓRICO E NORMATIVO

2. Metodologia

2.2. Técnicas e instrumentos de recolha de dados

Uma das vantagens do estudo de caso é a possibilidade de recorrer a diversas técnicas e instrumentos de recolha de dados para obter informação que será analisada e interpretada posteriormente. Carmo e Ferreira (2008) referem que

“As técnicas são procedimentos operatórios rigorosos, bem definidos, transmissíveis, susceptívies de serem novamente aplicados nas mesmas condições, adaptados ao tipo de problema e aos fenómenos em causa. A escolha das técnicas depende do objectivo que se quer atingir (…)” (p. 193).

Assim, no presente trabalho, foram utilizadas as seguintes técnicas e

envolvem uma recolha directa de informação a partir dos sujeitos investigados evitando problemas causados pela presença do investigador” (citado por Duarte, 2009, p. 45). Para Bogdan e Biklen (1994), alguns documentos

“fornecem apenas detalhes factuais tais como as datas em que ocorrem reuniões” (1994, p. 176) e outros servem como “fontes de férteis descrições de como as pessoas que produziram os materiais pensam acerca do seu mundo”

(1994, p. 176). Assim, foi feita a análise documental dos Planos de Aula e Reflexões com o intuito de analisar a intervenção realizada no contexto da PES, procurando perceber que competências foram desenvolvidas através do jogo como recurso didático no ensino e aprendizagem do Inglês no 1.º CEB.

O inquérito por questionário consiste em colocar questões a um conjunto de inquiridos com o intuito de entender condições e modos de vida, comportamentos, valores e opiniões, ou outros aspetos que sejam do interesse do investigador (Quivy & Campenhoudt, 2005). Um questionário deve conter perguntas claras e estas podem ser fechadas, quando se apresenta ao inquirido uma lista preestabelecida com opções de respostas possíveis, ou abertas, quando o inquirido pode responder com as suas próprias palavras (Ghiglione &

Matalon, 2005).

Deste modo, foram construídos questionários tendo por base o enquadramento teórico do estudo e o contexto do mesmo (descrito na secção que se segue), tendo a sua aplicação, aos alunos e docentes, sido devidamente autorizada pelo Diretor do Agrupamento de Escolas (Anexo A).

Assim, foram aplicados inquéritos por questionário aos alunos do 3.º e 4.º AN e do 3.º e 4.º S (Anexo B) com o principal objetivo de conhecer as suas perceções (i) acerca dos jogos utilizados nas aulas ministradas e (ii) do jogo enquanto recurso didático promotor da aprendizagem do Inglês. Foram criados quatro questionários de raiz, um para cada turma, divididos em dois grupos: a caracterização dos inquiridos e o jogo como recurso didático na aprendizagem do Inglês.

Os questionários do 3.º e 4.º AN e do 3.º S continham nove questões, sete de resposta fechada e duas de resposta aberta, e o do 4.º S oito, sete de resposta fechada e uma de resposta aberta. A primeira pergunta configurou uma formalidade relacionada com o consentimento dos respondentes, pois pedia aos alunos a sua autorização para responderem às perguntas. Quanto ao grupo de caracterização dos inquiridos, procurou-se com o mesmo averiguar a idade e o

género dos alunos, através da segunda e terceira pergunta. Quanto ao outro grupo, concretamente relacionado com o objeto em estudo, a quarta pergunta teve o intuito de verificar se os alunos gostaram (níveis de resposta “gostei muito” e “gostei”), ou não (níveis de resposta “gostei pouco” e “não gostei”), dos jogos que jogaram nas aulas de Inglês ministradas e a quinta incidiu na escolha do jogo que mais gostaram de jogar. Após indicarem um dos jogos, a pergunta que se seguiu, a sexta, foi feita para perceber a razão da sua escolha, tratando-se de uma pergunta de resposta aberta. Dado que não houve oportunidade de jogar mais de um jogo com o 4.º S, no questionário desta turma foi apenas feita a questão de terem gostado, ou não, do jogo que jogaram (o jogo de tabuleiro

“Take A Look Back”). A sétima pergunta, a pergunta central dos questionários, teve a finalidade de compreender o que os alunos consideraram que aprenderam com os jogos. Esta pergunta foi construída tendo por base as competências das AE de Inglês (competências comunicativas, interculturais e estratégicas) e do QECR (competências linguísticas, sociolinguísticas e pragmáticas), simplificando-as para adequar a linguagem das hipóteses de resposta à faixa etária dos inquiridos. As últimas duas perguntas tentaram identificar uma das possíveis limitações da utilização do jogo em sala de aula, o barulho, questionando os alunos sobre se o barulho que por vezes se ouve aquando da realização de um jogo os distrai dos objetivos do jogo referidos na sétima pergunta. Aos alunos que responderam que sim, foi pedida, através de resposta aberta, uma explicação do porquê que o barulho os distraía para tentar compreender em que medida é que o barulho constitui uma limitação do jogo aos olhos dos alunos.

Quanto aos professores, o inquérito por questionário foi aplicado aos docentes de Inglês do 1.º CEB das escolas onde foi realizada a PES (Anexo C) e teve como objetivo recolher informações sobre a opinião dos mesmos acerca da utilização de jogos como recurso didático no ensino e aprendizagem de Inglês no 1.º CEB no contexto do estudo.

Foi também criado um questionário de raiz, dividido em dois grupos: a caracterização dos respondentes e o jogo como recurso didático. O questionário era composto por 14 questões, 11 de resposta fechada e três de resposta aberta.

O primeiro grupo, a caracterização dos respondentes, dividiu-se em duas partes:

a parte A – Dados pessoais, e a parte B – Dados profissionais. As três questões referentes aos dados pessoais, permitiram caracterizar os respondentes quanto

ao género, idade e formação académica. As três perguntas sobre os dados profissionais foram feitas para conhecer o tempo de serviço do docente, o tempo de lecionação no Agrupamento de Escolas e o(s) ano(s) de escolaridade que leciona.

O segundo grupo, relativo ao jogo como recurso didático no ensino e aprendizagem de Inglês do 1.º CEB, corporizou o tema central do questionário.

A primeira pergunta deste grupo destinou-se a saber o que os inquiridos privilegiavam nas suas aulas, a aquisição de conteúdos ou o desenvolvimento de competências, para tentar identificar se o professor centraliza a aprendizagem em si próprio ou no aluno. A oitava pergunta do questionário tentou conhecer que tipo de estratégias/atividades/abordagens de ensino e aprendizagem os inquiridos priorizavam nas suas aulas, pedindo que dessem alguns exemplos, para perceber se estas eram mais lúdicas ou não. Depois, foi apresentada uma escala de 1 a 5, sendo que um significa nada e cinco significa muito, para os inquiridos selecionarem o nível de contribuição que consideram que o jogo como recurso didático possui para o processo de ensino e aprendizagem do Inglês no 1.º CEB. A décima questão teve como finalidade descobrir com que frequência os docentes utilizam jogos como recurso didático (nunca, poucas ou muitas vezes), pedindo de seguida uma justificação da sua resposta. A pergunta a seguir centrou-se nas competências que os alunos podem desenvolver através da utilização de jogos como recurso didático no processo de ensino e aprendizagem do Inglês, sendo que estavam elencadas hipóteses de competências das AE de Inglês e do QECR, nomeadamente, competências comunicativas, linguísticas, intrapessoais, interpessoais, sociolinguísticas, interculturais, estratégicas, de aprendizagem e pragmáticas. As últimas perguntas do questionário visaram averiguar se os docentes inquiridos consideravam que a utilização do jogo como recurso didático nas aulas de Inglês pode ter limitações e quais essas limitações, sendo pedido para que clarificassem a sua opinião numa resposta aberta.

Ambos os questionários foram aplicados de forma digital, com recurso ao GoogleForms. A decisão por este tipo de aplicação residiu no facto de constituir mais uma forma de introduzir na sala de aula tecnologias digitais, de configurar uma opção mais ecológica e, simultaneamente, proporcionar a recolha e organização automática de dados.

Após este processo de construção e de aplicação dos instrumentos de recolha de dados, os questionários, seguiu-se o processo de análise de dados, tendo sido realizada estatística descritiva dos dados de natureza quantitativa, apresentando os resultados com recurso a gráficos sempre que necessário, e a análise de conteúdo das respostas abertas. Este processo é apresentado na última secção do presente trabalho.