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1 INTRODUÇÃO

1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA

2.1.6 Técnicas e procedimentos de coleta de dados

O processo (sistematização) da pesquisa será pela coleta de dados que envolverá dados primários e secundários. (RICHARDSON, 2008).

2.1.6.1 Coleta dos dados

Os dados primários (aplicados) serão obtidos pela interação do pesquisador (aluno) e dos facilitadores (professores orientadores) com o principal ator envolvido no problema, o decisor (Diretor Presidente da SCPar Porto de Imbituba S.A.), através de entrevistas

semiestruturadas, observação e pesquisa documental. Outros atores da SCPar Porto de Imbituba S.A. também foram entrevistados (intervenientes, autoridades, concedentes, agidos - técnicos, terceirizados, usuários e por fim os facilitadores – autores do trabalho).

Sobre as entrevistas, há três formas básicas de estudar o tema. A literatura descreve três tipos de entrevistas: estruturada, semiestruturada e não estruturada. Neste trabalho, adotou-se a tipologia semiestruturada pois, apresenta como característica questionamentos básicos apoiados em teorias e hipóteses que se relacionam ao tema da pesquisa. (TRIVIÑOS, 1987). Conforme o mesmo autor, os questionamentos dariam frutos a novas hipóteses surgidas a partir das respostas dos informantes e o foco principal seria colocado pelo investigador-entrevistador. A entrevista semiestruturada “[...] favorece não só a descrição dos fenômenos sociais, mas também sua explicação e a compreensão de sua totalidade [...]” além de manter a presença consciente e atuante do pesquisador no processo de coleta de informações. (TRIVIÑOS, 1987, p. 152).

Quanto a técnica de observação, o pesquisador surge tentando entender o comportamento real do sujeito. Conforme Moreira (2002, p. 52), a observação participante é conceituada como sendo “uma estratégia de campo que combina ao mesmo tempo a participação ativa com os sujeitos, a observação intensiva em ambientes naturais, entrevistas abertas informais e análise documental”. Ainda, segundo o autor, o principal produto dessa observação participante é o que se conhece por relato etnográfico, entendido como “relatos detalhados do que acontece no dia-a-dia das vidas dos sujeitos e é derivado das notas de campo tomadas pelo pesquisador.” (MOREIRA, 2002, p. 52).

Sobre a pesquisa documental, considera-se documento, toda a realização produzida pelo homem que se mostra como indício de sua ação e que pode revelar suas ideias, opiniões e formas de atuar e viver. (BRAVO, 1991). O autor ainda destaca que nesta concepção, é possível apontar vários tipos de documentos: escritos, numéricos ou estatísticos, os de reprodução de som, imagem e documentos-objeto.

A coleta de dados primários é orientada pela metodologia MCDA-C na Fase de Estruturação (etapas, subetapas de identificação dos elementos primários de avaliação, construção dos conceitos e mapas cognitivos) e na Fase de Avaliação (construção dos descritores e escalas ordinais) para construir o modelo de avaliação de desempenho.

A escolha da MCDA-C deu-se em razão das condições que a metodologia oferece, calcada em seus procedimentos sequenciais, abordagem construtivista, para a estruturação de ambientes contextuais e o desenvolvimento de modelos de avaliação de desempenho com o propósito de apoiar à decisão, baseado nos critérios diversos, multifacetados, entendidos como

relevantes pelo gestor (decisor) e específico ao seu contexto (LONGARAY; ENSSLIN, 2015; LACERDA; ENSSLIN; ENSSLIN, 2011; ENSSLIN et al., 2010; ENSSLIN; DUTRA, 2017; ENSSLIN, 2000).

A coleta dos dados secundários foi processada pelo instrumento de intervenção

ProKnow-C, ou seja, em bases de dados científicas/pesquisa bibliográfica (artigos científicos)

e análise documental.

A opção pelo ProKnow-C, deu-se por este permitir, de maneira estruturada, com visibilidade e repetitividade, a realização de procedimentos de seleção de um portfólio bibliográfico, análise bibliométrica e de análise crítica da literatura, valendo-se de um viés construtivista (DUTRA et al., 2015b; ENSSLIN et al., 2015).

Já a metodologia MCDA-C na Fase de Estruturação orientou a construção do modelo de avaliação de desempenho, utilizado na coleta e documentação das percepções, preocupações do principal tomador de decisão (etapas e subetapas de identificação dos elementos primários de avaliação, construção dos conceitos, mapas cognitivos, construção dos descritores com escalas ordinais) assim como na Fase de Recomendações (objetivos específicos).

2.1.6.2 Análise dos dados

Os dados primários receberam a abordagem qualitativa, utilizada na etapa de análise sistêmica do processo ProKnow-C (objetivo específico).

No que tange à abordagem quantitativa, observada na Fase de Avaliação da metodologia MCDA-C, houve a transformação das escalas ordinais (subjetivas) em escalas cardinais (objetivas), integração dos critérios (objetivo específico) e, identificação do desempenho do porto (objetivo específico). A mesma abordagem também foi empregada na etapa de seleção do PB e análise bibliométrica do processo ProKnow-C (objetivo específico).

Quanto ao tratamento dos dados secundários, utilizou-se a estatística descritiva aplicada no ProKnow-C, cujo objetivo básico foi descrito por Barbetta (2004, p. 69) e, “consiste em introduzir técnicas que permitam organizar, resumir e apresentar estes dados, de tal forma que possamos interpretá-los à luz dos objetivos da pesquisa.”

Na sequência, a análise de conteúdo ou análise sistêmica, conforme nomenclatura adotada no Proknow-C, é desenvolvida por este instrumento de intervenção. Esta técnica de tratamento de dados designa um conjunto de técnicas de análise das comunicações que, conforme Bardin (2011, p. 47), “visam obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a

inferência de conhecimentos relativos às condições de produção e recepção destas mensagens.” Do ponto de vista operacional, discorre Minayo (2007, p. 84) que, “a análise de conteúdo inicia pela leitura das falas, realizada por meio das transcrições de entrevistas, depoimentos e documentos” e, geralmente, todos os procedimentos levam a relacionar estruturas semânticas (significantes) às estruturas sociológicas (significados) dos enunciados e articular a superfície dos enunciados dos textos com os fatores que determinam suas características: variáveis psicossociais, contexto cultural e processos de produção de mensagem. Este conjunto analítico visa a dar consistência interna às operações (MINAYO, 2007). A análise sistêmica é, conforme Ensslin et al. (2010a):

Processo científico utilizado para, a partir de uma visão de mundo (filiação teórica), definida e explicitada por suas lentes, analisar uma amostra de artigos representativa de um dado assunto de pesquisa, visando evidenciar para cada lente e globalmente, para a perspectiva estabelecida, os destaques e as oportunidades (carências) de conhecimentos encontrados na amostra.