• Nenhum resultado encontrado

Na estruturação da pesquisa são definidos os procedimentos metodológicos e os meios técnicos de investigação a serem adotados na realização do estudo. É o momento em que se parte em direção das informações necessárias para o atingimento dos objetivos do estudo. Para esta fase da pesquisa, os instrumentos e técnicas utilizados na sua realização constituem-se de pesquisa bibliográfica, documental e de campo.

A pesquisa bibliográfica se constitui de fontes secundárias que abrangem materiais já explorados (CERVO; BERVIAN, 1996). São informações encontradas em “[...] livros, revistas, jornais, teses e dissertações, anais de eventos científicos, [...] inclui-se material disponibilizado pela internet” (GIL 2010, p. 29).

A pesquisa documental constitui-se de fontes primárias, restritos a documentos, escritos ou não, segundo Lakatos e Marconi (2003). Sua análise permite passar os dados (brutos) primários, à sua representação em dados secundários (BARDIN, 1977, p. 46). Neste estudo, os dados da pesquisa documental são compostos por documentos originais. Tais documentos configuram uma série de Relatórios dos Presidentes das Províncias (1870-1880), de ofícios, de requerimentos, de leis referentes à imigração europeia e o estabelecimento de colônias de imigrantes estrangeiros, do Arquivo Público do Paraná. Informações históricas de

Livro Tombo da Colônia Dom Pedro II e da Paróquia Santo Antônio de Orleans, Curitiba, e Mapas do Instituto de Terras e Cartografia do Paraná.

Já a pesquisa de campo “é uma investigação empírica realizada no local onde ocorreu o fenômeno” (VERGARA 2004, p. 45). Segundo Lakatos e Marconi (2003, p. 186), “a pesquisa de campo é aquela utilizada com objetivo de conseguir informações ou conhecimentos acerca de um fenômeno ou que dispõe de elementos para explicá-lo”.

A pesquisa de campo se compõe de técnicas, como a observação e a entrevista. Segundo Lakatos e Marconi (2003, p. 192), “a observação espontânea ou assistemática consiste em recolher e registrar os fatos da realidade sem que o pesquisador utilize meios técnicos especiais”. Além disso, “é adequada aos estudos exploratórios, já que favorece a aproximação do pesquisador com o fenômeno pesquisado” (GIL, 2010, p.121). Em seu processo “pode incluir entrevistas, aplicação de questionários, formulários, testes e observação participante ou não” (Lakatos e Marconi, 2003, p. 186).

Entre as técnicas que compõem a coleta de dados é a entrevista. De acordo com Gil (2006), a entrevista se define como uma técnica de pesquisa em que o investigador formula perguntas com o objetivo de obtenção dos dados que interessam a investigação. Tem por objetivo o conhecimento de opiniões, crenças, situações vivenciadas, entre outros.

Esta investigação fez uso de entrevista semiestruturada encontrada no Apêndice C. Trata-se de uma técnica que apresenta maior flexibilidade para obter informações e viabiliza a observação do contexto da pessoa e da situação em que ela responde às perguntas, com análise de seus significados (SELLTIZ, 1975; PATTON, 1990). Segue um roteiro com perguntas abertas com tópicos relativos ao problema, por meio de um formulário. “O formulário é um dos instrumentos essenciais para a investigação social, cujo sistema de coleta de dados consiste em obter informações diretamente do entrevistado” (LAKATOS; MARCONI, 1993, p. 212).

A coleta de dados foi efetivada por meio de um roteiro previamente elaborado, constituído por um protocolo de pesquisa e um termo de aceite e acordo livre, apresentado aos entrevistados no ato da entrevista antes de proceder com a coleta de dados. Esse protocolo consiste em informações, objetivos, justificativa e processos da pesquisa, seguido das questões da entrevista, segundo (GIL, 2010). Os formulários estão disponíveis nos Apêndices A, B e C.

A Figura 3 explica a configuração dos procedimentos, dos métodos e dos instrumentos de coleta de dados da pesquisa, que integram a pesquisa de campo.

Figura 03 - Procedimentos, métodos e instrumentos de coleta de dados.

Fonte: Adaptado de Gil (2010).

Nessa dinâmica investigativa emerge a necessidade de articulações com os respondentes da Comunidade da Colônia Dom Pedro II e o delineamento das estratégias de pesquisa. Segundo Minayo (1993), definem-se as formas de registro das falas e o sistema de anotação da comunicação. No caso desta pesquisa, sendo a entrevista utilizada para coleta de dados com registro em formulário, as observações adjacentes terão seu registro em Diário de Campo. No desenvolvimento desta, o Diário de Campo se constitui em um instrumento de rotina do trabalho de pesquisa, para os registros complementares da entrevista.

De acordo com Richardson (1999), a aplicação da pesquisa se realiza de forma espacial e temporal, com base em um universo em uma amostra selecionada. A presente pesquisa tem como base de seu desenvolvimento, o local/universo constituído pela comunidade da Colônia Dom Pedro II, instituída no período da imigração polonesa em1876. Atualmente, seus descendentes habitam essa comunidade, cuja instituição e desenvolvimento do território foram em grande parte determinados pelas políticas do governo brasileiro para incentivo da colonização, imigração e produção. Segundo dados do INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (2013), esta Colônia compõe-se por 180 famílias e um total de 690 habitantes. Destas, 126 famílias são descendentes de imigrantes poloneses e as demais 30% são de outras etnias.

Do universo composto pelos habitantes da Colônia Dom Pedro II, para a pesquisa foi estabelecida uma amostra não probabilística e por tipicidade. Segundo Barros e Lehfeld (1986), a amostra não probabilística compõe-se de forma acidental ou intencional e os elementos não são selecionados aleatoriamente. “Essa amostra é baseada em uma estratégia

adequada. Os elementos da amostra relacionam-se intencionalmente com as características estabelecidas” (BARROS; LEHFELD, 1986, p. 107). Com base nas características, acrescentou-se a amostra por tipicidade, que se baseia em características específicas identificadas. Segundo Gil (1989, p. 97), “consiste em relacionar um subgrupo da população que, com base nas informações disponíveis, possa ser representativo de toda a população, [...] esse tipo de amostra requer considerável conhecimento da população e do subgrupo selecionado”. Nesta pesquisa, envolvendo o processo decisório, a definição do tipo de amostra não probabilística, intencional e por tipicidade engloba um grupo de descendentes dos primeiros imigrantes poloneses residentes na Colônia Dom Pedro II. Identificaram-se os primeiros imigrantes poloneses inseridos na Colônia Dom Pedro a partir do ano de 1876, com registro dos seus lotes do nº 98 ao nº 121, segundo Arquivo Público do Paraná. Destes selecionou-se os imigrantes, cujos descentes encontram-se radicados na Colônia Dom Pedro II, delimitando-se sete ramificações de descendências identificadas pelo sobrenome, conforme consta no cadastro do Núcleo da Colônia Dom Pedro II, em seu processo de colonização35 iniciado em 1876. Para a seleção da amostra para a pesquisa, foram realizados os seguintes passos:

I – Identificação dos primeiros 20 imigrantes poloneses radicados na Colônia Dom Pedro, entre os anos de 1876/1878, com registro dos seus lotes do nº 98 ao nº 121- Arquivo Público do Paraná.

II – Seleção dos imigrantes, cujos descendentes encontram-se radicados na Colônia Dom Pedro, delimitando-se as ramificações de descendência.

III – Identificação pelo sobrenome das famílias que constam neste cadastro, constituindo-se pelo total de 07 ramos de descendências.

IV – A partir disso, definiu-se a amostra intencional de 03 gerações de cada ramo de descendência, compondo-se uma amostra de 21 pessoas, assim constituídas: Foram definidos 3 descendentes da 3ª geração (Idosos); 3 descendentes da 4ª geração (Adultos) e 3 descendentes da 5ª geração (Jovens).

IV - Que exerçam atividades de qualquer natureza nesta Colônia.

A definição da amostra para a pesquisa estabeleceu a preparação para a coleta de dados pela pesquisa de campo, no território da Colônia Dom Pedro II.

35 Arquivo Público do Paraná. Cadastro do Núcleo da Colônia Dom Pedro II. Códice 858.1876. (Doc.