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RA XIII de Santa Maria

4.5. Tópicos Conclusivos do Capítulo

Este capítulo avaliou a aplicação da metodologia P.E.I.R. e buscou-se fazer um diagnóstico das condições ambientais da RA de Santa Maria. Ao resgatar os questionamentos motivadores da pesquisa, observa-se que no geral todos foram respondidos, porém, outros surgiram no decorrer da pesquisa. Desta forma, com ênfase na análise urbanística, constatou- se que a dinâmica de ocupação da cidade de Santa Maria ocorreu de forma desordenada e acelerada, com um Núcleo Central Urbano, densamente povoado. A tendência é que este

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175 cenário continue a se proliferar para as áreas adjacentes, sempre seguindo o vetor principal de expansão do DF. A partir dos indicadores analisados, observou-se, que a RA enfrenta uma realidade conflitante, pois, o Núcleo Urbano Central, já se encontra em estado crítico de desequilíbrio entre o homem e a natureza. A capacidade de suporte, das Unidades Hidrográficas dos Ribeirões Santa Maria e Alagado, em se adensar já está comprometida, prejudicando a qualidade de vida dos moradores. Caso, a RA venha receber novos acréscimos populacionais, como o já estimado pela Administração Regional, em torno de 85.000 novos habitantes, as áreas que apresentam maiores riscos e fragilidades ambientais como APP's e APM's não serão respeitadas.

O discurso por parte dos empresários, políticos e dos agentes especuladores é de que seja promovida uma ocupação manejada e compensatória na cidade, de forma, que venha se tornar uma cidade sustentável. Mas, na prática, constata-se que a cidade passará por uma conturbada imposição socioeconômica de interesses de ordem desenvolvimentista em detrimento das condições ambientais da região. O que acontece é que neste ritmo a paisagem da RA de Santa Maria será transformada drasticamente, não há como negar que enquanto não houver uma gestão sustentável na cidade, as condições ambientais serão deterioradas pelo antropismo seja num curto ou médio prazo.

A própria urbanização e a imposição socioeconômica é ambivalente, pois, na medida em que melhora as condições de bem-estar da população, fornecendo conforto material às pessoas, não consegue manter o ambiente ileso das ações e políticas territoriais impostas pelos agentes modeladores do espaço. A ordem e o caos são gêmeos, concebidos em meio à ruptura e colapso do mundo ordenado manejado, portando, cabe aos gestores, através de planejamentos e ações públicas eficazes buscarem o equilíbrio entre o homem e a natureza.

As ações devem ser reguladas, partindo do conhecimento das partes que serão inseridos no contexto geral, para compreensão da totalidade - da paisagem como uma unidade espacial; que seguindo ações operacionais de fiscalização, controle e punição aos eventos drásticos, de forma integrada e direcionada, resultará em uma gestão territorial e ambiental mais eficaz para a RA.

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5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho teve como objetivo geral realizar um diagnóstico ambiental, de caráter pós-ocupacional, da urbanização na RA XIII de Santa Maria, identificando o grau de degradação ambiental dos recursos naturais. Para tal, foi ajustada e aplicada a metodologia do modelo Pressão-Estado-Imapcto-Resposta (PEIR), verificando as possíveis contribuições deste modelo para a gestão ambiental e territorial na região.

A partir do levantamento de informações realizado pela autora pôde-se inferir que praticamente não existem estudos sobre impactos ambientais realizados para a RA de Santa Maria, e nenhum abordando o tema de forma estruturada tal como foi a proposta deste trabalho. Verificou-se também que, apesar de promissora, e possuir uma teoria bastante desenvolvida, ainda existem poucos trabalhos onde foram aplicados a metodologia da matriz PEIR.

A aplicação da metodologia da matriz PEIR evidencia que o principal problema associado a degradação ambiental, na RA de Santa Maria, surge da falta de monitoramento e controle do uso e ocupação do solo. Identificou-se que os fatores que mais contribuem para a degradação da RA são: o crescimento acelerado e sem planejamento da cidade de Santa Maria e adjacências, a proliferação de parcelamentos e condomínios irregulares, a exploração da agricultura intensiva e a atividade clandestina de mineração. Entre os principais impactos ambientais descritos na RA, destaca-se a degradação dos corpos hídricos e a contaminação e erosão do solo.

Uma das constatações desta pesquisa é que os projetos de planejamento são setorizados, não levando em consideração uma visão geral dos problemas ambientais da RA de Santa Maria. A gestão ambiental e territorial da RA está fragmentada e descentralizada entre diferentes órgãos gestores, com a maior parte das ações administrativas voltadas para as áreas do Núcleo Central da Cidade. Outras regiões como a Reserva Alfa da Marinha, localizada na Unidade Hidrográfica do Ribeirão Saia Velha, e os Setores Habitacionais do Tororó e de Mansões Fazendárias, localizados na Unidade Hidrográfica dos Ribeirões Santana, Maria Pereira e Pau Caixeta, acabam sendo administrados pela própria União e pela Fundação Zoobotânica de Brasília.

Ao se estudar a dinâmica da ocupação urbana da RA fica claro que é urgente a necessidade de melhorar o monitoramento e controle do uso do solo. O que se têm observado

177 na cidade de Santa Maria e no DF como um todo, é que vários condomínios são implantados e permanecem vazios, demonstrando que a especulação imobiliária é tão acentuada que a demanda acaba não cobrindo a oferta, pois os preços dos imóveis estão muito elevados. Uma situação visível no Setor do Tororó é que os lotes, no geral, estão nas mãos de especuladores (proprietários de imobiliárias, donos de empreiteiras e outros investidores) que acabam ditando o preço, manipulando a oferta e selecionando a clientela deste mercado. Por outro lado, existe uma alta demanda por moradia de famílias de baixa renda que, sem poder pagar os altos preços exigidos pela especulação imobiliária, acabam por se instalar em áreas irregulares, com alta fragilidade e vulnerabilidade sócio-ambiental, como o Setor Habitacional Santa Maria. A ocupação desordenada interfere na dinâmica e no equilíbrio da paisagem natural, e acaba expandindo-se para áreas de mananciais, áreas rurais remanescentes, em APP’s e APM’s, como ocorre constantemente na RA pesquisada.

Na atual conjuntura de forte crescimento do setor da construção civil, sobretudo no DF, a demanda por agregados minerais (areia, saibro, cascalho, etc.) tende a continuar elevada. Isto deve aumentar, ainda mais, a pressão para ampliação da produção dos areais instalados na RA. Devido a grande burocracia e morosidade para concessão de licenças de exploração mineral, a tendência é que cresça a informalidade da atividade na região. Uma vez que o arcabouço legal em relação a este tema já é bastante avançado, a reversão deste quadro passa pela implementação de um plano de fiscalização e punição eficaz por parte dos órgãos ambientais, contando ainda com a participação da Administração Regional. Em relação as áreas que já se encontram degradadas, verificou-se a urgência na implantação dos Planos de Controle Ambiental - PCA e Planos de Recuperação de Áreas Degradadas – PRAD, como forma de evitar que os impactos ao meio ambiente, recursos hídricos e a população em geral, sejam ainda mais profundos.

Identificou-se que, na região da unidade hidrográfica do Ribeirão Santana, a maior pressão sobre o meio ambiente é proveniente da atividade agrícola intensiva, seja para produção de grãos ou hortifruticulturas. Para aumentar a produtividade, os produtores de grãos utilizam a técnica de irrigação por pivôs centrais, que é bastante ineficientes do ponto de vista hídrico e consume enormes volumes de água. Isto causa um drástico rebaixamento dos níveis dos corpos hídricos, nos períodos de estiagem, dificultando o acesso à água para outros tipos de usos à jusante dos pontos de coleta. A maioria dos hortifruticultores, por sua vez, captam água diretamente das nascentes, por serem mais limpas. A canalização de nascentes também gera grandes impactos em relação à diminuição do fluxo de água para os

178 rios. Embora seja necessário a concessão de outorga, para captação de água para irrigação, na prática, a maioria das captações são irregulares. Neste sentido, é necessário que o órgão gestor (ADASA) realize uma fiscalização e controle mais efetivo das atividades agrícolas na RA, tanto em relação à concessão de outorgas quanto a verificar se as condicionantes estabelecidas nas mesmas estão sendo respeitadas.

A aplicação da metodologia evidenciou, também, o potencial que algumas ações tem no sentido de mitigar os efeitos da degradação ambiental, decorrente dos problemas da má gestão territorial e ambiental na RA, bem como de prevenir futuros impactos. Dentre as quais destaca-se a criação de um Plano Diretor Local e a implantação da Agenda 21 Local na RA de Santa Maria. A longo prazo, o aprimoramento dos programas de educação ambiental nas escolas, com a participação da comunidade, é sem dúvida a melhor aposta para tornar a RA um exemplo de sustentabilidade e qualidade ambiental.

Com base na análise dos indicadores de resposta constata-se que, ao contrário do que é percebido pelo sensor comum, existem várias ações sendo tomadas pelos órgãos gestores, e pela comunidade envolvida, no sentido de sanar, controlar ou minimizar os impactos ambientais na região da RA de Santa Maria. O problema não está na falta de ações, nem de instrumentos legais de gestão territorial e ambiental, mas na ineficácia das medidas tomadas. Falta o comprometimento com os resultados por parte dos gestores públicos, e uma cobrança e participação mais efetiva por parte da comunidade local.

No geral, a metodologia PEIR configurou-se em uma interessante ferramenta de análise dos impactos ambientais, potencialmente indicada para auxiliar nas fases de um planejamento ambiental, gerando subsídios para a tomada de decisão. Porém, foram identificadas dificuldades para o levantamento dos indicadores de impactos e resposta, sobretudo no que concerne o acesso aos dados e ações públicas realizadas na RA de Santa Maria. Vários indicadores não foram totalmente explorados devido a dificuldade de acesso às informações. Entre os problemas enfrentados em relação à coleta de informações sobre a gestão ambiental na RA destaca-se:

• Inexistência de monitoramento e/ou dados nas instituições pesquisadas;

• As informações, mesmo que sobre um mesmo tema, estão descentralizadas em diferentes órgãos e instituições públicas;

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