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T ABELA 4.9 P ARTICIPAÇÃO EM O UTROS M OVIMENTOS

AS MULHERES NO SINDICATO

T ABELA 4.9 P ARTICIPAÇÃO EM O UTROS M OVIMENTOS

CONCLUSÕES

A análise das características da relação das mulheres metalúrgicas do Norte e Nordeste brasileiro com o sindicalismo aponta para a necessidade de uma visão crítica mais sistemática sobre a prática sindical nas duas regiões. Não obstante a incorporação de um discurso afirmativo em relação às mulheres, as práticas sindicais ainda estão muito distantes de uma verdadeira preocupação com a ex- clusão feminina ou a implantação de ações especificas que possibilitem uma real incorporação das mulheres nas estruturas sindicais.

Por outro lado, apesar de toda a transformação ocorrida na condição feminina nos últimos 50 anos, foi no campo político onde estas mudanças ocor- reram de forma mais lenta. A conquista do voto em 1934 não conseguiu trazer um número significativo de mulheres à esfera política formal. Os modelos patri- arcais de organização política continuavam mantendo as mulheres fora das estru- turas de poder tanto pelo rechaço masculino, contrário à participação feminina nas instâncias de deliberações políticas, quanto pelos condicionantes sócio-cultu- rais determinantes da ideologia feminina, que ainda hoje afasta as mulheres dessas estruturas. Nas organizações sindicais, como tivemos oportunidade de ver, as mulheres seguem excluídas.

No sentido de estabelecer práticas políticas de inclusão femininas nas estruturas sindicais, é necessário uma maior compreensão por parte dos dirigen- tes sindicais sobre a especificidade da condição feminina e a necessidade de esta- belecer programas especiais de formação e práticas sindicais para mulheres. A partir da própria demanda das metalúrgicas pesquisadas, apresentamos, a seguir, algumas recomendações para a ação sindical numa perspectiva de gênero:

• realização de um trabalho sistemático, de informação junto as mulhe- res, sobre as ações desenvolvidas pelo sindicato em relação a base feminina;

• realização de eventos voltados para o público feminino, em especial nos espaços das grandes empresas, com temáticas definidas com a participação das próprias interessadas;

PARTI CI PAÇÃO CI DADES (%) TOTAL

M ANAUS FORTALEZA SALVADOR

Sim 3,8 2,2 1,6 3,4

Não 88,6 97,8 80,6 89,3

Não respondeu 7,5 0,0 12,7 7,3

• realização de cursos de sensibilização dos dirigentes sindicais com vistas ao trabalho com mulheres, devem privilegiando as seguintes temáticas: o sexis- mo nas práticas sindicais; como trabalhar com mulheres; o sindicato e o cotidia- no feminino; a prática sindical masculina como fator de exclusão feminina; como incorporar mulheres à dinâmica sindical;

• realização de programas de formação de lideranças femininas, estruturados inicialmente por fábricas e posteriormente por distribuição setorial e geográfica;

• garantir que as ações de formação no interior da empresa ou organiza- da pelo sindicato se realizem em horários comerciais, permitindo a assistência de mulheres com responsabilidades familiares;

• elaboração de material de divulgação específico para a base feminina;

• incluir regularmente a temática da igualdade entre homens e mulheres nas atividades do sindicato;

• sensibilizar todo o pessoal para identificar, prevenir e combater o assé- dio sexual e incluí-lo como sanção grave nos acordos coletivos

• implantação da proporcionalidade nos cursos de formação da Central e dos sindicatos, a adoção de cotas de participação para as mulheres nas instancias de direções, salário igual para trabalho de igual valor, creche em todos os eventos sindicais.

NOTAS

1 “... na época desse movimento, os operários das oficinas da NAVEGAÇÃO BAIANA estavam com os

salários atrasados. O descontentamento era grande e os operários já discutiam a necessidade de criação de uma associação para lutar contra os abusos dos patrões. No dia em que estourou a greve, um grupo de operárias da Fábrica de tecidos da Penha, invadiu as oficinas da NAVEGAÇÃO BAIANA, conclamando os presentes a também decretarem a greve. Os operários aderiram”. CEPAS. A oposição sindical metalúrgica da Bahia. Salvador: Cepas. 1991. P.5

2 Amparo Moreno Sarda define o androcentrismo como a visão do “... homem como a medida de todas

as coisas. É o enfoque de um estudo, de uma análise ou pesquisa realizado desde a perspectiva masculina unicamente e a utilização posterior dos resultados como válidos para o geral dos indivíduos homens e mulheres”. (1987, p.23)

3 A necessidade de uma reconceituação da participação política, de forma que não somente incorpore os

diversos tipos de atuação política das mulheres, mas que também incorpore os outros sujeitos políti- cos (negros, índios, homossexuais, etc) foi tratada por Fanny Tabak em vários estudos. Segundo essa autora, esta necessidade “... não é sentida por numerosos cientistas sociais, apesar do fato de os movimentos sociais e políticos, no campo e na cidade, terem assumido no Brasil, nos últimos anos, níveis extremamente significativos”(1989:25)

4 “No intervalo entre o IV Concut e a VI Plenária às mulheres fizeram um movimento de intensa

mobilização e sensibilização dos dirigentes com a necessidade de ampliar a presença feminina nas direções da central, colocando como alternativa um percentual para a inclusão das mulheres nos cargos de poder” (Lima, 1998:p.20)

5 Sobre a evolução da participação feminina na composição da direção executiva da Cut e nas Cut’s

Estaduais, ver: CNMT/CUT. Igualdade de Oportunidade. Ações afirmativas, superando desigualdades. São Paulo, 1998.

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