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2016 2017 2018 2019 2020 OPEX TOTAL REPROJETADO

11.2 T RIBUTOS PASEP E COFINS

Proposta ARSESP:

Na NTP/003/2017, os tributos de Pasep e Cofins são repassados aos usuários na tarifa considerando uma alíquota efetiva de 6,56% durante todo o ciclo tarifário, conforme mencionada na página 52 da NTP/003/2017:

“Para projeção das despesas com Cofins/Pasep na 2ª RTO, a Arsesp adotou a alíquota média calculada a partir da proposta da Sabesp em seu Plano de Negócios, que é de 6,56%”.

A Tabela 28 sintetiza a proposta da Arsesp.

Tabela 28 - Projeção das despesas relacionadas ao Cofins/Pasep para o período de 2017 a 2020 (R$ mil dez/16)

Discriminação 2017 2018 2019 2020

Receita Operacional Bruta 13.426.577 13.787.992 14.165.354 14.538.837

Cofins/Pasep 881.153 904.871 929.637 954.147

Alíquota Cofins/Pasep* - % 6,56% 6,56% 6,56% 6,56%

* Média das alíquotas projetadas pela Sabesp para os anos 2017, 2018, 2019 e 2020 (PN-Sabesp).

Fonte: ARSESP. NTP/003/2017, p. 52 – Tabela 12.2

Considerações e Proposta SABESP:

A Sabesp destaca que a alíquota efetiva indicada no Plano de Negócios, para o perídio 2017- 2021, é uma estimativa com base nos valores verificados no passado recente.

Nesse sentido a Sabesp entende que o tratamento regulatório dado ao Pasep/Cofins não é o mais adequado em termos de neutralidade do repasse dessas despesas às tarifas finais. Isso ocorre, pois, a alíquota efetiva depende da evolução dos créditos desses tributos, que por sua vez depende de fatores não totalmente gerenciáveis pela empresa como preços de produtos químicos e de energia elétrica. Isso faz com que a alíquota efetiva anual varie ao longo dos anos, conforme está claro na própria NTP/003/2017, na página 52, reproduzido na Tabela 29.

74 Tabela 29 - Histórico das despesas relacionadas ao Cofins/Pasep - 2012 a 2016

Discriminação 2012 2013 2014 2015 2016

Receita Operacional Bruta - R$ mil 8.926.737 9.540.021 8.905.335 8.946.825 11.122.232 Cofins/Pasep 653.588 669.189 610.155 571.972 756.901 Alíquota Cofins/Pasep - % 7,32% 7,01% 6,85% 6,39% 6,81% Fonte: ARSESP. NTP/003/2017, p. 52 – Tabela 12.1

Nesse contexto, a Sabesp propõe que nos próximos reajustes haja um mecanismo de compensação financeira anual, de forma a manter a neutralidade das tarifas em relação a esses tributos, à semelhança do executado por outros reguladores. Essa proposta é detalhada no Anexo C ao final deste documento. Nela são apresentadas duas opções de reajuste anual, de modo a compensar a diferença entre alíquota efetiva média estimada e a verificada.

12 OUTRAS RECEITAS

Proposta ARSESP:

Em relação a este tópico, a Arsesp, na NTP/03/2017, faz análises para dois grupos: “receitas indiretas” e “outras receitas não operacionais”. Estas receitas são consideradas no fluxo de caixa para fins de modicidade tarifaria.

As “receitas indiretas” são aquelas obtidas pela empresa em decorrência da cobrança dos seguintes serviços adicionais ou complementares à prestação de serviços de saneamento básico, quais sejam:

- Ligações e religações de água e/ou esgoto; - Ampliações de redes de água e/ou esgoto;

- Conserto e reposição de caixas para abrigo de hidrômetros; - Reparos em redes de água e/ou esgoto;

- Acréscimo por impontualidade no pagamento das contas; - Vistorias, atestados e outros.

A Arsesp, na página 55 da NTP indica o critério de projeção dessas receitas:

“Nesta 2ª RTO, a Arsesp decidiu manter a sistemática utilizada na 1ª RTO. Portanto, para o próximo ciclo tarifário foram adotados os percentuais médios observados [de receitas indiretas em relação as receitas diretas] no ciclo tarifário anterior, que são de 1,86% para água e 1,27% para esgoto”.

Já as “outras receitas não operacionais” são aquelas auferidas pela empresa através dos seguintes eventos:

75 - Alienação de ativos; - Sucata; - Editais; - Multas e cauções; - Serviços Técnicos;

- Alienação e locação de imóveis; - Água de reuso;

- Projeto Pura – Programa de Uso Racional da Água.

A Arsesp na NTP, página 56, estabelece o critério de projeção:

“Como ainda não se dispõe de um sistema de contabilidade regulatória que permita a identificação dos custos compartilhados específicos para a obtenção dessas outras receitas não operacionais, a Arsesp manterá nesta etapa inicial da 2ª RTO o mesmo critério adotado na 1ª RTO, que considera a receita média observada nos últimos dois anos (2015-2016) como estimativa anual constante para o próximo ciclo tarifário. O valor anual reconhecido pela Arsesp para o período de 2017 a 2020 é de R$156.768 mil, que será deduzido das necessidades de receita, para fins de determinação da receita requerida”.

Considerações e Proposta SABESP:

A Sabesp ressalta que as “outras receitas não operacionais” que serão revertidas para a modicidade tarifária devem ter custos associados cobertos pelo OPEX previsto no FCD. Esse entendimento é dado pela Arsesp e está claro na NT RTS/004/2014, na página 59:

“A partir da análise dessas contas [de outras receitas não operacionais] a

ARSESP identificou aquelas para as quais existem custos compartilhados com os serviços de água e esgoto, já incluídos no OPEX e considerados no P0, [...]”. (Grifo nosso)

No entanto, a Agência incluiu todas as outras receitas não operacionais da Sabesp, sem a consideração proposta pela própria agência na 1ª RTO.

Para esclarecer melhor sobre o tema, na Tabela 30 seguem todos os itens de outras receitas não operacionais da Companhia, separadas entre aqueles que compartilham custos com os serviços de água e esgoto e as que não. Adicionalmente, a Tabela 30 também apresenta os valores, atualizados para dezembro de 2016, referentes aos itens de receitas.

76 Tabela 30 – Outras Receitas não Operacionais (R$ mil dez/16)

Custos no P

0 Tipo 2013 2014 2015 2016

Locação de Imóveis Não Aluguel 1.271 472 3.402 1.686 Bens Imóveis Não Venda 0 0 53.595 974 Sucata Não Venda 9.819 5.694 2.110 1.468 Indenizações e Ressarc.

Desp. Não Indenizações 7.852 7.172 6.980 8.982 Multas e Cauções Não Indenizações 8.865 39.556 25.785 6.573 Recup. de Despesas Proc.

Judiciais Não Indenizações 0 384 5 137 Prescrição de Valores Não Financeira 17.182 17.867 10.111 - 534 Doações Não Outros 7.887 10.878 55.073 27.584 Outras Receitas Op. EAED* Não Outros 0 0 1.080 0 Água de reuso Sim Serviço 817 418 488 504 Editais Sim Serviço 275 632 479 488 Serviços Técnicos Sim Serviço 253 204 167 151 Permissão de Uso Sim Serviço 0 51 50 51 Projeto PURA Sim Serviço 4.007 29.026 5.315 749 Sanebase Sim Serviço 0 288 194 74 CASAL Sim Serviço 3.735 598 - - CESAN Sim Serviço 0 625 51 56 Prestação de Serviços

(Terceiros) Sim Serviço 0 8.724 0 0 Panamá Sim Serviço 2 0 0 0 Honduras Sim Serviço 556 0 0 0 Outras Sim Outros 20.038 35.595 70.807 28.905

Total 82.560 158.184 235.692 77.846

(*) Empresa de Água e Esgoto de Diadema (EAED), que foi incorporada pela Sabesp em 2015.

Em geral, os itens que compartilham custos com os serviços regulados são serviços prestados pela Sabesp a terceiros – uma vez que eles utilizam a mão de obra especializada da Companhia ou são frutos de trabalhos executados por ela. Entre eles, por exemplo, estão serviços prestados a outras empresas de saneamento e em parceria com o Governo Estadual, como o projeto Sanebase.

Para os demais casos, os custos necessários para a obtenção dessas “outras receitas” não são reconhecidos no FCD (entre os itens do OPEX ou CAPEX) do P0. Por exemplo, receitas de alugueis

e alienação de imóveis já que – por definição – os imóveis da Companhia que não são utilizados para os serviços regulados não podem compor a BRR e ser remunerados e reintegrados pelas tarifas. Também não têm seus custos reconhecidos as receitas associadas a multas e ressarcimentos, já que os custos pertencentes ao OPEX são os eficientes e não consideram a existência de perdas ou danos à Companhia.

77 Ainda, ao avaliar os valores apresentados na Tabela 30 nota-se a grande variação ocorrida entre os lançamentos de cada uma das contas, em especial do ano de 2015 – ano da crise hídrica – quando a Sabesp auferiu receitas distintas da média histórica com alienação de bens imóveis e doações. Em 2014, também em função da crise, houve uma grande demanda pelo Projeto PURA que foi adquirido por terceiros. Como a Companhia não espera que tais valores voltem a se repetir no próximo ciclo, não seria prudente por parte da Arsesp considerar eles para as projeções contidas no FCD do 2º ciclo.

Adicionalmente, sobre este tema a Sabesp reitera sua opinião que as receitas dos outros serviços não operacionais não devem ser plenamente revertidas a modicidade tarifária, segundo o regime de regulação por incentivos. Entende-se que a Agência deve permitir que a empresa regulada se aproprie de parte do benefício (i.e. receita) advindo do desenvolvimento dessas atividades não reguladas. Caso contrário, a empresa não terá incentivos suficientes para realiza- las, comprometendo assim não só a eficiência alocativa como também a pretendida modicidade tarifária. Em especial, deve-se apoiar o desenvolvimento de serviços em benefício da população e que permitam o melhor aproveitamento do conhecimento presente na Companhia e os ganhos de economia de escopo, como a venda de água de reuso e serviços técnicos. Mas, ao reverter totalmente as receitas previstas com esses serviços, a Agência está desestimulando a execução delas, pois não há possibilidade de lucro adicional para a empresa ao realizar atividades fora das atividades reguladas.

A Arsesp na sua proposta de reverter todas as outras receitas não operacionais à modicidade tarifária está, inclusive, ignorando as cláusulas do contrato com o município de São Paulo para definição de parâmetros, conforme o trecho reproduzido:

“DOS SERVIÇOS COMPLEMENTARES E ALTERNATIVOS E DOS PROJETOS OU EMPREENDIMENTOS ASSOCIADOS

Cláusula 18. A SABESP poderá explorar outras atividades ou serviços complementares ou alternativos, assim como participar dos projetos associados, desde que tal exploração:

a) não comprometa os padrões de qualidade dos SERVIÇOS; b) não acarrete prejuízo à normal prestação dos SERVIÇOS;

c) não seja incompatível com o objeto do CONTRATO, observada a legislação em vigor, inclusive as leis regentes das atividades e serviços da SABESP.

Parágrafo único. Quando essas atividades envolverem o uso de BENS VINCULADOS, a Arsesp deverá considerar no máximo 35% (trinta e cinco

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por cento) do lucro líquido, descontados Imposto de Renda e Contribuição Social obtidos na atividade mencionada nesta Cláusula 18, para fins de modicidade tarifaria, conforme normas procedimentais fixadas; quando essas atividades envolverem o uso de BENS NÃO VINCULADOS aos SERVIÇOS, a SABESP devera suportar os ônus e benefícios da operação, sem qualquer impacto no equilíbrio econômico-financeiro do CONTRATO.” (grifo nosso)

Nesse contrato, tem-se que quando há compartilhamento de bens entre as atividades reguladas e não reguladas, 35% do lucro líquido deve ser considerado para modicidade tarifária. E quando não há compartilhamento de bens, a Sabesp se torna detentora de todo o ônus e bônus da atividade, ou seja, não há nenhum compartilhamento entre receitas de outras atividades.

Devido à falta de informações precisas sobre os custos das atividades não reguladas que compartilham custos sugere-se que 50% das receitas com serviços de consultoria prestados pela empresa serão revertidos à modicidade tarifária.

De acordo com esse entendimento descrito, a Sabesp solicita que Arsesp reveja os itens de receita revertidos a modicidade tarifaria e considere um fator de compartilhamento de 50 % do valor.

79

A

NEXO

A

T

RATAMENTO DOS

I

NVESTIMENTOS PARA O

C

ÁLCULO DO