HOSPITAIS Nº TOTAL LONDRINA NORTE PR. OUT. MUN. PR. OUT. ESTADOS (%)
AMOSTRAG. (%) (%) (%) (%) Santa Casa 4.825 91,29 8,25 0,04 0,42 100,00 Hosp. Evangélico 809 77,50 21,88 0,12 0,50 100,00 Hosp. S. Leopoldo 297 68,01 31,65 0,34 - 100,00 Hosp. Infantil 336 84,23 15,48 0,29 - 100,00 TOTAL 6.267 88,03 11,50 0,08 0,39 100,00
Outra características que podemos apontar refere-se ao fato de que, já em 1968, muitas pessoas se dirigiam a Londrina para algum tipo de tratamento de saúde, comprovando sua função de centro regional quanto aos serviços médico-hospitalares.
Esta dependência crescente aos serviços de saúde prestados por Londrina é reflexo da mudança no perfil dos atendimentos médico-hospitalares, havendo maior presença do meio técnico-científico-informacional no setor, gerando maior centralização do atendimento.
Como destacou Castells (1999) os serviços de saúde representam um excelente exemplo da dialética emergente entre a concentração e a centralização relacionada aos atendimento de usuários.
“Por um lado, sistemas especializados, comunicações on-line e transmissão de vídeo de alta resolução permitem a interconexão de assistência médica à distância. (...) Por outro lado, na maioria dos países os principais complexos médicos surgem em locais específicos, em geral, nas grandes áreas metropolitanas. Normalmente organizados em torno de um grande hospital, com freqüência conectados a faculdades de medicina e enfermagem, incluem em sua proximidade física clínicas particulares chefiadas pelos médicos mais importantes do hospital, centros radiológicos, laboratórios para exames, farmacêuticos especializados e, não raramente, lojas de presentes e funerárias para atender a toda a gama de possibilidades.”64
Estes complexos médicos expressam de forma clara a importante força cultural e econômica presentes nas cidades onde estão localizados.
Neste sentido, o município de Londrina foi aquele que apresentou, nos últimos anos, um acentuado dinamismo de expansão no setor de saúde, podendo ser observado empiricamente a concentração deste tipo de serviço em algumas áreas da cidade, bem como constata-se uma concentração de serviços de apoio diagnóstico e terapêuticos ao redor dos grandes hospitais.
Em Londrina podemos claramente localizar dois destes complexos médicos que na verdade devido à sua extensão, acabam se tornando um único. Estamos nos referindo aos adensamentos que compreendem as proximidades da Santa Casa em particular na avenida Souza Naves, que se estende até o outro complexo formado pela concentração do Hospital
Bandeirantes.65
Com efeito, como estamos tentando demonstrar, estes fatores geram um intenso fluxo de pessoas que convergem para Londrina à procura de atendimentos ligados aos serviços de saúde.
4.3.1- Espacialização das internações pelo S.U.S
Preocupado com a atual situação do sistema de saúde regional, o superintendente da Autarquia Municipal de Saúde, em entrevista ao Jornal Folha de Londrina, ressaltou que falta uma melhor distribuição dos recursos do S.U.S por parte do Governo Federal e às autoridades municipais maior empenho na busca destes recursos, como também na procura de soluções para os problemas que afligem a saúde pública local.
Visando minimizar a superlotação e o estrangulamento dos hospitais de Londrina, no início de março de 1999, vereadores de Londrina, Cambé, Ibiporã, Arapongas e Rolândia assinaram um documento que foi encaminhado ao governador do estado, no qual solicitam a reabertura do Hospital Londrina, situado em Cambé e desativado no final de 1997. A intenção é do hospital atender, sobretudo pelo S.U.S, passando a funcionar como um “filtro”, uma vez que antes de encaminhar pacientes para Londrina, estes seriam atendidos neste hospital.
Entretanto, até hoje este impasse ainda permanece sem solução, isto é, as secretarias municipais e regionais não puderam informar como será o desfecho desta “história” que parece ainda estar em seus capítulos iniciais.
Segundo divulgou a imprensa, antes de fechar, o Hospital Londrina tinha um custo mensal médio de R$ 250 mil com plantão e laboratório. Como a reativação envolve uma
64CASTELLS, M. A sociedade em rede. 2.ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999. v.1, p.421-2. 65
Para saber mais sobre a tendência à concentração e centralização dos serviços médico-hospitalares, consultar a dissertação de Raul B. Guimarães “O transbordar do hospital pela cidade: tecnologia, saúde e produção do espaço”. FFLCH/USP, 1994.
questão política, econômica além de interesses dos mais variados tipos, fica realmente difícil prever quando e como será solucionado este problema.
O aumento do tamanho demográfico das cidades, reflete diretamente no crescimento da demanda por serviços médicos. A população de Londrina e região, após muitos anos de espera, em 1994, passou a contar com o Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Londrina, que presta atendimentos ambulatoriais, vindo a suprir um pouco da defasagem entre procura e oferta dos serviços médico-hospitalares que atingia, especialmente, a população de baixa renda.
No entanto, a realidade da saúde pública na região norte-paranaense é bastante crítica. Para se ter uma idéia, em 26 de dezembro de 1999 o Hospital Evangélico fechou seu pronto socorro para os pacientes do S.U.S.66 Nos primeiros dez dias desta paralisação, a média diária de pacientes atendidos no Hospital Universitário saltou de 200 para 250. Com efeito, em 06/01/2000 no H.U., todos os leitos do hospital estavam lotados e havia 37 pacientes em macas, bancos e sofás e mais 36 em leitos de observação, aguardando uma vaga para serem removidos. Desabafo do superintendente do H.U retrata o caos que se instalou na cidade “trabalhar com 20 a 30 macas é rotina, mas com quase 40, aí fica impossível administrar o hospital.”
Outro exemplo desta problemática poderá ser verificado ao se consultar uma reportagem de 08 de abril de 2000, publicada pelo Jornal de Londrina, na qual são apresentados alguns depoimentos de moradores que participaram de uma enquete, quando expressaram suas insatisfações perante ao sistema público de saúde londrinense.
Neste contexto, vale lembrar que, a partir de dezembro de 1995, a Prefeitura Municipal de Londrina passou a auto-gerenciar os recursos provenientes do Sistema Único de Saúde. Deste modo, junto a Diretoria de Auditoria, Controle e Avaliação - DACA, departamento encarregado de fiscalizar e acompanhar mais de perto a documentação dos atendimentos, conseguimos levantar o total de pacientes internados pelo S.U.S, no conjunto dos hospitais de Londrina, entre os anos de 1998 e 2000. Como registro, no anexo “F” (página
66
Depois de várias semanas sem atender pacientes do S.U.S. em seu pronto socorro, o Hospital Evangélico foi descredenciado para este tipo de atendimento. Hoje, este hospital somente realiza internações por intermédio deste convênio.
internados mês a mês, no decorrer desses três anos.
Desta forma, com a finalidade de entendermos um pouco mais a dinâmica dos fluxos originados por meio dos atendimentos médico-hospitalares na Aglomeração Urbana de Londrina, apresentamos a tabela 23 e a figura 27.
A princípio verificamos que estas informações vêm praticamente confirmar aquelas já apresentadas, as quais se referiam às internações realizadas exclusivamente no Hospital Universitário. No entanto, é possível constatar uma análise mais contundente, em especial quanto à procedência de pacientes originários de Ibiporã e Rolândia.
Neste sentido, observa-se que, embora Ibiporã participe deste fluxo com um número de pacientes duas vezes maior que Rolândia, a quantidade de doentes vindos deste último município aumentou em 43%, nestes três anos, ao passo que o deslocamento de pacientes residentes em Ibiporã cresceu 27%, ou seja, cerca de um terço a menos que Rolândia.
Acreditamos que uma parcela dos pacientes de Rolândia dirigem-se ao município vizinho, Arapongas. A distância entre estes dois municípios é praticamente a metade que aquela apresentada entre Rolândia a Londrina. Ressaltamos que a cidade de Arapongas é do porte de Cambé, mas como não abarca a área de pesquisa, não podemos apresentar dados que comprovem esta nossa hipótese.
Em contrapartida, o fluxo de pacientes internados em Londrina cuja origem seja o município de Cambé permaneceu praticamente estável, isto é, em 2000 foram internados apenas 52 pacientes cambeenses a mais que em 1998.
Nesta tabela ainda pode ser observado o fluxo de pacientes originado de outras cidades que compõem a 17ª Regional de Saúde (R.S.), as quais remeteram em 2000, 19,6% doentes a mais que em 1998. Contudo, os deslocamentos vindos de outras R.S. diminuíram em 31,6% nos últimos três anos.
TABELA 23 - LONDRINA: PROCEDÊNCIA DOS PACIENTES