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3.5 Comparação com Dados Experimentais

3.5.2 Talco

A Ąm de investigar a dependência da energia de curvatura, Ñ, com o número de ca- madas em materiais 2D, nós empregamos talco de poucas camadas em vez de grafeno porque dobras em talco são mais fáceis de serem observadas e manipuladas. Uma dobra muito regular em um Ćoco de talco de 5,41 nm de espessura, cuja geometria se encaixa muito bem a geometria ideal do modelo proposto, é mostrada no painel superior da Ągura (15). O painel inferior da mesma Ągura mostra as medidas de força na dobra mostrada no painel superior como função da deformação. Pode-se ver que o modelo, a curva ver- melha, se encaixa muito bem aos resultados experimentais, mesmo para grandes valores de deformação, onde os efeitos não descritos pelo modelo, como a deformação da ponta e a diminuição da distância entre camadas, seriam esperados. Assim, adotamos o valor de Ð obtido para a dobra mostrada na Ągura (15), 2, 05 N/m, como nosso valor padrão

para a energia de descolar o talco e a empregamos como parâmetro Ąxo aos nossos demais dados experimentais de talco (mostrados na Ągura (16)). Então, para estes demais perĄs de altura obtidos experimentalmente, o único parâmetro ajustável em todas as curvas mostradas na Ągura (16) é a energia de curvatura, Ñ.

Figura 15: Painel superior: imagem de AFM de uma dobra em talco com cerca de 5 camadas, ℎ = 5, 41��. Painel intermediário: vista em perspectiva da dobra de talco mostrada no painel superior. Painel inferior: curva Força Vs Deformação da dobra mostrada no painel superior obtida por AFM, círculos pretos. A curva vermelha é o ajuste dos pontos experimentais através da equação (3.20). Ð e Ñ são parâmetros ajustáveis, enquanto ℎ e � = 2�0⊗ � são obtidos através do perĄl de altura da imagem de AFM. A partir do encaixe, obtemos a energia de descolar o talco, Ð = 2, 05 N/m e a energia de Ćexão Ñ = 105, 0 nN/nm.

Apesar de ter apenas um parâmetro ajustável o modelo se aplica bem aos pontos expe- rimentais como mostrado ao longo dos painéis da Ągura (16), para dobras com uma ampla gama de espessura, ℎ. A dependência de Ñ com a espessura dos Ćocos, é melhor vista no gráĄco de ln(Ñ) Vs ln(ℎ) mostrado no painel superior da Ągura (17). O gráĄco sugere dois regimes distintos: (i) Ñ ∝ ℎ1,36 para dobras cujo número de camadas vai até sete

(1, 18 ⊘ ℎ ⊘ 7, 4 nm); e (ii) Ñ ∝ ℎ3,82 para dobras cujo número de camadas é maior que

Figura 16: Força versus deformação para várias dobras em talco.

Ñ ∝ ℎ seria o esperado, assim o expoente 1, 36 sugere um regime em que o movimento

número de camadas é maior que sete (Ñ ∝ ℎ3,82) sugere, que o Ćoco se comporta como

um material rígido onde as camadas não podem deslizar entre si.

Figura 17: ��(Ñ) versus ��(ℎ).

Se assumirmos por simplicidade, 2�0 >> � na equação (3.4) e utilizando o resultado

encontrado de � (equação (3.5)) podemos obter uma expressão analítica para �0 conside-

rando, �0 = �

Ñ

Ð. Logo, a expressão (3.4) Ąca:

= ÐÞ�Ñ Ð + ÑÞ� ⊗1 ︃ Ð Ñ + ︀ ︀2 ︃ 2 √3 ︀ ︁Ð Ð + ÑÐ ⎞ ︀ ︀ ︀ 1 2 = Þ�ÑÐ+ Þ�⊗1︁ÐÑ+ ︀ ︀2 ︃ 2 √ 3 ︀ ︁ √ 3︁ÑÐ+ ︃ 1 3 ︁ ÐÑ ⎞ ︀ ︀ ︀ 1 2.

Passando √ÐÑ para o outro membro da equação temos,

ÐÑ = Þ� + Þ� ⊗1+ ︀ ︀2 ︃ 2 √ 3 ︀ ︁ √ 3 + ︃ 1 3 ⎞ ︀ ︀ ︀ 1 2 ÐÑ = Þ� + Þ� ⊗1+ 4, 96�12

na qual dividindo tudo por Þ dá:

ÞÐÑ = � + �

⊗1+ 1, 58�1

Chamando

ÞÐÑ = �(�) e encontrando seu mínimo ( �� (�)

�� = 0) obtemos:

1 ⊗ �⊗2+ 0, 79�⊗1

2 = 0. (3.22)

Para resolver a expressão (3.22) iremos chamar �⊗1

2 = �. Desta forma teremos: 1 ⊗ 4+ 0, 79� = 0 da qual, resolvendo pelo método descrito por Scal et al (93) encontramos

= 1, 18 (única raiz real e positiva) que nos leva a � = 0, 72. Assim, �0 analítico é:

0 = 0, 72

Ñ

Ð. Isso nos dá, usando

Ñ

Ð = 7Å para o grafeno do trabalho de A. L. de Lima

e colaboradores (33), um raio para o meio tubo, �0 ≡ 5Å, concordando com nosso valor

encontrado na seção 3.2.

Usando as curvas Ñ(ℎ) mostradas nos painéis superiores da Ągura (17), podemos obter

0(ℎ) para os dois regimes, ou seja, �0(ℎ) = 3, 98ℎ1,36/2 e �0(ℎ) = 0, 43ℎ3,82/2. O painel

inferior da Ągura (17) mostra a comparação destas previsões com os valores de �0(ℎ)

obtidos a partir do perĄl de altura experimental. A boa concordância destes resultados, apesar da suposição 2�0 >> �, dão suporte extra à capacidade do modelo em prever

as características da geometria das dobras e corrobora os resultados mostrados no painel superior da Ągura (17) que sugerem dois regimes para a energia de curvatura (Ñ) em relação a espessura (ℎ) dos Ćocos.

4 Furos em Grafeno e em Nitreto de Boro

Hexagonal: Efeito do Precursor e da Ter-

minação da Borda

4.1 Introdução

Grafeno e nitreto de boro hexagonal (h-BN) com furos são candidatos promissores a aplicações tecnológicas de supercapacitores, Ąltragem e dessalinização de água (95). Neste trabalho, investigamos o uso de estruturas híbridas destes (h-BCN, que pode ser tanto o grafeno dopado com h-BN ou o contrário) como precursores para a formação de grafeno e h-BN furados (Seção 4.2). A motivação desta linha reside no fato de que fases de h-BN em graĄte (e vice-versa) com as mais variadas formas foram sintetizadas recentemente e que é possível corroer uma das fases obtendo h-BN ou grafeno furado (66). Foi veriĄcada a estabilidade energética de furos em grafeno e h-BN pristine (Seção 4.3) e continuando, investigamos bordas de furos com diferentes tipos de terminações e comparamos sua estabilidade com furos com bordas hidrogenadas (Seção 4.4) pois o H é um excelente agente estabilizador (96).

Os modelos empregados neste trabalho para representar o grafeno e o h-BN con- sistem em supercélulas retangulares (Ąguras (20) e (18)) periódicas cujos vetores de rede são: ⃗�1 = 12�^� e ⃗�2 = 6�

3^�, em que � é um valor intermediário entre os comprimen- tos de ligação � ⊗ � e � ⊗ � em suas respectivas redes hexagonais. Enquanto isso, a rede de supercélulas mostrada na Ągura (23): ⃗�1 = 18�^� e ⃗�2 = 10�3^�. Para simular

apenas uma monocamada de grafeno ou de h-BN foi utilizado uma grande separação no eixo Z para evitar interações entre a estrutura e sua imagem periódica. Já ao longo dos demais eixos, X e Y o comprimento do sistema é Ąnito com condições periódicas de contorno proporcionando a interação da estrutura com sua imagem periódica simulando monocamadas inĄnitas. Toda otimização de geometria e cálculo de estrutura eletrônica foram feitos utilizando o código computacional SIESTA (97), que possui base na teoria do funcional da densidade (DFT) descrita no capítulo Metodologia. Os detalhes técnicos dos cálculos estão no apêndice F.0.2.

4.2 Energia de Formação de Furos a Partir de Estruturas de h-BCN

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