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2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Tamanho de partículas

2.1.7 Tamanho de partículas e desempenho de vacas leiteiras

A literatura sobre a influência do TTP da forragem sobre a produção de leite apresenta resultados bastante variáveis (ALAMOUTI et al., 2009; YANG; BEAUCHEMIN, 2007). Nos trabalhos com resposta positiva em volume de leite à menor TTP, a resposta ocorre normalmente associada ao aumento do CMS

(ALAMOUTI et al., 2009; FERRARETTO; SHAVER, 2012a; TEIMOURI YANSARI et al., 2004).

Yang e Beauchemin (2006) avaliaram o efeito da variação do TTP de dietas contendo silagem de milho como única forragem sobre a ingestão, mastigação, pH ruminal, síntese de proteína microbiana, digestibilidade e produção de leite. No mesmo experimento, os autores avaliaram a efetividade de métodos de mensuração do peFDN para formulação de dietas. Os teores de peFDN (maior que 8 e 1.18 mm) foram calculados de duas formas. A primeira foi obtida multiplicando o teor de MS em cada peneira pelo teor de FDN total da amostra (proporção de MS retida em cada peneira x FDN da amostra total) obtendo-se o peFDN>8 ou peFDN>1.18 e a segunda forma pela mensuração do teor de FDN em cada peneira (proporção de MS retida em cada peneira x teor FDN em cada peneira) obtendo-se o peFDN>8-FDN e peFDN>1,18-FDN. O delineamento foi em quadrado latino 3 × 3, utilizando seis vacas canuladas com 120 ± 63 dias em lactação. O milho planta inteira foi colhido com 40% de MS. A abertura entre os processadores de grãos da colhedora automotriz foi de 2 mm e os TTPs foram: 28,6 mm (LONGO), 15,9 mm (MÉDIO) e 4,8 mm (CURTO). As proporções de partículas (% da MS) acima de 8 mm das dietas foram: 55,5, 48,5 e 32,2 para as dietas LONGO, MÉDIO E CURTO respectivamente. Os teores de peFDN>8mm e peFDN>1,18 das dietas foram: 22,2 e 34,1% (LONGO); 18,8 e 32,3% (MÉDIO); 11,9 e 32,4% (CURTO). Não foi detectado efeito de tratamentos sobre o CMS (24 ± 1 kg/d). A produção de leite foi 1,1 kg/d maior no tratamento MÉDIO comparado ao CURTO (32,1 vs. 31,0 kg/d = 0,04). A eficiência de crescimento microbiano (g/kg de matéria orgânica ingerida) e a secreção de alantoína na urina (mmoles/d) foram 32% e 12% maiores para o tratamento com TTP MÉDIO. A digestibilidade da FDN no trato digestivo total tendeu a aumentar de forma linear com o aumento do TTP. Houve aumento linear nos tempos diários de ruminação e mastigação com aumento no teor de

peFDN>8 da dieta (P < 0,01), enquanto houve apenas tendência de aumento em resposta ao teor de peFDN>1.18 (P = 0.14). Os autores concluem que o aumento do TTP da silagem de milho proporcionou aumento no teor de peFDN, afetando positivamente o desempenho e saúde ruminal de vacas leiteiras. Além disso, a utilização do SPPS com apenas duas peneiras (19 e 8 mm) descreve de forma suficiente o potencial da dieta em estimular a atividade mastigatória.

Yang e Beauchemin (2007b) avaliaram o efeito da variação da ingestão de FDN fisicamente efetivo sobre a digestibilidade e a produção de leite. Os tratamentos foram formados por variação no teor dietético de silagem de alfafa (35 ou 60% da MS da dieta) diferindo no TTP (7,9 ou 19,1 mm). O teor de peFDN>8 foi determinado a partir da soma da proporção na MS da dieta retida nas peneiras de 8 e 19 mm SPPS ou nas peneiras de 1,18, 8 e 19 mm, multiplicado pelo teor de FDN da dieta. Os teores de peFDN>8 das dietas com TTP curto e longo foram de 11,7 e 19,8 (% da MS da dieta) respectivamente. O maior teor de forragem deprimiu em 9% o CMS e 46% de amido em 46%, mas aumentou o consumo de FDN em 53%. A digestibilidade da MS no trato digestivo total não foi afetada, enquanto a digestibilidade da FDN foi maior na dieta com mais forragem. A dieta de baixa forragem deprimiu o desempenho leiteiro, mas a produção de leite corrigida para 4% de gordura foi semelhante. Variação no TTP da forragem não afetou a produção de leite dos animais. O aumento no teor de peFDN de dietas baseadas em silagem de alfafa de 11,7 para 19,8% da MS teve efeito positivo sobre a digestibilidade da FDN, mas não determinou o desempenho leiteiro.

Ferraretto e Shaver (2012a) avaliaram o desempenho de vacas leiteiras alimentadas com dietas contendo silagem de milho colhida com sistema Shredlage (SHRD; Shredlage LLC, Oskaloosa, EUA) ou colhida de forma convencioal (KPCS). A silagem KPCS foi colhida com sistema de processadores de grãos convencionais com abertura de 3 mm e TTP de 19 mm. A silagem

SHRD foi colhida utilizando um processador com ranhuras nos rolos e com abertura de 2,5 mm e configurado para TTP de 30 mm. Cento e doze vacas formaram grupos de 14 animais com base nos dias em lactação, produção de leite e paridade e foram distribuídas aleatoriamente em 14 baias com oito vacas por baia. Cada baia recebeu um tratamento por oito semanas, após um período de padronização de duas semanas (total de 10 semanas). As dietas experimentais continham 50% de silagem de milho (KPCS ou SHRD), 10% de silagem de alfafa e 40% de alimentos concentrados. A silagem SHRD tendeu a aumentar o CMS (0,7 kg/d) e a produção de LCG (1,0 kg/d). Houve interação entre tratamento e semana para a variável produção de LCG, maior nas semanas quatro, seis e oito no tratamento SHRD. A degradação ruminal in situ do amido foi maior para a silagem SHRD.

Nasrollahi, Imani e Zebeli (2015) conduziram uma meta-análise para avaliar o efeito do TTP da forragem sobre o consumo de nutrientes, a digestibilidade da MS e a produção de leite. Os dados foram oriundos de 45 artigos e 95 experimentos (após exclusão de todos os trabalhos que não continham informações necessárias) publicados entre 1998 e 2014. Os consumos de MS e FDN aumentaram com redução no TTP da forragem (0,527 e 0,166 kg/d respectivamente), mas a digestibilidade do FDN caiu 0,6% com aumento TTP. Entretanto, maior CMS em resposta à menor TP da forragem ocorreu apenas quando as dietas continham mais de 50% de silagem na MS. A digestibilidade FDN foi maior quanto menor foi o TP de fenos. O menor TTP aumentou as produções de leite e proteína (0,541 e 0,02 kg/d respectivamente) e reduziu o teor de gordura do leite, resultando em volume similar de LCG. Estes dados sugerem que a atuação sobre o TP da forragem pode determinar o CMS e produção de leite, mas os efeitos dependem do tipo de forragem e teor na dieta.

2.1.8 Tamanho de partículas e processamento de grãos da silagem de milho

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