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33tanto os instrumentos utilizados foram desde entrevistas

semi-estruturadas, observações, questionários e uma atividade de bricolagem5. Nossa pesquisa foi realizada dentro de um grupo de 12 professores de Arte, dentre um total de 21 que trabalham em Escolas Municipais de Ensino Fundamental - EMEFs de Aracaju.

Os procedimentos permitiram desenvolver nosso trabalho promovendo a verificação da questão investigada junto aos sujeitos da pesquisa: professores de Arte da Rede Municipal de Aracaju, a articuladora da hora de estudo dos professores de Arte e o consultor da proposta curricular de 2007. A Rede possui 406 escolas com Ensino Fundamental de 5ª a 8ª série ou 6º ao 9º ano, com 23 professores, destes são 17 formados em Educação Artística - habilitação em Desenho ou

Licenciatura em Artes Visuais, 2 deles estão cedidos um para a Galeria Álvaro Santos e o outro para o CAP – Centro de Atendimento Psicossocial, portanto junto as escolas temos 21 professores e conseguimos contato com 12 deles (lista de escolas e lista de professores nos anexos 1 e 4 respectivamente).

A partir do desenho da pesquisa, evidencio a noção de que estamos construindo fatos impregnados de sentido,

para interpretá-los, foram realizadas diversas entrevistas, no intuito de deixar que o ator cultural revele, dê sentido e significado a nossa realidade. A análise destas entrevistas tentou enfocar a produção de sentido, para evidenciar as contradições do cotidiano social, as ambivalências e contradições da Arte no currículo em Sergipe.

Espero que este texto se preste a um intercâmbio de experiências sobre a organização da Arte no currículo a partir do desenvolvimento de linhas teóricas que fundamentam as questões aqui envolvidas.

Um dos aspectos mais importantes de uma pesquisa qualitativa para Denzin(2006), envolve o domínio muitas vezes negligenciado da interpretação das informações. Assim, a busca pela compreensão é um aspecto

fundamental da existência humana, pois o encontro com o não familiar sempre exige a tentativa de fazer sentido, de compreender. Todavia o mesmo ocorre

com o familiar. Na verdade, como no estudo de textos geralmente conhecidos, acabamos descobrindo que às vezes o familiar pode ser visto como o mais estranho. (2005, p. 287)

Dessa forma, considerando que tenho como objeto

A noção de bricolagem é definida por Lévi-Strauss em O

Pensamento Selvagem. Para ele o bricoleur utiliza os meios

(matérias primas, instrumentos) que tem à mão, sendo auxiliado pelo repertório cuja composição desvia das normas de arte, sendo singular e excêntrico. É o trabalho feito a mão e neste caso podendo ser entrelaçado com desenhos, colagens, palavras, poesias, música e até pequenos objetos. A quantidade de escolas foi um dado fornecido pela SEMED, através da Coordenadora da Hora de Estudo, prof.ª Tânia Cristina Maciel em 30 de janeiro de 2007.

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de estudo a organização curricular da Arte nas escolas de Aracaju, algo que ao mesmo tempo nos parece muito familiar e muito estranho, é minha intenção investigar, a partir da hermenêutica, que interpretações estão sendo dadas a ele. Isso me permitirá produzir um tipo de conhecimento que seja reconhecido como científico e evitará que a familiaridade ou a estranheza presente neste me leve a banalizá-lo ou deixar que o banalizem.

A hermenêutica da linguagem escrita, que consiste na Arte de interpretar um texto específico7 está limitada à visão de mundo do intérprete. A relação privilegiada da hermenêutica com as questões de linguagem vem do caráter polissêmico das palavras: “Este traço de nossas palavras de terem mais de uma significação quando as consideramos fora de seu uso em determinado contexto”. (RICOEUR, 1990, p. 19) Elegi a metáfora do tecido, da trama das conexões, da rede, não só como imagem interessante na contemporaneidade, mas com o entendimento que a realidade é dinâmica e possui várias conexões. Ver o currículo como processo social é mais complexo do que o currículo como documento escrito. Toda a cultura da humanidade se expressa simbolicamente e todo conhecimento é decifração dessa teia simbólica.

Vale lembrar que Ricoeur estendeu a noção de texto para qualquer tipo de discurso ou registro, seja oral, visual ou escrito.

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Num dos canteiros, entre uma longa folha lanceolada de um lírio rajado e um galho fino e espinhento de uma buganvília, esticava-se um único fio, tênue, transparente, quase invisível. Por ele andava uma aranha.

Luísa me explicou:

– Mãe, eu vi a hora em que ela começou. Pensei que ela estava caindo, porque aranha não voa. Mas ela estava presa no fio e pulou até bem longe, como se estivesse voando, pendurada...

Nesse momento, não caía mais. Subia pelo fio. Até certo ponto, apenas. De repente parou

e se jogou de novo no espaço, agora para cima, mais uma vez deixando um fio no seu rastro, mas numa direção

completamente diferente. Até alcançar outra folha. Depois voltou novamente pelo fio e retomou o processo. Percorria uma certa distância, mudava de direção, lançava-se no vazio secretando das entranhas o fiapo que a sustentava, fixava-o em algum ponto de apoio, retomava parcialmente o caminho percorrido... Seguia com firmeza um plano matemático rigoroso, como quem não tem dúvida alguma sobre o que está fazendo.

Luísa e eu ficamos assistindo, maravilhadas. De início, manifestávamos nossa admiração com alguns comentários exclamativos. Mas logo nos sentamos no chão e apenas ficamos lado a lado em silêncio, como quem reza ou medita. Durante quase uma hora. Até termos diante dos olhos a geometria exata e rigorosa de uma teia de aranha completa.

Saímos dali encantadas, de mãos dadas. Luísa cantarolou um trecho de Oriente, de Gilberto Gil, canção que não era da sua geração mas ela conhecia, por fazer pArte do repertório do pai, músico:

A aranha vive do que tece Vê se não esquece...

Mas em geral não precisávamos falar. Acabávamos de compartir uma experiência intensa,

muito maior do que qualquer palavra. Íamos falar do quê? Apenas exercer nossa necessidade de controle sobre a natureza, nomeando e atribuindo significados? De minha pArte, eu não tinha vontade de dizer nada. Embora imaginasse que Luísa fosse perguntar algo. E soubesse que então eu teria que responder, talvez falar em instinto e introduzir alguma tentativa científica de explicação para o inexplicável.

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o momento com isso. Viveu-o intensamente como uma participação, um fazer pArte.

Um contato com algo vago e indefinível, irredutível a palavras. Algo simples e raro: a vivência de uma sensação de pertencer a uma totalidade, uma percepção próxima daquilo que

os orientais chamam de Tao. Algo indefinível e que não pode ser posto em palavras.

No máximo, alude-se ao Tao em pequenos poemas dos livros filosóficos, como o Tao Te Ching. Um deles, o do capítulo seis, pode ilustrar vagamente de que se trata:

O Tao

É o sopro que nunca morre. É a Mãe de Toda Criação. É a raiz e o chão de toda alma – a fonte do Céu e da Terra, minando. Fonte sem fim, rio sem fim

Rio sem forma, rio sem água Fluindo invisível de um lugar a outro ...nunca termina

e nunca falha.

De alguma forma, Luísa e eu sabíamos que, diante do inefável, não precisávamos dizer nada. Deitamos na rede com um cobertor e ficamos algum tempo aconchegadas em silêncio.

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