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Tarefa de avaliação do desempenho em leitura

Parte II O estudo

4. Método e procedimentos

4.2. Instrumentos e procedimentos

4.2.1. Seleção de participantes

4.2.2.2. Tarefa de avaliação do desempenho em leitura

Essa tarefa foi baseada nas tarefas de leitura de Bosse & Valdois (2009), Salles (2005) e Pinheiro (1994; 2006). As palavras foram divididas em 6 listas com 20 palavras cada (total 120 palavras), divididas por natureza (reais ou pseudopalavras), frequência (alta e baixa), regularidade (regulares, irregulares) e organizadas pela extensão (variam entre 4 e 9 letras). As listas estão divididas da seguinte forma:

• Lista 1: 20 palavras regulares de alta frequência. Ex.: duas, fala, chapéu, gostava. • Lista 2: 20 palavras irregulares de alta frequência. Ex.: hoje, azul, mamãe, amanhã. • Lista 3: 20 palavras regulares de baixa frequência. Ex.: isca, vila, pesca, olhava. • Lista 4: 20 palavras irregulares de baixa frequência. Ex.: boxe, ouça, gemido, higiene. • Lista 5: 20 pseudopalavras sendo 10 com base nas palavras regulares e 10 com base nas irregulares. Ex.: puas, chuda, olhata, foxe, hodem, lepeça.

• Lista 6: 20 pseudopalavras sendo 10 com base nas palavras regulares e 10 nas irregulares. Ex.: dalé, mesca, nosdra, inça, lexto, nezema.

Considera-se palavras regulares, na leitura, aquelas cuja estrutura ortográfica permite uma leitura por meio da “conversão grafema-fonema unívoca”, isto é, por regra. As palavras irregulares são aquelas que possuem relações grafema-fonemas ambíguas (Salles & Parente, 2002). As pseudopalavras são palavras inventadas que seguem o padrão da língua, permitindo a decodificação fonológica, mas sem terem nenhum significado (Pinheiro, 1994; 2006). (Conferir Anexo A, para a lista completa de palavras).

As palavras foram apresentadas utilizando o software CronoFonos (Capovilla, Macedo, Duduchi & Sória, 1999; Capovilla, Capovilla & Macedo, 1998). As listas foram colocadas em sequência de modo que assim que a criança terminasse de ler a lista 1 já começava a ler a lista 2 e assim por diante sem interromper a leitura, uma vez que objetivava-se calcular a velocidade de leitura também. Como o software gravava as respostas isso possibilitou que fosse cronometrado o tempo de leitura com a própria gravação. O tempo de leitura de todas as listas foi somado e depois dividido pela quantidade de palavras lidas. Esse escore foi chamado de “velocidade de leitura”.

As palavras foram exibidas em tamanho 36pt, cor preta, fonte (Arial), sobre fundo branco. Primeiramente foi realizado um treino e somente após as crianças demonstrarem compreender o objetivo da tarefa é que foram aplicados os itens de teste. No treino foram apresentados 8 itens (3 palavras regulares e 3 irregulares e 2 pseudopalavras). Os alunos foram solicitados a falar em voz alta todos os itens imediatamente após a sua exibição, da maneira mais rápida e precisa que pudessem. Eles foram informados, antes do início da leitura, que existiam palavras reais ou inventadas (pseudopalavras).

Foi dada a seguinte instrução:

Agora iremos fazer um fazer outra atividade. Eu vou mostrar algumas palavras no computador e você deve me falar à palavra que está vendo em voz alta assim que você conseguir Tente ler o mais corretamente possível, mas se não conseguir não tem problemas, nós passaremos para outra palavra. Algumas dessas palavras existem e outras são inventadas. Não se preocupe com o que as palavras significam apenas leia como puder. Caso você precise parar, nós pararemos um pouco. Primeiro vamos treinar e depois começamos, tudo bem?

Após o aluno terminar de ler a palavra o experimentador registrava a resposta no computador. Quando o experimentador pressionava a letra “C” no teclado o estímulo era trocado e o software registrava a resposta como certa e atribuía 1 ponto, se fosse pressionado a letra “E” a resposta era registrada como errada e a criança recebia 0 pontos. Caso não fosse dada resposta ou a criança dissesse que não sabia era pressionada a letra “N” e a criança não recebia nenhum ponto para o item não respondido.

Caso fosse necessário, isto é, se fosse observado que o aluno estava cansado ou se ele mesmo solicitasse, o teste era interrompido por alguns minutos (esse tempo não foi incluído no cálculo da velocidade de leitura) para que a criança descansasse. Para cada lista de palavras, apenas os itens lidos corretamente foram pontuados (1 ponto para cada acerto), considerou-se a leitura correta apenas quando a leitura estava totalmente correta incluindo a pronúncia (exemplo: pesca não poderia ser lido como “pêsca” ou “pescá”). As respostas que causassem dúvidas eram anotadas para a análise da gravação posteriormente. Todas as gravações foram posteriormente analisadas para verificar se a pontuação atribuída estava correta.

Os alunos do 1º ano que não sabiam ler mesmo assim foram expostos as 3 listas de palavras (regulares, irregulares e pseudopalavras). Após 5 erros consecutivos na leitura da cada uma das listas, a exposição era interrompida e passava-se para a próxima lista com o mesmo critério de interrupção. Essa opção foi feita para verificar se os alunos conseguiam ler ao menos as sílabas, mas na amostra, alguns alunos não conseguiam ainda ler silabas, apenas identificavam letras, esses alunos receberam pontuação zero de leitura. Nenhum aluno foi obrigado a ler senão quisesse, mas eram estimulados a ler o que conseguissem e quando não conseguiam o pesquisador diziam que não tinha problemas porque eles ainda iriam aprender. Não foi computado o tempo de leitura para aqueles alunos que não conseguiram ler nenhuma palavra completa.

Para cada lista de palavras foi criado um “escore de leitura” que consiste no somatório dos pontos de cada lista. Assim, foi criado um escore de leitura para palavras regulares, um para palavras irregulares e outro para pseudopalavras. No caso dos alunos do 3º ano e do 5º ano, os escores das listas de alta e baixa frequência foram somados para cada tipo de itens, gerando apenas um escore para “palavras regulares”, um para “palavras irregulares” e outro para “pseudopalavras.”

Os alunos do primeiro ano foram testados apenas na lista de palavras de alta frequência (40 itens, i.e., listas 1 e 2) e na primeira lista de pseudopalavras (20 itens, i.e., lista 5) totalizando 60 itens (incluindo pseudopalavras). Os alunos do 3º e 5º ano foram testados em todos os 120 itens, i. e., nas 6 listas.