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TAXA CAMBIAL

No documento DAIANE COSTA SANCHEZ (páginas 36-45)

Segundo o BACEN, a taxa de câmbio se caracteriza pelo preço da moeda estrangeira

(levaremos em questão o dólar) medido pela moeda nacional (câmbio nominal), já o câmbio

real, leva em consideração o preço de determinado bem/serviço tanto no âmbito nacional

quanto internacional.

De acordo com Zini (1989) o autor descreve que o saldo comercial de determinado

país, pode ser explicado basicamente por três variáveis: taxa de câmbio, a renda real do país

e a renda real do restante do mundo. Por exemplo, ao ocorrer o aumento da renda nacional,

ocorre também a evolução da demanda de produtos importados por aquele determinado país,

diminuindo o saldo comercial

11

. Já quando a renda real do mundo sofre aumentos, aumenta

consequentemente a demanda por produtos exportados, repercutindo no aumento de renda

real doméstica de um país. Em relação a desvalorização da taxa cambial, o fato resulta em

um aumento da renda nacional, ou seja, visto que a taxa de câmbio mede o preço de

determinado produto/serviço no exterior, uma possível desvalorização expressa uma

diminuição dos preços nacionais comparados aos estrangeiros, resultando em um aumento

da competitividade da mercadoria nacional em relação a internacional.

Na análise de Carneiro (2014), uma suposta alteração na taxa de câmbio, pode

resultar em modificações no comércio exterior de um país, de duas formas: a) efeito preços

relativos e, b) o efeito direto na absorção, onde os agentes controlam seus gastos, para

manter o estoque de moeda.

Bacha (1999) faz referência a dois regimes cambiais adotados até o ano de 1994. O

sistema de minidesvalorizações cambiais (agosto de 1968 a fevereiro de 1990) e sistema de

taxa de câmbio com flutuação suja (março de 1990 a junho de 1994). Segundo o autor, o

sistema de minidesvalorizações cambiais, proporcionava ao exportador a perspectiva de

relação dos custos internos de produção e os preços no mercado mundial, uma versão

relativa do poder de compra da moeda (PPC). O autor destaca que a política adotada, tinha

por intuito evitar a especulação contra a moeda nacional, protegendo as receitas oriundas das

exportações.

Já o sistema de flutuação suja, mensurava a taxa administrada/dólar comercial, onde

seu valor era determinado pelo mercado, no entanto o Banco Central, poderia intervir no

mercado de divisas, através da compra ou troca de moeda estrangeira, interferindo na taxa de

câmbio; e a taxa de câmbio flutuante.

No período de 1994 a 1997, com a entrada do Plano Real, o governou optou por

aceitar a própria regulação do mercado em relação a taxa cambial (Sistema de taxa de

câmbio limitadamente flexível). No entanto, o dólar comercial e flutuante continuou

existindo. Desse modo, o Banco Central passou a ter a responsabilidade de vender divisas no

mercado de câmbio, interferindo na taxa de forma “indireta”.

Porém, devido ao déficit na balança comercial em 1995, o governo passou adotar o

sistema de bandas cambiais, que de maneira geral, se caracteriza pela determinação de um

limite mínimo e máximo que a taxa de câmbio pode flutuar livremente, evitando assim,

oscilações indesejadas e não previstas.

No ano seguinte, devido à forte pressão do setor agroexportador por uma

desvalorização na taxa de câmbio, devido ao déficit de mais de U$ 3,2 bilhões do setor, duas

políticas foram adotadas para resolver o problema: a oficialização do sistema de bandas

cambiais com o mecanismo de intrabandas; e a aprovação da Lei Kandir. Entretanto, devido

à falta de sucesso no regime cambial adotado, no ano de 1999, foi utilizado novamente o

regime de câmbio flutuante.

Conforme Pinzon (2011), diante um sistema de câmbio flutuante, o valor é medido

conforme a oferta e demanda em relação à quantidade e preço da moeda no mercado

nacional, não sendo admitidos interferências do governo e/ou de instituições financeiras no

regime. Em caso de câmbio fixo, o mesmo se resume quando há a interferência de

autoridades monetárias e agentes do governo na manutenção das reservas internacionais.

Em Zamberlan et al. (2010), o autor faz um levantamento sobre os efeitos da taxa de

câmbio nos complexos de soja e carnes, no período de 1994 a 2008. No estudo, ocorre a

utilização do modelo econométrico vetorial autoregressivo (VAR) para verificar se há ou

não, relação de dependência entre as flutuações na taxa de câmbio e as exportações

agrícolas. Após a análise das variáveis, é realizada a estimação das funções de

impulso-resposta para as exportações e para os preços do complexo de soja – grãos em grãos, farelo

de soja e óleo de soja. Através dos resultados obtidos, acaba por se notar um comportamento

negativo de todas as variáveis, salvo as estimações realizadas para as exportações de grãos e

farelos.

No caso das funções de exportação da soja em grãos e em farelos, os resultados

obtidos demonstraram um comportamento positivo a uma mudança na taxa de câmbio, com

um aumento nos períodos iniciais, para só depois apresentar um movimento de queda. Esse

fato pode ser explicado, segundo Zamberlan et al. (2010, p. 09), “pela rigidez dos contratos

destes produtos uma vez que são efetivados para períodos posteriores, entre seis e doze

meses”.

Ainda segundo Zamberlan et al. (2010), também é observada a forma como a taxa de

câmbio reage de maneira distinta com produtos de diferentes níveis de industrialização.

Chega-se à conclusão, que quanto maior o nível de tecnologia, mais sensível o produto

estará em relação a possíveis flutuações cambiais. No caso da soja, nota-se a baixa

dependência do grão a mudanças na taxa de câmbio, isso se deve pelo fato de que a maioria

dos produtos agrícolas brasileiros são tomadores de preços no mercado internacional.

A mesma conclusão pode ser obtida no estudo de Pinzon (2005), onde o autor alega

que mesmo com a depreciação cambial de 1999, a quantidade de exportações do próximo

período, continuou em crescimento. O estudo acrescenta que a influência na balança

comercial não depende apenas da taxa de câmbio, mas também da renda, interna e externa e

das condições de oferta.

5 CONCLUSÃO

O intenso subsídio do governo para elevar as exportações brasileiras nos últimos

anos, tem causado extremas divergências nas receitas dos entes federativos. A preocupação

se baseia no fato de que os estados de maior produção agrícola, não vêm conseguindo

recuperar suas perdas ocasionadas pela desoneração do tributo no comércio internacional.

Ao se analisar o complexo da soja, acaba sendo perceptível que a produção e

exportação da mesma, vem sofrendo aumentos a cada ano, devido ao avanço da tecnologia,

barateando os custos da produção. No entanto, ainda há a predominância do grão in natura e

do farelo na pauta exportadora, isso ocorre não por uma interferência propriamente dita pela

Lei Kandir, mas sim, pelos produtos agrícolas serem considerados tomadores de preços no

mercado estrangeiro. Outro motivo que também pode justificar o ocorrido, é que a

quantidade exportada não depende somente da taxa de câmbio, mas também de outros

fatores adversos, como renda interna e externa.

No caso de produtos manufaturados, mais especificamente o óleo de soja, observa-se

que não há um aumento tão significativo das exportações, do que comparado com produtos

primários e semimanufaturados. Isso se deve não à falta de especialização ou incentivo

nacional ao setor, mas sim os próprios obstáculos gerados pelos consumidores finais, como a

exigência de protocolos diferenciados para produtos de maior intensidade tecnológica, ou até

mesmo o incentivo de países internacionais, ao consumo dos derivados produzidos

internamente, desenvolvendo a economia regional do país.

Ao contrário do que se pensava, a taxa de cambio também não possui nenhuma

grande influência na quantidade exportada in natura. Conforme apresentado no estudo, isso

ocorre pelo fato de que sua interferência só é relevante quando o produto possui maior valor

agregado, tornando-o mais suscetível a flutuações cambiais. Conforme já mencionado,

produtos agrícolas são tomadores de preços, não sendo influenciados diretamente pela taxa

de câmbio. É importante salientar também, que o intervalo de período analisado, de 1980 a

2010, delimitou-se ao ano de 2010, pela ausência de dados em relação a compensação da Lei

Kandir aos entes federativos.

Diante desse quadro, fica claro que a Lei Kandir não afetou de forma direta a

quantidade exportada de commodities, no entanto, apresentou grandes consequências no

quesito de receita tributária. O ICMS, que antes era considerado uma das principais fontes

de receita tributária estadual, após adotada a sua desoneração das exportações, ocasionou

grandes déficits nos entes federativos, alcançando a marca de bilhões negativos.

Para reverter essa situação, então foi instaurada LC nº 102/00, mais conhecida como

“Seguro Receita”, que deveria assegurar de maneira eficiente, a compensação da perda da

exoneração do imposto, sendo repassada a proporção de 25% aos municípios, agiu de

maneira incompetente, não sendo suficiente para evitar as perdas.

Como já demonstrado, os estados de MG e MT, conhecidos por uma economia

basicamente agrícola, apresentaram déficits superiores ao patamar de R$ 8 bilhões. Já em

relação ao estado de São Paulo, que apresenta uma economia baseada no setor de serviços e

indústria, o valor repassado foi superior ao necessário (R$ 78 bilhões).

No caso do MS, o ressarcimento ao estado, foi superior ao previsto. Ou seja, mesmo

com uma economia predominantemente agrícola e a desoneração do tributo no comércio

exterior, a previsão foi inferior ao valor real arrecadado, ainda sendo transferidos ao estado,

a quantia de aproximadamente R$ 318 milhões.

Tendo em vista os resultados obtidos neste trabalho, são feitas as seguintes sugestões

para futuras pesquisas: continuar o estudo para períodos posteriores, realizando uma análise

aprofundada sobre os repasses destinados a outros estados brasileiros e, explorar de forma

mais abrangente outros produtos agrícolas e o impacto na Lei nos mesmos.

Enfim, através deste trabalho foi possível constatar que as principais consequências

ocasionadas pela Lei Kandir, foram de cunho econômico-financeiro, ou seja, perdas e

ganhos estaduais das desonerações tributárias, devido à má divisão do custo entre os agentes

envolvidos. Em relação, ao nível de industrialização do país, a lei não acarretou em uma

pauta de exportação concentrada em produtos primários, visto que o principal dos obstáculos

enfrentados para o desenvolvimento do setor tecnológico no Brasil, não depende somente do

fornecimento de subsídios e incentivos, mas também das condições apresentadas para a

comercialização do produto, tornando-o mais atrativo ou não em âmbito internacional.

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ANEXO A

TABELA: Exportação Brasileira por Fator Agregado

12

1980 - 2010

US$ milhões FOB

ANO BÁSICOS SEMIMANUFATURADOS MANUFATURADOS

Valor Valor Valor

1980 8.488 2.349 9.028

1981 8.920 2.116 11.884

1982 8.238 1.433 10.253

1983 8.535 1.782 11.276

1984 8.706 2.872 15.132

1985 8.538 2.758 14.063

1986 7.280 2.491 12.404

1987 8.022 3.175 14.839

1988 9.411 4.892 19.187

1989 9.549 5.807 18.634

1990 8.746 5.108 17.011

1991 8.737 4.691 17.757

1992 8.830 5.750 20.754

1993 9.366 5.445 23.437

1994 11.058 6.893 24.959

1995 10.969 9.146 25.565

1996 11.900 8.613 26.413

1997 14.474 8.478 29.194

1998 12.977 8.120 29.387

1999 11.828 7.982 27.329

2000 12.562 8.499 32.528

2001 15.342 8.244 32.901

2002 16.952 8.964 33.001

2003 21.179 10.943 39.654

2004 28.518 13.431 52.948

2005 34.721 15.961 65.144

2006 40.285 19.523 75.018

2007 51.596 21.800 83.943

2008 73.028 27.073 92.682

2009 61.957 20.499 67.349

2010 90.005 28.207 79.563

Fonte: SECEX/MDIC.

APÊNDICE D

FICHA DE AVALIAÇÃO DE TG-II – FACE/UFGD

Título do Trabalho:

Nome do Aluno:

Orientador:

Avaliador(a):

Itens a serem avaliados Critérios de Avaliação

Conteúdo do Trabalho. Caráter analítico da monografia. Consistência das

conclusões com o corpo do trabalho. Nível e qualidade do referencial

teórico.

( ) Ausente

( ) Incompleto

( ) Satisfatório

( ) Bom

Desenvolvimento lógico do tema (Introdução, desenvolvimento, conclusão).

Metodologia adequada aos objetivos estabelecidos.

( ) Ausente

( ) Incompleto

( ) Satisfatório

( ) Bom

Posicionamento crítico em relação ao tema desenvolvido.

( ) Ausente

( ) Incompleto

( ) Satisfatório

( ) Bom

Clareza e correção na linguagem. Cumprimento das normas do

Regulamento.

( ) Ausente

( ) Incompleto

( ) Satisfatório

( ) Bom

Apresentação e defesa oral: domínio do conteúdo, utilização de linguagem

específica, argumentação, concisão e precisão nas respostas.

( ) Ausente

( ) Incompleto

( ) Satisfatório

( ) Bom

Legenda: Ausente: Não existe tal aspecto no trabalho apresentado.

Incompleto: O item analisado se apresenta com diversas falhas e faltas.

Satisfatório: O item analisado está satisfatório, porém necessita de melhorias.

Bom: O item analisado atendeu aos requisitos exigidos.

Avaliador:

Conceito: ( ) Reprovado ( ) Aprovado com Ressalvas ( ) Aprovado

Observações: ( ) A ( ) B

Legenda: Reprovado: O trabalho não apresenta requisitos mínimos de aprovação, pois, os aspectos analisados

estão, em sua maioria, “Ausentes” ou “Incompletos”.

Aprovado com Ressalvas: O trabalho apresenta algumas falhas, aspectos incompletos e, com a

devida correção, apresenta condições de aprovação.

Aprovado : (A) O trabalho, na maioria dos aspectos analisados, , avalia-se como “Bom”

(B) O trabalho necessita de correções de formatação, de ortografia, de sugestões e

ajustes conforme apontamentos no texto, porém não compromete os resultados. Predominam os aspectos

analisados como “Satisfatórios”.

Dourados, _____ de _______________ de ________.

APÊNDICE E

TERMO DE CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS E AUTORIZAÇÃO PARA

INSERÇÃO DE TRABALHO DE GRADUAÇÃO NOS MEIOS ELETRÔNICOS DE

DIVULGAÇÃO DISPONIBILIZADOS E UTILIZADOS PELA UFGD

Eu, (nome completo), (profissão), (endereço completo), (RG), (CPF), aluno do Curso de

_________________________ da Universidade Federal da Grande Dourados, matriculado

sob número ______________, venho, por meio do presente, AUTORIZAR a inserção do

meu Trabalho Final de Graduação, Aprovado em banca, intitulado (título completo do

trabalho) nos meios eletrônicos de divulgação disponibilizados e utilizados pela

universidade, bem como em qualquer outro meio eletrônico de divulgação utilizado pela

Instituição, para os específicos fins educativos, técnicos e culturais de divulgação

institucional e não-comerciais.

DECLARO, dessa forma, que cedo, em caráter gratuito e por tempo indeterminado, o

inteiro teor do meu Trabalho de Graduação acima identificado, cuja cópia, por mim

rubricada e firmada, segue em anexo, para que possa ser divulgada através do(s) meio(s)

acima referido(s).

DECLARO, ainda, que sou autor e único e exclusivo responsável pelo conteúdo do

mencionado Trabalho de Graduação.

AUTORIZO, ainda, a Universidade a remover o referido Trabalho do(s) local(is) acima

referido(s), a qualquer tempo e independentemente de motivo e/ou notificação prévia à

minha pessoa.

Em Dourados, ____ de __________________ de 20_____.

Assinatura:

No documento DAIANE COSTA SANCHEZ (páginas 36-45)

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