Segundo o BACEN, a taxa de câmbio se caracteriza pelo preço da moeda estrangeira
(levaremos em questão o dólar) medido pela moeda nacional (câmbio nominal), já o câmbio
real, leva em consideração o preço de determinado bem/serviço tanto no âmbito nacional
quanto internacional.
De acordo com Zini (1989) o autor descreve que o saldo comercial de determinado
país, pode ser explicado basicamente por três variáveis: taxa de câmbio, a renda real do país
e a renda real do restante do mundo. Por exemplo, ao ocorrer o aumento da renda nacional,
ocorre também a evolução da demanda de produtos importados por aquele determinado país,
diminuindo o saldo comercial
11. Já quando a renda real do mundo sofre aumentos, aumenta
consequentemente a demanda por produtos exportados, repercutindo no aumento de renda
real doméstica de um país. Em relação a desvalorização da taxa cambial, o fato resulta em
um aumento da renda nacional, ou seja, visto que a taxa de câmbio mede o preço de
determinado produto/serviço no exterior, uma possível desvalorização expressa uma
diminuição dos preços nacionais comparados aos estrangeiros, resultando em um aumento
da competitividade da mercadoria nacional em relação a internacional.
Na análise de Carneiro (2014), uma suposta alteração na taxa de câmbio, pode
resultar em modificações no comércio exterior de um país, de duas formas: a) efeito preços
relativos e, b) o efeito direto na absorção, onde os agentes controlam seus gastos, para
manter o estoque de moeda.
Bacha (1999) faz referência a dois regimes cambiais adotados até o ano de 1994. O
sistema de minidesvalorizações cambiais (agosto de 1968 a fevereiro de 1990) e sistema de
taxa de câmbio com flutuação suja (março de 1990 a junho de 1994). Segundo o autor, o
sistema de minidesvalorizações cambiais, proporcionava ao exportador a perspectiva de
relação dos custos internos de produção e os preços no mercado mundial, uma versão
relativa do poder de compra da moeda (PPC). O autor destaca que a política adotada, tinha
por intuito evitar a especulação contra a moeda nacional, protegendo as receitas oriundas das
exportações.
Já o sistema de flutuação suja, mensurava a taxa administrada/dólar comercial, onde
seu valor era determinado pelo mercado, no entanto o Banco Central, poderia intervir no
mercado de divisas, através da compra ou troca de moeda estrangeira, interferindo na taxa de
câmbio; e a taxa de câmbio flutuante.
No período de 1994 a 1997, com a entrada do Plano Real, o governou optou por
aceitar a própria regulação do mercado em relação a taxa cambial (Sistema de taxa de
câmbio limitadamente flexível). No entanto, o dólar comercial e flutuante continuou
existindo. Desse modo, o Banco Central passou a ter a responsabilidade de vender divisas no
mercado de câmbio, interferindo na taxa de forma “indireta”.
Porém, devido ao déficit na balança comercial em 1995, o governo passou adotar o
sistema de bandas cambiais, que de maneira geral, se caracteriza pela determinação de um
limite mínimo e máximo que a taxa de câmbio pode flutuar livremente, evitando assim,
oscilações indesejadas e não previstas.
No ano seguinte, devido à forte pressão do setor agroexportador por uma
desvalorização na taxa de câmbio, devido ao déficit de mais de U$ 3,2 bilhões do setor, duas
políticas foram adotadas para resolver o problema: a oficialização do sistema de bandas
cambiais com o mecanismo de intrabandas; e a aprovação da Lei Kandir. Entretanto, devido
à falta de sucesso no regime cambial adotado, no ano de 1999, foi utilizado novamente o
regime de câmbio flutuante.
Conforme Pinzon (2011), diante um sistema de câmbio flutuante, o valor é medido
conforme a oferta e demanda em relação à quantidade e preço da moeda no mercado
nacional, não sendo admitidos interferências do governo e/ou de instituições financeiras no
regime. Em caso de câmbio fixo, o mesmo se resume quando há a interferência de
autoridades monetárias e agentes do governo na manutenção das reservas internacionais.
Em Zamberlan et al. (2010), o autor faz um levantamento sobre os efeitos da taxa de
câmbio nos complexos de soja e carnes, no período de 1994 a 2008. No estudo, ocorre a
utilização do modelo econométrico vetorial autoregressivo (VAR) para verificar se há ou
não, relação de dependência entre as flutuações na taxa de câmbio e as exportações
agrícolas. Após a análise das variáveis, é realizada a estimação das funções de
impulso-resposta para as exportações e para os preços do complexo de soja – grãos em grãos, farelo
de soja e óleo de soja. Através dos resultados obtidos, acaba por se notar um comportamento
negativo de todas as variáveis, salvo as estimações realizadas para as exportações de grãos e
farelos.
No caso das funções de exportação da soja em grãos e em farelos, os resultados
obtidos demonstraram um comportamento positivo a uma mudança na taxa de câmbio, com
um aumento nos períodos iniciais, para só depois apresentar um movimento de queda. Esse
fato pode ser explicado, segundo Zamberlan et al. (2010, p. 09), “pela rigidez dos contratos
destes produtos uma vez que são efetivados para períodos posteriores, entre seis e doze
meses”.
Ainda segundo Zamberlan et al. (2010), também é observada a forma como a taxa de
câmbio reage de maneira distinta com produtos de diferentes níveis de industrialização.
Chega-se à conclusão, que quanto maior o nível de tecnologia, mais sensível o produto
estará em relação a possíveis flutuações cambiais. No caso da soja, nota-se a baixa
dependência do grão a mudanças na taxa de câmbio, isso se deve pelo fato de que a maioria
dos produtos agrícolas brasileiros são tomadores de preços no mercado internacional.
A mesma conclusão pode ser obtida no estudo de Pinzon (2005), onde o autor alega
que mesmo com a depreciação cambial de 1999, a quantidade de exportações do próximo
período, continuou em crescimento. O estudo acrescenta que a influência na balança
comercial não depende apenas da taxa de câmbio, mas também da renda, interna e externa e
das condições de oferta.
5 CONCLUSÃO
O intenso subsídio do governo para elevar as exportações brasileiras nos últimos
anos, tem causado extremas divergências nas receitas dos entes federativos. A preocupação
se baseia no fato de que os estados de maior produção agrícola, não vêm conseguindo
recuperar suas perdas ocasionadas pela desoneração do tributo no comércio internacional.
Ao se analisar o complexo da soja, acaba sendo perceptível que a produção e
exportação da mesma, vem sofrendo aumentos a cada ano, devido ao avanço da tecnologia,
barateando os custos da produção. No entanto, ainda há a predominância do grão in natura e
do farelo na pauta exportadora, isso ocorre não por uma interferência propriamente dita pela
Lei Kandir, mas sim, pelos produtos agrícolas serem considerados tomadores de preços no
mercado estrangeiro. Outro motivo que também pode justificar o ocorrido, é que a
quantidade exportada não depende somente da taxa de câmbio, mas também de outros
fatores adversos, como renda interna e externa.
No caso de produtos manufaturados, mais especificamente o óleo de soja, observa-se
que não há um aumento tão significativo das exportações, do que comparado com produtos
primários e semimanufaturados. Isso se deve não à falta de especialização ou incentivo
nacional ao setor, mas sim os próprios obstáculos gerados pelos consumidores finais, como a
exigência de protocolos diferenciados para produtos de maior intensidade tecnológica, ou até
mesmo o incentivo de países internacionais, ao consumo dos derivados produzidos
internamente, desenvolvendo a economia regional do país.
Ao contrário do que se pensava, a taxa de cambio também não possui nenhuma
grande influência na quantidade exportada in natura. Conforme apresentado no estudo, isso
ocorre pelo fato de que sua interferência só é relevante quando o produto possui maior valor
agregado, tornando-o mais suscetível a flutuações cambiais. Conforme já mencionado,
produtos agrícolas são tomadores de preços, não sendo influenciados diretamente pela taxa
de câmbio. É importante salientar também, que o intervalo de período analisado, de 1980 a
2010, delimitou-se ao ano de 2010, pela ausência de dados em relação a compensação da Lei
Kandir aos entes federativos.
Diante desse quadro, fica claro que a Lei Kandir não afetou de forma direta a
quantidade exportada de commodities, no entanto, apresentou grandes consequências no
quesito de receita tributária. O ICMS, que antes era considerado uma das principais fontes
de receita tributária estadual, após adotada a sua desoneração das exportações, ocasionou
grandes déficits nos entes federativos, alcançando a marca de bilhões negativos.
Para reverter essa situação, então foi instaurada LC nº 102/00, mais conhecida como
“Seguro Receita”, que deveria assegurar de maneira eficiente, a compensação da perda da
exoneração do imposto, sendo repassada a proporção de 25% aos municípios, agiu de
maneira incompetente, não sendo suficiente para evitar as perdas.
Como já demonstrado, os estados de MG e MT, conhecidos por uma economia
basicamente agrícola, apresentaram déficits superiores ao patamar de R$ 8 bilhões. Já em
relação ao estado de São Paulo, que apresenta uma economia baseada no setor de serviços e
indústria, o valor repassado foi superior ao necessário (R$ 78 bilhões).
No caso do MS, o ressarcimento ao estado, foi superior ao previsto. Ou seja, mesmo
com uma economia predominantemente agrícola e a desoneração do tributo no comércio
exterior, a previsão foi inferior ao valor real arrecadado, ainda sendo transferidos ao estado,
a quantia de aproximadamente R$ 318 milhões.
Tendo em vista os resultados obtidos neste trabalho, são feitas as seguintes sugestões
para futuras pesquisas: continuar o estudo para períodos posteriores, realizando uma análise
aprofundada sobre os repasses destinados a outros estados brasileiros e, explorar de forma
mais abrangente outros produtos agrícolas e o impacto na Lei nos mesmos.
Enfim, através deste trabalho foi possível constatar que as principais consequências
ocasionadas pela Lei Kandir, foram de cunho econômico-financeiro, ou seja, perdas e
ganhos estaduais das desonerações tributárias, devido à má divisão do custo entre os agentes
envolvidos. Em relação, ao nível de industrialização do país, a lei não acarretou em uma
pauta de exportação concentrada em produtos primários, visto que o principal dos obstáculos
enfrentados para o desenvolvimento do setor tecnológico no Brasil, não depende somente do
fornecimento de subsídios e incentivos, mas também das condições apresentadas para a
comercialização do produto, tornando-o mais atrativo ou não em âmbito internacional.
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ANEXO A
TABELA: Exportação Brasileira por Fator Agregado
121980 - 2010
US$ milhões FOB
ANO BÁSICOS SEMIMANUFATURADOS MANUFATURADOS
Valor Valor Valor
1980 8.488 2.349 9.028
1981 8.920 2.116 11.884
1982 8.238 1.433 10.253
1983 8.535 1.782 11.276
1984 8.706 2.872 15.132
1985 8.538 2.758 14.063
1986 7.280 2.491 12.404
1987 8.022 3.175 14.839
1988 9.411 4.892 19.187
1989 9.549 5.807 18.634
1990 8.746 5.108 17.011
1991 8.737 4.691 17.757
1992 8.830 5.750 20.754
1993 9.366 5.445 23.437
1994 11.058 6.893 24.959
1995 10.969 9.146 25.565
1996 11.900 8.613 26.413
1997 14.474 8.478 29.194
1998 12.977 8.120 29.387
1999 11.828 7.982 27.329
2000 12.562 8.499 32.528
2001 15.342 8.244 32.901
2002 16.952 8.964 33.001
2003 21.179 10.943 39.654
2004 28.518 13.431 52.948
2005 34.721 15.961 65.144
2006 40.285 19.523 75.018
2007 51.596 21.800 83.943
2008 73.028 27.073 92.682
2009 61.957 20.499 67.349
2010 90.005 28.207 79.563
Fonte: SECEX/MDIC.
APÊNDICE D
FICHA DE AVALIAÇÃO DE TG-II – FACE/UFGD
Título do Trabalho:
Nome do Aluno:
Orientador:
Avaliador(a):
Itens a serem avaliados Critérios de Avaliação
Conteúdo do Trabalho. Caráter analítico da monografia. Consistência das
conclusões com o corpo do trabalho. Nível e qualidade do referencial
teórico.
( ) Ausente
( ) Incompleto
( ) Satisfatório
( ) Bom
Desenvolvimento lógico do tema (Introdução, desenvolvimento, conclusão).
Metodologia adequada aos objetivos estabelecidos.
( ) Ausente
( ) Incompleto
( ) Satisfatório
( ) Bom
Posicionamento crítico em relação ao tema desenvolvido.
( ) Ausente
( ) Incompleto
( ) Satisfatório
( ) Bom
Clareza e correção na linguagem. Cumprimento das normas do
Regulamento.
( ) Ausente
( ) Incompleto
( ) Satisfatório
( ) Bom
Apresentação e defesa oral: domínio do conteúdo, utilização de linguagem
específica, argumentação, concisão e precisão nas respostas.
( ) Ausente
( ) Incompleto
( ) Satisfatório
( ) Bom
Legenda: Ausente: Não existe tal aspecto no trabalho apresentado.
Incompleto: O item analisado se apresenta com diversas falhas e faltas.
Satisfatório: O item analisado está satisfatório, porém necessita de melhorias.
Bom: O item analisado atendeu aos requisitos exigidos.
Avaliador:
Conceito: ( ) Reprovado ( ) Aprovado com Ressalvas ( ) Aprovado
Observações: ( ) A ( ) B
Legenda: Reprovado: O trabalho não apresenta requisitos mínimos de aprovação, pois, os aspectos analisados
estão, em sua maioria, “Ausentes” ou “Incompletos”.
Aprovado com Ressalvas: O trabalho apresenta algumas falhas, aspectos incompletos e, com a
devida correção, apresenta condições de aprovação.
Aprovado : (A) O trabalho, na maioria dos aspectos analisados, , avalia-se como “Bom”
(B) O trabalho necessita de correções de formatação, de ortografia, de sugestões e
ajustes conforme apontamentos no texto, porém não compromete os resultados. Predominam os aspectos
analisados como “Satisfatórios”.
Dourados, _____ de _______________ de ________.
APÊNDICE E
TERMO DE CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS E AUTORIZAÇÃO PARA
INSERÇÃO DE TRABALHO DE GRADUAÇÃO NOS MEIOS ELETRÔNICOS DE
DIVULGAÇÃO DISPONIBILIZADOS E UTILIZADOS PELA UFGD
Eu, (nome completo), (profissão), (endereço completo), (RG), (CPF), aluno do Curso de
_________________________ da Universidade Federal da Grande Dourados, matriculado
sob número ______________, venho, por meio do presente, AUTORIZAR a inserção do
meu Trabalho Final de Graduação, Aprovado em banca, intitulado (título completo do
trabalho) nos meios eletrônicos de divulgação disponibilizados e utilizados pela
universidade, bem como em qualquer outro meio eletrônico de divulgação utilizado pela
Instituição, para os específicos fins educativos, técnicos e culturais de divulgação
institucional e não-comerciais.
DECLARO, dessa forma, que cedo, em caráter gratuito e por tempo indeterminado, o
inteiro teor do meu Trabalho de Graduação acima identificado, cuja cópia, por mim
rubricada e firmada, segue em anexo, para que possa ser divulgada através do(s) meio(s)
acima referido(s).
DECLARO, ainda, que sou autor e único e exclusivo responsável pelo conteúdo do
mencionado Trabalho de Graduação.
AUTORIZO, ainda, a Universidade a remover o referido Trabalho do(s) local(is) acima
referido(s), a qualquer tempo e independentemente de motivo e/ou notificação prévia à
minha pessoa.
Em Dourados, ____ de __________________ de 20_____.
Assinatura:
No documento
DAIANE COSTA SANCHEZ
(páginas 36-45)