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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.2. Complexo laranja

4.3.2. Taxa de câmbio real efetiva

O Quadro 29 e a Figura 2 mostram o comportamento da taxa de câmbio real efetiva no período de 1980 a 1999, cuja tendência foi semelhante àquela observada nas taxas de câmbio bilaterais discutidas anteriormente.

Quadro 29 - Taxa de câmbio real efetiva do Brasil - base 1994=1

Ano TCRE 1980 0,56 1981 0,59 1982 0,61 1983 1,03 1984 1,16 1985 1,35 1986 0,96 1987 1,41 1988 2,14 1989 2,16 1990 1,38 1991 1,92 1992 3,43 1993 2,93 1994 1,00 1995 0,69 1996 0,69 1997 0,68 1998 0,76 1999 1,06

0.0000E+00 5.0000E-01 1.0000E+00 1.5000E+00 2.0000E+00 2.5000E+00 3.0000E+00 3.5000E+00 4.0000E+00 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 TCRM

Figura 2 - Taxa de câmbio real multilateral do Brasil - base 1994=1.

Tomando o período de estudo como um todo, a análise dos resultados, proporcionada pelo indicador da TCRE, permite identificar fases marcantes da competitividade da economia brasileira.

No período de 1980 a 1985, houve tendência ascendente do nível de competitividade brasileira no mercado internacional e certa estabilidade dos índices TCRE (Quadro 28). A estabilidade verificada no período está relacionada, em parte, com a política de minidesvalorizações cambiais que prevaleceu no período de 1968 a 1986. Neste período, as desvalorizações cambiais eram feitas em curtos espaços de tempo e em pequenas magnitudes, procurando-se manter uma paridade do poder de compra da moeda nacional. Num primeiro momento, essas desvalorizações foram feitas tomando como referência a diferença entre a inflação interna e a dos EUA. Com o fim do sistema de paridade fixa das moedas em relação ao dólar, resultante do acordo de Bretton Woods, elas passaram a ser feitas pelas diferenças inflacionárias do Brasil e de seus principais parceiros comerciais. Portanto, com um movimento ascendente dos índices da TCRE, o Brasil melhorou, no período considerado, seu nível competitivo em relação ao mercado internacional.

Em fevereiro de 1983, com problemas no Balanço de Pagamentos, o governo anunciou uma maxidesvalorização de 30%, objetivando elevar o saldo da Balança Comercial. Tal política foi favorável à competitividade da economia

brasileira no mercado internacional, uma vez que permitiu uma desvalorização real da moeda nacional em frente à cesta de moedas estrangeiras, conforme tendência ascendente observada na Figura 2.

Em 1986, o governo Sarney anunciou o Decreto-Lei 2.283 (Plano Cruzado), cuja meta era derrubar de uma só vez a inflação. O Plano impunha, entre outras medidas, congelamento de preços, salários, aluguéis e, indiretamente, taxa de câmbio. Tal medida foi bem sucedida no primeiro semestre, pois os preços tiveram certa estabilidade, entretanto, no semestre seguinte, o Plano Cruzado fracassou. A conseqüência disso foi a aceleração do processo inflacionário, que resultou em tendência de sobrevalorização da moeda brasileira em face à cesta de moedas estrangeiras dos países aqui estudados e na perda de competitividade da economia brasileira no mercado internacional (ROSÁRIO, 1999).

Em meados de 1987, o Plano Bresser de Estabilização estabeleceu congelamento de preços e salários, com reajustes a cada 90 dias. O novo ministro deu mais ênfase ao controle do déficit público como um dos principais instrumentos antinflacionários. Seu plano surtiu efeito positivo, isto é, a inflação foi controlada naquele período, voltando a aumentar apenas em finais do ano seguinte, sendo contornada com a introdução do programa especial denominado Plano Verão. Como conseqüência disso, a competitividade da economia brasileira no mercado internacional apresentou movimento ascendente em 1988 e estabilidade em 1989.

Em finais de 1989, a inflação voltou a aumentar, agravando-se no início do ano seguinte. Para equacionar este problema, foi introduzido um novo programa antinflacionário (Collor I), congelaram-se os salários e preços (que passaram a ser reajustados a cada mês), liberou-se o câmbio e adotaram-se várias medidas para promover gradual abertura da economia brasileira em relação à concorrência externa, entre outras. O preço do câmbio passou a ser determinado pelos bancos e pelas corretoras credenciadas, que efetuaram operações de compra e venda. No entanto, o Plano Collor I fracassou, e a inflação voltou a subir em

meados do mesmo ano. Com uma inflação bastante elevada, houve tendência decrescente do nível de competitividade brasileira no mercado internacional.

Para evitar maior aceleração na inflação, implementou-se, no início de 1991, um novo pacote econômico (Plano Collor II), cujo objetivo era combater a inflação inercial, mediante congelamento de salários e preços e eliminação das várias formas de indexação. As medidas do novo Plano tiveram impacto de curto prazo na redução de inflação. Mas, no final do ano, esta voltou a crescer de forma acelerada, gerando crise no mercado de câmbio com forte especulação acerca do cruzeiro. De 1990 a 1991, a tendência crescente do nível competitivo do Brasil no mercado internacional foi, em parte, explicada pelo sucesso do plano Collor II, apesar de ter ocorrido num curto espaço de tempo. De 1991 a 1992, esta foi, em parte, explicada pela especulação acerca do cruzeiro, que permitiu uma desvalorização da taxa de câmbio nominal maior que o aumento da inflação. Entretanto, a inflação continuou crescendo, persistindo até meados de 1994, com tendência descendente da competitividade brasileira no mercado internacional (ROSÁRIO, 1999).

Em julho de 1994, foi introduzido o Plano Real, e a moeda brasileira foi ancorada ao dólar. Aproveitando do influxo de divisas, o Banco Central deixou de interferir no mercado de câmbio, abstendo-se de adquiri-las, mas garantindo que, caso o fizesse, o preço máximo seria de um real por dólar. Com isso, a cotação do dólar caiu de R$ 1,00 para cerca de R$ 0,83, de julho a outubro de 1994. Na fase inicial houve pressão inflacionária, porque a população sentiu que tinha elevado poder de compra, e aumento da demanda. Assim sendo, o nível de competitividade brasileira apresentou tendência decrescente.

Porém, a partir de março de 1995 foram desencadeadas algumas medidas para contenção da demanda agregada, dentre as quais o aumento das taxas de juros, a expressiva contenção de créditos, o esfriamento da economia, a instituição do sistema de bandas cambiais e a recuperação de reservas. Daí em diante, o nível competitivo do país no mercado internacional apresentou tendência à estabilidade, e o câmbio foi sobrevalorizado em relação à cesta de moedas dos países analisados. Em 1999, houve melhora do nível competitivo do

Brasil, com a liberalização da taxa de câmbio e com a conseqüente desvalorização da moeda.

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