Classificação das actividades práticas
6. Tecnologia Educativa, Tecnologia Computacional e a Web
De acordo com Miranda (2007), o conceito de Tecnologia Educativa surgiu nos anos 40 do século XX e foi desenvolvido pelo behaviorista Skinner (1904-1990) na década seguinte com o ensino programado. O termo não se limitava aos recursos técnicos usados no ensino, mas a todos os processos de concepção, desenvolvimento, utilização, gestão e avaliação da aprendizagem.
Conscientes que a Tecnologia Educativa se refere à aplicação da Tecnologia na Educação, e que esta tecnologia pode apresentar várias formas, é pertinente estabelecer a relação entre Tecnologia Educativa e Tecnologia Computacional ou Tecnologia Informática.
“Quando estas tecnologias são usadas para fins educativos, nomeadamente para apoiar e melhorar a aprendizagem dos alunos e desenvolver ambientes de aprendizagem, podemos considerar as TIC como um subdomínio da Tecnologia Educativa.”
(Miranda, 2007, p. 43) Por uma questão de coesão neste trabalho, passaremos a referir a Tecnologia Computacional como uma Tecnologia Educativa.
“Operant or instrumental conditioning is usually associated (particularly by educators) with B. F. Skinner.”
Universidade de Aveiro 2010
Departamento de Didáctica e Tecnologia Educativa Departamento de Comunicação e Arte
Influenciadas pelas teorias comportamentalistas, as primeiras formas de utilização da tecnologia eram basicamente aplicações automatizadas de instrução programada (caso das aplicações de “drill-and-practice” e dos programas tutoriais adaptativos).
“Students followed the commands on the computer screen receiving rewards for correct answers. They also began to learn through playing games and simple simulations.”
Jeffrey T. Fouts (2000, p. i)
Este tipo de aplicações era específica para um determinado conjunto de objectivos e dirigida para resultados pré-estabelecidos de aprendizagem. Caracterizada pela limitação de cenários de aprendizagem, o aluno era um agente passivo no processo, limitando-se a acumular um conjunto de factos e procedimentos. Na maior parte dos casos, surgia como uma substituição mais actualizada de ferramentas pré-existentes (como era o caso do livro). Na prática, estas tecnologias comportamentalistas traduziam a prática educativa da sala de aula tradicional.
Depois de uma fase transicional, marcada pela competição do mercado tecnológico e multimédia, surgem as “novas” tecnologias como ferramentas cognitiva e tecnológica (podemos dizer que assume aqui a categoria de tecnologia educativa). Os alunos à medida que constroem as suas interpretações da realidade, manifestam um papel mais activo e interactivo no processo, tendo a tecnologia como parceira no processo, ao facilitar o desenvolvimento e/ou a ampliação das capacidades cognitivas do indivíduo.
“Para os novos ambientes de educação, ao contrário das abordagens sequenciais, devem permitir que o aluno questione as suas ideias e crenças, encorajando assim o desenvolvimento de um processo interactivo e provocativo na construção pessoal do conhecimento. O resultado deste processo de aprendizagem indica que a construção do conhecimento se estende a uma variedade de fontes, desde o plano da interacção entre o professor e o aluno e entre os alunos, até ao plano da interacção entre o aluno e os conteúdos, nomeadamente através da exploração multidimensional dos lugares de representação.”
Parker (1999), citado em Dias (2000, p. 142)
Desde a primeira metade da Guerra-fria (1947-60), com a “corrida” entre os EUA e a URSS, pela “supremacia científica e tecnológica” (em particular ao nível de capacitação bélica e da exploração espacial), foram criadas as aplicações básicas, protótipos e as ferramentas que permitem a existência da Internet.
Universidade de Aveiro 2010
Departamento de Didáctica e Tecnologia Educativa Departamento de Comunicação e Arte
“Everyone knows the World-Wide Web, but not everyone knows that it was invented at CERN. Conceived to give particle physicists easy access to their data wherever they happened to be, the Web has grown into a telecommunications revolution.”
CERN Press Office
Tudo começou em 1989, quando Tim Berners-Lee propôs que o sistema de distribuição de informação da CERN (European Organization for Nuclear Research, organização pan-europeia de pesquisa de partículas) ocorresse na forma de hipertexto. Em 1990, Robert Cailliau junta- se a Berners-Lee e à equipa de desenvolvimento da CERN e o primeiro browser e
servidor são produzidos. Nasce a Web, a World-Wide Web (WWW).
"CERN's decision to make the Web foundations and protocols available on a
royalty free basis, and without additional impediments, was crucial to the Web's existence. Without this commitment, the enormous individual and corporate investment in Web technology simply would never have happened, and we wouldn't have the Web today."
Tim Berners-Lee (2003)
Em 1993, a Comissão Europeia aprova o primeiro projecto Web, em parceria com a CERN. No mesmo ano, nos EUA, a NCSA, (US National Center for Supercomputing Applications) produzia o browser Mosaic (da criação do Mosaic da NCSA, surgiu o Navigator da Netscape e o Internet Explorer da Microsoft) e a partir daí a Web tornou-se acessível para os utilizadores da Apple Macintosh, Microsoft Windows, e dos Sistemas X-Window. Nasce assim, um mundo novo de possibilidades, de serviços e ferramentas associadas à Internet e às TIC. Aplicando este fenómeno à educação, a Internet passa a constituir uma verdadeira Tecnologia com aplicações na Educação.
Baseados em Dias (2000), Ramos, Dias & Figueira (2001) referem:
“As práticas da aprendizagem na Web implicam a ultrapassagem dos constrangimentos tradicionais de tempo e lugar físico, a unidimensionalidade da representação e ainda os de ordem social ao expandir a sala de aula para a dimensão virtual, favorecendo o desenvolvimento dos modelos colaborativos e de partilha, as múltiplas comunicações e os múltiplos sentidos dessas mesmas comunicações, a representação distribuída de informação e a contextualização na rede.”
Mas quando falamos de Web estamos a referirmos a que concepção? Web 1.0 (tradicional)? Web 2.0 (Web Social)? Web 3.0 (Web semântica)?
Universidade de Aveiro 2010
Departamento de Didáctica e Tecnologia Educativa Departamento de Comunicação e Arte
6.1 Web 1.0, Web 2.0, Web 3.0?
“The basic idea of the Web is that an information space through which people can communicate, but communicate in a special way: communicate by sharing their knowledge in a pool. The idea was not just that it should be a big browsing medium. The idea was that everybody would be putting their ideas in, as well as taking them out.”
Tim Berners-Lee (1999)22
A expressão Web refere-se à rede (teia) de informação que através da internet se tornou acessível mundialmente, a World Wide Web (WWW). A adopção de terminologias tradicionalmente atribuídas a actualizações de softwares (0.1, 0.2, etc.) para o termo Web, é relativamente recente. No caso do termo Web 1.0 podemos assumir que traduz a web tradicional, e só é feita a referência à 1.0, (como se de uma versão se trata-se), como advento da Web 2.0, (uma “nova” Web).
A Web 1.0 dos anos 80-90 é associada à criação da Web, e aparecimento de espaços de interesse comercial na rede, com websites textuais, pobres em imagens. Já em plena década de 90, surgem aplicações como os Applets Java, alterando o aspecto dos espaços, ao introduzir animações, cores e muitas imagens. O conhecimento de concepção dos espaços era um privilégio dos programadores e profissionais da informática. Chegam a adoptar o termo “Webmasters”. O usuário estava condicionado a consultar e a navegar. O uso da informação e dos serviços dá-se de forma muito limitada (quando comparada com as actuais).
O conceito de “Web 2.0” surgiu em 2004, num conferência entre Tim O’Reilly e MediaLive International. Tim O’Reilly é o fundador e presidente da O’Reilly Media, Inc, uma conceituada editora de publicações de tecnologia informática (a empresa também possui publicações online através da O’Reilly Network e promove conferências e outros eventos sobre tecnologia). Nesta sessão de brainstorming, Dale Dougherty e O’Reilly, concluíram que o colapso da “bolha dot.com” marcou um ponto de viragem na Web, ao reconhecerem um conjunto de características comuns às companhias que sobreviveram, a adopção de uma nova postura perante o usuário.
Alexander (2006) reconhece a audácia da adopção deste termo, ao conduzir de forma subjectiva a uma perspectiva histórica da evolução da Web, (“The term is audacious: Web 2.0. It assumes a certain interpretation of Web history, including enough progress in certain directions to trigger a succession”).
Universidade de Aveiro 2010
Departamento de Didáctica e Tecnologia Educativa Departamento de Comunicação e Arte
“In the year and a half since, the term "Web 2.0" has clearly taken hold, with more than 9.5 million citations in Google. But there's still a huge amount of disagreement about just what Web 2.0 means, with some people decrying it as a meaningless marketing buzzword, and others accepting it as the new conventional wisdom.”
Tim O’Reilly (2005)