1 PREPARAÇÃO DA BAGAGEM PARA A VIAGEM:
1.6 TECNOLOGIAS ASSISTIVAS: OS RECURSOS E SERVIÇOS DA
tendem a diminuir a partir da introdução de estimulações específicas e de recursos. Concordando com essa perspectiva, Freire (2001) comenta que a paralisia cerebral caracteriza-se por um quadro irreversível, no entanto, alguns recursos tecnológicos, clínicos e educacionais podem melhorar a vida dos sujeitos com PC. Desde essa perspectiva, o computador tem sido um importante aliado, especialmente aqueles que “apresentam problemas motores severos que impedem a manipulação de objetos ou a produção inteligível da linguagem oral” (p. 122).
Por isso, torna-se imprescindível – diante de uma diversidade de tipos e graus de comprometimento nas pessoas com paralisia cerebral – um estudo sobre as necessidades específicas de cada um, a fim de que possamos ofertar recursos de acessibilidade para o acesso ao conhecimento e à interação com o ambiente, oportunizando condições adequadas à sua locomoção, comunicação, conforto e segurança.
Complementando, Smith (2008) ressalta que as pessoas com deficiência física, incluindo as pessoas com paralisia cerebral, têm apresentado melhoras significativas com os avanços da tecnologia, uma vez que possibilitam o acesso e o controle do mundo a sua volta, além da comunicação com as outras pessoas.
1.6 TECNOLOGIAS ASSISTIVAS: OS RECURSOS E SERVIÇOS DA VIAGEM
Um veículo que tem passageiros com paralisia cerebral requer recursos e serviços que atendam as necessidades desses viajantes, que funcionam como ajudas técnicas ou, ainda, tecnologias assistivas. Alves et al. (2006) esclarecem que as ajudas técnicas14 referem-se aos recursos utilizados como suporte nas patologias e nas estratégias da redução dos obstáculos das pessoas com deficiências.
Para ampliar essa orientação, a Lei N° 10.098/00 estabelece as normas e critérios básicos para a promoção da acessibilidade15 às pessoas com deficiência ou
14 A Lei N° 10.098/00 dispõe que “ajuda técnica é qualquer elemento que facilite a autonomia pessoal
ou possibilite o acesso e o uso de meio físico”.
15 Acessibilidade, conforme o artigo 2 ° da Lei N° 10.098/00, é a “possibilidade e condição de alcance
para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida”.
mobilidade reduzida. Dispõe que o poder público deve suprimir as barreiras urbanísticas, arquitetônicas, de transporte e comunicação, mediante ajudas técnicas. Para os fins dessa lei, são estabelecidas definições de barreiras em suas diferentes classificações. Assim, as barreiras são compreendidas como obstáculos que limitam o acesso e a liberdade de movimento e circulação com segurança. Essas barreiras podem ser arquitetônicas urbanísticas (vias públicas e espaços de uso público), arquitetônicas nas edificações (interior dos edifícios públicos e privados), arquitetônicas nos transportes, nas comunicações (os entraves que dificultam ou impossibilitam a expressão e a comunicação).
O que se pretende com a Educação Inclusiva, conforme Carvalho (2013), é remover barreiras. Para isso, são buscadas todas as formas de acessibilidade para que se efetivem ações não apenas para o acesso, mas para a permanência bem sucedida na escola. Com isso, é preciso considerar que através da remoção de barreiras intensificam-se as interações entre aprendizes, familiares e educadores e, também, com os objetos do conhecimento e da cultura.
A partir disso, vale considerar que as tecnologias assistivas servem para diminuir ou eliminar as barreiras que constituem obstáculos para as interações e os processos de ensino e aprendizagem nos espaços escolares.
Reiterando essa posição, Filho (2006) expõe que as tecnologias assistivas têm o objetivo central de possibilitar às pessoas com necessidades especiais maior independência, autonomia, melhor qualidade de vida e inclusão social, por meio da ampliação das possibilidades de sua comunicação, mobilidade e aprendizagem.
Da mesma forma, Bersch (2007, p. 31) expõe que a expressão tecnologia assistiva é utilizada para identificar todos os “recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiências e, consequentemente, promover vida independente e inclusão”.
Para definir o que são recursos e serviços em tecnologias assistivas, Filho et al. (2006) faz os seguintes apontamentos: recursos são os equipamentos que possibilitam ou aumentam as capacidades funcionais das pessoas com deficiência, enquanto serviços são os instrumentos que auxiliam essas pessoas a selecionar, comprar ou usar os materiais definidos.
Reafirmando essas assertivas, Santarosa et al. (2010) sustentam que a tecnologia assistiva contribui para proporcionar às pessoas com necessidades especiais maior independência, qualidade de vida e inclusão social, por meio de
suplementos que lhes devolvem as capacidades funcionais. Entre os recursos citados por Santarosa et al. (2010), vão desde um par de óculos até sistemas computadorizados complexos.
Sem esgotar o significado atribuído para tecnologia assistiva (TA), mas procurando ampliar ainda mais essa conceituação, complemento com Galvão Filho (2009), onde aponta para a definição indicada pelo Comitê de Ajudas Técnicas (CAT), instância que estuda essa área do conhecimento no âmbito da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR). Assim, o conceito aprovado e adotado pelo Comitê estabelece que TA é uma área de conhecimento interdisciplinar, que engloba produtos, serviços, metodologias, estratégias, práticas e serviços com o objetivo de promover a funcionalidade das atividades e a participação das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, para uma vida autônoma e com qualidade social.
Sendo assim, os recursos de tecnologias assistivas podem ser considerados mediadores para buscar a promoção das funcionalidades de todos os indivíduos e a equiparação de oportunidades entre eles. Santarosa et al. (2012) aponta que os recursos tecnológicos constituem estratégias de mediação para a promoção de uma estrutura escolar que supere alguns conceitos cristalizados que moldam os processos socioculturais.
De acordo com Bersch (2007), ao fazer TA na escola, são apresentadas alternativas ou estratégias criativas para o aluno realizar as atividades que precisa ou deseja fazer. Com isso, são valorizadas as capacidades de interação e ação a partir das habilidades desses alunos.
Com esse movimento, Bersch (2007) demonstra que aparecem novas alternativas para a comunicação, mobilidade, leitura, escrita, utilização dos materiais de escola e de uso pessoal, entre muitas outras possibilidades. Por tudo isso, o aluno pode se envolver, interagir, experimentar, conhecer e, ainda, construir seu conhecimento. Bersch (2007, p. 31) registra que através das TA pode se retirar “do aluno o papel de espectador e atribui-lhe o papel de autor”.
Por considerar tantos benefícios, os atuais investimentos do Governo Federal, através da adesão dos municípios ao Programa Educação para a Diversidade, disponibilizam uma grande quantidade de recursos de TA para as pessoas com deficiências matriculadas em escolas da rede regular de ensino. Esses recursos variam entre Baixa Tecnologia (low-tech) ou Alta Tecnologia (high-tech) e precisam
ser oferecidos conforme as necessidades educacionais especiais de cada aluno. Essas tecnologias englobam a comunicação alternativa (CA), as adaptações, equipamentos de auxílio, controle do ambiente, mobilidade alternativa, próteses e outros.
Para um aluno com deficiência física na escola, decorrente de algumas dificuldades, é necessário oportunizar recursos que sejam alternativas para essas tarefas (BERSCH et al. (2007). Entre os materiais escolares e pedagógicos adaptados, poderão ser oferecidos tesouras adaptadas com suporte fixo, tesoura mola, aranha-mola para a escrita de quem tem movimentos involuntários, pulseira imantada, órteses, engrossadores de lápis, de pincéis, colas, apontadores adaptados, plano inclinado, separadores de páginas, pranchas de letras e palavras, entre muitos outros recursos.
Contudo, é preciso considerar que para as tecnologias assistivas atenderem os objetivos frente às necessidades constatadas é indispensável conhecimento adequado que subsidie os usuários na escolha e na utilização da TA.
Como área de conhecimento, Bersch (apud SANTAROSA et al., 2010), propõe a seguinte subdivisão: recursos de acessibilidade ao computador; recursos de atividades de vida diária; adaptações em atividades recreativas (jogos e brincadeiras); equipamentos para pessoas com baixa visão e cegas; equipamentos para pessoas com deficiência auditiva e surdas; controle do ambiente; adequação postural; mobilidade alternativa; projetos arquitetônicos acessíveis; órteses e próteses; recursos pedagógicos adaptados; e comunicação alternativa.
Com o objetivo de atender o propósito desta pesquisa, sigo tratando da tecnologia assistiva como área de conhecimento em comunicação alternativa.
1.7 COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA: DESENVOLVENDO HABILIDADES