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TECNOLOGIAS DE PROCESSAMENTO E PRINCIPAIS CLASSES DE ÍMANES PERMANENTES

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5. TECNOLOGIAS DE PROCESSAMENTO E PRINCIPAIS CLASSES DE ÍMANES PERMANENTES

Os materiais magnéticos permanentes comercialmente disponíveis apresentam-se num espectro alargado de opções em função das matérias-primas de base, do processamento, das características magnéticas, térmicas e mecânicas finais.

A Tabela 1 apresenta as opções das ligas magnéticas disponíveis, em função dos materiais utilizados e das tecnologias de fabrico. Destes, as ligas de NdFeB e SmCo em conjunto com as ferrites representam 85 % dos produtos magnéticos comercializados numa base de custos (Buelow, et al., 2005), e como tal a discussão actual é limitada a estes materiais. Os ímanes permanentes de NdFeB sinterizados representam a maior parcela na base de custos em contraposição às ferrites que representam ainda a maior parcela na base de tonelagem.

O material baseado em ferro, crómio e cobalto (FeCrCo) apresenta propriedades magnéticas similares ao alnico 5, residindo a sua vantagem na elevada ductilidade, incomparável aos restantes materiais magnéticos permanentes disponíveis (Roozee, 2002).

Os ímanes permanentes híbridos resultam da combinação de ferrites com uma pequena quantidade de terras raras (combinação obtida por mistura das matérias-primas em pó) o que permite obter características magnéticas específicas, ditadas pela aplicação em questão.

TABELA 1- Ligas magnéticas comercialmente disponíveis Material Fundição Extrusão Sinterização Com agentes ligantes

Injecção Compressão Flexíveis

Alnico X X X FeCrCo X X SmCo X X NdFeB X X X X Ferrite X X X Híbrido X X X

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O processamento dos ímanes permanentes sinterizados, não recorre a nenhum efeito de diluição a partir do seu estado não magnético, sendo por isso expectável que os materiais magnéticos permanentes assim obtidos apresentem o produto energético máximo por unidade de volume e unidade de peso. O seu processamento está limitado a geometrias simples e regulares (Taylor, et al., 2002).

Os ímanes permanentes obtidos por ligação (bonded magnets) recorrem a agentes ligantes e a processos vários como a compressão, injecção, extrusão ou calandragem, tendo como principal particularidade a expressão do produto final que pode ser flexível ou rígida (Tabela 2). As características magnéticas e mecânicas do produto final são função do pó magnético e do agente ligante utilizado. O produto energético dos ímanes obtidos por ligação é sempre inferior ao dos ímanes com os mesmos materiais mas sinterizados (Buelow, et al., 2005). A grande contrapartida deste processamento consiste na flexibilidade geométrica: é possível a realização de formas geométricas e esquemas de magnetização complexos, dimensões, assim como tolerâncias, reduzidas, não realizáveis por sinterização (Grönefeld, 2003).

TABELA 2- Processos de fabrico dos ímanes permanentes obtidos por ligação Agente ligante

Termoendurecido Termoplástico Elastómero

Époxi Acrílico Composto fenólico Poliamida Poliéster PVC Borracha nitrílica Vinilo

Processo Compressão Injecção Extrusão Calandragem

Produto final

Rígido Rígido Rígido Flexível

NdFeB SmCo Híbrido NdFeB SmCo Ferrite Alnico Híbrido NdFeB Ferrite Alnico NdFeB Ferrite Híbrido

(Tabela adaptada de Arnold Magnetic Technologies Corp., com autorização)

No que concerne à selecção dos ímanes por material, baseada nos critérios características magnéticas, mecânicas e térmicas, disponibilidade das matérias-primas e consequente preço, os ímanes de NdFeB apresentam a maior densidade de produto energético máximo de todos os materiais magnéticos comerciais, a temperaturas moderadas (150 ºC, como referência) (Trout, 2001); a temperaturas superiores, as suas características magnéticas sofrem uma desclassificação tal, que aquelas são, regra geral, inferiores às das ligas

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de SmCo. Os recursos materiais são relativamente abundantes com reservas consideráveis demonstradas, sendo a China o principal fornecedor2, e os custos de refinação são moderadamente baixos.

Uma desvantagem dos materiais magnéticos baseados nestas ligas é a sua susceptibilidade à corrosão, pelo que é necessário recorrer a revestimentos (Kim, Camp, 1992). Os ímanes de NdFeB sinterizados são ainda quebradiços e de difícil manuseamento (Trout, Wooten, 2003).

Os ímanes de SmCo, comparativamente com os de NdFeB, além de apresentarem uma maior estabilidade com a temperatura, a resistência à corrosão é também superior (embora seja aconselhável a utilização de revestimentos); em termos da matéria-prima, existe uma descentralização das fontes, mas os custos associados à extracção e refinação são superiores, o que se reflecte num custo superior em 15 a 20% por unidade de produto energético.

As ferrites constituem o material com as características magnéticas mais desfavoráveis das classes em questão, mas em contrapartida constituem uma solução barata, devido em grande parte à abundância e ao baixo custo da matéria-prima envolvida. A resistência à corrosão e a resistência eléctrica são superiores aos ímanes de terras raras, o que constituem vantagens em aplicações que tolerem o maior volume de material necessário. As características térmicas enunciadas no ponto 2 (coeficiente de temperatura reversível do campo coercivo positivo) motivam a limitação da utilização das ferrites a baixas temperaturas (tipicamente -40 ºC).

6. CONCLUSÕES

Ao longo deste trabalho foi apresentada uma abordagem compreensiva à física do magnetismo permanente assim como as principais classes comerciais de ímanes permanentes.

Os recursos ciclo histerético e energia magnética armazenada num material magnético fornecem as bases para a compreensão dos materiais magnéticos permanentes. O produto energético máximo

2 “No Médio Oriente existe petróleo, na China existem terras-raras”

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permite avaliar a capacidade de um íman e foi utilizado para tipificar as ligas de materiais magnéticos permanentes com mais expressão no domínio comercial. De salientar que a selecção de um íman permanente para uma determinada aplicação não se esgota nesta característica, remetendo-se para trabalhos posteriores os critérios de selecção e dimensionamento de circuitos magnéticos.

As diferentes classes de ímanes permanentes e as principais características diferenciadoras, quer magnéticas, térmicas e/ou mecânicas, foram apresentadas, com especial relevo para as ligas de NdFeB, SmCo e ferrites, devido à maior expressão do ponto de vista comercial.

Cada liga apresenta um conjunto de vantagens e desvantagens que devem ser consideradas no processo de selecção, em função da aplicação a que se destinam; os parâmetros críticos são a gama de temperatura a que o íman será submetido, restrições dimensionais e de peso, assim como o custo da solução final. Ainda neste contexto, é possível inferir que os ímanes de NdFeB apresentam uma relação características magnéticas/preço que os tornam o material de eleição actual, para gamas de funcionamento com temperaturas não superiores a 150 ºC e em ambientes não corrosivos.

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PREVALÊNCIA DA

AUTOMEDICAÇÃO NA REGIÃO DE

BRAGANÇA: A PERSPECTIVA DO

CONSUMIDOR E DO

FARMACÊUTICO

CONSUMER AND PHARMACIST PERSPECTIVE ABOUT SELF- MEDICATION PREVALENCE IN BRAGANÇA REGION

PREVALENCIA DE LA AUTOMEDICACIÓN EN LA REGIÓN DE BRAGANÇA: LA PERSPECTIVA DEL CONSUMIDOR Y DEL FARMACEÚTICO

Dayana Barina Simões Martins* Sara Margarida Pereira do Couto*

Maria Isabel Barreiro Ribeiro ([email protected]) **

António José Gonçalves Fernandes ***

RESUMO

Analisar a prevalência da automedicação na população de Bragança e identificar os factores associados a este fenómeno são os principais objectivos desta investigação. Para estudar esta problemática foi feita uma amostragem aleatória simples considerando um nível de confiança de 95% e um erro amostral estimado em 2,5%. Dos 400 participantes neste estudo, a maioria é do género feminino, tem em média 34 anos de idade, reside na cidade e possui habilitações literárias ao nível do 12º ano. Igualmente, a maioria dos farmacêuticos é do género feminino e tem, em média, 33 anos de idade. Verificou-se que a taxa de prevalência da automedicação é de 91,3% e provou-se existirem diferenças estatisticamente significativas entre os géneros na prática deste fenómeno no que diz respeito ao alívio de cólicas e dores musculares. Por outro lado, o recurso à automedicação para o alívio do nervosismo e a duração desta prática é também estatisticamente diferente entre classes etárias. As situações em que o utente recorre à automedicação com maior frequência são, designadamente, gripe/constipação, cefaleia e febre. Os medicamentos mais consumidos em situações de automedicação são os analgésicos/antipiréticos e os anti-inflamatórios.

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ABSTRACT

To analyze the prevalence of self-medication in Bragança´s population and to identify the factors associated with this phenomenon are the main objectives of this investigation. To carry out this study a simple random sample was collected considering a 95% confidence level and a 2,5% sampling error. The consumer’s self-medication prevalence rate is about 91,3%. Most consumers are female (62%); are, in average, 34 years old, live in Bragança city (51,8%); and, have completed the secondary school (34,3%). The same way, most pharmacists are female (71,1%) and are, in average, 33 years old. The results revealed that, in the self-medication practice, there are statistically significant differences among genders for colic’s and muscular pains relief. There are statistically significant differences between ages for the anxiety symptom relief and self-medication period. Consumer’s self-medication occurs when they have flu or common cold (45,4%), headache (38,8%) and fever (38,0%). In the pharmacist’s perspective, consumers are self-medicated, essentially, when they have flu (86,8%), headache (81,6%) and sore throat (71,1%). The most used medicines in self-medication are Analgesic/Antipyretic (84,8%) and the Anti-inflammatory (64,8%).

Keywords: Self-medication; prevalence; consumer; pharmacist; Bragança.

RESUMEN

Analizar el predominio de la automedicación de la población de Bragança e identificar los factores asociados a este fenómeno son los principales objetivos de esta investigación. Para estudiar este problema se ha recogido una muestra aleatoria simple considerado un nivel de confianza de 95% y un error estimado de 2,5%. La prevalencia de la automedicación es de 91,3%. La mayoría de los consumidores pertenece al genero femenino (62%); tiene, en media, 34 años, vive en la ciudad de Bragança (51,8%); y, ha completado la preparatoria (34,3%). De igual modo, la mayoría de los farmacéuticos pertenece al genero femenino (71,1%) y tiene, en media, 33 años. Los resultados han revelado que, en la práctica de la automedicación, hay diferencias estadísticamente significativas entre los dos géneros para el alivio de cólicas y dolores musculares. Por otro lado, se verificó la existencia de diferencias estadísticamente significativas entre edades para el alivio del síntoma de ansiedad y para la duración del período de la automedicación. El consumidor recurre a la automedicación cuando tiene gripe/catarro (45,4%), cefalea (38,8%) y fiebre (38,0%). Las medicinas usada en la automedicación son los analgésicos/antipiréticos (84,8%) y los antiinflamatorios (64,8%).