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Telejornalismo e Esporte

No documento robertaoliveira (páginas 81-111)

Para falarmos do telejornalismo esportivo brasileiro há necessidade de estabelecer a trajetória do processo que permitiu a existência da editoria, as normas e características que norteiam as coberturas. Maurício Stycer (2009) considera que a configuração da imprensa brasileira, conforme a conhecemos atualmente, começa a se esboçar no fim do século XIX, recebe impulso no Estado Novo (apesar da censura) e se consolida no pós-guerra, com o fim da ditadura e a consolidação urbano-industrial do país. O autor lembra que, nas primeiras décadas do século XX, é quando, no embalo da disseminação e popularização do futebol, a imprensa esportiva dá os primeiros passos no país.

Primeiro nas páginas dos jornais e depois nas ondas do rádio, divulgando a modalidade e também o entorno: uma sociedade na transição da Monarquia para a República. Tudo que influenciava o futebol e se tornava manchetes nos jornais: assim, a inclusão das classes mais pobres, a mudança do amadorismo para o profissionalismo, o uso político, as alegrias e decepções vividas nas partidas. E a mudança de formatos experimentadas ao longo do tempo: seja mais informativa, ora mais interessada em aspectos que humanizam os protagonistas das histórias e ora apelando para o sensacionalismo, a imprensa esportiva brasileira construiu repertório, as estratégias de aproximação com o público que são utilizadas ou não, de acordo com o contexto de cada época.

Este capítulo estabelece a trajetória e a influência dos jornais impressos e das rádios para a transmissão televisiva no Brasil. Serão levantadas características presentes nestes veículos, respeitando as adaptações necessárias conforme as particularidades de cada um e que, dentro do contexto de cada época, podem ser verificadas até hoje.

3.1 – As bases: Impresso e Rádio

O capítulo anterior trouxe a análise de como o futebol se tornou um meio de expressão da identidade brasileira. Lembrando que André Ribeiro (2007) comenta que o espaço nos jornais era voltado para o turfe, o remo e o ciclismo. De acordo com ele, o marco inicial do jornalismo esportivo no país seria em 1856, com O Atleta. Em seguida vieram, em 1885, O Sport e O Sportsman, em 1891, A Pátria Esportiva (que era um suplemento de A Platea). Em 1898, também em São Paulo, surgiram a revista O Sport e o jornal A Gazeta Sportiva, periódico de distribuição gratuita que circulava somente aos domingos. Em pleno processo de urbanização e fortalecimento da economia, a imprensa em São Paulo tinha vários temas a abordar e não considerava o futebol uma prioridade.

São Paulo queria ser cosmopolita, o centro irradiador de padrões para o resto do país. Milhares de imigrantes, italianos, alemães e portugueses, eram recrutados para o trabalho nas indústrias, ferrovias e construção civil. Com tantos fatos importantes, sem contar a política local e nacional, o espaço para a divulgação do futebol, jogado nas várzeas e campos de terra da cidade, era praticamente zero, apesar de o esporte ser o lazer desta turma toda de imigrantes.

Emplacar pautas relacionadas ao futebol naquele cenário de São Paulo era muito difícil. Mas fechar os olhos para o crescimento do futebol nas várzeas parecia um grave erro de avaliação dos responsáveis pelos principais jornais da época. Porém, como a elite também imperava nas redações , a criação da primeira Liga do Futebol Paulista, no final de 1901, com apenas cinco clubes da elite, virou notícia. (RIBEIRO, 2007, p. 23)

No Rio de Janeiro, a situação era semelhante ao quadro em São Paulo. Até 1901, existiam apenas dois times: Paysandu Cricket Club e o Rio Cricket and Athletic Association, equipes que conseguiram romper, ainda que de forma pequena, a barreira da falta de interesse da imprensa da cidade.

Claro que, também no Rio de Janeiro, capital da República, pouco interessava aos principais jornais da época divulgar notícias sobre o futebol. Para o primeiro jogo realizado entre as duas equipes há apenas o registro de apenas uma pequena nota, publicada no dia 22 de setembro de 1901 em uma coluna batizada de “Sport”, no recém-criado Correio da Manhã.

O mais curioso dessa partida não foi o fato de haver menos público do que jogadores, mas a forma como o jornalista escalado para a cobertura tratou o assunto. Apesar da manchete – “Pela primeira vez, no Rio de Janeiro, uma partida de foot-ball” -, a pequena nota mostrava a decepção do repórter com o resultado da partida, que terminou empatada em 1 a 1. Acostumados (p.23) à cobertura de competições como remo e turfe, que sempre tinham um vencedor, o jeito foi escrever que “o placar esteve indeciso” (RIBEIRO, 2007, p.23-24)

Contou a favor do futebol o fato de seus adeptos – os filhos da elite que se encantaram com a modalidade – terem contato com jornalistas e conquistado a simpatia deles para a promoção do esporte. Diz Ribeiro (2007) que essa aliança favoreceu a realização da primeira partida entre equipes dos dois estados. Mário Cardim, jornalista de O Estado de São Paulo, emplacou a pauta e ainda se comprometeu em enviar as informações aos jornalistas do Rio de Janeiro, para que eles também pudessem divulgar.

Nas páginas de O Estado de S. Paulo, Cardim escreveu sobre os dois empates ocorridos no campo do SPAC, na região central da cidade, time em que Charles Miller jogava. Falou da presença de “distintas famílias” e enalteceu a qualidade técnica dos jogadores cariocas, uma grata surpresa para os paulistas, que se imaginavam superiores.

Cardim mostrou-se surpreso, também, ao constatar que a maioria dos jogadores do Rio de Janeiro era formada por brasileiros e não por ingleses. Tudo isso foi passado aos jornalistas amigos de Cardim, no Rio de Janeiro. Em poucos dias, os maiores jornais da capital da República, como o Jornal do Brasil e o Correio da Manhã noticiavam com orgulho a exibição de seus craques em terras paulistanas. Era o que faltava para o futebol ganhar novo impulso, também no Rio de Janeiro. (RIBEIRO, 2007, p.25)

André Ribeiro (2007) considera que a repercussão na imprensa dos dois estados acelerou a criação da primeira Liga de Futebol de São Paulo. A partir de 1902, o futebol virou notícia nas páginas dos principais jornais em São Paulo. Nesta etapa inicial, a informação, repassada por dirigentes e sócios de clubes, deveria ser divulgada de forma objetiva, “bastava dizer qual o jogo, local e resultado, até porque os jornais deste período eram muito ‘pequenos’, com quatro ou cinco páginas, no máximo. O jogo em si não era importante”. (RIBEIRO, 2007, p.25). Ele considera que as redações não estavam preparadas para tratar o assunto. Por terem quadros enxutos, o profissional era obrigado a assinar mais de uma matéria, o que fez com que repórteres, como José Carvalho, especialista em turfe, cobrissem futebol contra a vontade.

“No prado do Velódromo competiram, ontem, dois puros-sangues: Paulistano e Mackenzie. Ambos galoparam bem, demonstrando estar nas pontas dos cascos. Chegaram juntos, porque cada um deles fez o focinho, a bola, entrar uma vez ao disco com rede. Não foi fornecido o resultado do rateio. Serviram-se, ao final, bebidas e salgadinhos...” (RIBEIRO, 2007, p. 26)

As matérias destacavam, mesmo em espaços restritos, a elegância das senhoras e cavalheiros na arquibancada – indícios de que deveria ser assistido e praticado apenas pela alta sociedade. Conforme Ribeiro (2007, p.27), “o tema futebol servia como manobra para cronistas imporem sua visão ideal de sociedade e ‘expor o antagonismo entre as equipes’, o pobre e o rico, o colonizador e o colonizado”.

Pelos primeiros artigos publicados sobre futebol nos jornais e revistas, ficava clara a divisão do esporte em dois grupos. De um lado, os filhos de boa família, e do outro, os varzeanos humildes. Os primeiros eram considerados dignos representantes do foot-ball, importado da Europa, e os outros vistos como “brutos, incapazes de seguir as regras de conduta, ridicularizados muitas vezes pelos jornalistas como um bando de jogadores que davam chutões para o alto”, sendo chamados de “canelas negras”. (RIBEIRO, 2007, p. 27)

No entanto, os praticantes que não eram da elite começavam a ganhar espaço na várzea e também na imprensa: o jornal A Fanfulla, voltado para imigrantes italianos residentes em São Paulo, divulgava resultados e jogos de clubes varzeanos em suas páginas. No Rio de Janeiro, a situação era parecida: o futebol se desenvolvia e as redações recebiam mais informações, ofícios, releases e comunicados dos sócios e os transformavam em pequenas notas publicados nos diários.

Assim como em São Paulo, jornalista esportivo não saía da redação, não ia aos treinos, ninguém entrevistava ninguém. Os repórteres mais atrevidos e que se sujeitavam a acompanhar os jogos de perto começavam também a dar tom (p.29) crítico ao noticiário. Foi o caso do artigo publicado pelo jornalista da Gazeta de Notícias que, em 1904, logo após a criação do Botafogo, denunciou “as condições de campos inadequados para disputa dos matches”. (RIBEIRO, 2007, p.30)

A distinção que o futebol fazia entre pessoas ricas e pobres ficava evidente nas fotos da época: o público elegante ficava nas arquibancadas e os pobres se amontoavam nos morros e telhados que cercavam o estádio do Fluminense. “Esse cenário discriminador não era assunto importante para os diversos repórteres escalados para a cobertura dos jogos, pois em seus artigos mostravam indiferença pelo tema, parecendo concordar com a separação do público em ricos e pobres” (RIBEIRO, 2007, p. 32). Para controlar e impedir o ampliação da modalidade no subúrbio carioca, a Liga Metropolitana, composta pela elite do futebol, proibiu a inscrição de “pessoas de cor” pelos clubes filiados. O sucesso da modalidade também levou à criação de jornais para tratar do assunto5.

O foco da notícia também se ampliava. Com jornais específicos, começaram a surgir notícias de bastidores, envolvendo as vidas dos protagonistas do espetáculo. Jogadores tratados como ídolos de suas torcidas passaram a ter suas vidas investigadas. No Rio de Janeiro, alguns jogadores que eram vistos

5 Surgiram no Rio de Janeiro o Brazil Sport e a Revista Sportiva, criados em 1907 e 1908, respectivamente. (cf.

“paquerando” moças pelas esquinas viravam assunto nas páginas esportivas no dia seguinte. (RIBEIRO, 2007, p. 35)

À medida que a imprensa esportiva se desenvolve e se estabelece como assunto nos jornais, surge a rivalidade entre os cronistas de São Paulo e Rio de Janeiro, na década de 1910. Além da disputa pela supremacia, a imprensa participou da briga política nos bastidores pelo comando do futebol brasileiro: “Trocavam xingações e desaforos, principalmente no período em que equipes paulistas e cariocas se enfrentavam. Esses ‘colaboradores’ trabalhavam de graça e eram ‘escalados’ só para elogiar a atuação dos seus clubes” (RIBEIRO, 2007, p.49). E se tornou necessária a criação de uma linguagem nacional sobre o futebol, porque era comum o uso de expressões em Inglês, a pátria-mãe da modalidade, nos textos dos jornais.

A Associação dos Cronistas Esportivos promoveu várias reuniões para tentar unificar as expressões mais utilizadas nas coberturas esportivas e chegou até a publicar um dicionário com os termos mais comuns. Não era regra, mas o ideal é que se passasse a aportuguesar algumas expressões inglesas, como corner, que virou escanteio; dribbling, que virou finta; foul, que virou falta; back, que virou zagueiro; center-half que virou centro-médio. A lista era enorme e a principal polêmica foi provocada pela definição da palavra-chave do jogo: foot-ball. Pelas sugestões apresentadas, por pouco nosso futebol não se transformou em “podosfera”, “balípodo” ou ainda “bolapé”. O futebol venceu. As novas expressões foram adotadas apenas em São Paulo; a imprensa carioca demorou vários anos para adotá-las (RIBEIRO, 2007, p.53- 54)

Desta forma, a iniciativa atingiu dois objetivos: a defesa da língua e conquistar leitores entre a minoria de brasileiros alfabetizados. Anos depois, o rádio passou pelo mesmo processo. Conta Guerra (2008, p.37) que a mudança permitiu que o torcedor de classes sociais menos favorecidas entendesse o jogo e começasse a frequentar o campo, mesmo ficando no alambrado, já que as arquibancadas eram reservadas à elite.

Para Stycer (2008), o desenvolvimento da imprensa esportiva acontece junto com a popularização do futebol no Brasil. Era uma especialidade menos relevante, subalterna em relação a outras editorias e que atraía profissionais com menos habilidades e ambição, que eram desvalorizados.

A comprovar o que escreveu Ruy Castro sobre o trabalho dos repórteres esportivos no Rio de Janeiro em 1927 (“Não fosse pelo lanche que os clubes ofereciam nos dias de treino, alguns desses repórteres morreriam de fome”), De Vaney se recorta que os jornalistas de esporte não recebiam salários regulares, mas viviam à base de vales. “A maneira de pegá-los tinha um quê

de burlesco e muito de humilhação: o vale, esse vale que foi o vale de lágrimas de duas gerações de jornalistas”. (STYCER, 2008, p.173)

Nesta época, a imprensa (inclusive a editoria esportiva) estava nas mãos de grandes empresários, como Cásper Líbero e Assis Chateaubriand, em São Paulo e a famílias Marinho (Roberto Marinho tinha recém-assumido o jornal criado pelo pai, falecido precocemente) e Rodrigues (Mário Filho e Nelson fariam história no jornalismo esportivo brasileiro).

Dois anos depois, em 1928, Mário Filho passou a comandar a seção de esportes e promoveu mudanças que permaneceriam para sempre na imprensa esportiva brasileira. Começou “sepultando todo e qualquer formalismo de expressão”, especialmente nas entrevistas que apresentavam uma “linguagem nova, simples e vibrante, lembrando a língua até então somente falada nas ruas e nas arquibancadas dos estádios de futebol. A época dos acadêmicos estava chegando ao fim”.

(...) As inovações de Mário Filho nas páginas esportivas não paravam, e a partir daquele momento estavam aposentadas as tradicionais fotos de jogadores perfilados e engravatados que ilustravam as matérias de futebol. Em seu lugar, fotos de jogadores em ação. (RIBEIRO, 2007, p.68 e 69)

E a temática abordada nas matérias ganhou rumo da denúncia dos problemas. Conforme relato de Floriano, jogador do Fluminense, disse à revista Rio Esportivo: “Floriano ia mais longe ainda, afirmando que dentro dos próprios clubes existiam intermediários que ficavam com 30% a 40% dos “vales” que jogadores amadores faziam na tesouraria de suas agremiações” (RIBEIRO, 2007, p. 66). Outro tema que recebeu destaque foi o “falso amadorismo”. Max Valentim assumiu a cobertura do noticiário esportivo em O Imparcial, com liberdade para “agredir o amadorismo de tapeação”.

A guerra estava declarada. Para um jornalismo esportivo que engatinhava, Valentim surgiu como um inovador, pois, além de criticar duramente a política esportiva vigente, tratou de criar uma linguagem nova para o noticiário esportivo. O primeiro passo foi acabar com descrições minuciosas e chatas dos lances de um jogo, partindo para a crítica da partida de maneira objetiva, sem deixar de lado os erros e acertos dos jogadores dentro de campo. Parece pouco, mas as edições de terça e domingo chegavam a ter oito páginas, duas delas em cores, dedicadas inteiramente ao futebol. (RIBEIRO, 2007, p.66)

Em 1931, o jornalista Argemiro Bulcão criou o Jornal dos Sports, o primeiro jornal diário de esportes do Brasil, que sobreviveria até 2007. As quatro páginas exclusivas transformaram-se no maior acervo iconográfico esportivo do país, com quase

10 milhões de fotos e negativos. No início, Mário Filho fez parte da equipe do Jornal dos Sport e se destacou ao ponto de merecer o convite para um alto cargo no O Globo.

A opção de Mário Filho por escrever de forma dramática situações que poderiam parecer corriqueiras aproximou definitivamente o torcedor do jogador e da vida do clube. A inteligência de seus textos brotava de duas fontes bem distintas. Mário frequentava os estádios, sentia de perto as emoções do espetáculo, e ao mesmo tempo aprimorava os conhecimentos na roda de intelectuais que se encontravam assiduamente no Café Nice ou na Livraria da Olympio, terceira maior editora da década de 1930. (...)

Em suas mãos, o jornalismo esportivo ganharia novas dimensões. Na forma, quase tudo mudava: título, subtítulo, legendas. O conteúdo abria espaço para a vida dos personagens que faziam o espetáculo. Jogadores passaram a ser endeusados, especialmente os negros. Nos bastidores, Mário criava uma rede de informações poderosa. O prestígio no cargo ocupado em O Globo permitia contato direto com fontes preciosas, principalmente dos dirigentes esportivos. (RIBEIRO, 2007, p. 74 e 75)

Stycer (2008) destaca que as mudanças implantadas por Mário Filho nas páginas esportivas de O Globo precisaram de tempo. Diante do que o autor considera “hesitação de Roberto Marinho” em assumir o jornal fundado pelo pai, houve duas páginas esportivas: a 7, fechada pelo veterano Netto Machado e a 8, sob o comando de Mário Filho. Menos de um ano depois de chegar, o estilo de Mário Filho venceu a batalha.

O jornalista abriu espaço para as opiniões, emoções e expectativas de atletas e torcedores, os detalhes cômicos ou trágicos dos treinos e jogos, os bastidores dos clubes e a vida privada dos atletas. O jornal enviava repórteres aos vestiários, à casa dos jogadores, aos bares que eles frequentavam para colher informações curiosas, diferentes. (...) Do ponto de vista de apresentação, a mudança também foi notável. Os textos passaram a ser veiculados de maneira autônoma, dentro da página, cada um com um título próprio. O jornal publicava fotos, ilustrações, charges e caricaturas próprias, realçando eventos e personagens. A linguagem, por fim, também mudou. O texto tornou-se mais simples, coloquial, fazendo uso de diálogo e depoimentos, formas narrativas não usadas pelo jornalismo esportivo até então. (STYCER, 2008, p. 76-77)6

Ribeito (2007) também menciona esta abertura de espaço no jornais esportivos para matérias “mexeriqueiras”, interessadas nos bastidores da vida de suas principais estrelas. E a imprensa precisava acompanhar o profissionalismo da modalidade.

Antes de tudo, teria que acabar com a figura do repórter “amigo do clube e do jogador”. Uma nova profissão estava nascendo, e o jornalista esportivo passara a fazer parte do dia-a-dia das redações dos principais jornais do Brasil. Sua presença era ainda mais fundamental no momento em que a presença de jogadores famosos nas redações virava rotina. (RIBEIRO, 2007, p.85)

6 Toda esta análise é baseada no trabalho de SILVA, Marcelino Rodrigues, p. 131, que estudou as mudanças implantadas por Mário Filho em O Globo.

Stycer (2008) comenta, citando pesquisa sobre o tema7, que o estilo implantado por O Globo coloca em funcionamento um processo de retroalimentação “em que a notícia criava interesse pelo jogo, que por sua vez atraía mais leitores para o jornal” (2008, p.77) Citando Thomaz Mazzoni, que condenou o sensacionalismo em algumas publicações e Adriano Neiva, que relatou as dificuldades da época, o autor traça quadro de como seria trabalhar em jornalismo esportivo na década de 30.

Os textos de Adriano Neiva e Thomaz Mazzoni nos permitem visualizar o jornalismo esportivo praticado nas décadas de 20 e 30 como uma tarefa de profissionais despreparados, mal remunerados e alheios a alguns padrões éticos que, então, já eram valorizados, em particular a verdade factual e a sobriedade na forma de descrever os fatos. Não é possível, porém, esquecer o ambiente geral no qual esse jornalismo esportivo está inserido. (...) os periódicos da época faziam proselitismo político em troca de favores variados. A dependência de verbas governamentais levava o noticiário político a pender explicitamente para um lado em detrimento de outros, não raro de forma exagerada e “sensacionalista”. Igualmente grave, a falta de transparência quanto à propriedade dos meios de comunicação dificultava compreender os reais interesses por trás da opinião dos jornais. (STYCER, 2008, p. 175)

No início da década de 1930, as rádios entram de vez no cenário esportivo brasileiro. Veículo de comunicação nascido no século XX, chegou ao Brasil na década de 1920. A primeira transmissão, conforme relatos oficiais, foi do discurso do presidente Epitácio Pessoa, no dia 7 de setembro de 1922, centenário de Independência.

Mas, pelo que o próprio Roquette Pinto narrou em vários depoimentos sobre a história do rádio, aquela transmissão feita em 1922 pouco interesse despertou na população. Ele conta que o sistema de alto-falantes tinha um som de péssima qualidade, distorcido. “Era uma curiosidade sem maiores consequências”, afirmava Roquette Pinto, que acabou ganhando a paternidade do rádio brasileiro porque, ao procurar a Academia de Ciências, presidida por Henrique Morize, buscando não permitir que a interesse morresse, surgiu a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, 20 de abril de 1973. (GUERRA, 2000, p.15)

Conforme Ribeiro (2007, p.75), os donos das poucas emissoras existentes no Brasil resolveram aumentar a divulgação, a partir de informações repassadas por telefone pelos repórteres da emissora, em vez de apenas noticiarem os resultados das partidas durante a programação. Em 19 de julho de 1931, foi realizada a primeira transmissão radiofônica de uma partida: Nicolau Tuma e a equipe da Rádio Educadora

foram para o estádio de Floresta, na região central de São Paulo para irradiar a partida

No documento robertaoliveira (páginas 81-111)

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