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Comunique-se com os Adolescentes

1. Tema ao Senhor.

O temor do SENHOR é o princípio do saber, mas os loucos des-prezam a sabedoria e o ensino. (Pv 1.7)

Deus nos vê e nos mede. Esse é o ponto de partida da sabedoria. Vivemos em tempos perigosos e nem sempre a Igreja chama nossa atenção para aquilo que mais precisamos ouvir. Por exemplo, o evangelicalismo moderno enfatiza a ima- nência de Deus. Deus está conosco. Ele é nosso amigo e companheiro. Uma ver- dade maravilhosa está contida na imanên- cia de Deus. Mas não temos enfatizado da mesma maneira a transcendência de Deus. Deus é um Deus Santo. Ele é so- berano. Ele é um Deus que devemos ado- rar com reverência e temor. Precisamos enfatizar a transcendência do nosso Deus poderoso e majestoso a quem os sábios temem.

O evangelicalismo moderno freqüente- mente perde esse aspecto. Por exemplo, ao invés de sermos levados à presença de um Deus glorioso e tremendo, é bastante comum reduzimos o louvor a um entrete- nimento. Nos últimos cinqüenta anos, nos círculos evangélicos, temos jogado fora a mais rica coleção de hinos que a igreja já teve. Em muitos casos, os hinos têm sido substituídos por cânticos cujo ritmo mar- camos com os pés ou com palmas, mas que carecem da profundidade, beleza e majestade dos hinos das gerações passa- das. Isso é parte de um distanciamento da

noção de um Deus transcendente que é glorioso, majestoso, santo, tremendo, ma- ravilhoso, um Deus que deve ser temido, louvado e reverenciado. Nossos filhos pre- cisam dessa verdade. Eles precisam con- hecer o GRANDE Deus que os ama. O temor do Senhor é o primeiro passo em direção à sabedoria.

Minha esposa e eu fomos abençoados com três filhos, que nasceram em um período de cinco anos. Eles caminharam juntos na vida. Quando nossos filhos eram pequenos, lemos com eles as histórias do Antigo e Novo Testamentos. Mais adiante, quando começaram a questionar muitas coisas, lemos as epístolas. Reunidos em volta da mesa da cozinha, dissecamos as epístolas de Paulo e compilamos seus ensi- nos, trabalhando naqueles argumentos meticulosamente arrazoados. Quando nos- sos filhos eram adolescentes, lemos os profetas. Qual é o tema dos profetas? Eles falam de julgamento, da santidade de Deus. Falam de um Deus que é puro e santo, que não tolera o pecado, não deixa passar nada e está disposto até mesmo a lançar o povo da aliança fora da Terra Prometida para preservar somente um remanescente fiel. Ele não aceita escárnio nem zomba- ria, e não faz vista grossa ao pecado. Noite após noite, em nossa leitura, deparávamos com cenas de julgamento. Às vezes, eu até me questionava: “Será a melhor coisa a fazer?”. Certa noite, estávamos senta- dos à mesa e um silêncio santo envolvia- nos ante uma dessas terríveis cenas de julgamento. Um dos filhos quebrou o silên- cio e disse: “Pai, em vez de termos adesi- vos de carro dizendo ‘Sorria, Deus te ama’, deveríamos ter adesivos que dissessem ‘Trema, Deus é fogo consumidor’”. Há verdade nisso, não é mesmo? De fato, o amor de Deus não pode ser compreendi- do sem entendermos a ira do Deus santo.

Por que Cristo, pendurado no madeiro entre o céu e a terra, bradou em alta voz “Meu Deus! Meu Deus! Por que me aban- donaste?” Por que Deus derramou Sua ira sobre o Seu filho? Porque Ele é um Deus santo. Ele não pode fazer vista grossa ao pecado. De modo nenhum Ele pode nos aceitar no céu a não ser que o nosso pe- cado seja expiado. Por amor a nós, Deus derramou Sua ira sobre o Seu Filho a fim de poder nos receber no céu. Ele desviou o rosto de Seu Filho a fim de poder voltá- lo para nós. Não podemos entender a morte de Cristo sem entendermos a ira do Deus santo contra o pecado e sem enten- dermos um pouco do temor ao Senhor. Seus filhos adolescentes precisam deses- peradamente aprender sobre o temor ao Senhor. Por essa razão, é tão importante apresentá-los a um Deus grande e glorio- so, para que Deus possa ser do tamanho que Ele deve ser em suas vidas – não pe- queno e insignificante na órbita tangencial da vida, mas ocupando lugar de honra. O temor do Senhor é princípio da sabedoria. 2. Lembre-se das palavras dos seus pais

Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe. Porque serão diadema de graça para a tua cabeça e colares para o teu pescoço. (Pv 1.8,9) Mais adiante em Provérbios, Salomão desenvolve esta idéia.

Filho meu, guarda o mandamento de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe; ata-os perpetuamente ao teu coração, pendura-os ao pescoço. Quando caminhares, isso te guiará; quando te deitares, te guardará; quando acordares, falará contigo. Porque o manda- mento é lâmpada, e a instrução,

luz; e as repreensões da disciplina são o caminho da vida; para te guardarem da vil mulher e das lisonjas da mulher alheia. (Pv 6.20) Salomão recomenda com insistência ao filho: “Lembre-se das palavras dos seus pais”. Durante os anos da adolescência, precisamos nos conectar com nossos fi- lhos e dizer coisas como: “Querido, eu amo você. Tenho um compromisso com você. Por favor, não permita que estes anos o distanciem de mim”. Você não precisa usar estas palavras, mas é preciso estimular os adolescentes a enxergarem a sabedoria que há em se agarrarem àquilo que os pais falam e ensinam e a não se afastarem deles.

Se você não falar com seus filhos, quem o fará? Esta não é certamente a mensagem da nossa cultura. Infelizmente, até um ministério cristão dirigido aos jo- vens pode afastar os filhos de casa e da família. Margy foi com um grupo de alu- nos de nossa escola a uma grande confe- rência cristã para jovens. O palestrante, um jovem rapaz, levantou-se e disse: “Quero que todos vocês mais velhos sa- iam da sala. Esses adolescentes não falarão comigo abertamente se vocês es- tiverem presentes”. Então, todos os adul- tos maduros e sábios, com anos de ex- periência, deixaram a sala. Todos, exceto Margy. Aquele palestrante deveria ter se levantado e dito: “Jovens, olhem para es- sas pessoas mais velhas que trouxeram vocês aqui. Vamos agradecer ao Senhor por elas. Elas têm se sacrificado para que vocês possam receber uma educação cris- tã, têm renunciado a carros novos e férias em lugares privilegiados. Vamos agrade- cer a Deus por elas”. Mas, ao invés disso, qual foi a sua mensagem? “Vamos tirar esses velhos daqui, pois eles não nos en- tendem.” Essa não é a mensagem que nos-

sos adolescentes precisam ouvir. O minis- tério de jovens da igreja precisa concen- trar-se em construir uma ponte até as fa- mílias, certificando-se que está ministran- do junto com os pais, como deve estar. Nossos filhos precisam enxergar a impor- tância de aderirem à orientação paterna e à sabedoria.