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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.5. Comportamento da temperatura

4.5.1. Temperatura do ar

Os valores médios de temperatura do ar (à 0,15 m) para o primeiro experimento foram inferiores aos do segundo experimento (Tabela 12), sendo essas variações de temperatura coerentes com o período do ano em que foram realizados os dois experimentos. Segundo Tsekleev et al., (1993) a influência da cobertura plástica sobre a temperatura do ar se dá principalmente no estrato inferior da planta.

Os valores médios de temperatura do ar (à 0,15 m de altura da superfície do solo), para o primeiro experimento, foram infreiores aos do segundo (Tabela 12), sendo essas variações de temperatura coerentes com o periodo do ano em que foram realizados os dois experimentos. O primeiro experimento, conduzido no período de abril a junho de 2003, época em que a temperatura da região é mais amena, devido ao decréscimo da radiação solar incidente (Figuras 7 e 8), e consequentemente diminui a energia disponível. O segundo experimento, conduzido de agosto a outubro de 2003, registrou temperaturas mais elevadas, em função da maior duração do dia e da maior irradiação solar nesta época do ano, logo, ao contrário do primeiro experimento houve maior saldo de radiação (Figuras 7 e 8) o que resultou em maior calor sensível para aquecimento da superfície e do ar.

Em razão das menores temperaturas do ar, do primeiro experimento em relação ao segundo, observou-se que o híbrido Goldex, necessitou de um período maior de permanência no campo (5 dias), que ocasionaram um menor acúmulo de graus-dias

Tabela 12. Comportamento da variação diária mínimo, média e máxima da temperatura do ar (oC) a 0,15 m, para o solo descoberto e coberto com filme de polietileno preto, prateado, amarelo e marrom, no primeiro e segundo experimento. Mossoró-RN, 2003

Primeiro experimento Segundo experimento

Coberturas

do solo Mínima Média Máxima Mínima Média Máxima

Diurna SD 17,1 28,7 41,4 17,6 31,9 41,9 P 18,9 31,9 42,9 18,9 32,7 43,9 PR 18,1 31,7 41,8 18,5 32,5 42,2 A 17,5 31,1 42,2 17,8 32,2 42,8 M 18,4 31,4 42,2 18,7 32,4 42,6 Noturna SD 17,2 23,2 27,6 17,2 22,5 28,1 P 18,0 23,9 28,8 18,3 24,2 28,4 PR 18,1 23,9 28,6 18,3 24,1 28,3 A 18,5 24,3 28,3 18,3 24,5 28,6 M 17,8 24,5 29,7 18,5 25,6 28,8

(1052,33 GDA), enquanto, no segundo, com o híbrido Torreon, com ciclo de 66 dias que ocasionou um acúmulo de graus-dias de 1083,02 GDA. As temperaturas médias variaram de 17,1 a 42,9 oC, para o primeiro experimento e de 17,6 a 43,9 oC, para o segundo. Segundo Silva et al (2002), a planta desenvolve-se adequadamente dentro de uma faixa limite definida de temperatura, abaixo e acima da qual, ela práticamente cessa ou prejudica o seu crescimento. No caso da cultura do melão esta faixa é de 25 e 32 °C durante o ciclo e abaixo de 12 °C o crescimento é paralisado. Em regiões com temperatura inferior a 25 °C, o ciclo torna-se mais longo (Sousa et al., 1999).

O SD, tanto para o período diurno quanto para o noturno, nos dois experimentos, apresentou os menores valores de temperatura do ar a 0,15 m (Tabelas 12). Isso deve-se possivelmente, a evaporação da água que retira calor do extrato de ar próximo à superfície. Em ambos os experimentos, durante o dia, os valores máximos de temperatura a 0,15 m ocorreu para o filme de polietileno P, sendo esses valores da ordem de 42,9 oC e 43,9 oC

para o primeiro e segundo experimento, respectivamente. Enquanto à noite, os valores máximos foram para o filme de polietileno M, 29,7 oC para o primeiro experimento e de

28,8 oC para o segundo. Segundo Andriolo (2000), temperaturas máximas do ar podem diminuir o crescimento da cultura, pois interfe, no mecanismo de abertura e fechamento dos estômatos, assimilação de CO2 para fotossíntese, distribuição de fotoassimilados e

expansão foliar, uma vez que, a distribuição de fotoassimilados ficaria restrita ao período noturno quando as temperaturas diminuem.

O comportamento da variação média de temperatura do ar a 0,15 m da superfície, foi semelhante para os dois experimentos, tanto para as diferentes cores de filme de polietileno como para o SD (Figura 14A e 14B), sendo a média de temperatura do ar à 2,0 m inferior às demais temperaturas. Em ambos os experimentos os valores máximos de temperatura do ar a 0,15 m ocorrem entre os 20 e 25 DAT, decrescendo a partir de então. Entretanto, no primeiro experimento, após os 53 DAT a uma tendência da temperatura do ar aumentar.

Para o primeiro experimento, em média, observou-se que o comportamento da variação de temperatura do ar a 0,15 m para os filmes de polietileno P e PR práticamente se confundem, e o filme de polietileno A apresentou-se superior aos filmes de polietileno P, PR, M e também ao SD (Figura 12A). O Filme de polietileno A, para o período diurno, gerou temperatura a 0,15 m, superior em 2,6 %; 0,7 %; 3,9 % e 11,3 % ao SD e aos filmes de polietileno P, PR e M, respectivamente (Tabela 12). Para Tsekleev et al., (1993), isso

25 26 27 28 29 30 11 18 25 32 39 46 53 60

Dias após semeadura

T em per at ur a d o ar ( oC) SD P PR A M Tar (A) 26 27 28 29 30 8 15 22 29 36 43 50 57

Dias após semeadura

T em per at ur a d o ar ( oC ) SD P PR A M Tar (B)

Figura 14. Variação média da temperatura do ar (0,15 m da superfície), para o solo descoberto e coberto com filme de polietileno preto, prateado, amarelo e marrom, para o primeiro (A) e segundo experimento (B). Mossoró-RN, 2003

ocorre porque os filmes de polietileno escuros, permitem a emissão de apenas parte da energia absorvida provocando um aumento menos acentuado da temperatura do ar.

Para o segundo experimento, observou-se que os valores de temperatura do ar, a 0,15 m da superfície, foi menor, aos 57 DAT, do que os iniciais, 8 DAT (Figura 12B). Verificou-se que a temperatura do ar, semelhante ao primeiro experimento, é maior para o solo coberto com o filme de polietileno A, seguido pelo M, e o P e PR, cuja variação de temperatura ao longo do experimento não difere (Tabela 12).

O solo coberto com as diferentes cores de filme de polietileno proporcionou um ganho de unidades térmicas superior a SD (Tabela 12), podendo constituir-se a temperatura

do ar em mais uma variável que interfere na maior εb. Entretanto segundo Caron et al (2003), para isso, é necessário que as temperaturas estejam dentro de uma faixa considerada ótima para o crescimento da cultura. Os valores de temperatura máxima do ar apresentam efeitos no aumento da transpiração da planta culminando no fechamento dos estômatos e redução da absorção de CO2 e as temperaturas baixas do ar reduzem a

atividade enzimática das plantas e afetam taxa de crescimento e desenvolvimento (Andriolo, 2000). Do mesmo modo, as temperaturas baixas do ar contribuem para uma menor soma térmica, bem como na distribuição de fotoassimilados conforme observado por Andriolo (2000), para a cultura do tomateiro. Steinmetz & Siqueira (1997), objetivando verificar a influencia de outras variáveis na eficiência de conversão, para a cultura do arroz, concluíram que a adubação nitrogenada influenciou o desenvolvimento da área foliar, e conseqüentemente na área de interceptação da radiação solar.

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