CAPÍTULO II Desempenho agronômico da videira ‘Syrah’ em ciclos de
3.4 Aspectos ecofisiológicos
3.4.4 Temperatura do microclima dos cachos
O acompanhamento da temperatura no microclima dos cachos durante o período da maturação podem ser observados através da Figura 4A, do Anexo A. Observou-se que para o verão de 2005, as temperaturas máximas estiveram entre 20,2 e 33,3°C, enquanto que no inverno, as máximas variaram entre 16,4 e 29,5°C. No ano de 2006, as temperaturas máximas no verão mantiveram-se entre 19,3 e 32,2°, ao passo que no inverno o maior valor encontrado foi de 29,0°C. Com relação às temperaturas mínimas, em 2005 o verão apresentou variação entre 13,6 e 21,0°C, enquanto que o inverno as médias não passaram de 3,9 e 15,6°C. Já para o ano de 2006, o verão variou entre 12,4 e 17,3 e o inverno entre 1,9 e 13,9°C.
A Tabela 8 apresenta os valores médios das temperaturas máxima, mínima e da amplitude térmica durante o período avaliado. Pelo exposto, observou-se que a menor amplitude foi de 12,4 °C na safra de verão do ano de
2005 e a maior foi encontrada no inverno de 2006, com 17,3 °C entre as temperaturas diurnas e noturnas.
Os resultados encontrados estão dentro dos valores indicados na literatura como valores ideais para o acúmulo de polifenóis nas bagas. Diversos autores afirmam que regiões quentes e com pouca amplitude térmica produzem uvas de pouca coloração e com pouco teor em taninos. Kliewer & Torres (1972), citados por Champagnol (1984) verificaram que a coloração dos frutos melhorou sensivelmente, quando as diferenças de temperaturas entre dia e noite ultrapassaram 10°C. Mori et al. (2005) observaram um aumento na concentração de antocianinas das bagas quando a amplitude térmica na região dos cachos foi de 15°C. Bergqvist et al. (2001); Mori et al. (2004) e Spayd et al. (2002) demonstraram que um aumento progressivo da temperatura das bagas promoveu inibição no acúmulo de antocianinas.
TABELA 8 Média das temperaturas máxima e mínima e amplitude térmica na região dos cachos, durante o período da maturação de frutos da videira ‘Syrah’, em ciclos de verão e inverno, nas safras 2005 e 2006, no município de Três Corações, MG, 2006. UFLA, Lavras, MG, 2007.
Temperatura 2005 2006
média (°C) Verão Inverno Verão Inverno
Máxima 29,1 24,3 28,1 25,1
Mínima 16,7 9,5 15,5 7,8
Amplitude térmica
4 CONCLUSÕES
Através do presente trabalho pode-se concluir que:
1. Em vinhedo não irrigado, a videira ‘Syrah’ responde à dupla poda, exprimindo, no ciclo de inverno, índices de desenvolvimento e produção superiores aos do ciclo de verão;
2. o ciclo fenológico de inverno é de aproximadamente 183 dias;
3. a época de colheita do ciclo de inverno coincide com o período de menor precipitação pluviométrica e maior amplitude térmica.
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