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1.5. Energia de micro-ondas

1.5.2. Fatores que influenciam a MAE

1.5.2.2. Temperatura

A temperatura é um dos parâmetros mais investigados na MAE, pois é um fator importante que contribui para melhorar a eficiência nas recuperações dos analitos. Quando a MAE é conduzida em vasos fechados, a temperatura do solvente pode alcançar valores superiores ao seu ponto de ebulição, o que resulta na maior eficiência de extração, pois a dessorção dos analitos na matriz irá aumentar. Em elevadas temperaturas, a tensão superficial e a viscosidade do solvente diminuem, o que melhora a capacidade do solvente penetrar na matriz e extrair os analitos (Eskilsson & Bjorklund, 2000).

Hoogerbrugge et al. (1997) verificaram que a eficiência da extração de triazinas em solo através da extração assistida por micro-ondas com solvente foi extremamente dependente da influência da temperatura, uma vez que apenas entre 80 e 100°C a extração foi máxima, o que pode estar associado ao rompimento das células na matriz e conseqüente aumento da disponibilidade das triazinas no solvente. Porém, o aumento da temperatura pode comprometer a eficiência da extração em alguns casos, devido à degradação de componentes termolábeis presente na matriz (Camel, 2000).

1.5.2.3. Potência

Alta potência com exposição prolongada sempre envolve o risco de degradação térmica, pois gera um rápido aumento da temperatura (Mandal et al., 2007). Além disso, compostos indesejáveis podem ser lixiviados para o solvente,

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devido ao rompimento da parede celular da matriz, decorrente da elevação brusca de temperatura (Camel, 2000).

Em sistemas de vaso fechado, a seleção da potência depende do número de amostras a serem extraídas durante um ciclo de extração. Como até 12 vasos podem ser tratados em um único ciclo, a potência deve ser selecionada a fim de evitar temperaturas demasiadamente elevadas, o que pode conduzir à degradação do analito (Camel, 2000).

Shu et al. (2003) estudaram as quantidades de ginsenosídeos extraídos por MAE sob diferentes condições de micro-ondas. Em relação à potência, observaram que a eficiência na extração aumentou de 30 para 150 W, sendo que em 150 W, o tempo necessário para atingir o ponto de ebulição das soluções foi cerca de um quinto do tempo necessário para 30 W.

1.5.2.4. Tempo de extração

Os tempos de extração em MAE são bem inferiores em comparação ás técnicas convencionais. Geralmente, o aumento do tempo de extração, leva a maior quantidade extraída de analito, embora possa ocorrer o risco de degradação para compostos termolábeis (Mandal et al., 2007). Na maioria das vezes 10 minutos são suficientes. Por exemplo, um aumento no tempo de extração de 5 para 10 minutos (a 30 W em vasos abertos) resultaram em recuperações mais elevadas de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos em material certificado de sedimento marinho (Letellier et al., 1997). Um estudo realizado por Sun et al. (2007), com o aumento do tempo de extração de 5 para 15 minutos na otimização da extração de antocianinas em framboesas, também resultou em recuperações maiores, onde o tempo ótimo de extração foi de 12 minutos, sendo que acima desse valor, houve decréscimo na extração dos compostos, possivelmente acarretado pela degradação dos compostos.

A otimização do tempo de extração na MAE é vital, pois o tempo de extração pode variar de acordo com a matriz. O tempo de irradiação é também influenciado pelas propriedades dielétricas, solventes com elevadas constantes

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dielétricas como a água, o etanol, e o metanol podem aquecer rapidamente em um tempo mais longo de exposição, o que pode comprometer a integridade de constituintes termolábeis (Mandal et al., 2007).

1.5.2.5. Natureza da Matriz

As características dos constituintes da matriz e o tamanho das partículas possuem um grande efeito na eficiência da extração por MAE. O teor de água na matriz é um fator de grande importância, devido ao alto momento dipolar que a molécula de água possui, e grande capacidade de absorver a energia de micro- ondas, o que leva a um aquecimento eficaz da amostra (Camel, 2000). Para os peixes, em particular, a quantidade de água é altamente afetada pelo teor de lipídeos, enquanto que a quantidade de proteínas e cinzas não apresenta grande variação. Um exemplo de um peixe considerado magro (Pargo, Lutjanus

purpureus) possui a seguinte composição centesimal (g/100g): 1,18 de lipídeos,

77,35 de umidade, 19,30 de proteínas e 0,98 de cinzas. Enquanto que um peixe altamente gordo (Pacu, Mylossoma sp.) possui 24,90 de lipídeos, 56,10 de umidade, 17,00 de proteínas e 2,00 de cinzas (Ackman,1989; Gonçalves, 2011).

Molins et al. (1997) avaliaram o efeito da adição de água para extração de pesticidas organoclorados através da MAE em solo utilizando como solvente de extração o hexano. Diferentes quantidades de água (0 a 45%) foram adicionadas na amostra de solo, e verificou-se que quantidades de 15 a 25% de água apresentaram melhores eficiência na extração. O hexano possui fator de dissipação de 0,02 enquanto que o da água é de 0,123. A água possui maior capacidade de absorver a energia de micro-ondas e convertê-la em calor, consequentemente, a adição de água na amostra de solo favoreceu a extração de pesticidas organoclorados.Assim, concluíram que não é possível realizar uma boa extração com amostra completamente seca, bem como com quantidades elevadas de água, quando o hexano é utilizado como solvente extrator.

O efeito no tamanho da partícula também é um fator determinante na eficiência da extração por MAE. O tamanho das partículas extraídas de materiais

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geralmente se encontra na faixa de 100 µm a 2 mm (Eskilsson & Bjorklund, 2000). Partículas menores oferecem maior superfície de contato, o que proporciona melhor interação entre a matriz e o solvente. Além disso, também permitem maior penetração das micro-ondas. Uma desvantagem associada ao emprego de partículas finas seria a dificuldade de separar a matriz do solvente após a irradiação de micro-ondas. Etapas de centrifugação ou filtração podem ser realizadas para uma separação satisfatória (Mandal et al., 2007).

2. OBJETIVOS 2.1. Objetivo Geral

Desenvolver e validar um método de MAE de lipídeos de peixes e investigar se a MAE gera compostos de oxidação lipídica em função da energia aplicada durante a extração.

2.2. Objetivos específicos

• Desenvolver um método de extração de lipídeos para peixes por MAE através do delineamento estatístico experimental de composto central rotacional (DCCR) 23 utilizando material de referência certificado de tecido de peixe homogeneizado;

• Verificar o efeito das micro-ondas na MAE na composição de ácidos graxos e compostos oriundos da oxidação lipídica;

• Avaliar o efeito das micro-ondas no tecido de filé de tilápia após a extração por MAE comparado a extração sólido-líquido (ESL) de acordo com Folch

et al. (1957) através da microscopia eletrônica de varredura (MEV);

• Validar o método de MAE através da comparação com ESL utilizando material de referência certificado de tecido de peixe homogeneizado e filé de tilápia;

27 3. MATERIAIS E MÉTODOS

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