4 Avaliação de resistência residual com ultra-som
4.6 Resultados
4.6.3 Tensão de Ruptura e Módulo de Elasticidade
Conform e o procedimento experimental apresentado acima, os gráficos de carga versus
Tensão v s Deform ação Eucalipto
D e f o r m a ç ã o
Tensão v s Deform ação Pinus
D e f o r m a ç ã o
Figura 30: (esquerda) Gráfico de três corpos-de-prova de eucalipto, representando os comportamentos observados
Figura 31: : (direita) Gráfico de três corpos-de-prova de pinus, representando os comportamentos observados
Pode-se perceber, pelos gráficos acima, que a ruptura dos corpos-de-prova de pinus
foram mais abruptas, enquanto os corpos-de-prova de eucalipto apresentaram uma
deformação maior no último estágio. O tipo de fratura observada foi frequentemente
diferente da esperada flambagem das fibras em um plano de 45° em relação à direção da carga, que normalmente se observa para a madeira. Os tipos de fratura observados
podem ser descritos sob as seguinte denominações:
• catastró fica: quando o rom pim ento se deu rep en tin am en te, asso ciad o ao
despedaçamento do corpo-de-prova;
• fendas: quando o rompimento se deu pela abertura de fendas longitudinais às fibras,
normalmente relacionadas com galerias de cupins
• flambagem a 45°: forma típica de fratura em madeira, formando um plano de 45° em
relação à direção da carga, porém aqui foi frequentemente relacionada com galerias
• inclinada: quando a form a do corpo-de-prova passa de um paralelogram o reto
(cubo) a um paralelogramo oblíquo, causando um cisalhamento entre os anéis de
crescimento ou no plano radial-longitudinal;
• esm agam ento: o corpo-de-prova sofre um achatam ento acom panhado de um
desfíbrilamento localizado no topo, perdendo a capacidade de carga;
• não caracterizado: quando o ensaio foi interrompido à perda de capacidade de carga
sem que houvesse caracterização da fratura.
Nas figuras abaixo estão representados os tipos de fraturas mais freqüentes:
Figura 32: fraturas típicas observadas em eucalipto. Da esquerda para direita, inclinada, fendas, catastrófica e esmagamento
Figura 33: fraturas típicas observadas em pinus. Da esquerda para direita, inclinada, fendas, flambagem 45° (no canto esquerdo, junto à galeria rompida) e catastrófica.
Por se tem er que as formas atípicas de fratura , especialm ente a inclinada, fossem
causadas por uma assim etria no aparato de ensaio, realizaram -se ensaios-piloto com
corpos-de-prova de madeiras de outras espécies ou lote, em umidade de equilíbrio com
o am biente, observando-se entretanto o com portam ento típico na fratura destes,
conforme ilustra a figura abaixo:
Figura 34: rupturas por flambagem das fibras formando planos de 45°, em corpos- de-prova de outras amostras, reforçando a simetria do aparato utilizado. De cima para baixo as madeiras são: roxinho, pinus e eucalipto.
Tam bém nos corpos-de-prova de testem unho, três de eucalipto e três de pinus,
observou-se o comportamento de fratura atípico, como nas amostras. Estes testemunhos
não passaram pela exposição aos cupins nem por leituras de ultra-som.
Abaixo, encontra-se uma tabela com os valores representativos das tensões de ruptura
Tabela 17: Dados representativos das tensões de ruptura para diferentes tipos de
fraturas observados.
Tipo de Fratura Dado Eucalipto Pinus catastrófica Média TR (MPa)
Desvio Padrão TR (MPa) A Número CRs
51,96 7,45 8 fendas Média TR (MPa)
Desvio Padrão TR (MPa) Número CRs 4 5,47 4,25 3 51,31 2,83 3 flambagem 4 5 a Média TR (MPa)
Desvio Padrão TR (MPa) Número CRs 47,02 9,30 2 46,53 3,34 12 inclinada Média TR (MPa)
Desvio Padrão TR (MPa) Número CRs 44,41 5,07 36 46,39 4,00 22 sem dados disponíveis Média TR (MPa)
Desvio Padrão TR (MPa) Número CPs
43,52 1,23 2 esmagamento Média TR (MPa)
Desvio Padrão TR (MPa) Número CRs
42,74 2,83 1 3 não caracterizou Média TR (MPa)
Desvio Padrão TR (MPa) Número CRs
4 0,28 2,99 3
Média TR (MPa) Total 4 3 ,9 6 47,56 Desvio Padrão TR (MPa) Total 4,6 8 4,97
Número CPs Total 5 7 47
As tensões de ruptura (TR) e M ódulos de elasticidade (M O E) foram calculados
empregando recursos de planilha de cálculo. Para a TR foi simplesmente usada a função
que localiza o valor máximo de carga atingida. Para o M OE foi utilizada a função que
calcula a inclinação entre a tensão e a deformação, usando os pontos localizados entre
10 e 50% da tensão de ruptura na última rampa de carregamento (abrangendo algumas
centenas de pontos). Conforme é apresentado na tabela a seguir, os coeficientes de
motivo destes coeficientes de determinação (r2) estarem baixos pode ser atribuído ao
aparato utilizar extensôm etros entre as travessas da m áquina de ensaios, captando as
vibrações próprias da máquina hidráulica de ensaios .
Cabe lem brar que os m ódulos de elasticidade apresentados têm em butido em si o
m ódulo de elasticidade do próprio aparato, um a vez que os extensôm etros foram
m ontados entre a travessa superior e inferior da m áquina de ensaios, abrangendo a
célula de carga, a rótula e o corpo-de-prova. Foi realizado um ensaio som ente com a
célula de carga e a rótula, onde se constatou um a relação da carga 58.652 vezes m aior
do que o deslocamento (com r2 =0,92). N ão se aprofundará nesta relação um a vez que
os módulos de elasticidade apresentados aqui são somente para efeito de com paração
entre eles.
Tabela 18: dados representativos dos valores de TR, M O E e coeficiente de
determinação (r 2) do MOE.
TR (MPa) MOE (MPa) f 2 Eucalipto Média 4 3,96 Desv. Padrão 4,7 Coef. Var.(%) 10,7 Pinus Média 4 7,5 6 4 7 9 1 ,9 0 0,73 Desv. Padrão 5,0 692,5 0,08 Coef. Var.(%) 10,5 14,4
Os coeficientes de variação encontrados tanto para as tensões de ruptura como para os m ódulos de elasticidade possuem valor m áximo de 14,4%, que sendo abaixo de 18%
ainda são valores usuais para propriedades de compressão paralela às fibras, conform e o item F .7, anexo F da N BR 7190:97 (ABNT, 1997).
4 1 6 9 ,3 0 0,67 56 6,3 0,11
Os dados pode também ser representados pelos histogramas à seguir. d eri3ida de 0.1 0.10- 0.08- 0.05- 0.04- 0.02- 0.00- 35 40 TR - Eucalipto 45 50 TRCMPa} 55 úensidada 0.0008-1 0.0007- 0.0006 0.0005- 0.0004- 0.0003- 0.0002- 0.0001 MÜE Eucalipto f — 1 aoooo- 60 65 2500 3000 3500 4000 4500 5000 5500 6000 MOE (HPa)
Figura 35: (esquerda) histograma dos valores de tensão de ruptura dos corpos-de-
prova de eucalipto.
Figura 36: (direita) histograma dos valores de módulo de elasticidade dos corpos-
de-prova de eucalipto, para fins comparativos dentro deste estudo.
Figura 37: (esquerda) histograma dos valores de tensão de ruptura dos corpos-de-
prova de pinus.
Figura 38: (direita) histogram a dos valores de módulo de elasticidade dos corpos-
de-prova de pinus, para fins comparativos dentro deste estudo.