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Tensões, conflitos e o déficit de implementação

Embora todos os governos nacionais amazônicos declarem respeito aos direitos dos povos indígenas e se comprometam com a legislação internacional de proteção de seus direitos, tendo ratificado tanto a Convenção 169 como a Declaração de Direitos dos Povos Indígenas, há um divórcio entre o discurso oficial e de respeito à lei e a sua prática. O problema da implementação desses direitos é, pois, uma questão central que está na base de diversos conflitos socioambientais contemporâneos nos países amazônicos. De acordo com vários líderes indígenas e ativistas ambientais, de diversos países amazônicos a Convenção 169 da OIT não é uma prática. Em muitos casos não há mecanismos de consulta e, quando ocorrem, resumem-se a informar as populações indígenas afetadas de uma decisão do governo já tomada. Os requisitos democráticos para o debate e formação de consenso não são respeitados. Como bem expõe a antro- póloga Manuela Carneiro da Cunha:

Uma verdadeira consulta se dá nas comunidades − e não só com as lideranças ou organizações indígenas −, no tempo delas e em língua que elas entendam e possam se expressar. E não pode ser uma atividade pontual, e sim um processo que acompanhe todas as fases do projeto. Se está tudo decidido de antemão, vai-se consultar os índios sobre o que? Se querem bolsa-pescado ou tanques de piscicultura depois que os peixes do rio sumirem? A cor da parede da barragem?14

A dificuldade para implementação deve-se, entre outros fatores, aos interesses conflitantes e diferentes que atores econômicos e políticos têm na região. A Amazô- nia é uma região sob forte pressão e disputa. Exploração de gás e petróleo, comércio ilegal de madeira, mineração e usinas hidrelétricas são os focos principais de conflito porque causam grande impacto nos territórios indígenas e na floresta com um todo. Os conflitos têm sido atualmente agravados com o desenvolvimento de megaprojetos na região amazônica. Sob o guarda-chuva da Iniciativa para a Integração regional da América do Sul (IIrSA), uma mega agenda de desenvolvimento proposta pelo Brasil em 2000 e apoiada pela Unasul, vários projetos de infraestrutura nas áreas de transporte (rodovias, portos, pontes), energia e redes de comunicação tem sido construídos nos países amazônicos, intensificando a pressão na região e, consequentemente, conflitos socioambientais. A assimetria de poder entre os diferentes atores envolvidos é enorme, permanecendo as populações indígenas como a parte mais vulnerável.

14 Entrevista da antropóloga Manuela Carneiro da Cunha. Disponível em: <https://anedotadasantilhas.files. wordpress.com/2015/11/entrevista-de-manuela-carneiro-da-cunha.pdf. Acesso em: 15 dez. 2015.

Vale notar que a forma como esses conflitos ocorrem varia de país para país, mas, em todos os casos, o desrespeito aos padrões socioambientais e dos direitos e das vozes indígenas são uma constante. A IIrSA é financiada por diferentes fontes regionais, a saber: Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), Fondo Financiero para el Desarrollo de los Países de la Cuenca del Plata (Fonplata), Inter-American Development Bank (IADB), mas a presença do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desempenha um papel central nos seus projetos. Uma vez que um dos principais objetivos do BNDES é incentivar o processo de internacionalização das empresas brasileiras de engenharia e de construção (como a Camargo Correa, Odebre- cht e Andrade Gutierrez) (CArVALHO, 2012), há uma relação íntima entre o governo brasileiro e o setor privado tanto no nível nacional como na política externa que muitas vezes não é orientada apenas pelo interesse nacional e pelos valores republicanos. A in- fluência das referidas empresas nas campanhas eleitorais, estrelando como as maiores doadoras de recursos, e as revelações da Operação Lava Jato apontam para relações sistemáticas de corrupção que colocam sob suspeita a relevância, pertinência e objeti- vos finais dos grandes projetos de infraestrutura adotados no país.

No Brasil, os megaprojetos do Complexo do rio Madeira e Belo Monte, no rio Xingu, são dois marcos de uma concepção específica e fechada de desenvolvimento que pode ser considerada como governamental, mas não pública, e que tem sido de- senhada para atingir exclusivamente os interesses do mercado e de governos. Na visão desses atores, a construção de rodovias, hidrovias e portos é essencial para o aumento da infraestrutura para a exportação de bens primários como soja, minérios e madeira, e as limitações existentes, ambientais e de direitos humanos, são vistas como obstáculos a serem superados. Também para os governos e grandes empreiteiras as hidrelétricas (Jirau, Santo Antonio e Belo Monte) são a melhor alternativa para fornecer energia. Para alguns pesquisadores, porém, esses projetos hidrelétricos não podem sequer ser pensa- dos como projetos de desenvolvimento, mas apenas um meio de auxiliar o crescimento do capitalismo global no contexto de uma crise estrutural do capitalismo.15

As tensões e conflitos causados pelos interesses do capital e dos governos em dis- sonância com os direitos ambientais e indígenas é similar nos demais países amazôni- cos. No Equador, por exemplo, a região amazônica registra a presença das empresas de petróleo por mais de 40 anos, com fortes estragos socioambientais. Depois de dácadas da exploração e conflitos causados pelas empresas americanas Texaco e Chevron, a pre- sença da empresa brasileira Petrobras, no Parque Nacional de Yasuni (declarado pela Unesco uma reserva da Biosfera, com povos indígenas não conectados, tem agravado as tensões. Conflitos similares são enfrentados no Brasil, Peru e Bolívia. (SEVÁ FILHO, 2008)

15 Entrevista com Osvaldo Sevá Filho. Disponível em: <http://pontodepauta.wordpress.com/2011/08/14/ entrevista-com-oswaldo-seva-filho-grandes-e-polemicas-obras-serao-chamadas-no-brasil-a-%E2%80%- 98salvar%E2%80%99-o-capitalismo-global/>. Acesso em: 7 jun. 2014.

O impacto ambiental desses projetos são uma grande preocupação. Diversas e profundas mudanças ambientais como a modificação de cursos de rios, o efeito da migração dos peixes, inundações, secas e deslocamentos de populações terão impacto na vida dos povos indígenas e das comunidades tradicionais. Para além dos efeitos naturais há também a consequência das regras e políticas para o uso dos recursos, por exemplo o manejo da pesca que favorecerá a produção para exportação em detrimento à produção local. Desse modo, há uma imposição do “pacote ambientalista para o de- senvolvimento” que não é aberto à participação. (BArAÚNA, 2009)

Outro foco crucial é a questão do reconhecimento dos territórios indígenas. Com efeito, esta tem sido uma das demandas mais históricas dos povos indígenas em toda a América Latina e um dos principais temas de conflito no Brasil. Embora na Amazônia brasileira a demarcação de terras indígenas tenha avançado desde a Constituição de 1988, em outras áreas como o centro-oeste, nordeste e o sul há muitos processos espe- rando pela aprovação governamental. Do mesmo modo, em outros países amazônicos a demarcação de terras está ainda aguardando implementação. Desde o reconhecimento pela Constituição Federal de 1988 do direito indígena à terra como um direito originário, 472 territórios indígenas foram demarcados 324 deles na Amazônia.16 Contudo, outros 67 territórios indígenas já foram demarcados, 28 dos quais na Amazônia, mas ainda dependem da sanção presidencial.17 De fato, o governo da presidente Dilma rousseff apresenta a mais baixa taxa de demarcação desde 1988, o pior resultado histórico.18 A líder indígena Sonia Guajajara (Apib e Coiab), em consonância com diversos ambien- talistas, argumenta que o governo não ratifica as demarcações em troca do apoio polí- tico da bancada ruralista.19 O fato que selou essa aliança foi a escolha de Kátia Abreu (PMDB), cujo histórico remete à defesa do setor ruralista e à remoção das limitações ambientais, para o Ministério da Agricultura. A questão da demarcação de terras é ainda agravada pelo trâmite na Câmara dos Deputados do Projeto de Emenda Constitucional (PEC 215/2000) que transfere a competência de demarcação de terras indígenas e quilombolas do Poder Executivo para o Congresso. A aprovação dessa PEC, que conta com apoio dos ruralistas, traria um forte revés na luta indígena pois os critérios seriam menos técnicos e mais políticos.

A falta de vontade política de muitos governos no encaminhamento de demandas indígenas e a necessidade de um diálogo mais substantivo com os povos indígenas 16 Cf. O site Povos Indígenas Brasil. Portal do Instituto Socioambiental. Disponível em: <http://pib.socioam-

biental.org/pt/c/0/1/2/situacao-juridica-das-tis-hoje>. Acesso em: 16 dez. 2015. 17 Idem.

18 Cf. informação disponível em:< http://pib.socioambiental.org/pt/c/0/1/2/demarcacoes-nos-ultimos-gover- nos>. Acesso em: 10 dez. 2015

19 Entrevista à autora em 6 fev. 2013. Cf. também a matéria publicada no site <http://noticias.uol.com.br/ ultimas-noticias/bbc/2014/06/09/dilma-acha-que-precisamos-consumir-e-ter-chuveiro-quente-diz-lider -indigena.htm>. Acesso em: 9 jun. 2014.

são os principais desafios identificados pela relatora Especial da ONU para os Povos Indígenas, Victoria Tauli Corpus. Para ela, em muitos países a perspectiva de desen- volvimento favorece a entrada de empresas extrativistas e agrobusiness afetando os interesses e direitos dos povos indígenas. A solução passaria por ouvir efetivamente os índios sobre sua visão de desenvolvimento e agregar esses elementos a um modelo de desenvolvimento nacional.20 Além do abismo entre os direitos indígenas e a sua im-

plementação, mencionado acima, há também um grande divórcio e um forte paradoxo entre o discurso democrático-participativo e a sua prática no que se refere aos temas socioambientais. O caso brasileiro é emblemático porque as inovações participativas tem sido uma marca da desde a redemocratização. Nos anos 1990, o Brasil imple- mentou a experiência do Orçamento Participativo e a gestão de Conselhos de Políticas Públicas em inúmeras prefeituras ganhando uma reputação internacional de laboratório da governança participativa. Contudo, o retrato do Brasil como um país de instituições participativas de relativo sucesso merece um exame cuidadoso particularmente na área ambiental de 2008 em diante.

Com efeito, desde então o cenário político brasileiro passou por transformações que afetam diretamente a política socioambiental. O ano de 2008 pode ser considerado um ponto de inflexão, marcado pela vitória de um modelo desenvolvimentista (represen- tado pela então Ministra da Casa Civil e atualmente presidente Dilma roussef) sobre um modelo de desenvolvimento sustentável (representada pela então Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva). O símbolo dessa mudança de paradigma foi quando Marina Silva, à frente do Ministério do Meio Ambiente (2003-2008) renunciou ao cargo e desfiliou-se do PT, em função de profundas divergências com a opção prevalecente no governo. Desde então, diversos retrocessos socioambientais tem marcado o contexto do país: a adoção do Código Florestal, a construção de hidrelétricas na Amazônia (Ji- rau, Santo Antonio e Belo Monte), a crescente ameaça aos direitos indígenas e a não demarcação de terras indígenas. Esses acontecimentos foram resultado de decisões do governo sem participação social, o que descaracteriza e enfraquece o debate público e ações democráticas. Embora no caso das hidrelétricas audiências públicas tenham sido realizadas, foram instâncias que não abriram espaço para a interferência no processo decisório, restringindo-se a informar a população sobre decisões já tomadas no âmbito governamental.

Esse agravamento das políticas ambientais para os assuntos socioambientais, bem como o crescente distanciamento entre o Executivo e as ONGs com uma longa trajetória nas causas socioambientais pôde ser observada na rio + 20, em 2012. Apesar da criação de mecanismos institucionais para o diálogo com a sociedade civil pela orga- nização oficial da conferência, uma parte considerável dos atores sociais não reconhe- ceram os canais criados como um espaço adequado par ao diálogo, no qual pudessem 20 Entrevista à Paul Pimenta durante a COP 20 em Lima, Peru.

expressar suas demandas, optando por participar exclusivamente da Cúpula dos Povos. Mais recentemente, no final de maio de 2014, enormes protestos indígenas ocorreram em diversas cidades brasileiras. A imagem de indígenas armados com arcos e flechas lutando contra a polícia montada na cavalaria repercutiu mundo afora em importantes jornais. Na ocasião, os indígenas juntaram-se a outro protesto que estava ocorrendo em Brasília, capital federal, do Movimento Sem Teto, cuja motivação principal era os gastos para a Copa do Mundo no lugar de gastos sociais. A maior parte dos indígenas estava em Brasília para protestar pela demarcação de terras e pela suspensão de Belo Monte. De acordo com raul Valle, advogado do Instituto Socioambiental (ISA),

Nunca, desde o final do governo Sarney (1988), o Ministério do Meio Ambiente foi tão fechado à participação da sociedade civil organizada. Nunca a transparên- cia foi tão pequena. O Conselho Nacional do Meio Ambiente foi esvaziado em suas funções, não influenciando mais decisões importantes. As informações do desma- tamento não são mais divulgadas a cada mês, mas de acordo com a conveniência do governo. A regulação do Código Florestal não teve consulta pública ou qualquer tipo de discussão.21

Desse modo, os povos indígenas nunca tiveram tantos direitos garantidos e ao mesmo tempo tantos direitos ignorados. Esta contradição é particularmente agravada no contexto de governos conduzidos por partidos de esquerda, como o Partido dos Tra- balhadores (PT) no Brasil. Não apenas isso é trágico porque a chamada esquerda não defende mais bandeiras históricas de sua agenda política como a proteção às minorias, inclusive indígenas, mas também porque a ascensão do PT ao governo deixou uma lacuna na oposição e na organização dos movimentos sociais capazes de fazer oposi- ção à agenda desenvolvimentista, recolocando a agenda socioambiental no centro do debate. A recém criada rede Sustentabilidade, liderada por Marina Silva, apresenta-se como um ator a ocupar esse espaço, mas ainda é incipiente. Um dos resultados é a intensificação dos conflitos e a criminalização dos movimentos sociais, entre eles os movimentos indígenas, e o aumento da repressão.

Após os protestos de junho de 2013, que levaram mais de um milhão de brasileiros às ruas, uma das maiores preocupações do governo federal foi evitar novos conflitos du- rante a Copa do Mundo e, para tanto, a prisão de líderes e ativistas tem se tornado uma prática crescente. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (2014), Violence against indigenous peoples in Brazil, o número de assassinatos de indígenas tem cres- cido, alcançando 138 casos em 2014, muitos relacionados com a disputa pela terra, principalmente nos estados do Mato Grosso do Sul, Amazonas e Bahia. Entre os casos está o assassinato brutal da líder indígena Marinalva Kaiowá, em 01/11/2014, duas semanas após ela ter participado de um protesto na Supremo Tribunal Federal em Bra- 21 Entrevista à autora em 10 jun. 2014.

sília contra a decisão de anular a demarcação do processo da terra indígena Guyraroká. (CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁrIO, 2014) Em 30/12/2015, o caso do menino indígena Vitor Pinto, de apenas dois anos, que foi degolado no colo da mãe em Santa Catarina, tornou-se símbolo da vulnerabilidade dos povos indígenas e do preconceito étnico de que são vítimas.

A mesma restrição de liberdade de expressão, associação e crítica tem sido um fator presente também no Equador. O presidente rafael Correa, também um político “de esquerda”, emitiu um decreto (Decreto Supremo n. 16) que regula todas as atividades das ONGs no Equador. A partir de junho de 2014, cada ONG é obrigada a reportar ao governo suas atividades, financiamentos, parceiros e outros detalhes. De acordo com o decreto, o governo pode a qualquer momento fechar a ONG se avaliar que a organização é contra o “interesse nacional”. Para a ONG Oilwatch isso é terrível e o controle exage- rado sobre as organizações da sociedade civil é muito próximo à censura. Similarmente ao Brasil, a repressão ao movimento socioambiental aumentou. Um relatório publicado em 2012 pela Accion Ecologia, a Comision Ecumenica de Derechos Humanos e a Fun- dación regional de Asesoría en Derechos Humanos (INrEDH), sobre a criminalização dos movimentos sociais afirma que entre 2008 e 2010 foram registrados mais de vinte denúncias (17 criminais) contra 129 ativistas socioambientais e de direitos humanos, incluindo lideranças indígenas. (CrIMINALIZACION..., 2012)

Considerações finais

Este capítulo buscou chamar a atenção para limites e desafios contemporâneos da democratização da esfera pública global a partir da governança ambiental e da questão indígena. As teorias da democracia cosmopolita e deliberativa, analisadas na primeira parte, que buscam fortalecer a esfera pública por meio de participação e deliberação incluem e comportam as minorias e especificidades culturais indígenas. Apesar das di- ficuldades do processo, houve considerável avanço nas conquistas de direitos por meio das declarações, convenções, protocolos e demais instrumentos do direito internacional. As dificuldades identificadas são, porém, muito mais agudas no campo da implementa- ção, associadas, nos termos habermasianos, a uma colonização da esfera pública pelos subsistemas econômico e político.

Se, do ponto de vista do reconhecimento formal de direitos muito se avançou, o plano da implementação e efetivação desses direitos aponta para limitações que desa- fiam o alcance desse mesmo reconhecimento. Nesse sentido, uma questão instigante que abre novas indagações teóricas consiste em analisar em que medida a não efetiva- ção de direitos, ou seja, o plano prático local-nacional da não implementação, prejudica e até mesmo anula a própria legitimidade obtida no processo global. Do mesmo modo, pode-se questionar sobre os limites da democracia global na medida em que seus pro- cessos de deliberação produzem declarações amplas e gerais, posteriormente ignoradas

totalmente ou em parte pelos Estados cujos governos não tem vontade política para sua realização.

Desse modo, as relações entre legitimidade e eficácia merecem maior atenção em futuros estudos. O caso de Sarayako aponta para uma solução bem sucedida, inclusive com o recurso as instâncias internacionais. Na medida em que a Corte Interamericana de Direitos Humanos deu parecer favorável ao povo indígena, a efetividade de seus direitos foi assegurada e, consequentemente, sua legitimidade também. Em outros ca- sos, porém, o destino foi outro. Na Amazônia brasileira, os povos do Xingu buscaram o sistema internacional americano para se oporem à usina hidrelétrica de Belo Monte mas, como visto, a comissão interamericana cedeu às pressões governamentais e não funcionou como alternativa de recurso dos direitos humanos aos povos indígenas. As- sim, a falta de compromisso de um Estado com o sistema internacional, bem como sua postura fechada para os interesses indígenas e socioambientais tornaram as conquistas sob a forma de direito letra morta, ou seja, ineficazes. Finalmente, cenários como este apontam para o caráter essencialmente complementar e não dicotômico entre cosmo- politismo e soberania. Na medida em que o que está em jogo é a proteção dos direi- tos humanos, especificamente direitos indígenas, as dimensões nacional e cosmopolita devem ampliar as possibilidades dessas garantias, configurando um sistema de ampla proteção dos direitos.

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