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Teoremas de Rolle e Lagrange Corol´ arios

4.20 Considere os seguintes subconjuntos de R:

A ={x ∈ R : 5|x + 1| ≥ 11 + 3x}, Bn =  0,1 n  (n∈ N1), C ={x ∈ R+: log x ≤ 1}, D =∩n∈N1Bn.

(Note que D ´e o conjunto dos n´umeros reais que pertencem a todos os Bn.)

1. Mostre que A = ]− ∞, −2] ∪ [3, +∞[.

2. Indique, se existirem em R, o m´aximo, o m´ınimo, o supremo e o ´ınfimo dos conjuntos A, C e D.

3. Diga, justificando, se s˜ao verdadeiras ou falsas cada uma das proposi¸c˜oes seguintes dando um exemplo sempre que afirmar que a proposi¸c˜ao ´e falsa e jutificando abreviadamente sempre que afirmar que a proposi¸c˜ao ´e verdadeira:

a) Toda a sucess˜ao crescente de termos em A∩ R´e convergente (em R).

b) Toda a sucess˜ao (xn) tal que xn∈ Bn para qualquer n∈ N1, ´e convergente (em R).

c) Sejam x0 ∈ A ∩ R− e y0 ∈ A ∩ R+. Toda a fun¸c˜ao cont´ınua em A tal que f (x0) < 0 e

f (y0) > 0, tem pelo menos um zero.

d) Toda a fun¸c˜ao cont´ınua em C∪ D tem m´aximo.

e) Seja f uma fun¸c˜ao diferenci´avel em R tal que f (0) = 0 e f 1

n = 0 para qualquer n ∈ N1.

Ent˜ao f0 tem, para cada n∈ N1, pelo menos um zero em Bn.

(Grupo I do Exame de 1a ´

Epoca de 26/1/96)

4.21 Considere a fun¸c˜ao F definida em R da forma seguinte:

F (x) = (

x

1−x, se x < 0,

arctg x, se x≥ 0.

a) Sendo a < 0 e b > 0, calcule F0(a) e F0(b) e escreva equa¸c˜oes das tangentes ao gr´afico de F

nos pontos de abcissas a e b. b) Justifique que F0(0) = 1.

c) Utilize os resultados dea) eb) para justificar que F n˜ao tem extremos locais.

(Pergunta 1 do Teste de 22/4/78)

4.22 Sendo f uma fun¸c˜ao real definida em R, designe-se por Γ o gr´afico de f num dado referencial (ortonormado) e por ϕ a fun¸c˜ao definida pela forma seguinte: para cada x ∈ R, ϕ(x) ´e igual `a distˆancia da origem ao ponto de Γ cuja abcissa ´e x.

1. Exprima ϕ(x) (em fun¸c˜ao de f (x) e x) por meio de uma f´ormula e aproveite-a para justificar que ϕ ´e cont´ınua em qualquer ponto em que f o seja; mostre, por meio de um exemplo, que ϕ pode ser cont´ınua num ponto de descontinuidade de f .

4.2. TEOREMAS DE ROLLE E LAGRANGE. COROL ´ARIOS. 2. Reconhece-se facilmente que, se f for cont´ınua em R, ϕ tem m´ınimo (absoluto); sem demons- trar este resultado, aproveite-o para provar que, qualquer que seja a fun¸c˜ao f diferenci´avel em R, a equa¸c˜ao

x + f (x)f0(x) = 0

tem pelo menos uma raiz real. [Sugest˜ao: Considere a fun¸c˜ao (ϕ(x))2.]

(Grupo IVb do Exame Final de 10/5/79)

4.23 Sendo f uma fun¸c˜ao diferenci´avel num intervalo I que contenha os pontos−1 e 1, considere a fun¸c˜ao ϕ : R→ R definida por

ϕ(x) = f (cos x)f (sen x).

Calcule ϕ0(x) e mostre que, em qualquer ponto (a, b) do gr´afico de ϕ tal que tg a = 1, a tangente

a esse gr´afico ´e horizontal. Admitindo que f era duas vezes diferenci´avel em I, o que poder´ıamos dizer sobre o n´umero de ra´ızes da equa¸c˜ao ϕ00(x) = 0?

(Grupo IVa do Teste de 7/4/79)

Resolu¸c˜ao:

ϕ0(x) = f0(cos x)(− sen x)f(sen x) + f(cos x)f0(sen x) cos x A condi¸c˜ao tg a = 1 significa sen a = cos a e portanto

ϕ0(a) = f0(sen a)(− sen a)f(sen a) + f(sen a)f0(sen a) sen a = 0,

ou seja, a tangente ao gr´afico de ϕ no ponto de abcissa a ´e horizontal. A fun¸c˜ao ϕ0 anula-se nos

pontos a tais que tg a = 1 ou seja, nos pontos da forma π4 + kπ onde k ∈ Z. Para cada k ∈ Z temos ent˜ao que ϕ00ter´a que se anular em ]π/4 + kπ, 5π/4 + kπ[. Logo, a equa¸c˜ao ϕ00(x) = 0 tem

infinitas ra´ızes.

4.24 Seja g uma fun¸c˜ao trˆes vezes diferenci´avel em R, a, b e c trˆes n´umeros reais tais que a < b < c. Prove que, se g tem extremos locais (m´aximos ou m´ınimos) em cada um dos pontos a, b e c, a equa¸c˜ao g000(x) = 0 tem pelo menos uma raiz real. Indique um intervalo que contenha essa raiz.

(Pergunta 1b da Prova de 19/7/71)

Resolu¸c˜ao: Se x0´e um extremo local de g ´e porque g0(x0) = 0. Logo g0(a) = g0(b) = g0(c) = 0.

Pelo teorema de Rolle, existem α∈ ]a, b[ e β ∈ ]b, c[ tais que g00(α) = 0 e g00(β) = 0; de novo pelo

teorema de Rolle existe γ∈ ]α, β[ tal que g000(γ) = 0. A maior precis˜ao para γ ´e: γ∈ ]a, c[.

4.25 Sendo ϕ : ]0, +∞[→ R uma fun¸c˜ao indefinidamente diferenci´avel verificando a condi¸c˜ao ∀r,s∈N1 ϕ(r) = ϕ(s),

prove que, para todo o natural n, a equa¸c˜ao ϕ(n)(x) = 0 tem infinitas ra´ızes. Para cada k

∈ N1

indique um natural p tal que possa garantir-se a existˆencia de uma raiz da equa¸c˜ao ϕ(k)(x) = 0

no intervalo ]1, p[; justifique a resposta.

(Pergunta 4a do Teste de 22/4/78)

4.26 Mostre que, se a fun¸c˜ao f definida em R por f (x) = a0xn+ a1xn−1+· · · + an−2x2 tem um

zero positivo, isto ´e, se existe b > 0 tal que f (b) = 0, ent˜ao a segunda derivada de f ter´a pelo menos um zero no intervalo ]0, b[. Justifique cuidadosamente a resposta.

(Pergunta 1b do Exame Final (Ponto no

4.27 Seja g uma fun¸c˜ao cont´ınua em [a, b], diferenci´avel em ]a, b[ e tal que g(a) = g(b) = 0 e g(x)6= 0, x∈ ]a,b[. Seja ainda h(x) = g0(x)/g(x), para todo o x∈ ]a, b[. Mostre que h(]a, b[) = R.

[Sugest˜ao: Dado α∈ R, para provar que existe c ∈ ]a, b[ tal que h(c) = α, aplique (justificando que pode fazˆe-lo) o Teorema de Rolle `a fun¸c˜ao g(x)e−αx, no intervalo [a, b].]

(Pergunta 4a∗ do Exame Final de 6/5/78)

Resolu¸c˜ao: H´a que provar que h : ]a, b[ → R ´e sobrejectiva, ou seja, que dado α ∈ R existe c ∈ ]a, b[ tal que h(c) = α, ou ainda, g0(c)/g(c) = α. Ora G(x) = g(x)e−αx ´e cont´ınua em [a, b],

diferenci´avel em ]a, b[ e anula-se em a e em b, logo existe c ∈ ]a, b[ tal que G0(c) = 0. Como

G0(x) = (g0(x)− αg(x))e−αx isso significa que g0(c)− αg(c) = 0 ou g0(c)/g(c) = α.

4.28 Seja f uma fun¸c˜ao diferenci´avel em ]0, 1[ e tal que f  1 n + 1  = 0, n∈N1

Diga, justificando, se ´e verdadeira ou falsa cada uma das proposi¸c˜oes seguintes1:

a) Para qualquer n≥ 2, a fun¸c˜ao f tem m´aximo no intervaloh 1 n+1,

1 n

i . b) A fun¸c˜ao f ´e limitada em ]0, 1[.

c) A fun¸c˜ao f0 tem infinitos zeros em ]0, 1[.

(Pergunta 4 do Grupo I do Exame de 2a ´

Epoca de 7/2/97)

4.29 Sendo f uma fun¸c˜ao indefinidamente diferenci´avel em R, suponha que existe uma sucess˜ao xn, estritamente decrescente e tal que:

lim xn = 0 e f (xn) = 0, ∀n∈N.

1. Prove que, qualquer que seja o inteiro k≥ 0, f(k)(0) = 0.

2. Dˆe um exemplo de uma fun¸c˜ao, distinta da fun¸c˜ao nula, que verifique todas as condi¸c˜oes referidas no enunciado.

(Grupo IIIc do 1o

Teste de 21/6/80)

4.30 Seja φ uma fun¸c˜ao diferenci´avel no intervalo ]0, 1[, verificando a condi¸c˜ao φ  1 n + 1  = φ  1 n + 2 

, para todo o inteiro n > 0. Supondo que existe o limx→0φ0(x), indique, justificando, o valor deste limite.

(Pergunta 1 do Grupo IV do Exame de 2a ´

Epoca de 24/2/95)

4.31 Seja f uma fun¸c˜ao cont´ınua num intervalo aberto que contenha os pontos 0 e 1 e tal que, para todo o n∈ N1,

f (1/n) = 3 1 n2.

Justificando cuidadosamente todas as respostas:

1Nota: Sempre que afirme que uma proposi¸c˜ao ´e falsa dˆe um exemplo que o comprove. Sempre que afirme que

4.2. TEOREMAS DE ROLLE E LAGRANGE. COROL ´ARIOS. 1. Calcule f (0).

2. Prove que o contradom´ınio de f cont´em o intervalo [2, 3].

3. Supondo agora, suplementarmente, que f ´e indefinidamente diferenci´avel nalguma vizi- nhan¸ca da origem, determine f(k)(0) para todo o k ∈ N e indique se o ponto 0 ´e ou n˜ao

ponto de extremo de f .

[Sugest˜ao: poder´a ser-lhe ´util considerar a fun¸c˜ao ϕ(x) = f (x) + x2

− 3]

(Grupo IVb do Exame Final de 4/5/79)

4.32 Seja φ uma fun¸c˜ao diferenci´avel em R tal que φ(n) = (−1)nn

∀n ∈ N. Prove que n˜ao existe o limite limx→+∞φ0(x).

[Sugest˜ao: Pode ser-lhe ´util aplicar o teorema de Lagrange.]

(Pergunta 2 do Grupo IV do 2o

Exame de 6/2/95)

4.33 Seja (xn) uma sucess˜ao estritamente crescente, de termos positivos, e

A ={xn : n∈ N1}.

Diga, justificando, se s˜ao verdadeiras ou falsas cada uma das proposi¸c˜oes seguintes: a) Se A ´e um conjunto majorado, toda a subsucess˜ao de (xn) ´e convergente (em R).

b) A s´erieP+∞

n=1 xn

n ´e convergente.

c) Seja f uma fun¸c˜ao cont´ınua em R e suponha que A ´e um conjunto majorado. Ent˜ao existe (em R) lim f (xn).

d) Seja f uma fun¸c˜ao cont´ınua em R, tal que f (xn) = (−1)n. Ent˜ao a equa¸c˜ao f (x) = 0 tem

infinitas solu¸c˜oes.

e) Seja f uma fun¸c˜ao diferenci´avel em R, tal que f (xn) = f (xm) para quaisquer m, n∈ N1. Ent˜ao

a equac˜ao f0(x) = 0 tem infinitas solu¸c˜oes.

(Grupo I do Exame de 2a ´

Epoca de 28/2/96)

4.34 Prove que, se g ´e uma fun¸c˜ao diferenci´avel em R e se a fun¸c˜ao g0 ´e injectiva (isto ´e x1,x2∈R

x16= x2⇒ g0(x1)6= g0(x2)) ent˜ao nenhuma tangente ao gr´afico de g tem mais de um ponto comum

com esse gr´afico [Sugest˜ao: use o teorema de Lagrange]. Mostre ainda que se alguma tangente ao gr´afico de uma fun¸c˜ao ψ com 2aderivada cont´ınua em R intersecta o gr´afico de ψ em dois pontos

distintos, ent˜ao a equa¸c˜ao ψ00(x) = 0 tem pelo menos uma raiz real.

(Grupo IVb do Teste de 10/4/79)

4.35 Sendo I um intervalo de R e f : I→ R, diz-se que x0∈ I ´e um ponto fixo de f sse f(x0) = x0.

Supondo que f ´e indefinidamente diferenci´avel em I mostre que: a) Se f tem dois pontos fixos distintos, existe c1∈ I tal que f0(c1) = 1.

b) Se f tem n pontos fixos distintos (n > 2), existe c2∈ I tal que f(n−1)(c2) = 0.

(Grupo III3 da Repeti¸c˜ao do 1o

Teste de 21/6/80)

a) Mostre que existe um x∈ [0, 1] tal que f(x) = x.

b) Supondo agora adicionalmente que f ´e diferenci´avel em ]0, 1[ com f0(x) 6= 1 para qualquer

x∈ ]0, 1[, prove que a equa¸c˜ao anterior tem uma s´o raiz naquele intervalo.

(Grupo IV do 2o

Exame de 9/2/94)

4.37 Seja f uma fun¸c˜ao diferenci´avel em R tal que f (0) = 0 e cuja derivada ´e uma fun¸c˜ao crescente. Demonstre que a fun¸c˜ao g(x) = f (x)/x ´e crescente em R+.

[Sugest˜ao: Aplique o teorema de Lagrange a f num intervalo adequado para mostrar que g0(x) > 0 para qualquer x∈ R+.]

(Grupo IV do 1o

Exame de 26/1/94)

4.38 Use o teorema de Lagrange para mostrar que| sen x−sen y| ≤ |x−y| para quaisquer x, y ∈ R.

(Pergunta 2 do Grupo III do 2o

Exame de 9/2/94)

4.39 Uma fun¸c˜ao f : R→ R diz-se lipschitziana se e s´o se verifica a condi¸c˜ao: ∃c∈R∀x,y∈R |f(x) − f(y)| ≤ C|x − y|.

Utilize o teorema de Lagrange para provar que se f : R→ R ´e diferenci´avel e f0 ´e limitada em R,

f ´e lipschitziana. Dˆe exemplos que mostrem que a diferenciabilidade de f em todos os pontos de Rn˜ao ´e condi¸c˜ao necess´aria, nem suficiente, para que f seja lipschitziana.

(Pergunta 4b do Teste de 22/4/78)

4.40 Supondo que f ´e uma fun¸c˜ao com derivada cont´ınua em todos os pontos do intervalo [a, b] (a, b∈ R, a < b), prove que existe K ∈ R tal que, quaisquer que sejam x, y ∈ [a, b], |f(x) − f(y)| ≤ K|x − y|.

(Grupo IIIa do Exame Final de 18/9/80)

4.41 Seja f uma fun¸c˜ao cont´ınua e positiva no intervalo [a, b] e diferenci´avel em ]a, b[. Mostre que existe um ponto c∈ ]a, b[ tal que

f (b) f (a) = e

(b−a)f 0(c)f(c)

(Pergunta 1b do Exame Final (Ponto no

2) de 6/7/71)

Resolu¸c˜ao: Como f ´e positiva, h(x) = log(f (x)) est´a definida em [a, b]; como f ´e cont´ınua em [a, b] e diferenci´avel em ]a, b[, o mesmo se passa com log(f (x)), pois log : R+

→ R ´e cont´ınua e diferenci´avel em R+. Pelo teorema de Lagrange:

h(b)− h(a) = h0(c)(b− a), para algum c ∈ ]a, b[.

Ora como h0(x) = f0(x)/f (x) isto significa

log(f (b))− log(f(a)) = ff (c)0(c)(b− a) ou ainda logf (b) f (a) = log  e(b−a)f 0f(c)(c)  . Como log : R+

→ R ´e injectiva conclui-se que f (b) f (a) = e

4.2. TEOREMAS DE ROLLE E LAGRANGE. COROL ´ARIOS. 4.42 Seja f uma fun¸c˜ao diferenci´avel no intervalo [1, +∞[. Prove que, se f0(x) ´e limitada no

mesmo intervalo, f (x)/x tamb´em o ´e. [Sugest˜ao: aplique o teorema de Lagrange, no intervalo [1, x]].

(Pergunta 4b do Exame Integrado (Ponto no

5) de 25/10/71)

4.43 Sejam f e g duas fun¸c˜oes diferenci´aveis no intervalo ]a, +∞[, cont´ınuas no ponto a e verifi- cando as condi¸c˜oes:

i) f (a) < g(a).

ii) g ´e majorada em ]a, +∞[. iii) lim

x→+∞f (x) = +∞.

Prove que s˜ao verdadeiras as proposi¸c˜oes: 1. Existe um α tal que f (α) = g(α);

2. Qualquer que seja β existe um γ > β tal que f0(γ) > g0(γ).

Mostre ainda, por meio de um exemplo adequado, que n˜ao pode garantir-se a existˆencia de um δ tal que f0(x) > g0(x) para todo o x > δ.

(Grupo IVb do Exame Final de 21/9/79)

4.44 Seja f uma fun¸c˜ao definida no intervalo ]a, +∞[, diferenci´avel em todos os pontos desse intervalo e tal que

f (x)f0(x) < 0 x>a.

Prove que existem limx→af (x) e limx→+∞f (x) sendo o segundo limite necessariamente finito.

Sˆe-lo-´a tamb´em o primeiro?

(Pergunta 4b do Exame Final (Ponto no

1) de 1/10/71)

Resolu¸c˜ao: A condi¸c˜ao f (x)f0(x) < 0 significa que f (x) e f0(x) tˆem sinais contr´arios. Suponha-

mos por exemplo que f (x) > 0 e f0(x) < 0 para todo o x > a. A fun¸c˜ao f seria decrescente e

minorada em ]a, +∞[; o limx→+∞f (x) seria ent˜ao α = inf

x>af (x) = inf f (]a, +∞[)

e α seria um real pois o conjunto f (]a, +∞[) ⊂ ]0, +∞[ sendo minorado tem o seu ´ınfimo em R. Mostremos ent˜ao que limx→+∞f (x) = α ou seja, que dado ε > 0 existe x0tal que se x > x0se tem

|f(x) − α| < ε. Como f(x) > α = infx>af (x) pode suprimir-se o valor absoluto. Por defini¸c˜ao de

´ınfimo, dado ε > 0 existe x0> a tal que α≤ f(x0) < α + ε e em particular f (x0) < α + ε; como f

´e decrescente, se x > x0 vem f (x)≤ f(x0) < α + ε e portanto, para x > x0 ter-se-´a: f (x)− α < ε.

Ainda na hip´otese de ser f (x) > 0 e f0(x) < 0 para x > a, vamos mostrar que limx→af (x)

existe2em R. Seja β = supx>af (x), podendo ser β = +∞ se f n˜ao for majorada. Se β ∈ R

mostra-se que limx→af (x) = β como anteriormente, utilizando a no¸c˜ao de supremo: dado ε > 0

existe x0 tal que β− ε < f(x0) ≤ β. Logo β − ε < f(x0) e para x tal que a < x < x0 vir´a

β− ε < f(x) pois f ´e decrescente; quer dizer que dado ε > 0 se ter´a β − f(x) < ε desde que x− a < x0 o que significa que limx→a−f (x) = β. Como f s´o est´a definida para x > a,

lim

x→a−f (x) = limx→af (x).

Se β = supx>af (x) = +∞ tamb´em limx→af (x) = +∞ pois dado M existe x0 > a tal que

f (x0) > M j´a que f n˜ao ´e majorada e portanto para x tal que a < x < x0 vir´a f (x) > M pois f

´e decrescente.

4.45 Sejam ϕ e ψ duas fun¸c˜oes diferenci´aveis em R, verificando as condi¸c˜oes: x(ϕ0(x)− ψ0(x)) > 0 x6=0 e ϕ(0) > ψ(0).

Prove que, para todo o x∈ R, ϕ(x) > ψ(x). Mostre ainda, por meio de um exemplo que retirando apenas a hip´otese ϕ(0) > ψ(0), poderia ter-se ϕ(x) < ψ(x) para todo o x∈ R.

(Pergunta 4b do Ponto no

3 de 1/10/71)

4.46 Seja f∈ C1(R) tal que

∀x,y∈R x < y =⇒ f0(x) > f0(y). (4.1)

a) Dˆe um exemplo de uma fun¸c˜ao f ∈ C1(R) satisfazendo a (4.1) e tal que

lim

x→−∞f (x) = limx→+∞f (x) =−∞.

b) Prove que n˜ao existe nenhuma fun¸c˜ao f ∈ C1(R) satisfazendo a (4.1) e tal que

lim

x→−∞f (x) = limx→+∞f (x) = +∞.

c) Prove que n˜ao existe nenhuma fun¸c˜ao f ∈ C1(R) satisfazendo a (4.1) e tal que

lim

x→−∞f (x) = a e x→+∞lim f (x) = b

onde a e b designam dois n´umeros reais.

(Grupo IV do Exame de 1a ´

Epoca de 8/1/97)

4.47 Sendo f e g fun¸c˜oes diferenci´aveis em R, verificando as condi¸c˜oes: f (0) = g(0) e f0(x) > g0(x) ∀x∈R,

prove que x(f (x)− g(x)) > 0 para todo o x ∈ R \ {0}.

(Grupo IIc do 1o

Teste de 21/6/80)

4.48 Seja f uma fun¸c˜ao definida numa vizinhan¸ca de 0, Vε(0), diferenci´avel em todos os pontos

dessa vizinhan¸ca excepto possivelmente no ponto 0 e tal que xf0(x) > 0,∀x ∈ V

ε(0)\ {0}.

1. Prove que, se f ´e cont´ınua no ponto 0, f (0) ´e um extremo de f e indique, justificando, se ´e um m´aximo ou um m´ınimo; no caso de f ser diferenci´avel no ponto 0, qual ser´a o valor de f0(0)? Porquˆe?

2. Mostre por meio de um exemplo que, sem a hip´otese de continuidade de f no ponto 0, n˜ao pode garantir-se que f (0) seja um extremo de f .

(Grupo IVb do Teste de 24/4/79)

4.49 Seja ϕ a fun¸c˜ao definida em R por:

ϕ(x) = 1

1 +|x|.

a) Indique o dom´ınio de diferenciabilidade de ϕ e fa¸ca um esbo¸co do seu gr´afico. 2´

4.2. TEOREMAS DE ROLLE E LAGRANGE. COROL ´ARIOS. b) Para todo o a > 0 seja Ua o quadril´atero de v´ertices (a, 0), (a, ϕ(a)), (−a, 0), (−a, ϕ(−a)):

mostre que se trata de um rectˆangulo. De todos os rectˆangulos Ua (com a > 0) determine

aquele que tem ´area m´axima ou, caso n˜ao exista tal rectˆangulo, o supremo das ´areas dos rectˆangulos Ua.

(Grupo IVa e b do Exame de 23/3/77)

Resolu¸c˜ao:

a) ϕ ´e claramente diferenci´avel para x > 0 sendo ent˜ao: ϕ0(x) =  1 1 + x 0 = 1 (1 + x)2. Para x < 0 tem-se: ϕ0(x) =  1 1− x 0 = 1 (1− x)2. Para x = 0 tem-se lim x→0+ ϕ(x)− ϕ(0) x = limx→0+ 1 1+|x|− 1 x = limx→0+− |x| x(1 +|x|) =−1, lim x→0− ϕ(x)− ϕ(0) x = limx→0−− |x| x(1 +|x|) = 1.

Logo ϕ0(0) n˜ao existe. O dom´ınio de diferenciabilidade ´e pois R\ {0}.

Para esbo¸car o gr´afico3usamos os seguintes factos: ϕ ´e uma fun¸c˜ao par, cont´ınua em R,

decrescente e com derivada crescente em [0, +∞[ ; ϕ(0) = 1, ϕ0

d(0) = −1, ϕ0e(0) = 1,

limx→+∞ϕ(x) = limx→−∞ϕ(x) = 0.

b) Basta observar que sendo P1, P2, P3, P4 os pontos (a, 0), (a, ϕ(a)), (−a, 0) e (−a, ϕ(−a)) se

tem: o segmento P1P2 ´e paralelo a P3P4 (pois s˜ao paralelos ao eixo dos yy j´a que P1, P2

tˆem a mesma abcissa a e P3, P4 tˆem a mesma abcissa −a), o segmento P1P3 ´e paralelo a

P2P4 (pois s˜ao paralelos ao eixo dos xx j´a que P1, P3 tˆem a mesma ordenada 0 e P2, P4 a

ordenada ϕ(a) = ϕ(−a)) e por serem os eixos dos xx e dos yy escolhidos perpendiculares (por hip´otese). A ´area do rectˆangulo Ua ´e

A(a) = 2aϕ(a) = 2a 1 1 + a.

Se existisse um a0tal que A(a0) fosse m´axima deveria ter-se A0(a0) = 0, pois A ´e diferenci´avel

em R+. Ora A0(a) =  2a 1 + a 0 =2(1 + a)− 2a (1 + a)2 = 2 (1 + a)2

e portanto nunca se anula. N˜ao h´a pois nenhum Ua com ´area m´axima. Por outro lado vˆe-se

que, por ser A0> 0, A ´e crescente e

lim

a→+∞A(a) = lima→+∞

2a 1 + a= 2. Logo o supremo das ´areas dos rectˆangulos Ua ´e 2.

3

      PSfrag replacements y x 0 1 −10 10 ϕ(x) = 1+|x|1 U (a) a −a ϕ(a)

Figura 4.2: O gr´afico de ϕ no exerc´ıcio4.49.

4.50 Obtenha uma equa¸c˜ao da recta que passa pelo ponto (3, 1) e determine, com os eixos coor- denados, um triˆangulo contido no 1o quadrante e de ´area m´ınima.

(Pergunta 3b do Exame Final de 6/5/78)

4.51 Seja P o ponto de coordenadas x0> 0 e y0> 0 num certo referencial cartesiano ortogonal.

Para cada recta r que cont´em P e n˜ao ´e paralela a nenhum dos eixos coordenados designem Ar e

Br os pontos de intersec¸c˜ao de r com OX e com OY respectivamente. Seja dr a distˆancia de Ar

a Br. Quais os extremos locais de dr?

[Sugest˜ao: Se tiver dificuldade em resolver uma equa¸c˜ao cujas ra´ızes s˜ao os pontos de estaci- onaridade, utilize o facto de um deles se obter imediatamente a partir do enunciado.]

(Pergunta 4 da Prova de 22/3/74)

4.52 De entre todos os rectˆangulos de ´area S, determine as dimens˜oes daquele que admite o menor c´ırculo circunscrito.

(Grupo III2 da Prova de 19/9/77)

4.53 Mostre que o menor valor que pode ter o raio de uma esfera circunscrita a um cilindro com uma dada ´area lateral, S, ´e o produto de√2 pelo raio da base do cilindro.

(Grupo IV do Exame de 2a

´

epoca de 25/7/77)

Resolu¸c˜ao: A ´area lateral de um cilindro de altura a e raio da base r ´e dada por 2πra. Por hip´otese 2πra = S. Sendo R o raio da esfera tem-se, em raz˜ao da esfera circunscrever o cilindro: (a 2) 2+ r2= R2. Quer dizer: R = r a 2 2 + r2= s  S 2πr 1 2 2 + r2= s  S 4π 2 1 r2+ r2.

Vamos pˆor K = (S )2. R ´e pois fun¸c˜ao de r e s´o poder´a ser m´ınima no ponto r

0 se R0(r0) = 0. Ora: R0(r) =  K 1 r2 + r 2 12!0 = 1 2  K 1 r2 + r 2 −12 −Kr23 + 2r 

4.3. REGRAS DE CAUCHY. INDETERMINAC¸ ˜OES. e R0(r) = 0 s´o ´e poss´ıvel se−K 2 r3+ 2r = 0 ou seja se r4= K ou r2= S ou r =12 q S π. Para este valor r0de r, R(r), teremos: R(r0) r0 = q (S 4π)24 π S + 1 4 S π 1 2 q S π = q 1 4 S π + 1 4 S π 1 2 q S π = q 1 2 1 2 =q1 1 2 =√2.

Quer dizer que, para a esfera de raio m´ınimo (que ´e R(r0)), se ter´a R(r0) =√2r0.

4.54 Sendo g(x) = xex para todo o x

∈ R e n ∈ N, determine o conjunto dos valores reais de x que verificam a condi¸c˜ao

g(n)(x) > 0.

Indique um intervalo no qual todas as derivadas g(n) sejam crescentes. Existir´a algum intervalo

no qual todas essas derivadas sejam decrescentes? Justifique a resposta.

(Pergunta 3b do Teste de 22/4/78)

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