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4.8 Macronutrientes

4.8.7 Teores de macronutrientes em cada parte da planta

O efeito da redução do potencial mátrico do solo, entre -10 kPa e -70 kPa, sobre os teores de macronutrientes ocorreu de forma específica em cada parte das plantas de OPN.

Em raízes houve efeito do potencial mátrico do solo nos teores de N (Tabela 12) e de Mg (Tabela 20), ambos segundo um modelo quadrático. A partir de -10 kPa o teor de N decresceu 5,4% até -31,7 kPa e daí até -70 kPa aumentou 18,0% enquanto que, ao contrário, o teor de Mg aumentou até o potencial de -44,8 kPa, em 26,3%, e decresceu 11,0% daí até -70 kPa. Os teores de P, K, Ca e S não tiveram variação significativa com a variação do potencial mátrico do solo. Os teores de macronutrientes nas raízes ocorreram na seguinte ordem: N>Ca>K>Mg>P≈S (Figura 32).

Figura 32. Teor de macronutrientes em raízes de Ora-pro-nóbis cultivadas em função do potencial mátrico no solo, em base seca a 65ºC, aos 140 dias após o transplantio.

Nos caules o K foi o nutriente presente com maior teor (Figura 33) e, assim como N, Mg e S, foi influenciado positivamente pela redução no potencial mátrico do solo. Os teores de N e K, nessa ordem, foram os mais influenciados com taxas de acréscimos lineares de 0,0653 e 0,0600 mg g-1 kPa-1, seguidos pelo de Mg com 0,0222 mg g-1 kPa-1 e o de S com taxa de aumento de apenas 0,0013 mg g-1 kPa-1. O teor de P, teve comportamento contrário a esses, decrescendo com a diminuição do potencial à taxa de 0,0108 mg g-1 kPa-1. O teor de N superou o de Ca apenas entre -60 kPa e -70 kPa, sendo suplantado pelo de Ca nos potenciais mais altos, embora não tenha ocorrido variação significativa dos teores de Ca com a variação do potencial mátrico do solo. De forma geral, pode-se classificar a presença de macronutrientes em caules como K>Ca>N>Mg>P>S, o que evidencia inversão entre os teores de N e K quando são comparados à classificação decrescente dos macronutrientes em raízes.

Figura 33. Teor de macronutrientes em caules de Ora-pro-nóbis cultivadas em função do potencial mátrico no solo, em base seca a 65 ºC, aos 140 dias após o transplantio.

Nas folhas, apenas os teores de N e de K apresentaram variação significativa com a variação do potencial mátrico do solo (Figura 34). O teor de N variou segundo modelo linear, crescente com o decréscimo do potencial mátrico (0,1335 mg g-1 kPa-1; Tabela 12) e o teor de K variou com tendência quadrática, decrescente com o decréscimo do potencial mátrico até -40,8 kPa. A partir desse ponto houve acréscimo no teor de K nas folhas até -70 kPa, em percentual de 5,6%, valor este próximo ao de 5,9% referente ao decréscimo ocorrido de –10 kPa para -40,8 kPa.

Figura 34. Teor de macronutrientes em folhas de Ora-pro-nóbis cultivadas em função do potencial mátrico no solo, em base seca a 65 ºC, aos 140 dias após o transplantio.

O nutriente com maior concentração nas folhas foi o Ca em todos os potenciais mátricos, embora não influenciado por estes. De -10 kPa até cerca de -29 kPa, vindo em seguida o K, com diferença de cerca de 1,4 vez, em média, para o teor médio de Ca nesse intervalo. De -29 kPa a -70 kPa os teores de N foram maiores que os de K, com

diferença média para o teor médio de Ca, cerca de 1,2 vez menor. Em seguida, com teores menores que os de N e K em toda faixa de variação de potencial mátrico estudado, o Mg diferença média cerca de 2,1 vezes menor que o teor de Ca, 0,4 vez menor do que o de N e 0,3 vez menor do que o de K. Na sequência decrescente, o teor de P foi seguido pelo de S, com diferença de concentração em relação ao de Ca de cerca de 22 vezes para o P e de 89 vezes para o S. Em relação ao N, K e Mg, as diferenças de teores de P e S foram de 9; 8,7 e 6 vezes e de 38; 37 e 28 vezes, respectivamente.

Em -10 kPa, -30 kPa, -50 kPa e -70 kPa, as diferenças entre os teores de N e de Ca foram de 1,7; 1,4; 1,2 e 1,0 vez, enquanto os de K foram de 1,3; 1,4; 1,44 e 1,3 vez, respectivamente.

Os teores médios dos macronutrientes nas folhas, em todo o intervalo de potenciais mátricos avaliados, apresentaram a seguinte ordem decrescente: Ca>N>K>Mg>P>S.

Considerando os teores majoritários nas partes da planta de OPN verifica-se que nas raízes foi o N (> 20 mg g-1; Figura 32), nos caules o K (> 20 mg g-1; Figura 33) e nas folhas foi o Ca (≈ 56 mg g-1; Figura 34), evidenciando que em cada órgão da planta houve um macronutriente majoritário diferente. Entre todos esses, destacou-se o Ca, que além de aparecer entre os de maior teor, também não foi influenciado pela variação do potencial mátrico do solo entre -10 kPa e -70 kPa nas três partes da planta.

O teor de cálcio nas folhas de OPN neste trabalho (em média 56 mg g-1) é cerca de três vezes maior que o encontrado em espinafre (16,33 mg g-1) e cerca de seis vezes maior que o encontrado em brócolis (9,77 mg g-1), mostrando-se uma boa fonte desse mineral. Mesmo se comparado a uma fonte derivada de leite como o iogurte natural (14,3 mg g-1) (NEPA/UNICAMP, 2008), em base seca, ou à casca de ovo de galinha, que possui cálcio de mesma qualidade biológica do leite (41,50 mg g-1, base seca) (FRANCO, 2002), ainda assim, o teor de cálcio nas folhas de OPN foi superior.

Na parte aérea das plantas de OPN, em cada potencial mátrico, o teor de macronutrientes seguiu a ordem Ca>K>N>Mg>P>S (Figura 35), e apenas o P foi influenciado negativamente pela redução no potencial mátrico, com pequena taxa de

decréscimo (0,0089 mg g-1 kPa-1; Tabela 14). Comparando-se a parte aérea com as folhas, observa-se que o nutriente presente em maior concentração é semelhante (Ca) e essas partes diferem apenas na concentração relativa do K e N. Em parte aérea, o K apresenta maior concentração que o N em todos os potenciais mátricos no intervalo entre -10 e -70 kPa. Já em folhas, há maior teor de N, considerando potenciais mais baixos (entre cerca de -30 kPa e -70 kPa), e maiores teores de K em potencias mais elevados (entre -30 kPa e -10 kPa), alternando N e K como segundo nutriente de maior concentração.

Figura 35. Teor de macronutrientes em parte aérea de Ora-pro-nóbis cultivadas em função do potencial mátrico no solo, em base seca a 65ºC, aos 140 dias após o transplantio.

Na planta toda apenas o teor de fósforo não foi influenciado pelo potencial mátrico do solo, os demais macronutrientes foram positivamente influenciados pela redução no potencial mátrico, apresentando maiores teores em potenciais mátricos menores (iguais ou próximos a -70 kPa) (Figura 36). Para cada potencial mátrico do

solo no intervalo de -10 kPa até -70 kPa, obteve-se a ordem decrescente de concentração de macronutrientes Ca>K>N>Mg>P>S, semelhantemente ao determinado para parte aérea.

Figura 36. Teor de macronutrientes em plantas de Ora-pro-nóbis cultivadas em função do potencial mátrico no solo, em base seca a 65 ºC, aos 140 dias após o transplantio.

Para a planta toda de OPN, assim como parte aérea, folhas e caules, o N não foi o elemento mais abundante, como está previsto para as plantas (MARENCO & LOPES, 2009), o que aponta para uma espécie com necessidades nutricionais específicas e ainda por serem estudadas.

Entre os macronutrientes, Mg, P e S estão presentes em raízes, caules e folhas da mesma forma decrescente: Mg>P>S, assim como também na parte aérea e na planta toda.