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7 ESTUDO DAS ESPÉCIES VEGETAIS QUE CRESCEM DE FORMA

7.1.2 Teores de macronutrientes, micronutrientes e metais nas diferentes

Na Tabela 42 são apresentados os teores de metais considerados fitotóxicos para as plantas, de acordo com ROSS (1994).

Tabela 42. Teores de metais considerados fitotóxicos.

Elemento Nível tóxico (mg kg-1)

Co 25 – 50 Cu 60 – 125 Mn 1500 – 3000 Pb 100 – 400 V 50 – 100 Zn 70 – 400 Fonte: Ross, 1994.

De acordo com Ross (1994), as concentrações encontradas em todas as espécies de plantas coletadas em Imbituba apresentaram valores abaixo do nível tóxico, nas diferentes partes da planta e para todos os metais e micronutrientes avaliados.

O Pb, elemento que apesar de ocorrer nas plantas não possui nenhum papel específico no seu metabolismo, tem absorção passiva, sendo diminuída pela calagem e baixa temperatura. As maiores bioacumulações de Pb ocorrem em plantas folhosas, como as de alface, que podem acumular 0,15% de Pb na massa seca (KABATA-PENDIAS; PENDIAS, 1992). Segundo Brown et al. (1994), para uma espécie ser considerada hiperacumuladora de Pb ela deve acumular mais de 1.000 mg kg-1, ou seja 0,1% do chumbo na massa seca do vegetal. Neste estudo, o maior valor encontrado para a concentração do Pb2+ na massa seca da raiz foi de 27,0 µg

kg-1 na espécie Blechnum. Na massa seca da folha o maior valor encontrado foi de 9,7 µg kg-1 na Cromolaena.

Segundo Kabata-Pendias e Pendias (1992), as concentrações normais de Pb na parte aérea das plantas variam de 0,2 a 20,0 mg kg-1 e segundo Bergmann (1992) de 2,0 a 7,0 mg kg-1. Logo, os níveis encontrados neste trabalho são valores intermediários dentro do intervalo denominado como níveis normais, exceto na Blechnum, como citado acima. Segundo Simão e Siqueira (2001), o metal é pouco absorvido e pouco se transloca, localizando-se, sobretudo na parede celular da superfície das raízes, sendo difícil distinguir o assimilado do aderido. Isso ocorre, no caso do Pb, por haver a formação de complexos insolúveis com a parede celular. Além disso, as concentrações encontradas na parte aérea podem ser explicadas devido a uma característica particular deste elemento que se deposita nas folhas na forma de aerossol.

Com relação ao Zn, segundo Kabata-Pendias e Pendias (1992), a concentração crítica nas plantas para o Zn2+ situa-se na faixa de 1 – 400 mg kg-1, e a partir desses valores o elemento se torna tóxico às plantas. De acordo com McNichols e Beckett (1985), concentrações acima de 400 mg kg-1 podem ocasionar toxidade em muitas espécies, diminuindo no mínimo a produção em 10%. Logo, de acordo com essas concentrações, todos os teores encontrados tanto na parte aérea como nas raízes das espécies avaliadas podem ser consideradas muito abaixo das tóxicas.

O zinco pode ser absorvido pelas raízes na forma de Zn e Zn2+ hidratados, íons complexos e ligados a quelatos, sendo que o Zn associado aos óxidos de Fe e Mn é mais disponível às plantas. As raízes contêm muito mais Zn do que a parte aérea, mas com excesso de Zn o mesmo é translocado das raízes e acumulados na parte aérea das plantas, nos cloroplastos, membrana celular e fluído dos vacúolos. Segundo Moraghan e Mascagni Jr. (1991), a disponibilidade do zinco é muito influenciada pelo pH, e acima de 5,5 ocorre a adsorção do Zn pelos óxidos de Al, Fe e Mn. Os resultados deste trabalho indicam que os teores de Zn estão abaixo dos limites considerados normais em todas as espécies estudadas. Provavelmente, este fato está associado à baixa concentração do Zn no fosfogesso, substrato sobre o qual estas plantas crescem. Entretanto, as espécies vegetais estudadas apresentaram comportamentos diferentes para este elemento, algumas apresentaram maiores concentrações nas raízes (Blechnum e Eupatorium) enquanto

as demais obtiveram maiores concentrações nas folhas (Baccharis, Cromolaena e Pteridaceae).

Tabela 43. Concentração de metais pesados na raiz, caule e folha das plantas que crescem sobre o fosfogesso. Determinados por ICP OES.

Amostra Fe Mg Ca Na K Al Zn Mn Cu Pb Co V _______________ mg kg-1 __________________ ________________mg kg-1 __________________ Raiz Baccharis 13925 1001 65143 1228 1140 896 26,364 137,07 18,847 11,036 5,505 17,05 Folha Baccharis 3329 1857 66188 10699 12424 527 31,392 135,72 23,366 6,666 2,777 12,10 Caule Baccharis 913 1081 48987 8305 5801 115 29,6 29,6 11,603 5,646 1,176 2,82 Raiz Blechnum 21435 3161 95982 3912 3686 2441 30,977 152,44 43,65 27,047 7,212 49,71 Folha Blechnum 1860 230 15783 6980 2329 100 14,333 12,32 6,18 4,451 1,164 3,008 Caule Blechnum 731 704 13140 1778 785 16 12,594 5,115 5,544 3,55 1,091 1,448 Raiz Cromolaena 1063 3512 56354 19857 6725 76 9,178 12,56 9,006 4,101 1,387 2,409 Folha Cromolaena 3754 2736 116664 9714 4215 951 26,468 107,43 15,231 9,715 2,328 18,27 Caule Cromolaena 598 2505 56654 14658 2766 74 34,094 78,202 17,584 4,219 1,164 2,404 Raiz Eupatorium 2237 737 34151 3260 6445 131 22,580 30,151 7,384 4,999 1,815 3,411 Folha Eupatorium 849 894 98190 4668 2887 38 12,808 155 3,091 3,6 1,279 1,80 Caule Eupatorium 345 476 21435 2765 1782 21 9 23 2 3 1 1 Raiz Pteridaceae 3765 984 40879 1834 2542 265 17 65 11 6 3 6 Folha Pteridaceae 4444 1558 55253 1960 4037 383 19,774 72,525 9,116 6,565 2,912 8,69 Caule Pteridaceae 2744 740 31989 1742 1258 157 16,437 21,459 13,435 5,637 1,982 4,397

No geral, observa-se em relação aos metais pesados de interesse avaliados neste estudo, que as concentrações dos mesmos na biomassa das plantas variaram bastante, fato que corrobora com a literatura. Segundo Jurado (1989), é interessante ressaltar que a distribuição de metais nas plantas modifica-se em função da espécie vegetal, do metal analisado e da concentração metal no substrato.

Segundo Jurado (1989), elementos como Mn e Zn distribuem-se mais ou menos uniforme entre as raízes, folhas e caules. Os elementos Co e Cu, usualmente, ocorrem em maiores concentrações nas raízes, e em quantidades de moderadas a altas na parte aérea. Já o Pb e V ocorrem principalmente nas raízes, com quantidades muito pequenas na parte aérea. Essas características também foram observadas neste trabalho, porém somente para algumas espécies.

Na Baccharis Cf. Spicata, levando em consideração os níveis tóxicos propostos por Ross (1994), encontramos concentrações de Zn, Co, Cu, Mn, V e Pb muito abaixo dos limites considerados normais em plantas, uma vez que os resultados mostram diferenças na ordem de grandeza entre o estudo atual e os valores de Ross (1994).

Comparando os teores de Pb, V, Co e Mn nas diferentes partes da planta encontramos as maiores concentrações destes elementos nas raízes, por outro lado, para o Zn e o Cu as concentrações observadas nas folhas foram maiores que na raiz e no caule. Esses resultados foram semelhantes aos encontrados por Soares et al. (2001) que estudando espécies arbóreas concluiu que as plantas apresentaram teores foliares de Zn elevados.

Para as espécies Blechnum serrulatum Rich e Eupatorium asteraceae, assim como na Baccharis Cf. Spicata, as concentrações dos metais de interesse estiveram muito abaixo dos níveis considerados normais. Entretanto, quando comparamos a distribuição de Pb, Co, Mn, V, Zn e Cu nas diferentes partes da planta observamos que as raízes apresentaram as maiores concentrações para todos os elementos avaliados.

Já na Chromolaena aff. Odorata, os níveis de metais absorvidos pela plantas também estiveram abaixo dos níveis considerados normais. Porém, as maiores concentrações dos metais avaliados foram encontradas nas folhas.

E finalmente na Pteridaceae Pityrogramma, também tivemos valores de metais abaixo dos níveis considerados normais para espécies vegetais. Todavia, a distribuição dos metais nas diferentes partes desta planta foi bem peculiar, variando

bastante, para o Zn, Mn, Pb e V as maiores concentrações foram encontradas nas folhas, para o Cu os maiores teores se apresentaram no caule e para o Co, os maiores níveis apareceram nas raízes.