4.1 FERTILIDADE DO SOLO
4.1.1 Teores de Matéria Orgânica e Macronutrientes
As contribuições individuais dos tratamentos e as médias experimentais para os teores de matéria orgânica, fósforo, potássio, cálcio e magnésio estão dispostas nos Apêndices A, B, C, D e E, respectivamente.
Em solos tropicais e subtropicais, freqüentemente bastante intemperizados, a matéria orgânica apresenta relação direta com as demais variáveis de fertilidade do solo, especialmente a capacidade de troca de cátions (CTC), já que esses solos geralmente apresentam poucas cargas estruturais ou permanentes, provenientes de argilominerais do tipo 1:1 (CUNHA et al, 2014). Nesse sentido, a importância da matéria orgânica se dá na contribuição com cargas variáveis, possibilitando as reações químicas que ocorrem na superfície dos colóides.
A adubação e suas diferentes formas pouco afetaram os teores de matéria orgânica (Figura 01). Entretanto, os teores de matéria orgânica do solo ao longo do experimento mostraram-se de médios a altos, com um leve incremento ao longo do tempo. Os teores mantiveram-se entre 30 e 50 g dm-3.
Observaram-se contrastes significativos em relação aos teores de matéria orgânica. Para a camada de 0 a 20 cm, em julho de 2009 a testemunha proporcionou vantagem significativa de 4,62 g dm-3, já em setembro de 2012 a diferença foi de 6,13 g dm-3, em favor do uso da adubação (contraste 01).
Figura 1 – Efeito dos contrastes de adubação sobre os teores de matéria orgânica (g dm-3) nas camadas de 0 a 20 cm e 20 a 40 cm em Latossolo Vermelho sob cultivo de videira 'BRS-Violeta'. As setas indicam a reposição dos tratamentos. UTFPR - Câmpus Pato Branco, 2015.
Ainda na camada de 0 a 20 cm, o uso da adubação convencional proporcionou um incremento em setembro de 2013, com uma diferença de 10,89 g dm-3 em relação à adubação alternativa em setembro de 2013 (contraste 02).
Na camada de 20 a 40 cm, para o contraste 01, em março de 2011 houve uma diferença significativa de 4,62 g dm-3 em favor da testemunha e em setembro de 2012 uma diferença de 6,13 g dm-3 em favor do uso da adubação. Em março de 2012 observou-se uma diferença de 7,29 g dm-3 em favor do uso da adubação convencional.
Apesar da ocorrência de tais contrastes em ambas as camadas, pode- se dizer que tais resultados podem ser atribuídos ao acaso, já que não houve nenhuma tendência que tenha se repetido ao longo do experimento, com exceção do contraste 05, sendo que ora um, ora outro fator mostrava alguma vantagem, significativa ou não.
Leão et al (2014) observou um incremento nos teores de matéria orgânica com a aplicação de xisto retortado na dose de 1,5 t ha-1.
Para o fósforo (Figura 02), registrou-se oscilações anuais, caracterizadas por pequenos incrementos nos teores de P disponível entre um ano e outro. Observou-se um gradiente de P disponível entre as camadas que foi se acentuando ao longo do experimento. Os incrementos, apesar de discretos, nos teores médios de fósforo indicam que as aplicações anuais de fosfato natural de Gafsa, foram bem sucedidas em seu objetivo de manter os teores desse macronutriente.
O uso da adubação proporcionou maiores teores de fósforo disponível do que a testemunha (contraste 01), exceto na primeira coleta, onde o efeito da homogeneização da fertilidade da área total do experimento ainda persistia. Houve incrementos de fósforo disponível na testemunha após o inverno. Provavelmente, esse fósforo é proveniente da mineralização da matéria orgânica das plantas de cobertura.
Figura 2 - Efeito dos contrastes de adubação sobre os teores de fósforo (mg dm-3) nas camadas de 0 a 20 cm e 20 a 40 cm em Latossolo Vermelho sob cultivo de videira 'BRS-Violeta'. As setas indicam a reposição dos tratamentos. UTFPR - Câmpus Pato Branco, 2015.
A adubação proporcionou teores de fósforo em média 4,65 mg dm-3 superiores à testemunha na média geral das coletas, exceto a de junho de 2014, na camada de 0 a 20 cm. Observou-se contrastes significativos nas coletas de julho de 2009 (3,24 mg dm-3), janeiro de 2010 (8,08 mg dm-3), março de 2011 (1,97 mg dm-3), março de 2012 (3,09 mg dm-3), setembro de 2012 (8,68 mg dm-3), dezembro de 2012 (8,27 mg dm-3), março de 2013 (6,87 mg dm-3), dezembro de 2013 (8,14 mg dm-3) e junho de 2014 (29,91 mg dm-3).
Na camada de 20 a 40 cm o comportamento dos teores de fósforo seguiu a mesma tendência, onde a adubação proporcionou contrastes significativos nas coletas de julho de 2009 (2,22 mg dm-3), janeiro de 2010 (7,51 mg dm-3), março de 2011 (1,24 mg dm-3), dezembro de 2012 (1,34 mg dm-3), setembro de 2013 (3,57 mg dm-3), dezembro de 2013 (2,06 mg dm-3) e julho de 2014 (12,88 mg dm-3). Com uma diferença média de 2,41 mg dm-3 ao longo de todas as análises.
A adubação alternativa proporcionou maiores teores de fósforo do que a adubação convencional (contraste 02), em quase todas as coletas para ambas as camadas. Sendo que de 0 a 20 cm houve diferença média de 2,79 mg dm-3 e de 1,02 mg dm-3 de 20 a 40 cm. Na camada de 0 a 20 cm observou-se contrastes significativos a favor da adubação alternativa nas coletas realizadas em janeiro de 2010 (7,06 mg dm-3) e março de 2012 (4,18 mg dm-3), enquanto de 20 a 40 cm houve contraste significativo apenas em janeiro de 2010 (7,06 mg dm-3).
As diferenças diminuíram nas coletas realizadas nos meses próximos ao inverno, onde esperava-se que houvesse pouco efeito residual da adubação convencional devido à sua maior solubilidade. Possivelmente, devido às menores temperaturas e pluviosidade do período de inverno, houve menor solubilização e liberação de P por parte dos adubos alternativos,
O uso de cama de galinha poedeira (contraste 04) proporcionou incrementos nos teores de fósforo na maioria das datas de coleta para ambas as camadas. Porém, contrastes significativos foram observados apenas em junho de 2011, com uma diferença de 3,06 mg dm-3 na camada de 0 a 20 cm, e em março de
2012 para ambas as camadas, sendo 2,33 mg dm-3 de diferença de 0 a 20 cm e 3,29 mg dm-3 de 20 a 40 cm.
Malagi (2011) realizou um estudo aprofundado das duas primeiras safras desse mesmo experimento e sugeriu que os teores de silício presentes na MBR e no Bioland® seriam responsáveis pela dessorção do fósforo, pelo fato de
ambos competirem pelos mesmos sítios de adsorção. De fato, o Bioland® e a MBR proporcionaram maiores teores desses nutriente.
Em comparação ao sulfato de potássio, o Bioland® apresentou teores de fósforo em média 0,80 mg dm-3 superiores na camada de 0 a 20 cm (contraste 03), com uma diferença significativa de 3,29 mg dm-3 em setembro de 2012. Na camada de 20 a 40 esse efeito foi menos pronunciado, com uma média de 0,32 mg dm-3 em favor do Bioland®, não havendo contrastes significativos. Tal fato deve-se às contribuições com fósforo e silício do Bioland, que não ocorrem quando se usa o sulfato de potássio.
Já a MBR proporcionou teores na camada de 0 a 20 cm em média 1,28 mg dm-3 superiores aos tratamentos que não fizeram uso da matriz, com uma diferença significativa de 3,04 mg dm-3 em janeiro de 2010. Na camada de 20 a 40 cm não observou-se contrastes significativos, apesar da diferença média de 0,99 mg dm-3 em favor da MBR.
É importante levar em consideração que o extrator Mehlich-1, comum para análises químicas de solo nos estados de RS, SC e PR, tem por característica a superestimação dos teores de fósforo disponível por solubilizar o fosfato natural presente nas amostras,. sendo preferível o método de resina extratora para as análises de solos adubados com fosfatos naturais. Entretanto, tal metodologia é muito onerosa comparada ao Mehlich-1 (FREITAS et al, 2013). Vale salientar que provavelmente os teores de fósforo foram superestimados em todas as coletas, já que sempre se utilizou o Mehlich-1.
Quanto ao potássio, observa-se pela Figura 03 que houve uma diminuição dos teores desse nutriente no início do experimento. Vale salientar que o potássio em excesso é prejudicial à vitivinicultura por ocasionar problemas relacionados à enologia, principalmente baixos teores de ácidos e alto pH (BRUNETTO et al, 2009). Além disso, ao contrário do fósforo, o potássio é um nutriente que geralmente não encontra-se em deficiência nos solos do Sudeste do Paraná. Portanto os tratamentos desse experimento não foram idealizados com o objetivo de se elevar os teores de potássio, mas sim de mantê-los, como ocorreu a partir de 2011.
O uso da adubação por vezes proporcionou teores de potássio inferiores à testemunha (contraste 01). Os tratamentos que contribuem com cálcio e magnésio podem ter sido responsáveis pela diminuição da disponibilidade do
potássio. Isso pode ser explicado devido a vantagem desses elementos, que encontraram-se em altos teores no solo do experimento, pelos sítios de troca dos colóides de argilominerais e matéria orgânica, tal vantagem é atribuída á maior valência do cálcio e magnésio, ocasionando a lixiviação do potássio proveniente da adubação (AMARAL, 2013). Entretanto, na análise realizada em setembro de 2013 houve uma diferença significativa de 0,05 cmolc dm-3 na camada de 20 a 40 cm para
os tratamentos que receberam adubação (contraste 01). provavelmente devido à liberação que ainda ocorria de forma intensa dos adubos aplicados no mês junho. Pelo mesmo motivo, nas análises realizadas em setembro 2012 e dezembro dos anos de 2012 e 2013 a adubação proporcionou maiores teores desse nutriente na camada de 0 a 20 cm, apesar das diferenças não terem sido significativas.
A adubação convencional foi mais eficiente do que a alternativa na disponibilização de potássio (contraste 02) na maioria das coletas, tais resultados atribuem-se ao fato de que o cloreto de potássio utilizado como fonte de adubação convencional contribui apenas com potássio, mas não com cálcio e magnésio, aumentando a concentração de potássio e desfavorecendo a competição entre esses elementos pelos sítios de ligação. Não encontrou-se diferenças significativas na camada de 0 a 20 cm. Já na camada de 20 a 40 cm, houve um acréscimo significativo de 0,06 cmolc dm-3 em março de 2012 e junho de 2014 para os
tratamentos que receberam adubação convencional. Tais resultados são um tanto supreendentes, pois como a reposição da adubação é realizada no fim do mês de junho, logo esperava-se que o cloreto de potássio por ser altamente solúvel já não apresentasse efeitos residuais na época dessas coletas.
O sulfato de potássio tendeu à proporcionar maiores teores de potássio que o Bioland® (contraste 03). Observou-se diferenças significativas nas coletas realizadas em janeiro de 2010 (0,09 cmolc dm-3), julho de 2010 (0,03 cmolc
dm-3), junho de 2012 (0,03 cmolc dm-3), setembro de 2013 (0,06 cmolc dm-3) e junho
de 2014 (0,08 cmolc dm-3) em favor do sulfato de potássio, na camada de 0 a 20 cm.
Na camada de 20 a 40 cm, manteve-se a mesma tendência. porém de maneira menos acentuada, havendo diferença significativa, apenas em junho de 2012, de 0,03 cmolc dm-3. Embora a diferença no teor de potássio proporcionado pelo K2SO4
em relação ao Bioland® seja discreta, o efeito cumulativo dessas diferenças ao longo do tempo pode ser um fator responsável pelas diferenças significativas na produtividade proporcionadas pelo K2SO4 nas três últimas safras avaliadas.
Figura 3 - Efeito dos contrastes de adubação sobre os teores de potássio (cmolc dm-3) nas camadas de 0 a 20 cm e 20 a 40 cm em Latossolo Vermelho sob cultivo de videira 'BRS-Violeta'. As setas indicam a reposição dos tratamentos. UTFPR - Câmpus Pato Branco, 2015.
Já o uso da cama de galinha poedeira e da MBR (contrastes 04 e 05) não afetaram os teores de potássio no experimento, tanto que a diferença média entre o uso ou não de ambas as fontes, foi nula para ambas as profundidades. Houve uma diferença significativa de 0,07 cmolc dm-3, em setembro de 2013, para os
tratamentos que não receberam MBR, porém tal resultado não segue uma tendência.
Quanto aos teores de cálcio e magnésio, expostos nas Figuras 04 e 05, o uso da adubação proporcionou teores de cálcio em média de 0,44 cmolc dm-3
superiores em relação à testemunha na camada de 0 a 20 cm, enquanto que para o magnésio a diferença média foi de 0,21 cmolc dm-3 (contraste 01). Entretanto, apesar
dessa tendência, em nenhuma das coletas as diferenças foram significativas.
Na camada de 20 a 40 cm essas diferenças médias foram de 0,38 cmolc dm-3 e 0,22 cmolc dm-3 para cálcio e magnésio, respectivamente. Para o
magnésio houve uma diferença significativa, em média de 0,35 cmolc dm-3, para os
tratamentos que receberam adubação em todas as coletas realizadas a partir de junho de 2012, com exceção de março e setembro de 2013. Tais resultados evidenciam a alta mobilidade que esse nutriente apresentou no solo. Já para o cálcio, observou-se diferenças significativas nas datas de julho de 2010 e setembro de 2012, de 0,70 e 0,67 cmolc dm-3, respectivamente.
Nos dois primeiros anos do experimento, o tratamento com adubação convencional apresentou maiores teores de cálcio e magnésio (contraste 02). Tal tendência inverteu-se em 2011, quando o uso da adubação alternativa passou a proporcionar maiores teores desses nutrientes, em ambas as profundidades avaliadas.
Por contribuir apenas com potássio, o K2SO4 proporcionou menores
teores de cálcio e magnésio quando comparado com o Bioland® (contraste 03), especialmente na camada de 0 a 20 cm. Sendo que de 20 a 40 cm a mesma tendência manteve-se, porém de forma menos expressiva. Apesar de que uma diferença significativa foi encontrada apenas em junho de 2011 (0,53 cmolc dm-3),
em todas as coletas, com exceção de setembro de 2013, os teores de Ca foram maiores com o uso do Bioland®, na camada de 0 a 20 cm. Já para o magnésio, verificou-se diferenças significativas de 0,57 e 0,34 cmolc dm-3 , respectivamente em
Figura 4 - Efeito dos contrastes de adubação sobre os teores de cálcio (cmolc dm-3) nas camadas de 0 a 20 cm e 20 a 40 cm em Latossolo Vermelho sob cultivo de videira 'BRS-Violeta'. As setas indicam a reposição dos tratamentos. UTFPR - Câmpus Pato Branco, 2015.
Figura 5 - Efeito dos contrastes de adubação sobre os teores de cálcio (cmolc dm-3) nas camadas de 0 a 20 cm e 20 a 40 cm em Latossolo Vermelho sob cultivo de videira 'BRS-Violeta'. As setas indicam a reposição dos tratamentos. UTFPR - Câmpus Pato Branco, 2015.
Apesar de conter teores apreciáveis de cálcio, O uso da cama de galinha poedeira (contraste 04) pouco afetou os teores desse nutriente, enquanto prejudicou os teores de magnésio, em ambas as profundidades. Um efeito contrário ocorreu com o uso de MBR, que proporcionou maiores teores de cálcio na camada de 0 a 20 cm (contraste 05). Apesar dessas tendências manterem-se durante todo o experimento, para ambas as fontes nenhum dos contraste apresentou diferença significativa em nenhuma das coletas.
4.2.1 Acidez Potencial, pH, Soma, Saturação de Bases e Capacidade de Troca de