• Nenhum resultado encontrado

ESTUDO II – MOTIVAÇÕES E EXPECTATIVA DOS ESTUDANTES DE

1 REVISÃO DE LITERATURA

1.4 REFLEXÕES SOBRE O PERFIL DA ADMINISTRAÇÃO COMO CAMPO: FUNCIONALISTA, PROFISSIONAL, CRÍTICO OU POLITICO

1.4.1 Teoria da Administração: Funcionalista e mecanicista

O estudo sistemático das organizações se dá efetivamente no final do século XIX, com a preocupação de estudar de forma autônoma e sistemática as organizações empresarias e as melhores formas de obterem os melhores, “uma vez que se tinha tornado mais complexas e mais importantes para a economia” (LACOMBE e HEILBORN, 2003, p 36). Considerando o contexto de um século com amplas mudanças nas relações políticas, econômicas e sociais em escala mundial, o movimento organizacional tomou novas configurações de mercado industrial, agrícola e serviços com o acréscimo considerável em ambas: a produtividade (JONES & GEORGE, 2013). O que refletiu diretamente na amplitude do comércio e serviços financeiros e aumento proporcional na complexidade das organizações (MAXIMIANO, 2008).

A característica da Administração, como uma ciência aplicada e funcionalista conforme caracterizado por Motta (1993), Motta e Alcadipani (1999), Ramos (1986), Alcadipani (2010) e Morgan (1996) se dá desde o surgimento das relações de produção (SANTOS, 2008). A realidade produtivista apoiada pela divisão capitalista do trabalho (TRANGTEMBERG, 2005) se materializa como movimento social e econômico, ao longo século XX (ARRIGHI, 1996), e

116

impulsiona “a formalização do taylorismo-fordismo, e consequentemente o surgimento da empresa multidivisional, e a posteriormente passagem para o toyotismo” (MOTTA, 1983, p.75).

A “Teoria da Administração”, denominada assim, pela História da Administração Científica, pode ser identificada em ‘teorias’ da “Era Clássica da Administração” (CHIAVENATO, 2008, p.12) que propõem uma análise funcionalista e prescritiva da Ciência da Administração iniciada por Taylor, em 1932 (SIMON, 1979). Considerando o contexto específico: cargo que ocupa, pelo treinamento tido e os problemas específicos com que se defrontavam na indústria, “Taylor e seus companheiros foram levados a estudar principalmente o uso homem como adjuntos das máquinas no desempenho de tarefas produtivas de rotina” (MARCH & SIMON, 1981, p.32). Cujo objetivo “era empregar da melhor maneira possível, no processo de produção, o organismo humano bastante ineficiente” (BEHN, 1988)

O estudo da administração neste contexto com a abordagem clássica da administração, foi marcado pelo desenvolvimento industrial, acelerado pelas ideias de Adam Smith de produção eficiente através das tarefas especializadas (LACOMBE, 2003) e da divisão do trabalho, bem como Ford e industriários faziam da produção em massa uma das bases de consumo (MAXIMIANO, 2008; CHIAVENATO, 2010). Neste contexto de crescimento econômico, o fenômeno organizacional passou a ser estudado como campo de diagnose de melhores processos e ações com foco no resultado e produtividade organizacional (Idem, 2012).

O mapeamento dos estudos da administração, por séculos acontece de forma proporcional ao entendimento do campo da administração. Considerando que os estudos se deu em um momento em que o campo focado da administração era a máquina, a empresa e a produtividade, o que perdurou dos escritos foi o extrato da vivência “produtiva” da administração. Distingue-se assim, as três Eras da Administração: Clássica, Neo-Clássica e da Informação, conforme Figura 30:

117

Fonte: Chiavenato (2008)

Mapeando estes estudos da “ciência da administração”, no início do século XX: a Administração Científica (Frederick Taylor e Frank e Lillian Gilbreth), os estudos dos princípios administrativos (Henry Fayol e Mary Parker Follet) e das organizações burocráticas (Max Weber) encontraram uma convergência de concepção: “as pessoas no trabalho agem de maneira racional que é guiada antes de tudo, por preocupações econômicas” (SCHERMERHORN, 2007, p.29).

No período de 1900-1950, as Teorias da Era Industrial Clássica esperava do trabalhador que eles considerem de forma racional as oportunidades que surgem e que façam o que for necessário para obter delas o maior ganho pessoal e financeiro, porque isto será sim, consequência inicial de um ganho da empresa (MOTTA, 2001).

Desde então, a ciência e as práticas de gestão se desenvolvem de modo rápido e constante. A grande contribuição de fato, que o movimento de administração científica e da teoria clássica, também chamada de “teoria fisiológica da organização e da ciência administrativa clássica” por Simon, foi uma considerável precisão de medidas para a organização das atividades produtivas do empregado (SIMON, 1979; MARCH E SIMON, 1981), cujo resultado indica que tem mais a ver com a mecanização e automação do que com os aspectos organizacionais (NICHOLS, 2010).

O início a uma série de estudos e propostas que possibilitam o estudo evolutivo das teorias de organização. Cabe registrar, sem demérito a conquista realizada, que a grande lacuna deixada pelos estudiosos da era clássica, foi a falta de verificação empírica das proposições

118

levantadas, a busca “pela solução essencial à verificação empírica das proposições que formula” (MARCH & SIMON, 1981, p.12). A concepção de Ramos (apud Alcadipani, 2009) confirma que a lacuna mais grave da ciência administrativa clássica é que não confronta a teoria com elementos de prova (SPARKES, 1991). Isso é, em parte, consequência das dificuldades de operação acima referidas. As teorias tendem a dissolver-se quando postas em forma que admita experimentação(...) pobreza de provas empíricas que se observa em relação a recomendações “práticas” dos teóricos da administração (FARIA & LEAL, 2007).

A busca pela prescrição de ações, ferramentas e ato operacionais na Era Clássica da Administração foram identificados em cada teoria deste período, na relação de diagnose em torno de um problema e busca de solução mediata para alcance de resultados operacionais e produtivistas (ALLEN & MEYER, 1990). O problema maior no caso da ciência administrativa clássica, foi fazer definições de variáveis importantes tornando-as operacionais, bem como, a promoção da comprovação empírica das proposições que pudessem ser tornadas operacionais (ASTLEY & VAN DE VEN, 2007).

Distinguem-se dois rumos principais na evolução das teorias tradicionais de organização. O primeiro decorrente da obra de Taylor, focaliza as atividades materiais básicas envolvidas na produção, seu característico típico são os estudos de tempos e métodos. O segundo, de que, que se constituem bons exemplos de Gulick e Urwick, em torno dos grandes problemas de organização, representados pela divisão do trabalho e coordenação departamental (CARIBÉ, 2008; NICOLINI, 2003; MARCH & SIMON, 1981).

Este olhar da Administração como fenômenos de aplicabilidade de prática, ainda é visto na sociedade atual. Que acompanham um crescimento e mudança de foco da produtividade para a organização e posteriormente para o a gestão. (SANTOS, 2010A; CALDAS, 1997; MOTTA & ALCADIPANI, 2001; CALDAS & BERTERO, 2007). O desenvolvimento aqui retratado como Eras, passa a ter olhares distintos por estudiosos de outras ciências sociais, que aos poucos promovem a distinção do foco do ato de administrar para o ato de “pensar a administração” (NICOLINI, 2003).

119